14.12.12

limpar o carro e arrumar a secretária. são os grandes objectivos a cumprir antes do final do ano. se vissem como estão o meu carro e a minha secretária perceberiam que pode ser uma missão impossível.

13.12.12

eu não quero nada "para sempre".
quero "tudo todos os dias". 
um de cada vez.

quando entrei para a faculdade achei que boa parte dos meus colegas eram um bando de putos mimados que se levava demasiado a sério sem que tivessem conteúdo para tal. eu via-me como uma miúda ignorante que pouco ou nada sabia da vida. quando acabei o curso e comecei a trabalhar na minha área de formação achei que boa parte dos meus colegas eram mesmo uns idiotas que se levavam demasiado a sério sem que tivessem conteúdo para tal. eu continuava a ver-me como uma miúda ignorante que pouco ou nada sabia da vida. hoje, passados uns bons anos, vejo que boa parte dos meu colegas são, de facto, meio abestados, mas que também existe o lado bom da força e que há gente nesta profissão que não só vale a pena como é incrivelmente divertida. não obstante, a grande maioria continua a ser composta por palermas que se levam demasiado a sério sem que tenham conteúdo para tal. eu cá, continuo a ver-me como uma miúda pouco mais que ignorante embora já saiba um bocadinho mais da vida. continuo é a não levar-me muito a sério. deve ser por isso que tenho conversas surreais com clientes que entre gargalhadas me dizem coisas como "x hope to meet you so we can drink a bottle of wine!".


 
Blueneck - Epiphany

hoje era chegar a casa, pegar num gin tónico e ouvir isto sozinha às escuras.
já falei da ressaca. continua. e agrava-se. estou verdadeiramente estourada. fisica e mentalmente. vou tirar uma semana de férias no início do ano. só para descansar. se alguém conhecer algum sítio tipo spa que não seja particularmente burguês e de onde eu possa sair como nova que avise.

12.12.12



Amatorski - The King

começo a olhar para a bélgica com outros olhos. duas das bandas que mais tenho ouvido nos últimos tempos vêm de lá. ao chocolate já me havia rendido há muito.
a cor do cabelo começa a denunciar-me a idade. o tempo é cruel.

11.12.12

já aqui disse várias vezes que não faço planos. na verdade, nem sei fazer planos. tenho assim umas ideias abstractas que ao longo do tempo, e sem que pense muito no assunto, se vão materializando. não faço grandes esforços para concretizar nada. sempre que sinto que me estou a esforçar em demasia parece-me que estou a empurrar o destino ou a forçar algo que não é suposto. a modos que lanço assim umas ideias no ar e deixo a vida tratar do resto. no entanto, quando páro para pensar ou medir o meu percurso, tenho sempre a sensação que estou a cumprir um trajecto já definido há muito. raramente me desvio do essencial. tenho sempre a sensação que sigo em frente e às cegas. mas tudo acontece sem que me aperceba com propriedade dos avanços. ou sequer os meça. e isto é curioso pois concedo que quem não me conhece há de pensar que planifico a minha vida com régua e esquadro. não é de todo verdade. e isto tudo para dizer que me sinto no fim de um ciclo. e que sinto que algo de muito extraordinário vem por ai.
ando a adiar uma série de coisas vai para anos. mas a vida tem-me vindo a mostrar com insistência que está na hora de tomar decisões. soa-me que, nesse aspecto, 2013 vai ser um ano do caraças!
não gosto destes períodos mais calmos longe do frenesim do costume. entro num estado de ressaca aguda e parece que o mundo vai desabar na minha cabeça.

29.11.12

como marcar férias na mongólia em seis passos:

1. pagar o iva do terceiro trimestre;
2. pagar quotas em atraso à ordem;
3. pagar contribuições em atraso à caixa de previdência;
4. pensar a seguir "foda-se, estou farta de trabalhar para benefício quase só dos outros, é agora que vou à mongólia.";
5. ir ao website da nomad;
6. pagar no multibanco.

Mongólia - confirmado!
 
(a menos que me aconteça algo até lá ou que a expedição seja cancelada)

28.11.12


hoje sonhei com pessoas improváveis numa casa improvável. nos rostos, o desgaste impiedoso da rotina. nos corpos, o peso do tempo. na cama, a desistência do amanhã. ao lado, uma porta para a paz. em pé, a maldade enviesada. no meio, eu, disfarçada de borboleta. os meus sonhos estão a ficar cada vez mais estranhos.
quer no contexto profissional quer no pessoal, nunca prejudiquei deliberadamente ninguém; nunca fiz intrigas, espalhei boatos ou contei coisas que não devia; nunca fiz juízos de valor para além da opinião que pudesse dar caso mo pedissem, de acordo com as minhas próprias convicções bem como com os elementos de que tinha conhecimento acerca do caso concreto; nunca ultrapassei ninguém; nunca pedi a ninguém que fizesse alguma coisa ou tomasse alguma decisão que fosse contra as suas próprias convicções ou vontades; nunca tentei mudar a opinião de terceiros em relação a mim; nunca fiz chantagem emocional; nunca ameacei ninguém com o que quer que fosse; resumindo, nunca fiz nada que não gostasse que me fizessem a mim. no entanto, já cortei uma série de gente da minha lista de contactos ou afinidades por entender que a presença delas na minha vida era prejudicial ao meu equílibrio mental; por entender que não me acrescentavam mais do que irritações pontuais derivadas da imbecilidade crescente; por entender que há relações que se esgotam em momentos ou se gastam pelo decurso do tempo; por entender que naquele momento em concreto a distância era a melhor conselheira; por razões de saúde, pois até eu tenho um limite de resistência ao desgaste emocional ou físico decorrente de variadissimas situações. isto tudo para dizer que a inveja é fodida. o remorso também.

25.11.12

desde há uns anos a esta parte a minha vida disparou em velocidade de cruzeiro em direcção a sítios que não esperaria. encontro-me hoje num dilema: se por um lado continuo a ser a menina que veio da província com muito pouco na bagagem para além de muitas expectativas, por outro vejo-me em vias de o que nunca ambicionei nem nunca pensei sequer como possível se estar a tornar uma realidade incontornável sem que nada de verdadeiramente extraordinário tenha feito que não ser correcta e assertiva em tudo e com todos. já aqui disse que novembro costuma mudar-me a vida, este não vai ser diferente. e desta vez juro que os acontecimentos me deixam de boca aberta. o universo está a dizer-me: "x começa a levar-te a sério pois tu és." pois, eu até sei disso, mas ainda assim custa-me deixar o padrão da menina que veio da província com pouco mais do que expectativas no bolso. este novembro já me disse que, por muito que até quisesse, o passado nunca ficará para trás. mas também foi claro em mostrar que um amanhã sem precedentes está agora a começar. não tenho medo. estou só pasmada.

23.11.12



Marble sounds - Good occasions

porque, apesar de tudo, continuo neste mood. e isso é muito bom.

21.11.12



Daughter - Youth
 
And if you're in love, then you are the lucky one,
'Cause most of us are bitter over someone.


há uma linha que separa a dor da alma da dor de corno. isto tanto pode tombar para um lado como para o outro. mas gosto da violência subtil da coisa.

20.11.12



                    Olafur Arnalds ft. Haukur Heidar Hauksson - A hundred reasons
 

The laughter and the lie in our life
That is where I find, a hundred reasons why

I will follow you into this; I will make sure we'll stay right here; I will find a way to stay alive; I will follow you into this; I will make sure we'll stay right here; I will find a way to stay alive; I will find a way to stay alive; I will follow you the way back home; I will find a way to stay alive; I will follow you into the end; I will make sure we'll stay right here; I will find a way to stay alive; I will follow you into this; I will make sure we'll stay right here; I will find a way to stay alive; I will follow you into this; I will make sure we'll stay right here; I will find a way to stay alive; I will follow you into the void.

16.11.12

todos os dias lido com projectos na ordem dos milhões ou milhares de milhões de dólares. falar em "ks" ou "bis" é quase corriqueiro. mas é triste constatar que quem fala em "ks" ou "bis" numa base diária desconsegue perceber o que se passa no mundo real. vivo nesse mundo ambivalente todos os dias.

15.11.12

eu até gostava de ter algo a dizer acerca daqueles do costume de aparecem em manifestações vindos não se sabe de onde ou com que intenções. sempre de cara tapada. sempre ameaçadores. sempre suspeitos. eu até gostava de ter algo a dizer acerca da carga policial em frente ao maior símbolo do estado. e de como o maior símbolo do estado ficou limpo de contestação em poucos segundos. eu até gostava de ter algo a dizer acerca dos velhos que vi levar bastonadas, das mulheres que vi em choque, das lágrimas, dos miúdos assustados, da estupefacção geral. eu até gostava de ter algo a dizer acerca do absurdo que se seguiu durante horas. e acerca do assalto à baixa da cidade, e das sirenes que ouvi insistentemente rua abaixo. eu até gostava de ter algo a dizer acerca das palavras dos altos representates da nação acerca do assunto. eu até gostava de ter algo a dizer acerca de tudo isso. mas fiquei sem outras palavras que não estas: ontem, às 18.16h abriu-se uma caixa de pandora. eu vi em directo no stream da RT. e não consegui conter as lágrimas. já não consigo sentir raiva. só uma profunda tristeza. e é esta impotência que nos rouba a liberdade.

13.11.12

caro director-geral da autoridade tributária,
 
na impossibilidade de responder directamente para o endereço de onde recebo as suas simpáticas comunicações, venho por este meio mandar-lhe um recado - eu não vou pedir facturas de todos os cafés que tomo. por isso, páre de me enviar emails da treta a exaltar as obrigações do contribuinte e enfie os 250 euros de (im)possíveis beneficios pelo cú acima.
 
a contribuinte

7.11.12

depois de cerca de seis anos de ausência, ontem voltei ao Café Buenos Aires. ao fim de uns minutos, tive um brutal ataque de alergia devido ao pó que circulava no espaço - indetectável ao comum dos mortais, suponho. tive de acabar o jantar a correr de modo a sair rapidamente daquele espaço. quando cheguei à rua tinha o nariz, a garganta e os olhos numa lástima. vou naturalmente assumir este episódio como a prova irrefutável de que não posso de todo estar em espaços com veludos, livros ou papel antigo juntamente com  ventoinhas  que fazem pulular particulas pelo ar. mas eu até podia ver nesta sequência algo mais encriptado e retorcido -  não se volta onde já se foi feliz. a comida também me soube bastante mal por sinal.
do Saramago (porque ontem estive a arrumar livros dele):
Memorial do Convento - é o livro. grandes personagens, grande narrativa, grande imaginário, grande construção de palavras. brilhante.
Ensaio sobre a Cegueira - não tendo, nem por sombras, a genialidade do Memorial, é uma espécie de relato cinematográfico muito bem conseguido, alavancado na descrição convincente de como o ser humano facilmente se torna uma besta.
Levantado do Chão - tem alguma graça pelo notório calor do momento político em que foi escrito.
Jangada de Pedra - tem piada pela representação do isolamento  lusitano mais ou menos auto infligido e da (ainda que sempre algo tímida) afirmação da nossa condição de não alinhados nesta coisa que se chama europa. É quase um statement de uma espécie de orgulhosamente sós e à deriva em permanência mas gostamos da viagem pá!  A portugalidade,  sempre hesitante entre o este e o oeste ,até que uma força semi-oculta empurre o destino em direcção a algures.
O Ano da Morte de Ricardo Reis - tem especial interesse se for lido por alguém que gosta muito de Lisboa e está fora de Lisboa. eu gosto muito de Lisboa e li-o fora de Lisboa. por isso, é dos meus preferidos. se o tivesse lido em outras circunstâncias talvez não tivesse o mesmo impacto.
As Intermitências da Morte - é um bom título para uma boa ideia mas que, na minha opinião, raras vezes passa disso ao longo de todo o livro.

Terra do Pecado, A Caverna, História do Cerco de Lisboa e Todos os Nomes - todos são bastante maus. a História do Cerco de Lisboa começa com uma ideia quase brilhante. depois perde-se e torna-se numa espécie de folhetim. na altura fiquei chateada!
Ensaio sobre a Lucidez - aborreceu-me de morte, embora reconheça que já andava com pouca paciência para o Saramago quando o li e por isso o problema até pode ser meu.
O Homem Duplicado e A Viagem do Elefante - ficaram pelas primeiras páginas por já não ter pachorra.

Manual de Pintura e Caligrafia, Caim e Clarabóia - são aqueles em que nunca sequer peguei.

resumindo: simpatizo com o Saramago e gosto (até bastante) de alguns livros do Saramago. era antes de mais um escritor coerente. mas raras vezes atingiu o génio. ainda assim, faço questão de ler os Cadernos de Lanzarote. um dia qualquer.

5.11.12

ao insistir afastar-me do sítio de onde sou, a vida tem-me vindo a tornar numa pessoa azeda. vale-me a música que me devolve ao conforto de casa. é extraordinário o efeito de uns fones nos ouvidos. não são só afinidades sonoras ou estéticas. é antes a prova de que o nosso sítio é lá.

Mogwai - Mogwai fear satan

porque falam uma língua que me parece extraordinariamente clara.

3.11.12

provavelmente esta foi a semana mais absolutamente inútil dos meus últimos meses.

1.11.12

eu odeio, mas odeio mesmo, conversas de gaja.
deve ser por isso que tenho poucas amigas.
a importância do sexo raras vezes ultrapassa o imediato. ultrapassando-o, o universo inteiro fica do avesso. mas, não se tratando de um desses raros eventos, salvo eventuais cócegas no ego, no dia seguinte o mundo continua absolutamente igual. por isso, poupem-me a dilemas existenciais ou conversas de sacristia. 

Godspeed You! Black Emperor - The dead flag blues

I said, "Kiss me, you're beautiful - these are truly the last days."

29.10.12

há muito tempo que não compro livros. jurei a mim mesma que antes ia ocupar-me de alguns dos imensos que tenho espalhados por casa. tenho vindo a confirmar que não consigo ler romances. divido-me entre a poesia, história e filosofia. quando o tempo me deixa, pelo menos. hoje peguei na "Breve História do Progresso" de Ronald Wright. 
começo o dia às 8.45. banho. cabelo. roupa. café. ligam-me às 9.45. ai e tal que já me tinham ligado duas vezes de paris por causa da conferência e coiso. era só às minhas 10.30, sabia lá eu que ia mudar a hora. aguentem-se e liguem mais tarde. despachar. carro. trânsito. garagem. elevador. 10.10, estou no escritório, organizo emails e preparo a conferência. 10.30, o telefone toca. cerca de meia hora de blablabla para aqui e blablabla para acolá. fim. confirmo outra conferência para as 11.30... ufa afinal nesta não é preciso eu estar presente. respiro, penso em beber outro café, desta vez descansada. o telefone toca novamente. atendo. saio disparada para apanhar alguém algures na cidade e levar de urgência para o hospital. são 13.30, estou cansada.

28.10.12

e bon iver foi assim-assim, por isso não vai deixar memória.

20.10.12


Ólafur Arnalds & Nils Frahm

não sei do que gosto mais no ólafur arnalds: se do ar alienado, se da voz nervosa, se da aparente simplicidade, se do sorriso envergonhado, se da jovialidade crescida. mas gosto, definitivamente, do génio. e do nevoeiro que cria com o som.

18.10.12

segunda-feira levantei-me às 7h e estive a trabalhar até às 22.30h, sem parar. terça-feira levantei-me às 8h e estive a trabalhar até à meia noite, sem parar. ontem acordei às 8.15h e estive a trabalhar até às 2h da manhã, sem parar. hoje acordei às 8.15h e não sei até que horas vou estar a trabalhar, sem parar, mas há-de ser até amanhã. não se trata de nenhum pico de trabalho em especial. é o meu dia-a-dia desde há muito tempo. por isso irrita-me bastante quando oiço alguém que trabalha das 9h às 17h (ou, em certos casos, menos) dizer que  está muito cansado e tal porque trabalha muito e tal e não têm tempo para estar com os filhos e tal, nem para ter vida como ir ao cinema, ou jantar, ou fazer desporto, ou outras coisas do género e tal. é que eu não tenho sequer tempo para pensar nisso. nem para estar cansada. por isso, evitem ter esse discurso ao pé de mim sob pena de me dar as iras e mandar alguém para o caralho. dito.
 
 

15.10.12

há pouco mais de cinco anos, escrevia sobre Bamako,filme de Adderrahmane Sissako que acabara de ver no Dockanema em Maputo. escrevia com raiva. ainda que temperada pela inocência própria de quem se espanta quando percebe a omnipresença do mal no mundo. foi em "Bamako" que, pela primeira vez, vi tão bem retratado o papel de organizações que parecem insuspeitas aos nossos olhos ocidentais. à minha raiva acrescia o profundo desalento que foi conhecer de perto o trabalho de algumas agências humanitárias , ou de cooperação, ou de ajuda internacional - ou o raio que os parta a quase todas -, que as mais das vezes não são mais do que grandes negócios. muitas vezes com propósitos deliberadamente desestabilizadores, manipuladores e perpetuadores da miséria. foi mais ou menos nessa altura que deixei de ter vontade de trabalhar para as nações unidas ou qualquer outra organização internacional do género. salvo raríssimas excepções, a política e os pequenos interesses de uma imensa minoria sobrepõem-se, quase sempre, à vida de quem não é mais que um número, uma estatística representada em dólares que, amealhados em banquetes de ricos, vão quase todos parar directamente ao bolso de outros igualmente ricos. tudo em nome dos pobres. a suprema barbárie, portanto. "Bamako" fala em primeiras vozes do sofrimento atroz, da manipulação pura, da descaracterização cultural e da aniquilação da identidade causadas pelas políticas imorais, torpes e gananciosas do alimentadores do banco mundial e do fmi. mas jamais imaginaria que viria a ver a europa sofrer com os efeitos do veneno que ajudou a criar. o texto termina assim; "No fim, e apesar de tudo, o filme acaba com uma certa esperança na mudança das coisas. Esperança que vem de pessoas que não têm razão nenhuma para esperar o que quer que seja. Uma esperança que, apesar de tudo, quase não existe no ocidente. A esperança de quem não tem nada a perder." na europa passa-se hoje o mesmo. propaga-se o sofrimento atroz, a manipulação pura, a descaracterização cultural e a aniquilação de identidades, destruídas às mãos das políticas imorais, torpes e gananciosas do banco mundial e do fmi. e, já agora, da bruxelas de hoje, e de todos os lobos financeiros que alimentam esses monstros insaciáveis. mas aqui, hoje, a esperança esvai-se e muita gente já não tem nada a perder. e é em momentos destes que o caos se sobrepõe à lucidez. é em momentos destes que a insanidade impera. resumindo,todo o sistema está alavancado num enorme embuste. e hoje, pela primeira vez, temo pelo futuro próximo da europa.

9.10.12


Oláfur Arnalds feat. Haukur Heidar Haukson - A hundred reasons

8.10.12

em 2008, em pleno processo desassossegado de ruptura com quase tudo, passei mais de duas horas com as lágrimas a cair pela cara abaixo. não era de tristeza. nem de infelicidade. era antes de reconhecimento. de  pertença. de regresso a casa. foi arrebatador. e deixou-me sem palavras. só com estrelas. tive vontade de ficar ali. para sempre. ali. assim. o tudo e o todo concentrado num momento. eterno. enorme.
 
em 2013, o dia 14 de fevereiro vai ser perfeito. mesmo que meta as mesmas lágrimas incontroláveis.
 
SIGUR RÓS. CAMPO PEQUENO.

(BILHETES COMPRADOS E RELIGIOSAMENTE GUARDADOS)

5.10.12

sonhei com o passado, algures no presente, segurando mais um pequeno futuro. no meio, uma parede de vidro como se houvesse passado, presente e futuro paralelos; ainda que sempre à distância de um breve esgar de olhos. olhos tristes, de um lado e do outro.

28.9.12

resumo da vida actual de x:

- are you alive?
- alive but without a life.

26.9.12

acabei 2011 com uma incrível sensação de despedida. comecei 2012 com um enorme vazio de tudo.

16.9.12


"Citoyens, vouliez-vous une révolution sans révolution?"

Robespierre


12.9.12

substituindo-se a parte anti-semita da coisa pela figura mais ou menos abstracta do poder financeiro, os Protocolos dos Sábios de Sião dão uma explicação bastante fiel do que se passa actualmente no mundo. o texto apareceu no final do século XIX. parece que andamos há dois séculos distraídos.

4.9.12

há não muitas semanas escrevia "quando as frases são as mesmas a história repete-se!".  confesso que, às vezes, me surpreendo com a extraordinária clareza mental com que vejo certas coisas. e isto, mais do que um talento, é um brutal desconforto.

desconheço-me no que fui. é estranha a lucidez.

3.9.12

é pior a angústia do não saber porquê, do que o luto do que se sabe findo.

2.9.12

tenda, grilos, ondas, lua cheia e mazzy star. também houve estrelas cadentes. e desejos sussurrados. das férias fica-me a cor. e um sonho em que viajei por vários tempos.

31.8.12

está-me a voltar a vontade de escrever. mas só me saem frases sem nexo. é mais ou menos como estou por dentro.

29.8.12

acordei em modo leonard cohen.
vou ouvir até enojar. pode ser que passe.