era meia noite e oito minutos quando o telefone tocou. do outro lado diziam "parabéns!". sim, x está tão encalacrada no meio de convenções internacionais esquisitissimas que chegou o seu dia de aniversário e nem se apercebeu disso!
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
9.7.13
30.6.13
20.6.13
às flores de laranjeira eu já sabia que era absolutamente alérgica. mas hoje, por fim, descobri o nome daquela árvores que há espalhadas por lisboa, que têm uma flores lilazes (ou roxas) muito bonitas e tal, mas das quais eu não posso sequer chegar perto sob pena de me saltarem os olhos enquanto espirro - jacarandás! porra, tanto ouvia falar de jacarandás e não fazia ideia que eram aquelas árvores do demo que fazem com que quando chegue ao rossio fique a esvair-me em ranho.
18.6.13
Antony and the Johnsons - Fistful of love
hoje lembrei-me do que era chegar a casa e ouvir repetidamente isto. hoje lembrei-me como isto tanto me deixava feliz como me levava às lágrimas. hoje lembrei-me de como a vida na altura era, apesar de tudo, tão mais simples, tão mais leve, tão mais tudo. hoje lembrei-me de coisas bonitas.
17.6.13
Sigur Rós - Kveikur
o álbum é lançado hoje mas eu já o ouvi de uma ponta à outra. a crítica parece que é boa mas a mim não me satisfaz. hoje a Pitchfork diz "Valtari sounded like a dead end, and it did turn out to be the end of Sigur Rós as we knew it." sim, é verdade, mas eu gostava muito mais deles antes. isto que fizeram agora soa-me tanto a birras de casal desavindo a tentar sobreviver ao fim de algo que foi bonito...
13.6.13
ontem reencontrei-te pelas ruas da cidade. retalhado em pedaços e distribuído entre sorrisos de tons diferentes. espelhado em olhos de brilhos e luz. marcado nas primeiras rugas de expressão que acompanham o crescer da vida. ontem reencontrei-te pelas ruas da cidade. e ofereci-te um sorriso com traços de saudade. dissemos sem palavras: reencontrar-nos-emos em casa, até lá espalha flores pelo caminho.
7.6.13
4.6.13
3.6.13
x percebeu este fim de semana que é inepta a lidar com homens. x confirmou, também, o que já vinha há muito a suspeitar. vem-se a comprovar insistentemente a existência de um delay qualquer entre o momento em que podia ter sido e o momento em que x vem a saber que podia ter sido mesmo. pelo meio há um hiato de, em média, dez anos, acompanhado de silêncio e distância absolutos. por fim, x assumiu que não deixa amigos nas relações de ontem. eclipsam-se. mas, ao que parece, não se esquecem. nem x. é uma cena estranha esta.
17.5.13
depois de um dia demasiado longo cheio de mensagens assim:
X I need you to revise...
X please confirm...
X I need you to prepare...
X please text me as soon as...
X I have some additional queries...
X I need your help...
X please translate...
X we need your opinion...
X can we move forward?
X next steps?
X please complete this assignment...
X we need your advice by COB today...
X may we, should we, must we...
receber uma mensagem assim:
X I seem to be losing my mind...
é coisa para me pôr a chorar a rir.
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X I seem to be losing my mind...
é coisa para me pôr a chorar a rir.
16.5.13
14.5.13
13.5.13
9.5.13
7.5.13
a primavera angustia-me. nas estações do ano como no resto da vida, gosto do que é com vigor. como o frio ou o calor; o amor ou o ódio. não gosto de compassos de espera. nem de indefinições. não gosto de meios termos. a primavera deixa-me a pensar coisas estranhas e em permanente conflito interior. deixa-me expectante, à espera sei lá bem de quê.
6.5.13
3.5.13
x tem vários defeitos. um deles é não ter o mínimo de paciência para gente que diz que é o maior da sua rua e depois vai-se a ver mesmo espremidinho não sai nada de jeito. mas x tem outros defeitos piores: aborrece-se de morte com muita facilidade, não disfarça o nojo que sente de algumas conversas, não suporta gente snob ou cenas pseudo - sobretudo se for cenas pseudo das artes, cenas pseudo das artes irritam muito x pois x acha que a arte é a expressão máxima da alma humana e, por isso, cenas pseudo das artes dão tanto nos nervos a x que x fica piursa de todo - e também rói as unhas.
2.5.13
é em férias que percebo que sou workaholic. sobretudo se for em férias sem praia. sem o sol e o calor e a minha tenda e o mar e livros cheios de areia fico meio perdida, sem saber o que fazer. hoje voltei ao trabalho e (shiuuuu... eu sei que isto agora vai parecer mal) fiquei contente por estar de volta.
1.5.13
depois de qualquer tipo de répteis, roedores, bichos com escamas ou com ar pré-histórico, odeio moscas. odeio mesmo moscas. ora a minha casa tem muitas janelas e a portada da cozinha dá para o jardim dos vizinhos. a modos que começa a primavera, abrem-se as janelas, e a casa é invadida por moscas. já disse que odeio moscas? mas que odeio mesmo? para evitar andar a pulverizar químicos de cinco em cinco minutos, alguém sabe alguma fórmula mágica para me livrar destes bichos nojentos? velas, cheiros, plantas, mezinhas, bruxedos, rezas... qualquer coisa?
23.4.13
22.4.13
21.4.13
17.4.13
11.4.13
eram 2.35h quando enviei o último email do dia de trabalho. eram 2.43h quando desci à garagem e entrei no carro. eram 2.46h quando, por fim, liguei a chave. e eis que, de imediato, o leonard cohen começa a cantar a hallelujah na tsf. e eu largo a rir e a pensar que deus deve ter um sentido de humor do caraças.
10.4.13
9.4.13
Bruce Springsteen & The Seeger Sessions Band - We Shall Overcome
há uns dias, alguém me enviou um link de um dos temas do álbum We Shall Overcome de Bruce Springsteen & The Seeger Sessions Band dizendo que, por qualquer razão, esse álbum fazia esse alguém feliz. eu não conhecia. e nem sequer sou apreciadora do género, nem do Bruce Springsteen. mas, fugindo de preconceitos, pus a tocar do princípio ao fim. dentro do género, o álbum é muito bom e não me aborreceu de todo. mas foi ao chegar aqui, a este We Shall Overcome, que o mundo tremeu. eu até já conhecia uma versão velha e arrastada deste símbolo da luta pelos direitos civis na América dos anos 60 do século passado. mas - talvez pelo momento político-social que vivemos, ou talvez porque a letra tem muito a ver comigo, com a minha relação com o mundo e com os outros e, sobretudo, com alguns aspectos muito intrínsecos a quem eu sou e como eu me relaciono com as pessoas, em especial aquelas que me são (ou foram) muito -, à medida que ia ouvindo este tema tudo o resto desapareceu e fiquei aqui, perdida, no meio desta enorme esperança de que um dia tudo se resolverá.
8.4.13
foi com uns olhos muito brilhantes e marejados de futuro, mas também de uma profunda tristeza, que o queres antes aprender a voar ? nasceu em abril de 2007. entre lágrimas e risos, dor e alegria, desespero e esperança, trambolhões e sucessos, a minha vida teve o percurso que tinha de ter sendo, quase sempre, um percurso solitário. desde então, fiz muita coisa que queria muito fazer: por ironia de deus (só pode) fui empurrada para fora do mundo que conhecia e onde me sentia extraordinariamente segura ainda que profundamente insatisfeita e com a permanente sensação que estava a viver pela metade; por obra de deus (só pode) tive um daqueles momentos em que se diz "sim ou não" sem pensar e quando me apercebi da dimensão da coisa já era residente oficial na república de moçambique; estava sozinha, absolutamente sozinha, e bastante perdida dentro de mim; depois apaixonei-me pelo céu africano e pela praia e pela cor e pelo sorriso de quem só tem sorrisos para oferecer; fui à àfrica do sul inúmeras vezes, vi leões e zebras e girafas e rinocerontes e hipopótamos e hienas e gnus e leopardos e elefantes e mais gnus e mais elefantes e mais zebras e mais girafas; atravessei a suazilândia de ponta a ponta, onde vi vacas e mais vacas e burros e mais burros, e gente bonita, e mais gente bonita e terra vermelha cor de sangue e mais gente bonita e vacas, muitas vacas e burros; acampei na ilha de inhaca inúmeras de vezes e no xai-xai e na ponta do ouro; dancei até a noite ficar dia, descalça, na areia, suada e à chuva; bebi muita laurentina preta e aprendi a gostar de gin tónico nas noites quentes de maputo; tomei banho de mar em benguerra e em magaruque, subi às dunas gigantes da ilha de bazaruto, onde também tomei banho de mar na companhia de peixes de mil cores e de golfinhos; sobrevoei parte da costa moçambicana, fiquei boquiaberta com a paisagem cá de baixo; sobrevoei, sozinha, o continente africano várias vezes, vi o sahara lá de cima, e as luzes da europa abastada a aparecer estridentes e tornar a noite em quase dia depois de 10 horas de voo; conheci muita gente que me fez o coração saltar de esperança no futuro, mas também conheci gente feia, e má; consegui, sozinha mas com ajuda de deus (só pode), um bom trabalho que me trouxe de volta a portugal e vi esse bom trabalho tornar-se o trabalho quase perfeito em pouco tempo; passei a sentir-me em família com as pessoas com quem partilho grande parte do meu dia; descobri uma quase-vocação e vários interesses que antes não sabia ter; sozinha, interessei-me por filosofia e física e arte e religião e história; sozinha, aprendi a poesia, descobri whitman e cummings e bukowski e rilke, e apaixonei-me por rilke e bukowski e cummings e whitman; fugi muitas vezes para o campo na urgência de ter os pés descalços em contacto com a terra; peguei no carro sem destino e só parei quando o cansaço dizia que era hora; descobri sons que me são muito, vi concertos que queria mesmo muito ver, mas desisti de salas de cinema que me angustiam no seu ambiente fechado e negro; sozinha, chorei todos os dias durante anos - pela imensidão e pelo exasperante vazio, pelo silêncio e pelo ensurdecedor ruído, pela ausência, pela distância, pela falta, pela dor alheia, pela tristeza dos olhos de outros, pela desordem das coisas, pela injustiça -, chorei todos os dias durante anos por coisas minhas e dos outros, algumas meio parvas. e, às vezes, chorei mesmo por nada, só porque as lágrimas teimavam em cair; sozinha, aprendi que me podia expressar pelo desenho e pela a fotografia, mas ainda não consegui dedicar-me totalmente a nenhum deles; sozinha, escrevi muito, apaguei muitas coisas que escrevi, voltei a escrever, voltei a apagar; sozinha, enfrentei e perdi medos; mas fiquei sensível a tudo, e tudo me doía até à alma, até que passei a ser fria e indiferente as mais das vezes; depois agucei o sentido prático, objectivo, mordaz; e, às vezes, fui má; fui aos balcãs, atravessei a bósnia quase em silêncio, e a sérvia, e o montenegro e parte da croácia; fui a barcelona e a londres; sozinha, chorei na tate modern em frente a um rothko; passei três semanas de mochila às costas na índia, não gostei da índia, nem da cultura indiana, mas adorei a viagem, a experiência, a comida, a companhia, o limite de tudo, passei horas e horas e mais horas em viagens de comboio e de carro, não gostei da índia mas esta viagem foi uma enorme experiência humana e uma prova de resistência e superação; sozinha, voltei a moçambique uma e outra vez; algo contrariada, fui madrinha de um casamento que acabou ainda antes de começar mas que teve de começar para acabar; fui ao casamento de duas amigas que decidiram, contra quase todos, mostrar que o amor não tem barreiras; contudo, decidi que não ia a mais nenhum cuja presença pudesse evitar e, por isso, recusei pelo menos três convites de familiares; sozinha, absolutamente sozinha, procurei casa durante dois anos, conheci de cor todos os websites de imobiliárias em lisboa, mas só visitei meia dúzia de casas porque tinha os critérios preço-tamanho-localização-estilo muito bem definidos desde o princípio; sozinha, apaixonei-me perdidamente por uma casa mas não a consegui comprar porque alguém se atravessou pelo meio; sozinha, fiquei chateada e quase desistia da procura, cansei-me, amuei, chorei de raiva, vi bancos fechar-me as portas dizendo "não, nem pensar"; senti-me desacompanhada, e incapaz, e impotente; sozinha, respirei fundo, voltei à procura e passados poucos dias decidi visitar uma casa que já tinha visto anunciada há meses mas que por obra de deus (só pode) vim a encontrar numa imobiliária quase insignificante a um preço muito inferior; sozinha, suspirei e disse "vou vê-la só porque sim". apesar de velha e semi-destruída reconheci-a mal entrei, sozinha, na porta. e pensei "esta é a minha casa"; por obra de deus (só pode) consegui, sozinha, um crédito à velocidade da luz e no espaço de um mês comprei-a, sozinha, contratei uma empresa e tratei das obras, sozinha; quando, passadas exactamente dez semanas, entrei na minha nova casa pensei "esta casa é mesmo eu"; empacotei restos de vidas passadas, deitei quase todos os outros fora, comecei do quase-zero; vi que uma casa não fica pronta, está antes em permanente construção, como o resto da vida, na verdade; envolvi-me com pessoas que não deixaram história e com outras que pela ordem lógica das coisas não devia ter-me envolvido, mas percebi que a vida, às vezes, nos prega partidas e que não devemos dizer nunca "desta água jamais beberei"; não me apaixonei por ninguém; mas encontrei uma espécie de alma gémea por breves instantes. e foi bom, foi tão bom, perceber que o mundo tem gente que nos percebe as entrelinhas; dediquei-me de corpo e alma ao trabalho, passei a ser reconhecida pelos meus pares, mas também passei a receber beijos na testa e festas no cabelo do chefe e abraços e risos dos colegas; ainda assim, apeteceu-me desistir muitas vezes, fruto da tendência permanente de fugir em direcção à liberdade; mas mantive-me firme no sítio desta vez pois algo me dizia "x, pára lá um bocadinho e brinca como a gente grande agora"; descobri que o meu sítio é onde estiver desde que esteja bem, mesmo que esteja sozinha as mais das vezes; recentemente, ganhei uma sobrinha que é um novo amor que vai gigantear com o tempo; e ganhei novas ânsias e a vontade de ir onde, em delírios, dizia querer ir. por isso, planeei ir, sozinha, à mongólia e ao combodja, hei-de ir aos dois lados entretanto; e, sozinha, decidi ser mãe do coração, mesmo que nunca venha a ser mãe de barriga. embora tenham passado só seis anos desde aquele abril distante de 2007, parece que se passaram vidas. parabéns a este blog que me viu crescer e que foi, quase sempre, a minha única verdadeira companhia.
2.4.13
1.4.13
25.3.13
24.3.13
Sigur Rós - Ára Bátur
dizia eu há dias que ficou "um cheiro no ar
como quem diz sim, amo-te até à dor, e é por isso que tenho de ir embora ou deixa-me, não me deixes. adeus, estou quase a chegar. foi assim!" dizia eu, também, que me soube a despedida. mal eu sabia porquê. aparentemente, o kartjan saíu da banda. e a separação sentiu-se no som. como em todas as histórias de amor, o fim sabe sempre amargo. sigur rós é mais do que as personagens que os compõe. é para lá delas. mas, como em todas as verdadeiras histórias de amor, quando uma parte da equação desaparece, a entidade criada ressente-se. destrói-se. ou reinventa-se. ainda que sem a inocência de antes. juntos fizeram mesmo magia. como as verdadeiras histórias de amor. o futuro será outro, com certeza. exploram-se novas formas. novos corpos. novos cheiros. novas vidas. mas a magia, essa, permanece algures num espaço intemporal. como nas verdadeiras histórias de amor. como neste ára bátur.
Sigur Rós - Brennisteinn
dizia eu que o futuro será outro. será. será este. onde se sente uma liberdade algo estranha. mas ressentimento também. e um certo cinismo. uma raiva contida. uma certa tristeza. misturada com despeito. a mistura é naturalmente explosiva. o sentir é cru. animal. e revolto. a essência está lá. mas quer-se ultrapassar à força. como quando acabam as verdadeiras histórias de amor.
22.3.13
11.2.13
Leonard Cohen - Waiting for the miracle
cruzei-me com o leonard cohen hoje. e, enquanto ouvia com mais atenção do que o normal, juntei duas memórias diferentes que jamais se vão cruzar. por um lado, alguém que de olhos esgalhados descobria que isto é mesmo um milagre e, por outro, alguém que em palavras mais curtas dizia algo como isto Ah baby, let's get married, we've been alone too long. hoje devia ter feito ouvidos surdos. hoje devia.
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