ouvir ou ler frases como "numa relação com..." é coisa para me pôr os pêlos em pé. foda-se, a palavra "relação" é tão incrivelmente fria que não percebo como é que alguém a usa para expressar a felicidade meio parva de estar com alguém que por alguma razão parece em determinado momento ser o centro do universo!
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
17.9.13
16.9.13
13.9.13
em tempos, este blog tenha uma espécie de efeito mágico. era algo estranho, mas tudo o que aqui expressava como vontade acabava por acontecer. obviamente, parte da magia dependia da minha enorme vontade que a coisa em concreto acontecesse de facto. depois a vida mudou, eu tornei-me mais ocupada, mais tranquila em vontades e, também, mais acomodada se calhar. consequentemente, esqueci-me do efeito mágico deste blog e de outras coisas também. mas agora estou disposta a recorrer a tudo para desencalhar um pingarelho que me atormenta há meses - vendam-me a puta da casa caraças! sim, ouviste deus dos blogs e arredores, quero comprar uma casa para os meus pais e preciso que as coisas desencalhem em três dias.
10.9.13
por opção, desta vez viajei sozinha. ou melhor, encontrei-me em ulaanbaatar com um pequeno grupo de pessoas que, pelas mais variadas razões, viajavam, também, sozinhas. cada vez me convenço mais que não sou por natureza um ser social. ou, pelo menos, ou sou-o cada vez menos na acepção comum da palavra. e, no entanto, consigo facilmente misturar-me nos outros, ainda que reserve sempre o meu espaço de quietude solitária com reverência. mas estou, ainda que pareça não estar. foi assim que um dos meus companheiros de viagem me definiu ao fim de uns dias de viagem: x, aquela que parece que não está, mas está! e constato demasiadas vezes que quase sempre estou mais presente em silêncio do que aqueles que mostram estar com ruído. mas o que eu queria mesmo dizer é que é curioso como as pessoas fora do seu palco e longe do conforto do conhecido conseguem facilmente resumir-se ao essencial e encontrar harmonia na diferença em virtude da sobrevivência ao inóspito. despidos de coisas, somos todos iguais. é o aparato material que nos afasta da origem das coisas. é isso é uma pena.
tenho testemunhado várias relações perfeitas, recheadas de declarações de amor constantes e de insistência na revelação pública do amor eterno que está na sua base, a cair de quatro de um dia para o outro. é o mundo que está louco ou são as pessoas que se iludem por quase nada vivendo mentiras numa base diária?
pode ser o vício da partida. pode ser a vontade de ser mais ar do que terra. pode ser a angústia da rotina. pode ser só a vontade omnipresente da fuga. ou pode ser só porque sim. a verdade é que ainda não desfiz a mala. não gosto de desfazer malas. entristece-me o regresso. e o fim do que quer que seja. talvez por isso me sinta impelida a pensar no próximo destino, até porque a vida de x é uma espécie de viagem permanente. irão, birmânia, kazaquistão e tajikistão são as vontades do momento.
9.9.13
The end of the ocean - On the long road home
poucos dias antes de partir, dizia a alguém preciso de horizonte, de calma, de deus... preciso com urgência de voltar a casa. mais uma vez a música é das poucas coisas que consegue sempre transmitir o meu estado de espírito, mesmo quando tudo o resto falha, ou é impotente para abarcar todos os sentidos. foi assim, como estes dez minutos de violência subtil de sons, que vivi estas três imensas, longas, extenuantes e extraordinariamente vivas semanas - num permanente caminhar pela vastidão do mundo exterior e interior. parti violentamente cansada de quase tudo e sem força para quase nada. voltei com o corpo dorido da dureza da viagem mas com a mente quase limpa e cheia de vontade de me lançar de novo ao mundo. encontrei o horizonte e a calma que precisava. e talvez tenha dado mais um passo para me reencontrar com deus e voltar a casa.
8.9.13
Bastille - Pompei
foi giro entrar num restaurante em Ulaanbaatar e ouvir isto. por momentos, fechei os olhos e no meio do enorme cansaço cantei em silêncio but if you close your eyes, does it almost feel like nothing changed at all? and if you close your eyes, does it almost feel like you've been here before?
andamos cerca de 2000 km em estradas de terra, ou leitos de rios, ou apenas sobre a erva da estepe; subimos montanhas de pedra; atravessamos rios; passamos por zonas pantanosas debaixo de uma chuva de granizo, raios e trovões; vimos neve nos cumes das montanhas; dormimos em gers no deserto, em cidades, na estepe, nas margens de lagos; vimos iaques, e camelos, e cavalos, e ovelhas, e cabras, e vacas, e abutres, e milhafres, e águias, e roedores de todas as espécies; fizemos caminhadas diárias que duravam horas; vimos chaminés de fada e um mar gigante de areia vermelha; subimos dunas no deserto e vimos o nascer do sol lá em cima; depois, ouvimo-las cantar; tomamos banho em chuveiros improvisados no meio do Gobi, em banhos públicos e em rios; comemos massa com borrego, e mais massa com borrego, e mais massa com borrego, e mais massa com borrego...; bebemos cerveja e vodka mongol; andamos a cavalo; subimos a um vulcão; vimos o céu estrelado em noites frias; dormimos numa planície minada de ratos da estepe; visitamos templos; acordamos com um mongol bêbado no nosso quarto num hotel qualquer numa cidade cujo nome não me recordo; jantamos em sítios onde as ementas eram em mongol e os empregados não falavam uma palavra de inglês; fugimos de um ger cheio de insectos preto depois de quase intoxicarmos com insecticida; rimos; rimos muito; ficamos exaustos; e no dia seguinte ficávamos mais exaustos e rimos ainda mais; fizemos piqueniques no meio da vastidão da paisagem; desempanamos a equipa australiana do charity rally london-mongolia; fomos convidados para ir até à Tasmania; jogamos às cartas para passar o tempo da noite; dormimos com a lareira a arder para esconder o frio lá de fora; bebemos chá de leite e provamos queijos que cheiram e sabem mal como o raio; improvisamos casas de banho e, quando não dava para improvisar, usávamos as latrinas existentes; não vimos um duche durante dias a fio; ficamos descabelados, sujos, transpirados, encardidos, cansados, doridos, e fartos de massa com borrego; não consegui comer uma sopa cheia de pedaços de gordura a boiar sob pena de me vomitar toda logo após a primeira colherada; comemos muitas maçãs por ser a única fruta disponível nos mercados; e frutos secos a acompanhar a cerveja ao final de tarde; cruzamo-nos com poucos turistas e com poucos mongóis; andamos incontactáveis durante dias e dias e dias; ficamos com a cabeça a rebentar de silêncio e vazia de tudo o resto. por isso tudo e por tantas outras coisas que só se sentem, por não caberem em formas ou conceitos, foram dezassete dias do caraças.
20.8.13
Sigur Rós - Daudalogn
é com este som e com este querer estar e ser que me preparo para atravessar a mongólia; é com esta espécie de oração na boca como quem pede para lhe devolverem a fé; é com esta esperança de que o silêncio, a distância e o confronto da minha pequenez com a enormidade do planeta me faça voltar a estar agradecida por fazer parte do plano esquizofrénico da criação. volto já!
16.8.13
foi em agosto de 2006, mais ou menos por estes dias, que senti a anunciação da mudança. ela vinha a caminho e eu nada podia fazer contra isso. em sete anos aconteceu um pouco de tudo. mudei de casa, de país, de pessoas, de hábitos, de rotinas, de ideias e de gostos. viajei por sítios que nunca pensei poder um dia ir. descobri que gosto do que a escola me preparou para fazer e que, afinal, a vida às vezes não se engana mesmo que nos leve por caminhos que na altura nos façam pouco sentido. descobri muitas coisas acerca de mim. e dos outros. esvaziei-me de quase tudo. encontrei algo a quem alguns chamam deus e ao que eu chamo casa. mas logo de seguida perdi-o(a), ou fugi dele(a), não sei. mas sei que optei pela fuga ao invés de ficar no vazio de um lugar incompleto. voltarei um dia a fazer as pazes com o universo, suponho. foram sete anos em que aconteceu tanta coisa. boa e má. foram sete anos aos quais me preparo para dizer adeus pois outra mudança se anuncia. como da primeira vez, não sei onde esta me levará. mas vai-me levar a sítios onde nunca fui. disso tenho certeza.
14.8.13
Mongólia, faltam 7 dias!
...e uma mochila pequena, e calças confortáveis, e um casaco quente e leve, e um saco cama, e loiça e talheres de campismo, e uma lanterna, e um impermeável, e uma objectiva nova para a máquina fotográfica, e um cartão de memória, e uma toalha que seque com facilidade, e fitas para prender o cabelo, e um chapéu, e umas havaianas...
12.8.13
7.8.13
não bastava estar com um volume de trabalho desumano, gerir diariamente a missão das compotas, tratar de um crédito bancário e tentar agendar uma escritura em tempo record, pedir um passaporte novo, organizar as coisas para a viagem à mongólia incluindo tratar do pedido de visto, não me bastava não... tinha mesmo de deixar que me gamassem a carteira com os documentos todos, tratar da emissão de novos à velocidade da luz e, quando tudo parecia estar a querer acalmar, o carro vai de pifar mesmo no meio da auto-estrada e o meu seguro - que dizem ser contra todos os riscos - não inclui carro de sustituição! deve ser por isso que ando com episódios quase taquicárdicos.
5.8.13
30.7.13
29.7.13
9.7.13
30.6.13
20.6.13
às flores de laranjeira eu já sabia que era absolutamente alérgica. mas hoje, por fim, descobri o nome daquela árvores que há espalhadas por lisboa, que têm uma flores lilazes (ou roxas) muito bonitas e tal, mas das quais eu não posso sequer chegar perto sob pena de me saltarem os olhos enquanto espirro - jacarandás! porra, tanto ouvia falar de jacarandás e não fazia ideia que eram aquelas árvores do demo que fazem com que quando chegue ao rossio fique a esvair-me em ranho.
18.6.13
Antony and the Johnsons - Fistful of love
hoje lembrei-me do que era chegar a casa e ouvir repetidamente isto. hoje lembrei-me como isto tanto me deixava feliz como me levava às lágrimas. hoje lembrei-me de como a vida na altura era, apesar de tudo, tão mais simples, tão mais leve, tão mais tudo. hoje lembrei-me de coisas bonitas.
17.6.13
Sigur Rós - Kveikur
o álbum é lançado hoje mas eu já o ouvi de uma ponta à outra. a crítica parece que é boa mas a mim não me satisfaz. hoje a Pitchfork diz "Valtari sounded like a dead end, and it did turn out to be the end of Sigur Rós as we knew it." sim, é verdade, mas eu gostava muito mais deles antes. isto que fizeram agora soa-me tanto a birras de casal desavindo a tentar sobreviver ao fim de algo que foi bonito...
13.6.13
ontem reencontrei-te pelas ruas da cidade. retalhado em pedaços e distribuído entre sorrisos de tons diferentes. espelhado em olhos de brilhos e luz. marcado nas primeiras rugas de expressão que acompanham o crescer da vida. ontem reencontrei-te pelas ruas da cidade. e ofereci-te um sorriso com traços de saudade. dissemos sem palavras: reencontrar-nos-emos em casa, até lá espalha flores pelo caminho.
7.6.13
4.6.13
3.6.13
x percebeu este fim de semana que é inepta a lidar com homens. x confirmou, também, o que já vinha há muito a suspeitar. vem-se a comprovar insistentemente a existência de um delay qualquer entre o momento em que podia ter sido e o momento em que x vem a saber que podia ter sido mesmo. pelo meio há um hiato de, em média, dez anos, acompanhado de silêncio e distância absolutos. por fim, x assumiu que não deixa amigos nas relações de ontem. eclipsam-se. mas, ao que parece, não se esquecem. nem x. é uma cena estranha esta.
17.5.13
depois de um dia demasiado longo cheio de mensagens assim:
X I need you to revise...
X please confirm...
X I need you to prepare...
X please text me as soon as...
X I have some additional queries...
X I need your help...
X please translate...
X we need your opinion...
X can we move forward?
X next steps?
X please complete this assignment...
X we need your advice by COB today...
X may we, should we, must we...
receber uma mensagem assim:
X I seem to be losing my mind...
é coisa para me pôr a chorar a rir.
X I need you to revise...
X please confirm...
X I need you to prepare...
X please text me as soon as...
X I have some additional queries...
X I need your help...
X please translate...
X we need your opinion...
X can we move forward?
X next steps?
X please complete this assignment...
X we need your advice by COB today...
X may we, should we, must we...
receber uma mensagem assim:
X I seem to be losing my mind...
é coisa para me pôr a chorar a rir.
16.5.13
14.5.13
13.5.13
9.5.13
7.5.13
a primavera angustia-me. nas estações do ano como no resto da vida, gosto do que é com vigor. como o frio ou o calor; o amor ou o ódio. não gosto de compassos de espera. nem de indefinições. não gosto de meios termos. a primavera deixa-me a pensar coisas estranhas e em permanente conflito interior. deixa-me expectante, à espera sei lá bem de quê.
6.5.13
3.5.13
x tem vários defeitos. um deles é não ter o mínimo de paciência para gente que diz que é o maior da sua rua e depois vai-se a ver mesmo espremidinho não sai nada de jeito. mas x tem outros defeitos piores: aborrece-se de morte com muita facilidade, não disfarça o nojo que sente de algumas conversas, não suporta gente snob ou cenas pseudo - sobretudo se for cenas pseudo das artes, cenas pseudo das artes irritam muito x pois x acha que a arte é a expressão máxima da alma humana e, por isso, cenas pseudo das artes dão tanto nos nervos a x que x fica piursa de todo - e também rói as unhas.
2.5.13
é em férias que percebo que sou workaholic. sobretudo se for em férias sem praia. sem o sol e o calor e a minha tenda e o mar e livros cheios de areia fico meio perdida, sem saber o que fazer. hoje voltei ao trabalho e (shiuuuu... eu sei que isto agora vai parecer mal) fiquei contente por estar de volta.
1.5.13
depois de qualquer tipo de répteis, roedores, bichos com escamas ou com ar pré-histórico, odeio moscas. odeio mesmo moscas. ora a minha casa tem muitas janelas e a portada da cozinha dá para o jardim dos vizinhos. a modos que começa a primavera, abrem-se as janelas, e a casa é invadida por moscas. já disse que odeio moscas? mas que odeio mesmo? para evitar andar a pulverizar químicos de cinco em cinco minutos, alguém sabe alguma fórmula mágica para me livrar destes bichos nojentos? velas, cheiros, plantas, mezinhas, bruxedos, rezas... qualquer coisa?
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