26.8.11


Mogwai - Acid food

havia algumas estrelas e algumas nuvens e alguma relva ainda e eu tinha os pés descalços colados à terra mas quase sempre vi de cima como vêem os anjos e hoje acompanharam-me na volta e algures a sul ficou um pouco mais do que ainda resta e isso foi bom porque às vezes temos de deixar para trás quem tem de ficar para trás mesmo que isso nos deixe um bocadinho mais vazios
Não é meu hábito recomendar livros. Até porque os livros que me interessam, normalmente, não interessam muito a muita gente. De qualquer modo, este livro - do qual, apesar de tudo, ainda não sei se gostei ou não - foi uma surpresa. Não tanto pelo conteúdo, mas antes pelo autor. Não consigo encontrar uma palavra para o definir. Mas não conseguia parar de o ler. Cheguei à conclusão que, apesar de fazer parte de um governo no qual não me revejo nem um bocadinho, o nosso ministro da economia é o tipo de louco ao qual eu acho piada.
1691 km depois em que fiz algumas das coisas que mais gozo me dá - conduzir sem destino, enfiar os pés na areia numa praia às escuras e ler dias a fio - voltei com uma cor dourada.

15.8.11

e ontem X acordou muito cedo, foi à rua, comprou fruta e tabaco, tomou café, voltou a casa, deu comida à gata, ligou a música - escolheu punk-rock de adolescente - e limpou a casa - pela primeira vez desde há muito com vontade de limpar a casa - e saltou e pulou enquanto lavava a loiça e outras coisas assim. pelo meio X ia arrumando a mochila, pegando no material de campismo, o micro-mini-fogão, a lanterna, o saco cama, X não pode esquecer-se do saco cama, champô, protector solar, cremes, aquele perfume, X não vive sem aquele perfume, e roupa? que roupa levar? não ténis não. só havaianas. os anéis, os anéis não podem ficar esquecidos. e o colar que se abana e chama anjos. esse também não. mas será possível que X só tem dois biquinis de jeito? e o secador de cabelo, X não pode sair sem o secador de cabelo. e a geleira e os copos para o gin... sim, agora X acha que está tudo! X mete-se no carro, liga a música, faz uma viagem de mais ou menos 400 km só com Mogwai, alguns temas ouve até ao limite do repeat, chega ao destino, abre a mala do carro e: X sabe que anda com a cabeça meio no ar mas logo o raio da tenda é que tinha de ter ficado em Lisboa?

13.8.11

Acordei com vontade de ouvir isto. Tenho para mim que é por causa daquele berro inicial que é igualzinho ao que me apetecia dar agora. Para além disso a Wendy James sempre me deixou dúvidas.

X acordou com isto enviado por alguém lá do outro lado do mundo.

12.8.11

estou muito, muito, muito cansada, mas feliz, ainda que a minha insanidade continue amanhã.

11.8.11

tem-me dado para pensar acerca do papel das pessoas que vão cruzando connosco. tem-me dado para pensar na forma como as vidas se fazem em teias. também me tem dado para pensar nos maus resultados que às vezes isso dá. mas, ainda assim, o que realmente me tem incomodado nesta questão é perceber que, no limite, temos sempre como mais importante o efeito das coisas em nós do que nos outros. e isso é profundamente egoísta. por outro lado, somos quase sempre tão previsíveis. até na inconstância. e, quando tudo nos parece tão incrivelmente novo, o resto, amiúde, passa a ter menor significado. e isso é também bastante estúpido. é que, às vezes, as coisas explodem. e quando há explosões, há quase sempre danos colaterais. ou seja, a vida é uma espécie de equação, e os desvios de cálculo - ainda que mais ou menos voluntários - levam-nos a enveredar por caminhos - às vezes, até profundamente errados - que, no lado mau da hipótese, terão influência decisiva em resultados alheios. e, às vezes, isso parece ser de importância menor. e é exactamente aqui que não consigo decidir se isso é bom ou não. é que, quando alguém diz eureka, outro alguém fica profundamente ferido. mas isso, quase sempre, é problema do outro alguém. e é este pormenor que é uma grande filha da putisse. pecado esse de que eu, apesar de tudo, também não estou isenta.
preciso desesperadamente de cores primárias. mas onde me sinto bem é no lilás quase pálido. não sei bem se isto é uma contradição ou se é uma forma sábia de viver no todo. tenho de voltar ao Goethe, que ficou esquecido num momento de raiva.
em tempos disse a alguém que precisava de aprender a andar em terra. enganei-me. gente como nós andará sempre sobre a água.

10.8.11

hoje tenho um dragão a queimar-me por dentro e uma corrente de ar na cabeça que me impede de pensar
Only themselves understand themselves and the like of themselves,
As souls only understand souls.

Walt Whitman - Perfections
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Julianna Barwick - Dancing with friends

9.8.11

quero dizer qualquer coisa, mas não sei bem o quê, está tudo confuso, sabes aquela porta por onde entravam os pesadelos em tons laranja e labareda?, ameaça reabrir-se, mas a fragilidade do corpo nú traz angústia, e sons sibilantes que arrepiam, continuo a querer dizer qualquer coisa, mas não sei bem o quê

8.8.11

hoje tenho bichos-carpinteiros na barriga. não sei porquê. mas hoje tenho bichos-carpinteiros na barriga.
assim, vistas bem as coisas, tenho uma vida bastante estúpida. é isto que se descobre quanto se tenta perceber o porquê de o fim de semana ser curto.
tentei lembrar-me. mas as formas, texturas e sons perderam-se irremediavelmente. suponho que isso é bom. já não sei como era. só como gostaria que tivesse sido. não, não quero regressar. e isso não é uma decisão. é antes uma consequência. mas adeus não é suficiente. seria antes necessário um big bang ao contrário.

Julianna Barwick - White flag

a paz é algo como isto. não há ânsias de amanhã. hoje chega.

5.8.11

hoje X sonhou com algo que pensava já não ter matéria para sonhos. algures ali a meio uma alma penada assombrou X um bocadinho. mas era mais do mesmo e X passou-se tanto que disse "rua". as dúvidas não podem ser eternas. e X já não tem paciência.

3.8.11

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Hammock - Still secrets remaining
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Mono - A heart has asked for the pleasure

2.8.11

cheguei aos 20 expectante e aos 30 desacreditada. hoje acredito mais um bocadinho mas continuo expectante.
Talvez o problema seja meu, mas chegar aos 30 ou ultrapassar os 30 não me parece ter qualquer significado especial.

29.7.11

Em algum momento da noite a cabeça de X ficou perdida algures para lá do cá. São 15.51 h e X ainda não a reencontrou. X não gosta disto pois normalmente as notícias que chegam em seguida são pouco agradáveis. E, desta vez, X até quase que adivinha. Onde se desliga a luz?

26.7.11

Apesar das coisas que enchem os dias apartando-nos de desejos antigos e sonhos que deixaram de ser, apesar do que hoje nos dá sentido às decisões que um dia tomamos, apesar de tudo... há um vazio permanente que teima em manter-se como que à espera do que nunca virá a ser. Talvez nunca sejamos capazes de perceber porque não conseguimos simplesmente ir. Mas há coisas que não se explicam. Sentem-se. Aceitam-se. E aprende-se a viver com elas. Ou sem.
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Mogwai - Killing all the flies
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Tim Buckley - Song to the siren
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Pixies - Where is my mind
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Tom Waits - The world keeps turning
your life is your life,
don’t let it be clubbed
into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light
but it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them. take them.
you can’t beat death
but you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delightin you.

Charles Bukowski - The laughing heart

25.7.11


Amy Winehouse - You're wondering now

You're wondering now, what to do, now you know this is the end
Curtain has fallen, now you're on your own
I won't return, forever you will wait

Tinha vários problemas, mas talvez o maior fosse amar com as vísceras. Isso mata.

19.7.11

Fim de semana resumido: um dente partido, uma visita ao dentista, um dente arrancado, outra consulta marcada, quatro livros pelo preço de um, dois perfumes, quatro cuecas dos saldos, dois tops, uns ténis de corrida, um presente, umas havaianas azul bebé, dois vasos que voaram com o vento, uma caminhada de mais ou menos dez quilómetros, um lago com patos, dois lagos com patos, uma cerveja numa esplanada bonita, três trabalhos que ficaram por acabar e, por isso, uma semana do demónio a caminho.

9.7.11

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Balmorhea - Truth
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Pornopop - Centre

25.3.09

repost #12

Gosto de drama. De sabor a saliva misturada com lágrimas. De suores colados em camas desfeitas. De latejar de veias. De emoções violentas. De vida de carne. De sangue vermelho. Gosto de momentos sem regras. Sem horas. Sem amanhã. Gosto de vidas agarradas em sopros. Gosto de alturas e de vãos e pontes. De lâminas e do torpor etílico. Gosto de chãos e de mesas. De voar. E de me pendurar como os morcegos. Gosto de dentes espetados. De unhas que marcam e de olhares descontrolados. De urgência. De vontade. De vida com raiva. Gosto do mundo no corpo.