2012 ficará sempre como o ano em que disse adeus. quando se diz adeus fica-se com menos palavras perdidas. é tudo mais objectivo. mais claro. mais vazio, mas mais leve. em 2013 este blog será diferente.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
30.12.12
27.12.12
coisas aleatórias várias que não percebo ou que me recuso a perceber:
cupcakes, reality shows em geral, loja no chiado quase só com pais natal, hamsters, horatio caine, casinos, sapatos bicudos, bom bocados, espumante doce, ricardo araújo pereira e nuno markl (quase sempre e em ex aequo), nespresso, torresmos, irmãos catita e todos os seus sucedâneos, hamburgueres do mcdonalds, flores mortas, marcha nupcial, anonas, autos do gil vicente, jornal sol, tequilla, pecado e penitência católicos, escamas de qualquer natureza, bonecos animados com cara de imbecil, bibelots e potpourri, o sebastianismo, aipo, o filme holocausto canibal, vinho do dão e açucar no chá.
24.12.12
22.12.12
21.12.12
20.12.12
desde há umas semanas que temia que a minha saúde não andasse lá muito bem. sentia-me exausta, com a mente extraordinariamente confusa e o cérebro assim como que inchado e prestes a esvair-se pelos ouvidos. até que debaixo de uma série de papéis perdidos reencontrei-me com os óculos. e lentamente a nuvem carregada por cima dos olhos dissipa-se.
19.12.12
17.12.12
pela primeira vez entrei com propósito em partes de lojas dedicadas exclusivamente a recém nascidos. começou por me dar tonturas. a parafernália de coisas é doentia. depois encontrei o vestido perfeito. e ao olhar para ele fiquei a pensar porque é que nunca me deu para ter filhos. a beatriz nasce em fevereiro, ou março. será a minha primeira sobrinha. e temo que me vá mudar a vida.
14.12.12
13.12.12
quando entrei para a faculdade achei que boa parte dos meus colegas eram um bando de putos mimados que se levava demasiado a sério sem que tivessem conteúdo para tal. eu via-me como uma miúda ignorante que pouco ou nada sabia da vida. quando acabei o curso e comecei a trabalhar na minha área de formação achei que boa parte dos meus colegas eram mesmo uns idiotas que se levavam demasiado a sério sem que tivessem conteúdo para tal. eu continuava a ver-me como uma miúda ignorante que pouco ou nada sabia da vida. hoje, passados uns bons anos, vejo que boa parte dos meu colegas são, de facto, meio abestados, mas que também existe o lado bom da força e que há gente nesta profissão que não só vale a pena como é incrivelmente divertida. não obstante, a grande maioria continua a ser composta por palermas que se levam demasiado a sério sem que tenham conteúdo para tal. eu cá, continuo a ver-me como uma miúda pouco mais que ignorante embora já saiba um bocadinho mais da vida. continuo é a não levar-me muito a sério. deve ser por isso que tenho conversas surreais com clientes que entre gargalhadas me dizem coisas como "x hope to meet you so we can drink a bottle of wine!".
12.12.12
11.12.12
já aqui disse várias vezes que não faço planos. na verdade, nem sei fazer planos. tenho assim umas ideias abstractas que ao longo do tempo, e sem que pense muito no assunto, se vão materializando. não faço grandes esforços para concretizar nada. sempre que sinto que me estou a esforçar em demasia parece-me que estou a empurrar o destino ou a forçar algo que não é suposto. a modos que lanço assim umas ideias no ar e deixo a vida tratar do resto. no entanto, quando páro para pensar ou medir o meu percurso, tenho sempre a sensação que estou a cumprir um trajecto já definido há muito. raramente me desvio do essencial. tenho sempre a sensação que sigo em frente e às cegas. mas tudo acontece sem que me aperceba com propriedade dos avanços. ou sequer os meça. e isto é curioso pois concedo que quem não me conhece há de pensar que planifico a minha vida com régua e esquadro. não é de todo verdade. e isto tudo para dizer que me sinto no fim de um ciclo. e que sinto que algo de muito extraordinário vem por ai.
29.11.12
como marcar férias na mongólia em seis passos:
1. pagar o iva do terceiro trimestre;
2. pagar quotas em atraso à ordem;
3. pagar contribuições em atraso à caixa de previdência;
4. pensar a seguir "foda-se, estou farta de trabalhar para benefício quase só dos outros, é agora que vou à mongólia.";
5. ir ao website da nomad;
6. pagar no multibanco.
1. pagar o iva do terceiro trimestre;
2. pagar quotas em atraso à ordem;
3. pagar contribuições em atraso à caixa de previdência;
4. pensar a seguir "foda-se, estou farta de trabalhar para benefício quase só dos outros, é agora que vou à mongólia.";
5. ir ao website da nomad;
6. pagar no multibanco.
28.11.12
hoje sonhei com pessoas improváveis numa casa improvável. nos rostos, o desgaste impiedoso da rotina. nos corpos, o peso do tempo. na cama, a desistência do amanhã. ao lado, uma porta para a paz. em pé, a maldade enviesada. no meio, eu, disfarçada de borboleta. os meus sonhos estão a ficar cada vez mais estranhos.
quer no contexto profissional quer no pessoal, nunca prejudiquei deliberadamente ninguém; nunca fiz intrigas, espalhei boatos ou contei coisas que não devia; nunca fiz juízos de valor para além da opinião que pudesse dar caso mo pedissem, de acordo com as minhas próprias convicções bem como com os elementos de que tinha conhecimento acerca do caso concreto; nunca ultrapassei ninguém; nunca pedi a ninguém que fizesse alguma coisa ou tomasse alguma decisão que fosse contra as suas próprias convicções ou vontades; nunca tentei mudar a opinião de terceiros em relação a mim; nunca fiz chantagem emocional; nunca ameacei ninguém com o que quer que fosse; resumindo, nunca fiz nada que não gostasse que me fizessem a mim. no entanto, já cortei uma série de gente da minha lista de contactos ou afinidades por entender que a presença delas na minha vida era prejudicial ao meu equílibrio mental; por entender que não me acrescentavam mais do que irritações pontuais derivadas da imbecilidade crescente; por entender que há relações que se esgotam em momentos ou se gastam pelo decurso do tempo; por entender que naquele momento em concreto a distância era a melhor conselheira; por razões de saúde, pois até eu tenho um limite de resistência ao desgaste emocional ou físico decorrente de variadissimas situações. isto tudo para dizer que a inveja é fodida. o remorso também.
25.11.12
desde há uns anos a esta parte a minha vida disparou em velocidade de cruzeiro em direcção a sítios que não esperaria. encontro-me hoje num dilema: se por um lado continuo a ser a menina que veio da província com muito pouco na bagagem para além de muitas expectativas, por outro vejo-me em vias de o que nunca ambicionei nem nunca pensei sequer como possível se estar a tornar uma realidade incontornável sem que nada de verdadeiramente extraordinário tenha feito que não ser correcta e assertiva em tudo e com todos. já aqui disse que novembro costuma mudar-me a vida, este não vai ser diferente. e desta vez juro que os acontecimentos me deixam de boca aberta. o universo está a dizer-me: "x começa a levar-te a sério pois tu és." pois, eu até sei disso, mas ainda assim custa-me deixar o padrão da menina que veio da província com pouco mais do que expectativas no bolso. este novembro já me disse que, por muito que até quisesse, o passado nunca ficará para trás. mas também foi claro em mostrar que um amanhã sem precedentes está agora a começar. não tenho medo. estou só pasmada.
23.11.12
21.11.12
20.11.12
Olafur Arnalds ft. Haukur Heidar Hauksson - A hundred reasons
The laughter and the lie in our life
That is where I find, a hundred reasons why
I will follow you into this; I will make sure we'll stay right here; I will
find a way to stay alive; I will follow you into this; I will make sure we'll
stay right here; I will find a way to stay alive; I will find a way to stay
alive; I will follow you the way back home; I will find a way to stay alive; I
will follow you into the end; I will make sure we'll stay right here; I will
find a way to stay alive; I will follow you into this; I will make sure we'll
stay right here; I will find a way to stay alive; I will follow you into this;
I will make sure we'll stay right here; I will find a way to stay alive; I will
follow you into the void.
16.11.12
15.11.12
eu até gostava de ter algo a dizer acerca daqueles do costume de aparecem em manifestações vindos não se sabe de onde ou com que intenções. sempre de cara tapada. sempre ameaçadores. sempre suspeitos. eu até gostava de ter algo a dizer acerca da carga policial em frente ao maior símbolo do estado. e de como o maior símbolo do estado ficou limpo de contestação em poucos segundos. eu até gostava de ter algo a dizer acerca dos velhos que vi levar bastonadas, das mulheres que vi em choque, das lágrimas, dos miúdos assustados, da estupefacção geral. eu até gostava de ter algo a dizer acerca do absurdo que se seguiu durante horas. e acerca do assalto à baixa da cidade, e das sirenes que ouvi insistentemente rua abaixo. eu até gostava de ter algo a dizer acerca das palavras dos altos representates da nação acerca do assunto. eu até gostava de ter algo a dizer acerca de tudo isso. mas fiquei sem outras palavras que não estas: ontem, às 18.16h abriu-se uma caixa de pandora. eu vi em directo no stream da RT. e não consegui conter as lágrimas. já não consigo sentir raiva. só uma profunda tristeza. e é esta impotência que nos rouba a liberdade.
13.11.12
caro director-geral da autoridade tributária,
na impossibilidade de responder directamente para o endereço de onde recebo as suas simpáticas comunicações, venho por este meio mandar-lhe um recado - eu não vou pedir facturas de todos os cafés que tomo. por isso, páre de me enviar emails da treta a exaltar as obrigações do contribuinte e enfie os 250 euros de (im)possíveis beneficios pelo cú acima.
a contribuinte
7.11.12
depois de cerca de seis anos de ausência, ontem voltei ao Café Buenos Aires. ao fim de uns minutos, tive um brutal ataque de alergia devido ao pó que circulava no espaço - indetectável ao comum dos mortais, suponho. tive de acabar o jantar a correr de modo a sair rapidamente daquele espaço. quando cheguei à rua tinha o nariz, a garganta e os olhos numa lástima. vou naturalmente assumir este episódio como a prova irrefutável de que não posso de todo estar em espaços com veludos, livros ou papel antigo juntamente com ventoinhas que fazem pulular particulas pelo ar. mas eu até podia ver nesta sequência algo mais encriptado e retorcido - não se volta onde já se foi feliz. a comida também me soube bastante mal por sinal.
do Saramago (porque ontem estive a arrumar livros dele):
Memorial do Convento - é o livro. grandes personagens, grande narrativa, grande imaginário, grande construção de palavras. brilhante.
Ensaio sobre a Cegueira - não tendo, nem por sombras, a genialidade do Memorial, é uma espécie de relato cinematográfico muito bem conseguido, alavancado na descrição convincente de como o ser humano facilmente se torna uma besta.
Levantado do Chão - tem alguma graça pelo notório calor do momento político em que foi escrito.
Jangada de Pedra - tem piada pela representação do isolamento lusitano mais ou menos auto infligido e da (ainda que sempre algo tímida) afirmação da nossa condição de não alinhados nesta coisa que se chama europa. É quase um statement de uma espécie de orgulhosamente sós e à deriva em permanência mas gostamos da viagem pá! A portugalidade, sempre hesitante entre o este e o oeste ,até que uma força semi-oculta empurre o destino em direcção a algures.
O Ano da Morte de Ricardo Reis - tem especial interesse se for lido por alguém que gosta muito de Lisboa e está fora de Lisboa. eu gosto muito de Lisboa e li-o fora de Lisboa. por isso, é dos meus preferidos. se o tivesse lido em outras circunstâncias talvez não tivesse o mesmo impacto.
As Intermitências da Morte - é um bom título para uma boa ideia mas que, na minha opinião, raras vezes passa disso ao longo de todo o livro.
Terra do Pecado, A Caverna, História do Cerco de Lisboa e Todos os Nomes - todos são bastante maus. a História do Cerco de Lisboa começa com uma ideia quase brilhante. depois perde-se e torna-se numa espécie de folhetim. na altura fiquei chateada!
Ensaio sobre a Lucidez - aborreceu-me de morte, embora reconheça que já andava com pouca paciência para o Saramago quando o li e por isso o problema até pode ser meu.
O Homem Duplicado e A Viagem do Elefante - ficaram pelas primeiras páginas por já não ter pachorra.
Manual de Pintura e Caligrafia, Caim e Clarabóia - são aqueles em que nunca sequer peguei.
resumindo: simpatizo com o Saramago e gosto (até bastante) de alguns livros do Saramago. era antes de mais um escritor coerente. mas raras vezes atingiu o génio. ainda assim, faço questão de ler os Cadernos de Lanzarote. um dia qualquer.
5.11.12
3.11.12
1.11.12
a importância do sexo raras vezes ultrapassa o imediato. ultrapassando-o, o universo inteiro fica do avesso. mas, não se tratando de um desses raros eventos, salvo eventuais cócegas no ego, no dia seguinte o mundo continua absolutamente igual. por isso, poupem-me a dilemas existenciais ou conversas de sacristia.
29.10.12
há muito tempo que não compro livros. jurei a mim mesma que antes ia ocupar-me de alguns dos imensos que tenho espalhados por casa. tenho vindo a confirmar que não consigo ler romances. divido-me entre a poesia, história e filosofia. quando o tempo me deixa, pelo menos. hoje peguei na "Breve História do Progresso" de Ronald Wright.
começo o dia às 8.45. banho. cabelo. roupa. café. ligam-me às 9.45. ai e tal que já me tinham ligado duas vezes de paris por causa da conferência e coiso. era só às minhas 10.30, sabia lá eu que ia mudar a hora. aguentem-se e liguem mais tarde. despachar. carro. trânsito. garagem. elevador. 10.10, estou no escritório, organizo emails e preparo a conferência. 10.30, o telefone toca. cerca de meia hora de blablabla para aqui e blablabla para acolá. fim. confirmo outra conferência para as 11.30... ufa afinal nesta não é preciso eu estar presente. respiro, penso em beber outro café, desta vez descansada. o telefone toca novamente. atendo. saio disparada para apanhar alguém algures na cidade e levar de urgência para o hospital. são 13.30, estou cansada.
28.10.12
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