14.12.11

tenho pensado muitas vezes: "e agora, vou para onde?". assumi, por fim, o que afinal sempre soube:  o "para onde ir" não me é muito; o "poder ir", esse sim, é-me tudo. e isto nem sempre é bom. consegue até ser uma bela desculpa para nunca ficar em lado nenhum. talvez por isso sinta que me amarraram os pés à terra neste sítio onde me encontro. assim como que, quase em forma de castigo, me estivessem a dizer "x  vá lá, está na hora de parar e ser como os crescidos".  mas eu desaprendi a consistência das pedras e habituei-me à volatilidade do ar. e as pedras aborrecem-me tanto agora.
fins e inícios misturam-se muitas vezes. e momentos há em que chega a ser difícil distinguir uns e outros. a imensidão do espaço vazio é semelhante.

13.12.11

talvez faça parte do luto, mas não deixa de ser ingrato chegar ao momento em que percebemos que afinal o mundo há muito deixou de ser enquanto nós havíamos afinal ficado perdidos a levitar no espaço-tempo. e não é só as horas idas serem perdidas. grave é a vida que foge enquanto esperamos o passado. mas não fora assim e nada do que é seria. não sei o que prefiro. mas sei que escolhia o mesmo caminho.

7.12.11

os caminhos até podem ser vários, as distâncias maiores ou menores e as formas de expressar os sentidos absolutamente díspares mas, em chegando lá as conclusões são as mesmas: tudo é imenso, o limite perde-se no horizonte e as correntes de ar entram-nos no corpo e quase o desmontam.  e assim é chegar à casa onde as paredes são transparentes ao invés de nos apartarem do resto. há quem desista antes de lá chegar, contudo. é uma pena.

6.12.11

pensamento a reter:
"não voltar a fazer tarte de requeijão senão o médico parte-me a cara".
ontem adormeci extraordinariamente cedo. hoje quando acordei o dia pareceu-me particularmente bonito. e, ao contrário do costume, a primeira coisa que fiz foi ligar a música. precisava de sons bonitos pela manhã. normalmente só preciso deles à noitinha. desde ontem que a vida me parece ter invertido o sentido. não sei bem o que isto quer dizer. mas é isto mesmo que me parece. se está tudo bem? talvez nunca nada tenha estado melhor.

3.12.11


Hammock - You lost the starlight in your eyes
(do album "Chasing after shadows ... living with the ghosts" - 2010)

gosto. gosto muito. gosto de tudo.
até dos nomes dos álbuns e dos temas.
gosto. gosto muito. gosto desde aqui até sei lá onde.

2.12.11


há pessoas que são más. há pessoas que têm cara de más. 

em regra, as pessoas que têm cara de más são, de facto, más.
o mundo é incrivelmente irónico. pronto, é isto.
julgava eu que ia ser uma sexta-feira dormente pós-feriado. mas fiquei sozinha a tomar conta de tudo, e quando estou sozinha a tomar conta de tudo, todos os malucos espalhados pelo mundo se lembram de me vir chatear. email para cá, email para lá, resposta a este, resposta aqueloutro, distribuir trabalho entre continentes, ai uma urgência, ai que é para hoje, ai que sei lá mais o quê... e no meio disto descubro por portas travessas que sou plagiada! na verdade nunca tinha pensado nisso (jamais me ocorreria que alguém fizesse suas palavras que me sairam ao molho), mas confesso que a sensação de assalto é violentíssima.

1.12.11

este blog acompanhou-me nos últimos anos de uma forma que eu nunca esperaria quando o criei. eu acredito na partilha. por isso, vou partir este blog e dividir com todos que quiserem. podem ser palavras, imagens, sons, ideias, cores, ou outra coisa qualquer que faz parte do meu mundo, em forma de postal ou outra coisa qualquer que me pareça adequada a cada um.

quem quiser um bocadinho do queres antes aprender a voar ? pode deixar uma qualquer morada, com ou sem nome, na caixa de correio deskeparece@gmail.com até ao dia 5 de Dezembro. depois os correios farão o resto esperemos até ao dia de natal.
não sei escrever com a razão. 

palavras pensadas parecem-me demasiado confusas - e perco-lhes o sentido. 

ou ocas - e perco-lhes a vontade.
fui uma criança introspectiva e demasiado séria, cresci, aprendi sem esforço, tornei-me preguiçosa, fiz um intercâmbio na alemanha, entediei-me na escola, aprendi alemão, entrei para a faculdade,  fui dirigente de uma associação de estudantes, cansei-me da associação de estudantes, trabalhei num centro comercial, e num infantário, e em quase todos os bairros sociais de lisboa, passei dias a contar trocos, trabalhei no freeshop do aeroporto, fiz inquéritos sobre salsichas, congelados e comboios da cp, cai ao tejo e fui salva pelos bombeiros, lavei pratos num restaurante, ganhei uma bolsa de verão, vivi um mês e meio na dinamarca, fiz um curso de dinamarquês,  atravessei parte do mar do norte e do báltico num navio, sonhei ser tradutora, assistente humanitária, repórter de guerra, acabei a faculdade, fui entrevistadora do ine, fiz o estágio contrariada, fui co-autora de um dos guias de restaurantes da repsol, redigi roteiros para duas regiões de turismo, escrevi crónicas para um jornal, fui crítica gastronómica, dei uma carga de porrada a uma idiota membro de um gang no bairro alto enquanto o resto do gang assistia, tive um trabalho que começou por ser giro e acabou num pesadelo, torci o braço a um assaltante e apontei-lhe a seringa ao olho, tive acessos de raiva, e de indignação, e de tédio, fui feliz, fui infeliz, fugi com uma mochila e pouco mais para maputo só com um bilhete sem volta e meia dúzia de euros no bolso, quase fiquei louca, se calhar fiquei mesmo louca e ainda não passou, fui  residente oficial em moçambique, atravessei a swazilandia, conheci a áfrica do sul, vi um diamante, não compreendi o delírio com os diamantes -  são pedras, ponto - molhei os pés no índico, aprendi a gostar de praia, tornei-me livre, voltei a casa, arranjei um trabalho giro mas demasiado sério, comecei tudo do zero, molhei os pés no adriático e no mediterrâneo, atravessei e a bósnia e a sérvia de carro, fui investigada pela brigada anti-terrorista, afinal a brigada anti-terrorista enganou-se, espetei com um saco de compras na cabeça de um rapaz que me queria roubar, passei três semanas a atravessar a índia, apanhei um susto, levantei-me, reaprendi a andar, voltei a ter vontade de ser feliz, trabalhei, trabalhei, trabalhei... e hoje ouvi palavras como inteligência, qualidade e bom senso. até aqui parece que correu tudo bem. mas ainda assim às vezes penso como raio cheguei cá se não era aqui que pensava vir. novembro costuma mudar-me a vida. este que agora acaba talvez também a mude. mas também me deixou com mais dúvidas. ainda assim vou festejar. acho que ainda tenho uma garrafa de Pias Reserva. é muito bom e está a um preço decente no pingo doce.

30.11.11



intercalados. como convém.
nunca perceberei aqueles se trocam por dentro com a mesma facilidade que se trocam por fora. ser-me-á sempre mais fácil perceber aqueles que o desconseguem. mas, em certa medida, invejo os primeiros.

29.11.11

é irónico. quando um lado se desfaz em justificações desnecessárias (ou até, porque não, dissimuladas) o outro impõe-se com a sua razão ferida dizendo "estás a ver, erraste agora aguenta". por seu turno, quando as justificações desnecessárias (ou até, porque não, dissimuladas) se calam de um lado, o outro que antes se impunha, cai por terra de joelhos e vê que também errou e que tudo o que continua a fazer é aguentar mesmo que com gargalhadas (ainda que quase sempre tristes). o apontar de erros não favorece o equilíbrio promovendo antes uma permanente medição de forças coroada com infindáveis inversões de papéis. e este é sempre um trajecto perdido em circulares sem saída. e o que ontem era confuso hoje é tão claro. enfim.
não depender e não esperar absolutamente nada de ninguém tem péssimas consequências: ao deixarmos de nos pôr nas mãos de outrém deixamos também de ter necessidade de confiar, o que leva a uma desaprendizagem da confiança em si mesma e faz com que, necessariamente, nos transformemos em seres cada vez mais solitários. mas receber algo de alguém quando não se espera absolutamente nada de ninguém estilhaça-nos os pés de barro. é como acordar com uma bofetada.

28.11.11

detesto o trabalho do Dalí - as formas as composições o imaginário, até as cores. e detesto, sobretudo, porque tenho a permanente sensação que tudo o que ele fez tem mais de provocação entre o vaidosa e o arrogante do que de profundidade. embora por razões diferentes, tenho com o Dalí a mesma relação de ódio visceral que tenho com o David Cronenberg. mas devo reconhecer que têm ambos uma qualidade notável - despertam em mim instintos violentíssimos. 
oh esta incrivel tendência de fuga para a frente encobrindo o que foi com mantas escuras como forma de evitar o luto e a ressaca do fim fazendo substituir a falta por risos histéricos sem senso. isso não é crescimento... é parvoíce.
há dias em que o mundo me parece um imenso emaranhado de absurdos. como hoje.
perguntaram-me "qual foi a coisa mais difícil que fizeste até hoje".

respondi "apagar um número de telefone".

25.11.11


Mauvais sang - Leos Carax

revisitei-o. e agora apetecia-me que me apetecesse correr assim. 

22.11.11


Amatorski - Same stars we shared

same stars we shared
all frozen in the sky
while dreaming the same
guilty we are
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Joanna Newson -Baby Birch

...be at peace baby, and be gone.
sonhar, em forma de video-clip, com duas personagens que detesto ao som da angel olsen parece-me, no mínimo, estranho.

20.11.11


Armistice (Couer de Pirate (Béatrice Martin) + Jay Malinowski) - Mission bells

Russian red - perfect time



Julianna Barwick - Sunlight, heaven

19.11.11

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Aesthesys - I'm free, that's why I'm lost

16.11.11

o ritmo que se me impôs é meio alucinado. não tenho tempo, não tenho tempo, não tenho tempo. talvez seja a frase que mais vou dizendo. não tenho tempo. e, quando o tenho, falta-me a vontade de saber como anda do mundo. a crise vai, por enquanto, passando-me de esguelha. sou uma privilegiada, portanto. privilegiada por ter trabalho que só cresce, cresce, cresce e que não me deixa espaço para ter uma vida como a vida das pessoas normais. mas hoje paguei o iva... e quando vi no recibo o montante do "valor a pagar" apeteceu-me dizer "foda-se lá a crise, e o país, e o governo e o raio que os parta a todos!". é o que me acontece aos dias 15 a cada três meses.
isto é tudo muito giro ser independente e tal... mas foda-se que também cansa fazer tudo sozinha!

15.11.11


Badlands - Terrence Malick (1978)

pouco mais de 20 segundos onde cabe tudo.

14.11.11

eu sei que isto até pode chocar meio mundo,
mas ele há dias que os radiohead me aborrecem como o raio que os parta.
eu devia estar de férias. pois devia. mas não estou.

8.11.11

aborrecem-me meias-palavras, meios-sentidos, meias-verdades, meios-sins, meios-nãos, meias-vontades, meios-caminhos, meias-pessoas... aborrecem-me as coisas a meio. e aborrece-me, sobretudo, que se viva em metades. ou então pela metade.

7.11.11

o absurdo revela-se. e o que antes era náusea, hoje é vazio. curiosas estas mudanças. pedem-se tanto e, quando chegam, estranham-se. tenho a cabeça cheia de nada. não sei o que prefiro: se a avalanche anterior se este vazio desconcertante.

4.11.11

deve ser do fim do verão. não gosto do outono. é triste. mas gosto do inverno. e do frio e de mantas e cobertores e chá quente e de bolo de chocolate e do natal e de cachecóis. mas do outono não gosto. é estação de morte. de fim. mas dizia eu que deve ser do fim do verão - o andar meio angustiada. mas também é cíclico. embora agora vá passando mais depressa também. a idade vai-nos ensinando a recuperar o fôlego com menores danos. de qualquer forma uma coisa é certa - estou cada vez mais intolerante a alguns alguéns. também deve ser da idade. a verdade é que detesto gente má. e vampiresca. é, portanto, natural que a distância entre mim e o mundo de terra se vá alargando. mas eu nunca disse que isso é bom. não é. eu às vezes gostava de ser cínica.  ou maldizente. teria, com certeza, muito mais amigos. 

2.11.11

"you do know for yourself. and what you know is valid."



gosto do david lynch. mais do que dos filmes do david lynch. mas também gosto dos filmes do david lynch. (mesmo quando não gosto assim tanto.) david lynch tem este dom - fazer-me gostar de algo que normalmente odiaria, sem que isso me pareça demasiado estranho. david lynch dá-me liberdade de ver o que eu quiser ver nos filmes dele. sem dizer "estás errada, estás errada". e isso já é meio caminho para eu gostar dele. e dos filmes dele. (mesmo quando não gosto assim tanto.) e david lynch não me faz bocejar. e isso é raro. e deve ser sobretudo por isso que gosto dos filmes de david lynch. (mesmo quando não gosto assim tanto.) e isto ocorreu-me porque revi o eraserhead - que continua a incomodar-me como da primeira vez. vejo naquele ser de cabelos em pé a personificação de todas as frustações terrenas, vivendo algures entre o céu e o inferno. quase sempre no inferno, contudo. ou na apatia, o que talvez seja pior. assim sendo, o mundo que david lynch transpõe para a tela é bem menos abstracto do que à primeira vista parece. talvez seja exactamente isso que gosto no david lynch - a omnipresente capacidade de abstractizar o concreto. e talvez seja também exactamente isso que não gosto no david lynch - a omnipresente tendência de abstractizar o concreto. também gosto que haja uma moral sempre presente. mesmo quando tudo parece imoral ou amoral. gosto destas aparentes contradições. afinal de contas, nós somos mesmo assim - multipolares. quem não assume essa multipolaridade tem certamente uma vida mais simples. contudo, sem dúvida nenhuma, mais pobre. não, isto não é um post sobre cinema. é sobre a natureza humana.

1.11.11


Miranda Sex Garden - Play

o lugar é mais ou menos assim. e volto tantas vezes.
por muito que tentemos desconstruir, o que foi e o que é terão sempre de ficar arrumados em cantos opostos de nós. e momentos haverá em que apetece atirar ambos fora. e este é o dilema de quem vive distraído com o que pode vir a ser. o mundo do possível engole-nos.

31.10.11

não me chames. nem me penses.

lembra-te - eu morri às tuas mãos.
tenho esta tendência para fugir das coisas que cristalizam. do que me prende. do que já vi. mas à medida que avanço percebo que o que se vê não se distingue assim tanto entre pontos. e isso tira-me a razão para ir sem que me dê mais vontade de ficar. eu sei. a culpa é minha. mas eu nunca disse que não era. e a única certeza que tenho é que me partilho com uma montanha de dúvidas.
vim a reconhecer que nunca havia percebido muito bem quando te ouvia coisas como "não sinto a realidade" ou "fiquei sem referências de espaço e tempo". talvez até desdenhasse tudo o que ouvia. com aquele meu ar de enfado de quem pensava tudo saber. talvez até adoptasse uma postura paternalista. até eu própria ter entrado nesse mundo para onde fui empurrada. onde a realidade passa a não ser (ou a ser em várias frentes). e o espaço e o tempo se misturam até nos desorientar os sentidos. e sabes, às vezes faço de conta, mas ainda não saí de lá. desse mundo que é sem ser. ou que não parece ser, ainda que seja mais que qualquer outro. contudo, em esforço, vou mantendo os pés assentes. mas é difícil. e é sobretudo difícil fazer perceber a quem não saí do espaço da razão que o mundo além é tão vivo quanto aquém. e ainda assim, às vezes, gostava de ser só aqui. a dispersão por dentro consome. por isso hoje percebo-te a necessidade de agarrar a matéria. mas eu não consigo ainda fazê-lo. não tenho suficientes razões para isso. vagueio, portanto, no lado nenhum.

30.10.11

talvez seja cíclico. mesmo sem que queiramos que o seja. talvez seja coincidente. à distância. e talvez o que eu sinto continue a ser o que tu sentes. por vezes. talvez nos encontremos por aí onde mais ninguém nos toca. ou talvez seja só uma espécie de sonho que nos deixa à deriva sem saber por onde. talvez seja isto o que alguns chamam de saudade. mas há dias assim. em que nos cruzamos algures. hoje não fica raiva. talvez só um pouco de mágoa. e vontade de chegar perto. e falar sem palavras. falta-me isso sabes. é estranho não o conseguir fazer com os demais. era tão fácil antes. mas se formos bem a ver, era fácil só por seres em mim. talvez essa seja a nossa lição - que o mundo é enorme cabendo-nos na mão. e o que vem construído de trás talvez não precise de mais. talvez nos faltasse ar novo apenas. e talvez o apenas tivesse sido o caminho certo. mas ainda assim, ainda assim... hoje voltamo-nos. e eu sei que também sabes.


lembro-me de isto começar a tocar. e do silêncio que se fez. aquele desconcertante silêncio. e de um abraço. um abraço inesperado. e de uma voz ao ouvido que disse "é tão triste". lembro-me que sorri. para travar o nó que se criou. e talvez para disfarçar o que sabia que era mas não queria que fosse.uma despedida.

25.10.11

não sinto nada.
absolutamente nada.
por isso, não tenho nada para dizer.
reinvente-se o corpo.
e os lugares onde os passos caminham.

as palavras. as palavras. faltam-me as palavras ao monte.
fugiram.

também tenho falta do inverno.
e de cheiro a bolo saído do forno.
mas não me apetece fazer bolos.
nem tenho vontade de guardar o biquini.


24.10.11

o nós não é mais que um grupo, maior ou menor, de egos encostados. devíamos conhecer (e assumir, e aceitar) melhor os eus. talvez assim não houvesse tantos nós falhados. mas mete medo olhar o espelho. e é sempre mais fácil apontar o dedo com vozes trémulas. por isso, o nós que falha é, quase sempre, um grupo, maior ou menor, de eus, mais ou menos, covardes! mas hoje estou azeda, e amanhã o mundo pode parecer-me mais sério. ou não.

23.10.11

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Linda Martini - Adeus tristeza
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vinte e dois de outubro de dois mil e onze, algures perto da ericeira
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Rodrigo Leão - Vida tão estranha