2.7.12

às vezes acho que fiz tudo mal.
mas quase sempre tenho a certeza que não faria nada diferente.
salvo algum imprevisto, daqui a dias estarei de volta àquela terra doce e amarga que me arrancou o passado. espero voltar com mais um bocadinho de qualquer coisa. falta-me algo. não sei bem o quê. mas falta-me algo. e lá eu costumo ouvir as vozes que por cá se silenciam com a rapidez dos dias. e como preciso ouvi-las de novo.

28.6.12


Sigur Rós - Varud

tentei fugir-lhes. mas não consigo.
tocam-me a alma como quase nada mais consegue.

26.6.12

sonhei-te. e acordei gasta.

22.6.12

a vida de x: na verdade é,  quase sempre, meio aborrecida. e curta em tempo sem horas. por isso, x está em falta com meio mundo. com cafés atirados para um futuro que se queria próximo, mas que se vai alargando em distância. e com algumas vontades adiadas. o desligamento do mundo é, por isso, quase inevitável. x não gosta. mas não consegue fazer melhor. x anda cansada. dos dias e das gentes. mas anda feliz. e satisfeita com o que lhe caiu em sorte. mas a vida x também tem reveses. x, às vezes, desilude-se. mas depois diz para si "estás a ver x, nem sempre é paranóia tua. há pessoas mesmo más. ou só imbecis. mas vai dar mais ou menos ao mesmo, não vai?". mas a vida de x também tem pessoas boas. várias. e muitas surpresas. e, por entre altos e baixos, x vai andando. de cabeça erguida e sorriso nos lábios. 
confirmado. aniversário em maputo. como há exactamente 5 anos. de volta ao sítio onde aprendi que o chão não faz falta. para celebrar o dia em que nasci. e os dias em que recomecei do nada.

18.6.12


Sigur rós - Fjogur píanó

do amor e da dor.
do desejo canibal e da elevação do espírito.
do sentir na alma e na carne.
do sobreviver ao caos e querer mais.

15.6.12

bem, na verdade o que custa é a bofetada inicial. o perceber que as pessoas são ridículas. e que o ridículo nos revolve o estômago e, literalmente, nos leva ao vómito. aconteceu de novo. e sim, revolveram-se-me as entranhas e, literalmente, fui ao vómito. mas acordei a rir. e de certa forma em paz com o ridículo do mundo. embora com uma vontade imensa de fazer como jesus cristo com os vendilhões do templo. mas eu é que sou parva porque os sinos já tinham tocado a rebate. lembrem-se: quando as frases são as mesmas a história repete-se! é simples não é?

(já agora, isto não tem nada a ver com o post anterior. esse  não me revolveu as entranhas, só me fez rir. bom, e também me fez pensar que se calhar ainda estou ai para as curvas.)
percebemos que somos assim a dar para o antigo (e que andamos bastante afastados da realidade da noite lisboeta) quando somos convidados para uma grande rebaldaria por um casal de namorados com metade da nossa idade (ainda por cima giros os dois) e a nossa única reacção é ficar de boca aberta e pensar como sair discretamente sem fazer em demasia figura de parolos enquanto não nos sai da cabeça que naquela idade os moços deviam era estar a ver resmas de arco-íris e malmequeres e borboletas e tal...

14.6.12

às vezes tenho pena de ser assim. de não confiar. de esperar sempre o pior. e, por isso, de não deixar que me tomem por dentro. de pôr muros. mas a vida tem-me ensinado que as pessoas são extraordinariamente prevísiveis. e rarissimos são os casos que me surpreendem. os outros só me arrancam um sorriso triste. e um pensamento imediato: mais do mesmo. de qualquer forma, a decepção continua a ter o mesmo sabor amargo. e a causar-me convulsões de nojo. mas continuo a tentar convencer-me repetindo uma frase em silêncio: a náusea vai passar. a náusea vai passar. a náusea vai passar.

enfim...

29.5.12

dormi com fantasmas. e voltei a casa. sim, a essa casa onde as paredes encolheram espremendo-nos as forças. a essa casa cujos acessos se desenham quando os corpos se tocam. ou quando as almas se procuram. a essa casa que, apesar de tudo, detesto saber que existe. a essa casa que odeio por saber que é a única de onde não posso fugir.

23.5.12

por entre a pressa dos dias que se tornam curtos apesar das longas horas, 

decidi voltar à vida. 

10.5.12

tenho saudades de viver livros. 

4.5.12

(segredo, ou mais ou menos qualquer coisa do género: a julgar pelo que tenho de aturar via seoul, pyongyang deve ser pior do que o inferno!)

18.4.12

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2 de julho de 2007

tinha os olhos no infinito a tentar construir uma ideia que fosse coerente. 
hoje agradam-me as incoerências. ou as inconstâncias.







da primeira vez levava uma mochila com roupa, um bilhete sem volta, um contacto de alguém que conhecia apenas vagamente e uma proposta de trabalho mal pago que nem sequer sabia se era séria ou não. desta vez vou trabalhar para uma das empresas actualmente mais invejadas na costa do índico. 

continuo sem perceber os desígnios do mundo, contudo. 

(ah... vou, mas é só por um bocadinho de tempo assim...)

Ólafur Arnalds - Þau Hafa Sloppið Undan Þunga Myrk

é a minha forma de re-equilíbrio - o espaço vazio cheio de sons. como estes.

9.4.12

era segunda feira. não me lembro bem a que horas. mas sei que estava na minha secretária ao pé da janela numa espécie de open space. do meu lado direito estava o Haje. em frente a Nídia e mais de esguelha a Dinema. à esquerda ficava a copa. onde a Otília misturava o ricoffy que me trazia logo de manhã cedo. a meio da manhã ela ia buscar badjias - sempre achou estranho que eu gostasse de badjias da rua. eu gostava. e comia. e ria muito de cada vez que ela olhava para os meus puxinhos e dizia "essa doutora não é igual às outras." um dia cheguei mais cedo do almoço e um grupo de colegas estava ainda sentado na mesa de plástico que havia na traseira da vivenda que nos servia de escritório. tinha uma mangueira gigante nesse pátio. e uma espécie de lagartos coloridos a que chamavam gala-gala -apareciam-me muitas vezes enquanto bebia café no jardim. ou fumava um cigarro. ou olhava o céu como que a pedir respostas. nesse dia que cheguei mais cedo, quando descia os degraus para o pátio, a Nídia disse para os outros "esta é igual a nós. e é mais preta que muitos pretos que eu conheço." sorri. fiquei contente. já fazia parte.

mas estou-me a dispersar... dizia eu que era segunda feira. estava mais ou menos há duas semanas em Maputo e sentia que o chão me recusava os pés. foi nesse dia que este blog nasceu. faz hoje cinco anos.

29.3.12

conversas que eu preferia que tivessem acontecido só na minha cabeça:

- acho que devíamos casar e ter filhos!
- deus me livre!


como dizer a alguém de quem gostamos muito, mas não assim, que de facto até gostamos muito, mas não assim, e que até temos muita pena de não gostar assim, mas que não há nada a fazer pois ou se gosta assim ou se gosta assado?
Sigur Rós - Valtari

o álbum sai no final de maio. mas já tem um bocadinho aqui.

continuam a ser a minha casa.

27.3.12

hoje lembrei-me. e ao lembrar-me percebi que quase havia esquecido. estranho como o tempo age. como reagimos a sua impiedade. e como, apesar de tudo, as formas se vão esvaindo. ficam as ideias sem corpo. os conceitos. a imateria de que se disfarça a falta mas que sustenta o que pedimos a seguir. não consigo ficar longe, contudo. talvez nem seja suposto. esquecem-se os traços. mas fica o que se não vê. e assim se distingue o que realmente importa. e se desnuda a razão porque as rugas não se lhe não sobrepõem. ja vos falei naquele fio brilhante que liga aquem e alem? se o não fiz, um dia faço. tenho apenas de deixar que ele brilhe de novo. anda mortiço. restando-lhe apenas pequenos reflexos de luz. por enquanto.
tenho saudades deste blog. mas, como sempre, os eventos ultrapassam-me.

 e a vida mostra-se, mais uma vez, maior que as minhas pernas. 

20.3.12


ver o vício tomar conta. e o que antes era desmoronar-se. ver isso tudo de fora, sendo responsável. e rir com tons luciféricos em surdina. mentiras que não se sabiam viver pular do lado escuro. tudo de pantanas. com um sopro que dizemos baixinho "esqueceste-te de ti pelo caminho, acorda!".

16.3.12

a sério. começa a ser um padrão. assim como uma coisa circular que se repete nas voltas.  quase todos aqueles que em algum momento gostam muito de mim, chegam a um ponto que me passam a detestar. para todos os efeitos, assumo logo à partida que sou bastante coerente na minha incoerência. talvez seja esse o problema. eu sou só eu. e talvez seja exactamente isso que a muitos custa crer. é, há sempre aquela ideia inicial "ai e tal que tens de te adaptar e coiso...". pois que fique aqui assente: um adapto-me a muita coisa, menos a viver numa pele que não é minha. e se isso cai mal a alguém... olhem, azar!
adormeci às 3 da manhã. acordei às 4.30 h com uma chamada da Coreia do Sul.
deve ser por coisas destas que o meu cabelo está a ficar branco.

13.3.12

são 1.49 h. 
acordei às 8 h. 
cheguei ao trabalho às 10 h.
cheguei a casa às 21.15 h. 
(hoje nem foi muito a desoras)
comi. continuei a trabalhar.
(desta vez em casa)
mas não consegui acabar o que estou a fazer.
terei de acordar lá para as 7 h. 
5 horas de sono.
(...)

são 1.55 h.
e é por isto que este blog anda desgraçado!

12.3.12

juro: pagava para saber o que passou na cabeça de algumas pessoas quando me viram chegar ao trabalho com um corte a dar para o neo-punk!

1.3.12

fui ao santini. não fiquei particularmente entusiasmada.
continuo sem perceber a fila. e é isto...

27.2.12

uma das coisas mais importantes que aprendi nos últimos anos, foi a importância do silêncio e da limpidez do horizonte. é o excesso de ruído em todos os sentidos que me tira a vontade de fazer parte do mundo. o ruído faz-nos perder tempo com o acessório, desconcentrando-nos do essencial. o ruído do excesso de civilização despreenche-me. deve ser por isso que estou a considerar passar férias sozinha. e longe.

15.2.12

o dia 14 de fevereiro não me é absolutamente nada.
já o dia 15 põe-me de cabelos em pé.
puta que pariu o iva!
e é isto...

13.2.12

 
invadiste o meu regaço. violentaste-o sem pena do sangue cru. levaste os restos na viagem sem regresso. lambuzaste-te num festim mórbido de origens em tempos negros. mas o corpo reacordou. o coração reaprendeu a bater. e o regaço que antes foi, jaz agora putrefacto. algures num sítio onde se não volta.
acordar com um abraço. estranhar a cama, os ruídos da vida lá fora.
e os silêncios. estranhar, sobretudo, os silêncios.
e, apesar de tudo, pensar "está na hora de ter cheiros novos na pele".

7.2.12

podia escrever sobre nada.

pois podia. mas não o sei fazer.

podia escrever sobre o desgaste que o tempo traz. sobre os silêncios desconfortáveis. sobre os amigos que já não são. sobre a vida que muda. sobre as conversas que passaram a ocas.

podia escrever sobre o fim.  

pois podia. mas não me apetece. 

26.1.12


Paus - Deixa-me ser
porque são bons. muito, muito bons.

24.1.12

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Mogwai - The sun smells too loud

É isto...
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It is breathtaking to be here.
Reiner Maria Rilke

17.1.12

não sei bem porquê, mas tenho esta tendência:
assistir ao virar do avesso de vidas que comigo se cruzam.
e isto é, sobretudo, desconfortável.
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eu tinha um pc. que morreu. e ficou guardado. até há dias. 
recuperei algumas coisas de há que tempo. 
testemunhos de um percurso cheio de lágrimas. 
e cheio de coisas bonitas também. 
coisas que fizeram com que os meus olhos mudassem de cores. 

12.1.12


em anos que cabem numa mão, a minha vida transformou-se. eu transformei-me. o caminho foi difícil. e solitário. quando poucos acreditavam apostei até ao último suspiro. e não desisti. e chorei. e doeu-me. e doeu-me tanto. perdi quase tudo. do que fui restou quase nada. hoje sou mais bonita, melhor pessoa. hoje partilho grande parte dos meus dias com gente que me faz rir e que se ri comigo. e, sobretudo, que me respeita e que acredita em mim. hoje não tenho raivas. nem iras. nem lágrimas. hoje sou mais tranquila. mais eu. hoje disseram-me "tens de me ensinar a ter melhor feitio". apeteceu-me dizer de volta "obrigada por me veres mesmo sem saberes quem sou". não disse, mas um dia digo. 

o destino é irónico. para além disso, o meu caminho tem algo de esquizofrénico. mas é meu. assumo-o, portanto. e divirto-me com a viagem. recuso-me a viver em esforço. afasto-me de conflitos e de atritos.  não guardo rancores. não levo a vida, o mundo e a mim própria demasiado a sério. mas também não faço fretes. nem sinto ou faço de mentira. por isso hoje sou mais feliz. talvez este seja o segredo - estar em paz com o nosso desassossego. 

10.1.12

bb

olha nos olhos nús em reflexo no espelho.
espantar-te-ás com quem vês do outro lado.
1  
Darest thou now, 
O Soul, Walk out with me toward the Unknown Region, 
Where neither ground is for the feet, nor any path to follow?  

2  
No map, there, nor guide, 
Nor voice sounding, nor touch of human hand, 
Nor face with blooming flesh, nor lips, nor eyes, are in that land.

3  
I know it not, O Soul; 
Nor dost thou--all is a blank before us; 
All waits, undream'd of, in that region--that inaccessible land.  

4  
Till, when the ties loosen, 
All but the ties eternal, Time and Space, 
Nor darkness, gravitation, sense, nor any bounds, bound us.  

5  
Then we burst forth--we float, 
In Time and Space, O Soul--prepared for them; 
Equal, equipt at last--(O joy! O fruit of all!) them to fulfil, O  
Soul.


Walt Whitman

6.1.12

como se escrevem os olhos que soltam estrelas?

é isso que sinto.

e mais uma série de coisas em formas sem forma e sons de perlimpimpim.

2.1.12


Julianna Barwick - White flag

é a minha escolha de 2011

Julianna Barwick - The Magic Place

30.12.11


Jónsi - Go Do


we should always know that we can do anything


go do!
go do!
go do!



28.12.11

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perguntaram "podes perder tudo, aceitas o jogo?". disse que sim. despertei.

Mono - Moonlight

deixarmo-nos curar sem recurso a paliativos é assim - um processo lento e em crescendo. 2004 chegou ao fim.

27.12.11

não gosto da vertente decrépita, ausente e desumana da vida urbana. mas faz-me ainda mais confusão quem se isola em busca de um ideal de comunhão sustentável com o todo e se queixa constantemente de ser  incompreendid@. apesar de viver na cidade - e, provavelmente, assim continuar a ser durante anos - eu não gosto da vertente decrépita, ausente e desumana da vida urbana. nem do consumismo ou de qualquer variante sócio-filosófico-económica do mesmo. mas não preciso de me isolar na lousã para dizer que tenho hábitos sustentáveis, uma postura perante a vida mais responsável ou que me proponho transmitir melhores valores aos meus filhos. e não consigo evitar a permanente sensação que quem o faz por mera negação ao urbano-social é mais idiota do que os restantes. e com isto tudo estou-me bem lixando se os outros me entendem ou não - irritam-me tanto os pseudo-intelectuais como aqueles que gostam muito do verde do campo e de bichos mas não sabem estar com seres humanos. e isso não implica dar muitos abraços, dizer namasté por tudo e por nada, nem acabar em inha ou inho todas as palavras que se desdobram com a língua. e já agora, não pentear o cabelo ou usar andrajos em nada contribuí para o equilíbrio espirito-ambiental ok? bom, a menos que os andrajos sejam tecidos por vocês próprios em vez de terem estampados manhosos e etiquetas a dizer bangladesh ou cambodja! é que barato raramente quer dizer sustentável. já quanto ao cabelo  penteado, é mesmo só um cena estética com a qual sou meio paranóica.

26.12.11

o natal veio colado a coisas que me deixaram embasbacada.
alguém me disse "eu não entendo..." cortando depois a frase a meio. eu acho que o que restou por dizer foi "... se és completamente pérfida ou absolutamente ingénua." pois, eu às vezes também tenho dúvidas.