em anos que cabem numa mão, a minha vida transformou-se. eu transformei-me. o caminho foi difícil. e solitário. quando poucos acreditavam apostei até ao último suspiro. e não desisti. e chorei. e doeu-me. e doeu-me tanto. perdi quase tudo. do que fui restou quase nada. hoje sou mais bonita, melhor pessoa. hoje partilho grande parte dos meus dias com gente que me faz rir e que se ri comigo. e, sobretudo, que me respeita e que acredita em mim. hoje não tenho raivas. nem iras. nem lágrimas. hoje sou mais tranquila. mais eu. hoje disseram-me "tens de me ensinar a ter melhor feitio". apeteceu-me dizer de volta "obrigada por me veres mesmo sem saberes quem sou". não disse, mas um dia digo.
o destino é irónico. para além disso, o meu caminho tem algo de esquizofrénico. mas é meu. assumo-o, portanto. e divirto-me com a viagem. recuso-me a viver em esforço. afasto-me de conflitos e de atritos. não guardo rancores. não levo a vida, o mundo e a mim própria demasiado a sério. mas também não faço fretes. nem sinto ou faço de mentira. por isso hoje sou mais feliz. talvez este seja o segredo - estar em paz com o nosso desassossego.