Paus - Deixa-me ser
porque são bons. muito, muito bons.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
26.1.12
24.1.12
17.1.12
12.1.12
em anos que cabem numa mão, a minha vida transformou-se. eu transformei-me. o caminho foi difícil. e solitário. quando poucos acreditavam apostei até ao último suspiro. e não desisti. e chorei. e doeu-me. e doeu-me tanto. perdi quase tudo. do que fui restou quase nada. hoje sou mais bonita, melhor pessoa. hoje partilho grande parte dos meus dias com gente que me faz rir e que se ri comigo. e, sobretudo, que me respeita e que acredita em mim. hoje não tenho raivas. nem iras. nem lágrimas. hoje sou mais tranquila. mais eu. hoje disseram-me "tens de me ensinar a ter melhor feitio". apeteceu-me dizer de volta "obrigada por me veres mesmo sem saberes quem sou". não disse, mas um dia digo.
o destino é irónico. para além disso, o meu caminho tem algo de esquizofrénico. mas é meu. assumo-o, portanto. e divirto-me com a viagem. recuso-me a viver em esforço. afasto-me de conflitos e de atritos. não guardo rancores. não levo a vida, o mundo e a mim própria demasiado a sério. mas também não faço fretes. nem sinto ou faço de mentira. por isso hoje sou mais feliz. talvez este seja o segredo - estar em paz com o nosso desassossego.
10.1.12
1
Darest thou now, O Soul, Walk out with me toward the Unknown Region,
Where neither ground is for the feet, nor any path to follow?
2
No map, there, nor guide,
Nor voice sounding, nor touch of human hand,
Nor face with blooming flesh, nor lips, nor eyes, are in that land.
3
I know it not, O Soul;
Nor dost thou--all is a blank before us;
All waits, undream'd of, in that region--that inaccessible land.
4
Till, when the ties loosen,
All but the ties eternal, Time and Space,
Nor darkness, gravitation, sense, nor any bounds, bound us.
5
Then we burst forth--we float,
In Time and Space, O Soul--prepared for them;
Equal, equipt at last--(O joy! O fruit of all!) them to fulfil, O
Soul.
Walt Whitman
6.1.12
30.12.11
28.12.11
27.12.11
não gosto da vertente decrépita, ausente e desumana da vida urbana. mas faz-me ainda mais confusão quem se isola em busca de um ideal de comunhão sustentável com o todo e se queixa constantemente de ser incompreendid@. apesar de viver na cidade - e, provavelmente, assim continuar a ser durante anos - eu não gosto da vertente decrépita, ausente e desumana da vida urbana. nem do consumismo ou de qualquer variante sócio-filosófico-económica do mesmo. mas não preciso de me isolar na lousã para dizer que tenho hábitos sustentáveis, uma postura perante a vida mais responsável ou que me proponho transmitir melhores valores aos meus filhos. e não consigo evitar a permanente sensação que quem o faz por mera negação ao urbano-social é mais idiota do que os restantes. e com isto tudo estou-me bem lixando se os outros me entendem ou não - irritam-me tanto os pseudo-intelectuais como aqueles que gostam muito do verde do campo e de bichos mas não sabem estar com seres humanos. e isso não implica dar muitos abraços, dizer namasté por tudo e por nada, nem acabar em inha ou inho todas as palavras que se desdobram com a língua. e já agora, não pentear o cabelo ou usar andrajos em nada contribuí para o equilíbrio espirito-ambiental ok? bom, a menos que os andrajos sejam tecidos por vocês próprios em vez de terem estampados manhosos e etiquetas a dizer bangladesh ou cambodja! é que barato raramente quer dizer sustentável. já quanto ao cabelo penteado, é mesmo só um cena estética com a qual sou meio paranóica.
26.12.11
22.12.11
21.12.11
foi algo estranho quando passei o natal debaixo de um calor abrasador, na praia de santa maria, em pleno índico. mas desde então, de ano para ano, o espírito de natal vai-se esvaindo um bocadinho mais. não é que não goste da época, mas parece-me quase sempre vazia e inútil esta correria frenética. voltaria ao natal no ambiente deserto da praia de santa maria, em pleno índico. sem prendas. sem luzes. sem quase tudo. eu tento, mas desconsigo perceber o emaranhado da civilização que não se deixa ir com o movimento das nuvens ou o vai-e-vem das ondas.
20.12.11
19.12.11
14.12.11
tenho pensado muitas vezes: "e agora, vou para onde?". assumi, por fim, o que afinal sempre soube: o "para onde ir" não me é muito; o "poder ir", esse sim, é-me tudo. e isto nem sempre é bom. consegue até ser uma bela desculpa para nunca ficar em lado nenhum. talvez por isso sinta que me amarraram os pés à terra neste sítio onde me encontro. assim como que, quase em forma de castigo, me estivessem a dizer "x vá lá, está na hora de parar e ser como os crescidos". mas eu desaprendi a consistência das pedras e habituei-me à volatilidade do ar. e as pedras aborrecem-me tanto agora.
13.12.11
talvez faça parte do luto, mas não deixa de ser ingrato chegar ao momento em que percebemos que afinal o mundo há muito deixou de ser enquanto nós havíamos afinal ficado perdidos a levitar no espaço-tempo. e não é só as horas idas serem perdidas. grave é a vida que foge enquanto esperamos o passado. mas não fora assim e nada do que é seria. não sei o que prefiro. mas sei que escolhia o mesmo caminho.
7.12.11
os caminhos até podem ser vários, as distâncias maiores ou menores e as formas de expressar os sentidos absolutamente díspares mas, em chegando lá as conclusões são as mesmas: tudo é imenso, o limite perde-se no horizonte e as correntes de ar entram-nos no corpo e quase o desmontam. e assim é chegar à casa onde as paredes são transparentes ao invés de nos apartarem do resto. há quem desista antes de lá chegar, contudo. é uma pena.
6.12.11
ontem adormeci extraordinariamente cedo. hoje quando acordei o dia pareceu-me particularmente bonito. e, ao contrário do costume, a primeira coisa que fiz foi ligar a música. precisava de sons bonitos pela manhã. normalmente só preciso deles à noitinha. desde ontem que a vida me parece ter invertido o sentido. não sei bem o que isto quer dizer. mas é isto mesmo que me parece. se está tudo bem? talvez nunca nada tenha estado melhor.
3.12.11
2.12.11
julgava eu que ia ser uma sexta-feira dormente pós-feriado. mas fiquei sozinha a tomar conta de tudo, e quando estou sozinha a tomar conta de tudo, todos os malucos espalhados pelo mundo se lembram de me vir chatear. email para cá, email para lá, resposta a este, resposta aqueloutro, distribuir trabalho entre continentes, ai uma urgência, ai que é para hoje, ai que sei lá mais o quê... e no meio disto descubro por portas travessas que sou plagiada! na verdade nunca tinha pensado nisso (jamais me ocorreria que alguém fizesse suas palavras que me sairam ao molho), mas confesso que a sensação de assalto é violentíssima.
1.12.11
este blog acompanhou-me nos últimos anos de uma forma que eu nunca esperaria quando o criei. eu acredito na partilha. por isso, vou partir este blog e dividir com todos que quiserem. podem ser palavras, imagens, sons, ideias, cores, ou outra coisa qualquer que faz parte do meu mundo, em forma de postal ou outra coisa qualquer que me pareça adequada a cada um.
quem quiser um bocadinho do queres antes aprender a voar ? pode deixar uma qualquer morada, com ou sem nome, na caixa de correio deskeparece@gmail.com até ao dia 5 de Dezembro. depois os correios farão o resto esperemos até ao dia de natal.
fui uma criança introspectiva e demasiado séria, cresci, aprendi sem esforço, tornei-me preguiçosa, fiz um intercâmbio na alemanha, entediei-me na escola, aprendi alemão, entrei para a faculdade, fui dirigente de uma associação de estudantes, cansei-me da associação de estudantes, trabalhei num centro comercial, e num infantário, e em quase todos os bairros sociais de lisboa, passei dias a contar trocos, trabalhei no freeshop do aeroporto, fiz inquéritos sobre salsichas, congelados e comboios da cp, cai ao tejo e fui salva pelos bombeiros, lavei pratos num restaurante, ganhei uma bolsa de verão, vivi um mês e meio na dinamarca, fiz um curso de dinamarquês, atravessei parte do mar do norte e do báltico num navio, sonhei ser tradutora, assistente humanitária, repórter de guerra, acabei a faculdade, fui entrevistadora do ine, fiz o estágio contrariada, fui co-autora de um dos guias de restaurantes da repsol, redigi roteiros para duas regiões de turismo, escrevi crónicas para um jornal, fui crítica gastronómica, dei uma carga de porrada a uma idiota membro de um gang no bairro alto enquanto o resto do gang assistia, tive um trabalho que começou por ser giro e acabou num pesadelo, torci o braço a um assaltante e apontei-lhe a seringa ao olho, tive acessos de raiva, e de indignação, e de tédio, fui feliz, fui infeliz, fugi com uma mochila e pouco mais para maputo só com um bilhete sem volta e meia dúzia de euros no bolso, quase fiquei louca, se calhar fiquei mesmo louca e ainda não passou, fui residente oficial em moçambique, atravessei a swazilandia, conheci a áfrica do sul, vi um diamante, não compreendi o delírio com os diamantes - são pedras, ponto - molhei os pés no índico, aprendi a gostar de praia, tornei-me livre, voltei a casa, arranjei um trabalho giro mas demasiado sério, comecei tudo do zero, molhei os pés no adriático e no mediterrâneo, atravessei e a bósnia e a sérvia de carro, fui investigada pela brigada anti-terrorista, afinal a brigada anti-terrorista enganou-se, espetei com um saco de compras na cabeça de um rapaz que me queria roubar, passei três semanas a atravessar a índia, apanhei um susto, levantei-me, reaprendi a andar, voltei a ter vontade de ser feliz, trabalhei, trabalhei, trabalhei... e hoje ouvi palavras como inteligência, qualidade e bom senso. até aqui parece que correu tudo bem. mas ainda assim às vezes penso como raio cheguei cá se não era aqui que pensava vir. novembro costuma mudar-me a vida. este que agora acaba talvez também a mude. mas também me deixou com mais dúvidas. ainda assim vou festejar. acho que ainda tenho uma garrafa de Pias Reserva. é muito bom e está a um preço decente no pingo doce.
30.11.11
29.11.11
é irónico. quando um lado se desfaz em justificações desnecessárias (ou até, porque não, dissimuladas) o outro impõe-se com a sua razão ferida dizendo "estás a ver, erraste agora aguenta". por seu turno, quando as justificações desnecessárias (ou até, porque não, dissimuladas) se calam de um lado, o outro que antes se impunha, cai por terra de joelhos e vê que também errou e que tudo o que continua a fazer é aguentar mesmo que com gargalhadas (ainda que quase sempre tristes). o apontar de erros não favorece o equilíbrio promovendo antes uma permanente medição de forças coroada com infindáveis inversões de papéis. e este é sempre um trajecto perdido em circulares sem saída. e o que ontem era confuso hoje é tão claro. enfim.
não depender e não esperar absolutamente nada de ninguém tem péssimas consequências: ao deixarmos de nos pôr nas mãos de outrém deixamos também de ter necessidade de confiar, o que leva a uma desaprendizagem da confiança em si mesma e faz com que, necessariamente, nos transformemos em seres cada vez mais solitários. mas receber algo de alguém quando não se espera absolutamente nada de ninguém estilhaça-nos os pés de barro. é como acordar com uma bofetada.
28.11.11
detesto o trabalho do Dalí - as formas as composições o imaginário, até as cores. e detesto, sobretudo, porque tenho a permanente sensação que tudo o que ele fez tem mais de provocação entre o vaidosa e o arrogante do que de profundidade. embora por razões diferentes, tenho com o Dalí a mesma relação de ódio visceral que tenho com o David Cronenberg. mas devo reconhecer que têm ambos uma qualidade notável - despertam em mim instintos violentíssimos.
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