14.11.11

eu sei que isto até pode chocar meio mundo,
mas ele há dias que os radiohead me aborrecem como o raio que os parta.
eu devia estar de férias. pois devia. mas não estou.

8.11.11

aborrecem-me meias-palavras, meios-sentidos, meias-verdades, meios-sins, meios-nãos, meias-vontades, meios-caminhos, meias-pessoas... aborrecem-me as coisas a meio. e aborrece-me, sobretudo, que se viva em metades. ou então pela metade.

7.11.11

o absurdo revela-se. e o que antes era náusea, hoje é vazio. curiosas estas mudanças. pedem-se tanto e, quando chegam, estranham-se. tenho a cabeça cheia de nada. não sei o que prefiro: se a avalanche anterior se este vazio desconcertante.

4.11.11

deve ser do fim do verão. não gosto do outono. é triste. mas gosto do inverno. e do frio e de mantas e cobertores e chá quente e de bolo de chocolate e do natal e de cachecóis. mas do outono não gosto. é estação de morte. de fim. mas dizia eu que deve ser do fim do verão - o andar meio angustiada. mas também é cíclico. embora agora vá passando mais depressa também. a idade vai-nos ensinando a recuperar o fôlego com menores danos. de qualquer forma uma coisa é certa - estou cada vez mais intolerante a alguns alguéns. também deve ser da idade. a verdade é que detesto gente má. e vampiresca. é, portanto, natural que a distância entre mim e o mundo de terra se vá alargando. mas eu nunca disse que isso é bom. não é. eu às vezes gostava de ser cínica.  ou maldizente. teria, com certeza, muito mais amigos. 

2.11.11

"you do know for yourself. and what you know is valid."



gosto do david lynch. mais do que dos filmes do david lynch. mas também gosto dos filmes do david lynch. (mesmo quando não gosto assim tanto.) david lynch tem este dom - fazer-me gostar de algo que normalmente odiaria, sem que isso me pareça demasiado estranho. david lynch dá-me liberdade de ver o que eu quiser ver nos filmes dele. sem dizer "estás errada, estás errada". e isso já é meio caminho para eu gostar dele. e dos filmes dele. (mesmo quando não gosto assim tanto.) e david lynch não me faz bocejar. e isso é raro. e deve ser sobretudo por isso que gosto dos filmes de david lynch. (mesmo quando não gosto assim tanto.) e isto ocorreu-me porque revi o eraserhead - que continua a incomodar-me como da primeira vez. vejo naquele ser de cabelos em pé a personificação de todas as frustações terrenas, vivendo algures entre o céu e o inferno. quase sempre no inferno, contudo. ou na apatia, o que talvez seja pior. assim sendo, o mundo que david lynch transpõe para a tela é bem menos abstracto do que à primeira vista parece. talvez seja exactamente isso que gosto no david lynch - a omnipresente capacidade de abstractizar o concreto. e talvez seja também exactamente isso que não gosto no david lynch - a omnipresente tendência de abstractizar o concreto. também gosto que haja uma moral sempre presente. mesmo quando tudo parece imoral ou amoral. gosto destas aparentes contradições. afinal de contas, nós somos mesmo assim - multipolares. quem não assume essa multipolaridade tem certamente uma vida mais simples. contudo, sem dúvida nenhuma, mais pobre. não, isto não é um post sobre cinema. é sobre a natureza humana.

1.11.11


Miranda Sex Garden - Play

o lugar é mais ou menos assim. e volto tantas vezes.
por muito que tentemos desconstruir, o que foi e o que é terão sempre de ficar arrumados em cantos opostos de nós. e momentos haverá em que apetece atirar ambos fora. e este é o dilema de quem vive distraído com o que pode vir a ser. o mundo do possível engole-nos.

31.10.11

não me chames. nem me penses.

lembra-te - eu morri às tuas mãos.
tenho esta tendência para fugir das coisas que cristalizam. do que me prende. do que já vi. mas à medida que avanço percebo que o que se vê não se distingue assim tanto entre pontos. e isso tira-me a razão para ir sem que me dê mais vontade de ficar. eu sei. a culpa é minha. mas eu nunca disse que não era. e a única certeza que tenho é que me partilho com uma montanha de dúvidas.
vim a reconhecer que nunca havia percebido muito bem quando te ouvia coisas como "não sinto a realidade" ou "fiquei sem referências de espaço e tempo". talvez até desdenhasse tudo o que ouvia. com aquele meu ar de enfado de quem pensava tudo saber. talvez até adoptasse uma postura paternalista. até eu própria ter entrado nesse mundo para onde fui empurrada. onde a realidade passa a não ser (ou a ser em várias frentes). e o espaço e o tempo se misturam até nos desorientar os sentidos. e sabes, às vezes faço de conta, mas ainda não saí de lá. desse mundo que é sem ser. ou que não parece ser, ainda que seja mais que qualquer outro. contudo, em esforço, vou mantendo os pés assentes. mas é difícil. e é sobretudo difícil fazer perceber a quem não saí do espaço da razão que o mundo além é tão vivo quanto aquém. e ainda assim, às vezes, gostava de ser só aqui. a dispersão por dentro consome. por isso hoje percebo-te a necessidade de agarrar a matéria. mas eu não consigo ainda fazê-lo. não tenho suficientes razões para isso. vagueio, portanto, no lado nenhum.

30.10.11

talvez seja cíclico. mesmo sem que queiramos que o seja. talvez seja coincidente. à distância. e talvez o que eu sinto continue a ser o que tu sentes. por vezes. talvez nos encontremos por aí onde mais ninguém nos toca. ou talvez seja só uma espécie de sonho que nos deixa à deriva sem saber por onde. talvez seja isto o que alguns chamam de saudade. mas há dias assim. em que nos cruzamos algures. hoje não fica raiva. talvez só um pouco de mágoa. e vontade de chegar perto. e falar sem palavras. falta-me isso sabes. é estranho não o conseguir fazer com os demais. era tão fácil antes. mas se formos bem a ver, era fácil só por seres em mim. talvez essa seja a nossa lição - que o mundo é enorme cabendo-nos na mão. e o que vem construído de trás talvez não precise de mais. talvez nos faltasse ar novo apenas. e talvez o apenas tivesse sido o caminho certo. mas ainda assim, ainda assim... hoje voltamo-nos. e eu sei que também sabes.


lembro-me de isto começar a tocar. e do silêncio que se fez. aquele desconcertante silêncio. e de um abraço. um abraço inesperado. e de uma voz ao ouvido que disse "é tão triste". lembro-me que sorri. para travar o nó que se criou. e talvez para disfarçar o que sabia que era mas não queria que fosse.uma despedida.

25.10.11

não sinto nada.
absolutamente nada.
por isso, não tenho nada para dizer.
reinvente-se o corpo.
e os lugares onde os passos caminham.

as palavras. as palavras. faltam-me as palavras ao monte.
fugiram.

também tenho falta do inverno.
e de cheiro a bolo saído do forno.
mas não me apetece fazer bolos.
nem tenho vontade de guardar o biquini.


24.10.11

o nós não é mais que um grupo, maior ou menor, de egos encostados. devíamos conhecer (e assumir, e aceitar) melhor os eus. talvez assim não houvesse tantos nós falhados. mas mete medo olhar o espelho. e é sempre mais fácil apontar o dedo com vozes trémulas. por isso, o nós que falha é, quase sempre, um grupo, maior ou menor, de eus, mais ou menos, covardes! mas hoje estou azeda, e amanhã o mundo pode parecer-me mais sério. ou não.

23.10.11

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Linda Martini - Adeus tristeza
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vinte e dois de outubro de dois mil e onze, algures perto da ericeira
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Rodrigo Leão - Vida tão estranha

21.10.11

e é tão engraçado perceber que, enfim, se não sente nada. e é tão engraçado perceber que apesar de, enfim, se não sentir nada, o ter-se sentido tudo em um qualquer momento nos abriu uma porta qualquer por onde entram coisas que não sabíamos antes. e é tão engraçado perceber que é exactamente esse processo que nos torna mais pessoas - apesar de se não sentir nada em um qualquer momento do caminho. porque não sentir nada, tendo-se já sentido tudo, é o ponto de partida para se reconhecer outros sentires prestes a explodir-nos na cara. e isso é engraçado. às vezes também mete medo. mas é um daqueles medos bons.


está tudo bem. está tudo muito bem.

20.10.11

há coisas que só nos abandonam se as deixarmos ficar. parece um contra-senso. mas não é. a fuga ou a expulsão não resolvem. há coisas que têm de ser gastas. quando se gastam não há lugar a lamentos. ou desculpas. segue-se sem contemplações à rectaguarda. mas, em não se gastando, os "ses" impedem os passos. e a cura. temos sempre demasiados "ses". quase todos resultantes do medo - "e não sendo assim, como é que vai ser". coragem é o que nos falta quase sempre. e coragem não é fugir. nem expulsar. é saber quando chega o fim. assumi-lo. e começar tudo de novo com os pés assentes em tudo o que é velho. trágico é que, quase sempre, o movimento não tem só um sentido. e nem sempre os vários sentidos possíveis são compatíveis. e é exactamente aqui que se revela o egoísmo. ou a condescendência. ou a autocomiseração. tudo pecados capitais. o inferno deve ser imenso, portanto. e começa aqui, quase sempre.

19.10.11

às vezes sai-me pela boca. ou porque ainda me sobra. ou porque já não tem sítio. tenho dúvidas.
o que é que quero? foda-se! sei lá o que é que quero.

olha, quero que não me chateies. pode ser?

Les mystéres des voix Bulgares - Polegnala e Todora

nesta altura, o bairro alto era a minha segunda casa, usava doc martens roxas, misturadas com vestidos curtos, meias de ligas e/ou collants meio estranhos. fiz o meu primeiro piercing. tive o cabelo pintado de verde. e um delírio que durou uns meses com um pseudo-namorado punk à conta do qual me ia afogando no tejo. mas passava muito do meu tempo a ouvir isto. e lorena mackennit. e wim mertens. enquanto estudava ciência política, as ordenações afonsinas, o estado de necessidade e a acção directa. nunca fui muito linear, de facto.

18.10.11

"como está o meu ser plural favorito?". apesar de tudo, ele que partilhou tão pouco tempo da minha vida conhece-me tão bem. e foi assim que começou a minha manhã. suponho que se trate de uma tentativa enviesada de equilibrar as coisas - hoje estou com mais aversão a gente do que o costume. preciso de campo. de ter os pés descalços na terra. e de sons descivilizados. preciso de sol nas palmas das mãos. e de um bloco de papel em branco. tenho a cabeça à roda e o estômago em forma de convulsões. preciso de silêncio. preciso de silêncio. sim, sou plural. e às vezes não gosto de nada. nem de ninguém. mas há dias que aparecem assim tentativas enviesadas de equilibrar as coisas. e pessoas de quem gosto muito relembram-me que não vagueio só no mundo.
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The most radical revolutionary will become a conservative the day after the revolution

Hannah Arendt

e é por isto que, apesar do aspecto romântico da coisa, não tenho grande fé em revoluções. na evolução sim, deposito toda a esperança. mas isso é outra coisa - é mais difícil e mais exigente. exige responsabilidade, integridade, transparência, respeito e ética. dito isto, tirando algumas palavras de ordem absurdas, alguns cartazes tontos e algumas reivindicações e/ou queixas ridículas, no dia 15 de outubro vi essencialmente diferentes sectores da sociedade civil unidos com um objectivo comum - a demonstrar os seus receios e, timidamente, a exercer o seu poder.

e vi muita gente descomprometida. à esquerda. e à direita. talvez estejamos no bom caminho. mas a corrida ainda mal começou. e todos deveríamos parar e dizer em conjunto - falhamos redondamente no nosso papel de cuidar de nós próprios, do país e do mundo. portanto, que não se faça a revolução. que se evolua. é esse o caminho. no entanto, temos de ser claros a perceber que, de uma forma ou de outra, o caminho vai ser penoso - desde há muito que nada está verdadeiramente na nossa disponibilidade. é que a mão invisível existe mesmo. e é filha da puta. é ela que tem de ser amputada.

15.10.11


Jay Malinowski (& Coeur de pirate) - Life is a gun

é uma forma de pôr as coisas. e hoje até me parece correcta.

14.10.11

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Parachutes - Your stories

but I recovered the half you left for me

13.10.11

não nos distinguindo sobremaneira no essencial, é curioso perceber como somos todos tão diferentes na reacção ao mesmo. e como, quase sempre, sobrevalorizamos as razões. ou a falta delas.


ocorreu-me, entretanto, que talvez sejam os excessos que dão maior sensação de sermos iguais aos (ou, de certa maneira, melhor aceites pelos) demais. a placidez é confundida em demasia com apatia. ou então frieza. a assertividade, com arrogância. ou então frieza. a intransigência, com teimosia. ou então frieza. o dizer "não", "basta", "fim", com insensibilidade. frieza, portanto.


simplificando, são os excessos, as lágrimas berradas ou as justificações esticadas ao limite na tentativa de nos perdoarmos a nós próprios que nos aproximam dos quase todos. ainda que essa proximidade seja, quase sempre, oca. e falsa. e estúpida, até. sobretudo se os excessos, as lágrimas berradas ou as justificações esticadas ao limite tiverem público. esse mesmo público que se deleita quase sempre com os excessos alheios.


eu assumo com as letras todas: no processo de decisão sou assertiva, intransigente e, sempre que necessário, digo "não", "basta" e "fim" sem quaisquer remorsos e, quase sempre, com placidez. nos padrões mais ou menos convencionais devo ser fria, portanto. ah, e não gosto de público. os meus excessos são sempre privados.

12.10.11

tudo começa com passos em direcção ao abismo. e uma frase passa a ser constante: "eu não sei mas sei". descobrimos, então, que o abismo somos nós. desmontar o paradoxo "eu não sei mas sei" passa, depois, a ser um modo de vida. e, ainda que (com esforço) guardemos a sanidade, eventualmente percebemos que o caminho que guarda a história nos ensina que há coisas que se sabem só porque sim. e alguns porquês passam a ser desimportantes.

11.10.11

deparei-me com coisas de há que tempos e... oh ingenuidade trágica e agridoce! podia levar uma vida inteira a tentar, mas jamais conseguirei explicar a pele que hoje ri. e olhando para trás não me reconheço. nem a quase nenhum dos demais que eram. e não é esquecimento. é evolução.

10.10.11

é um espectáculo ignóbil. o cair das máscaras. e contudo agrada-me que se revelem as sombras negras. consequência da intensidade da luz. e quem não sente deus devia fazer um esforço para sentir. e, oh... não! ele não tem barbas brancas. nem é diferente de ti ou de mim. mas tem voz. e disse-me "age em consciência, não prejudiques deliberadamente ninguém, vive e sente em verdade e serás livre". e assim é. e quem não acredita em anjos da guarda devia passar a acreditar. os meus seguram-me todos os dias. são enormes. imensos. e dão-me beijos na testa. mas sabes (?) viver na sombra é mais fácil. não se lhes distinguem os erros. ah... e se quiseres sair daí, prepara-te para ficar sem roupa. e com um espelho como teu melhor amigo. e boa sorte.

Bon Iver - I can't make you love me

...mas o que me revolve mais por dentro é essa tendência para a condescendência. o paternalismo. o tratarem-nos como idiotas. "tu não percebes! tu não percebes! tu não percebes!" tudo o resto é difícil. as vozes. a falta. a desistência. mas ultrapassa-se. e quando se está do lado de lá, erguemo-nos mais fortes. mas a condescendência. o paternalismo. o tratarem-nos como idiotas... isso eu não suporto. nem perdoo.

9.10.11


não é um bailado bonito. é antes uma espécie de exercício contorcionista dos nossos medos. a solidão. a rotina. a tristeza. a violência. a submissão. a revolta. a clausura. a solidão outra vez. e outra. e outra. e outra. o lixo emocional acumulado. o que está a mais. e o que temos a menos. a solidão novamente. a loucura. a desrazão. o hábito doente. o caos. e a ordem pontual forçada. a tentativa de reinvenção. nós. e um espelho em palco. PETS é mais ou menos isto. ao fim de 10 minutos tinha os olhos borratados. no final fiquei quieta. nem consegui aplaudir à primeira. depois de uns minutos sentada, saí em silêncio. não é um bailado bonito. é antes incómodo. porque em algum momento todos nos podemos rever algures no palco. e eu revi-me em vários.

8.10.11

acordei. cancelei o dentista. liguei a música. e pulei na cama. agora uma torrada e café na varanda. pegar num livro. e esperar pela noite. hoje ela volta-me. no teatro camões. há razões para não estar feliz?


Efterklang - Cutting ice to snow

7.10.11

oh... culpas, culpas! é tão fácil distribuí-las. difícil é assumir as nossas. e apreender com erros. e, oh... são quase sempre tantos.

6.10.11

voltei a ver através. e a ter bolas de fogo nas mãos. também tenho um sorriso estúpido na cara. causas-consequências, suponho.
paramos de escrever sobre a perda quando nos cruzamos com o antes que nos envia palavras mudas como "puta". e então percebemos que afinal não perdemos. ganhamo-nos.
detesto aquela pergunta: "então, está tudo bem?". mas detesto ainda mais quando me respondem: "vai-se indo!". é que ir-se indo é tão circular que não leva a lado nenhum.

4.10.11

é difícil ultrapassar. fazer as pazes. colar o coração. o corpo. a alma. é difícil compreender. é difícil aceitar. ver a magia transformar-se em terror. e é sobretudo difícil dizer adeus. diz-se quase sempre com raiva. e sem verdade. e sempre com lâminas a cortar-nos por dentro. o que é não precisa de razões. e o que deixa de ser também não. talvez seja isso que precisamos de aprender a aceitar. talvez seja isso o que se chama crescer. é difícil. mas vai-se tornando mais fácil. e não é o tempo que cura. (até pode haver remendos. mas não há cura para corações partidos.) é antes a alma que dilata de modo a caber mais lá dentro. ao explodir tornámo-nos imensos. e isso dói. mas quem já sentiu um coração desfazer-se não vai querer menos do que outra possibilidade de ele se vir a estilhaçar. menos é pouco. a paz é arrebatada. se assim não for chama-se sono.

3.10.11

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"listen; there's a hell of a good universe next door: let's go."
ee cummings

X hoje tem o coração aos pulos. X não sabe porque é que hoje tem o coração aos pulos. X não gosta de ter o coração aos pulos sem saber porque é que tem o coração aos pulos. X quer que os pulos do coração parem.
é uma coisa que me intriga, e à qual volto com insistência: onde devem ficar os outros no nosso processo de escolha? como lidar com os rebuliços que causamos sem que queiramos? será seguir o caminho que pensamos ser o nosso apenas um acto egoísta? e se errarmos? e se errarmos? e como explicar a quem fica para trás? devemos desculpas? ou sou só estúpida em preocupar-me com isto? então e se for ao contrário? foda-se... às vezes somos bárbaros! e isso, é sempre mau?
tenho pena. não sei é bem de quê. mas tenho pena. se calhar tenho é pena de ter pena. são penas a mais.

2.10.11

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"We are one, after all, you and I, together we suffer, together exist and forever will recreate each other."

Pierre Teillard de Chardin
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"sex is often overrated"

30.9.11

(coisas que ocorrem a X à hora de almoço: X não é dada a depressões nem tem problemas de auto-estima. X gosta do que faz e não tem problemas com chefes ou colegas de trabalho. X não tem particular aversão por segundas-feiras, nem especial euforia com sextas. X não é dada a doenças e só faltou uma vez ao trabalho por causa de um ataque de rinite fulminante (mas isso foi antes de descobrir os comprimidos maravilha). X não tem pachorra para intriguisses nem para o mal-dizer. mas X também não tem qualquer problema em dizer exactamente o que pensa a quem quer que seja. X não se preocupa em ser politicamente correcta e não tem medo de consequências que daí advenham. X não faz fretes e não tem problemas em dizer "cala-te estás a aborrecer-me de morte". X quase não vê televisão e não conhece quase nenhumas das caras que aparecem nas revistas. por isso, X, quase sempre, sente-se muito deslocada nas conversas e, às vezes, chega a pensar que não deve ser muito normal.)
hoje fui espreitar o ano de 2008. encontrei este texto que foi escrito no meu dia de anos. revivi todos os segundos que passaram por mim enquanto o escrevia. e percebi que apesar de ter muitas vezes vontade de acabar com este blog, provavelmente, nunca o conseguirei fazer.

Um dia acordamos e tudo desapareceu. Nada é. Nada está. Vácuo. Só. As vozes misturam-se num interminável curso de sons imperceptíveis. Fingimos perceber. Fingimos estar. E fingimos ser o que alguém espera que sejamos, sem saber exactamente o que é isso, pois não sabemos nem quem somos, nem quem são os outros. Tentamos agarrar-nos a coisas que nos pareçam ligeiramente familiares. Tentamos olhar-nos no espelho e encontrar uma réstia de semelhança com a ideia que faziamos de nós. Mas, nada. Nada. Nada. Pedimos em silêncio que nos puxem de volta. (Parece sempre mais fácil voltar ao que se sabe do que enfrentar o que se não conhece.) Mas o abismo acena-nos promessas de tudo. E vamos. Brincam-nos com a cabeça depois. Arrancam-na. Fazem malabarismos perigosos. Voltam a pô-la no sítio por breves instantes. Mas é só para termos a certeza que nada é do que já foi. Voltam a arranca-la. E isto acontece sempre, sempre, sempre. Até percebermos que não somos nós que controlamos o movimento de vai e vem. Depois perdemos tudo. Mesmo o que antes parecia enterrado até ao centro da terra. Num plim tudo deixa de ser. Medo depois. Medo. Muito medo. Quem és tu que estás ai desse lado do espelho? Onde está o eu que tu roubaste? Confusão. Sons. Luzes. Risos. Lágrimas. Muito de tudo. E tudo muito. E, ao mesmo tempo, um vazio. Cheio. Um vazio cheio. É isso. Um vazio cheio. Descontrole. Alucinação. A certeza que a vida como era nos foge. Levam-na. Roubam-na. Mas enfim passamos a sentir tudo. Como antes não ousavamos sequer pensar que fosse possivel. Sentimos tudo. Bom e mau. E tudo lá, naquele sítio que dói e que faz rir. As palavras então saem disparadas por armas de arremesso perdidas algures no meio de nós. Ou então, ficam presas. E os lábios quietos. Xiuuu. Um dia, morremo-nos. Desistimos da guerra. Aceitamos que acabará ali. E que nada o pode impedir. Pomo-nos nas mãos de quem nos tolhe os movimentos. Dizemos que estamos à disposição. "Façam o quiserem! Eu não sou, não sei, não mando, não nada..." e pronto, morremos. E nesse exacto momento somos invadidos por um sopro quente de vida. Que nos entra pelos bocadinhos todos do corpo. Sentimo-nos levitar. Sim, sentimo-nos levitar. Sentimos os olhos encher-se de luz. Ficar transparentes. Mudar de cor. Passamos a ver à frente e atrás. Por fora e por dentro. Pelas margens e através. O coração bate. O peito enche-se. As lágrimas, essas, continuam a despedir-se de ontem. Misturam-se com o riso pela descoberta do plano onde o espaço e o tempo se misturam numa esquizofrenia de sentidos. Á nossa volta, luzes dançam. Vozes cantam. E dão-nos as boas vindas à terra de ninguém e de todos. Depois, renascemo-nos. Sem quase nada a ocupar-nos por dentro. Prontos a recomeçar. Mas agora num patamar acima. Crescemos um bocadinho mais em direcção a casa. Sabemo-nos no sítio certo. Mas ainda assim, às vezes temos saudades. No fim, o terror acaba. O dia volta. E passamos a perceber que entre a loucura e a iluminação a diferença é muito ténue.

9 de Julho de 2008

29.9.11

"(...) Com o mesmo entusiasmo, com a mesma certeza, com a mesma confiança, engajemo-nos ainda mais resolutamente no combate pela paz, pelo progresso, pelo bem-estar, pelo socialismo, pela felicidade.


A luta continua!

A Revolução Vencerá!

O Socialismo Triunfará!"


São as pequenas delícias de trabalhar com Repúblicas que já foram Populares - isto é ipsis verbis o final de documento que estou a consultar para um trabalho qualquer.

Mono - Pure as snow (trails of the winter storm)

28.9.11

acordei com vontades canibais. apetecia-me comer-te aos pedaços. lembrei-me então que não restou nenhum. lambi os cantos da boca. lavei os restos com água morna. vesti a pele dos inocentes. e saí à rua. o dia estava bonito.