10.12.13



Tom Waits - I hope I never fall in love with you

ao princípio, não o suportava. depois aprendi a gostar dele. hoje está-me colado à pele. os grandes amores são assim.

8.12.13


Sigur Rós - Glósóli

um dia o futuro chama-te. tu respiras fundo, engoles medos, e vais.










casa, é onde somos inteiros.

6.12.13



é impossível explicar áfrica a quem nunca esteve em áfrica. é impossível explicar a saudade de áfrica a quem nunca viveu em áfrica. é impossível explicar como a terra se mistura com o sangue, como os risos de destacam das dificuldades, como o nada tem tanto dentro. é impossível não sentirmos vergonha. pela exploração. e pela imposição de barreiras justificada por cores de pele. mas é, sobretudo, impossível explicar a esperança, a força, a fé de quem quase nada tem. é impossível explicar o que este nkosi sikelel' iáfrika representa a alma de um continente a quem nunca o ouviu sair da voz de quem o canta com as lágrimas nos olhos. tenho o coração dividido a meio. e hoje também eu me sinto orfã.

18.11.13

vou a uma reunião de trabalho em paris. nunca me imaginei a percorrer as ruas de paris de tailleur e saltos altos em direcção a uma reunião de trabalho!

Ben Howard - Oats in the water

13.11.13



Julianna Barwick - The Harbinger
 
a música funciona-me como refúgio. e como espelho. hoje sinto-me assim, algures perdida entre o princípio e o fim.

12.11.13

devo estar numa fase particularmente confusa da vida. estou cansada de tudo, descrente em tudo, farta de tudo, aborrecida com tudo. questiono os caminhos, as escolhas, o destino, o futuro. não acho que tenha errado em tudo, mas hoje convenço-me que acertei em pouca coisa. talvez esteja a ser algo injusta comigo própria mas a pouca coisa em que acertei começa a parecer-me cada vez mais pequena em relação ao nosso lugar no mundo. sim, devo estar numa fase particularmente confusa da vida...

7.11.13


Wim Mertens - Struggle for pleasure

hoje, alguém que partilha a mesma dependência da música que eu, enviou-me logo pela manhã uma mensagem acompanhada de wim mertens. wim mertens esteve presente na minha vida durante muito tempo. a sua música teve um papel importante no meu crescimento como pessoa. já não lhe voltava há muito tempo. há demasiado tempo. mas hoje, alguém que partilha a mesma dependência da música que eu, devolveu-me ao génio. e a um concerto no S Luiz. e a um dos momentos que ficou cristalizado no tempo como um dos mais importantes da minha vida.

3.11.13

arrumei o closet. guardei toda a roupa e sapatos que não uso para dar. e agora é renovar. a mudança também terá lugar aqui.

29.10.13

coisas que deixam x algo perplexa:
 
- ver comentários indignados acerca do caso bárbara-carrilho escritos por alguém que anda à porrada com o marido/esposa numa base diária e não faz grande coisa para mudar a situação;
 
- ver pessoas usar anel de compromisso meia dúzia de dias depois de sair da cama de outra pessoa e passados meia dúzia de meses estar de casamento marcado com uma terceira pessoa;
 
- ver pessoas visivelmente infelizes a apregoar aos sete ventos que são extraordinariamente felizes e realizadas;
 
- ver pessoas declaradamente incompetentes a queixar-se que são discriminadas porque os demais se sentem de algum modo ameaçados por si;
 
- confirmar regularmente que raros são aqueles que aprendem a ser pessoas melhores ao longo da vida.
e ao terceiro dia de controle da desordem nos sonos e na alimentação dos últimos (muitos) meses, o organismo de x começa a querer reagir.

28.10.13

coisas que x detesta: dióspiros, x detesta dióspiros. e as andorinhas do bordalo pinheiro, x detesta com as ganas todas as andorinhas do bordalo pinheiro.
e o chefe entra na sala de x. x está com os fones ligados no máximo. x reduz o volume. x diz bom dia e sorri. o chefe de x exclama a rir:
 
"eia!! o fim de semana deve ter sido mesmo bom! que ar luminoso é esse?"


New Order - Temptation

acordei às oito e meia. bebi um chá de limão. tomei banho. bebi café e comi pão de cereais com queijo fresco. sequei e penteei o cabelo. vesti-me. calcei-me. preparei o saco do almoço e do lanche. fumei um cigarro. sai de casa. sentei-me na minha secretária. estou a ouvir isto. hoje começa um novo ciclo. adeus ontem.
objectivos a curto prazo:

- dormir pelo menos sete horas por dia;
- alimentar-me a horas decentes e em condições;
- trocar de óculos e trabalhar sempre, mas mesmo sempre, com eles postos;
- repitar em forma de mantra "já não tens vinte anos x, já não tens vinte anos x, já não tens vinte anos x".

24.10.13

comprar mesa, cadeiras e sofá novo (feito)
esta foi a primeira noite de sono tranquila que tive em muitos meses. logo pela manhã chorar a rir com a descrição de uma tentativa de assalto na casa de um colega durante a madrugada e de seguida receber duas excelentes notícias parecem-me muito bons sinais de que a calma está a voltar. e isso é bom!

Julianna Barwick - One half

foram cerca de setenta minutos em que senti como se me estivesse a ver em sons.

23.10.13


Marie Fisker - Ghost of love

chama-se Marie Fisker e é a voz que me tem acompanhado nos últimos dias.
a minha equipa de trabalho nomeou-me para dois prémios internos, nas categorias de qualidade e integridade. posso até nem ganhar, mas esta nomeação já é prémio suficiente.

22.10.13


Sarah Jaffe - Swelling
há anos que digo que novembro me muda a vida.
ainda não chegamos lá e já está tudo de pantanas.

21.10.13

as  últimas notícias do meu país de alma deixam-me de coração um bocadinho apertado.
nos últimos anos mudei muito. por dentro e por fora. mas talvez a mudança mais radical tenha sido perder a fé na bondade da generalidade das pessoas e a ideia de que a amizade é imortal. não é.

20.10.13

a minha casa também tem estações do ano. estamos em mudança radical para nos prepararmos para o inverno. vai saber bem estar na nova sala a fazer festas às gatas enquanto se bebe chá e come bolo acabado de fazer. vai ficar tão bonita!

19.10.13

tive uma semana terrível, mas confirmei que o meu trabalho me dá um gozo do caraças. há uns anos no passado, jamais me imaginaria a dizer uma coisa destas. a vida é curiosa. e leva-nos pelo caminho que é nosso, mesmo quando nada o faz crer.

16.10.13

há uns dois meses, roubaram-me a carteira na mercearia do bairro. fiquei sem cartão do cidadão, carta de condução, cartão do seguro de saúde, cartão ikea family e outros que nem sem bem quais. há cerca de quinze dias, perdi a nova carteira num bar do bairro. fiquei sem os cartões bancários. há uns dias assaltaram-me o carro. o ritmo alucinado no trabalho voltou e ando a chegar a casa de madrugada. entre trabalho, compotas, entregas, preparação de encomendas postais, organização logística dos packs de Natal, muito cansaço e péssima alimentação, hoje ia desmaiando de manhã. esta é a real vida de x - o caos!

14.10.13

pela enésima vez, assaltaram-me o carro. levaram quatro isqueiros bic mas deixaram o maço de tabaco. vá-se lá perceber...
"...and we are in bed
together
laughing
and we don't care
about anything..."

Charles Bukowski
 
quando dia e noite não têm horas. e o mundo inteiro somos só nós.

12.10.13



Woodkid - Run boy run

Mexefest, Lisboa.

eu vou!


Daughter - Still

Mexefest, Lisboa.

Eu vou!

8.10.13

o meu irmão mais novo parte amanhã para a alemanha. estive sempre do outro lado - a ser eu a partir em direcção ao futuro sem data de regresso definida. talvez por isso nunca me tivesse apercebido que custa sermos nós a ficar em terra enquanto aqueles que nos são por dentro partem. boa viagem meu amor.
este ano está a ser cheio de movimento e mudança. ganhei uma sobrinha. perdi a minha avó. os meus pais mudaram de casa e de vida. o meu irmão mais novo parte amanhã para a alemanha. e aproxima-se novembro, esse mês que tende a revolver-me a vida. ainda nao estou segura do que por aí vem, mas vem alguma coisa gigante. e este ano já está a ser cheio de movimento e mudança.

7.10.13


 
Chrysta Bell / David Lynch - Angel Star


3.10.13

tentei começar este texto de várias formas diferentes mas desisti. faz três dias que perdi a minha avó. tinha 85 anos cheios e vazios de tanto. mas guardava o sorriso de sempre. e a tolerância, a compreensão, o carinho e a fé no próximo. morreu tranquila. e com a sensação de dever cumprido. aceitei a sua morte com a mesma tranquilidade. e com a mesma paz. não me permiti sentir dor, para poder atenuar a dor da minha mãe. mas não consegui olhar para ela dentro daquela caixa. não consegui estar ao pé das flores. não consegui entrar na igreja. não consegui ir ao cemitério. não consegui chorar. até agora, em casa, sozinha e em silêncio. 

24.9.13



M83 - Wait


Ólafur Arnalds (feat. Arnór Dan)- For now I am winter

invejo-lhe o génio. admiro-lhe a humildade. arrepio-me com a música.

Mumford and Sons - Awake my soul

é isto que o mundo me grita ao ouvido - acorda x, está na hora!

23.9.13

ouvir da boca de alguém que tem vidas que nós achamos bonitas e cheias de tudo - incluindo filhos, família, estabilidade, segurança e sei lá que mais -, dizer a nós (que conhecemos a nossa vida demasiado bem e assumimos que é vazia de tanta coisa - incluindo filhos, família, estabilidade, segurança e sei lá que mais -) coisas como "às vezes invejo-te tanto!" é muito estranho.
 
 

Julianna Barwick - Dancing with friends

23 de outubro. Teatro Maria Matos, Lisboa.

eu vou!

19.9.13

embarquei no dia 21 de agosto com destino a Frankfurt. de lá, parti para Pequim. quando me sentei no avião da Air China, senti que estava, finalmente, a caminho das férias. partia em direcção o oriente. jantei, espreitei os filmes e, quando me começava a chegar o sono, reparei na luz imensa que vinha da minúscula frincha da janela. para mim, eram duas da manhã e a luz áquela hora absurda foi o meu primeiro choque. passei as horas seguintes numa espécie de vigília dormente. passadas umas horas, estava perdida no tempo mas ofereciam-me o pequeno almoço. não faço ideia que horas eram, mas o meu corpo dizia-me que fazia pouco sentido estar com uma omelete à frente naquele momento. abri a janela. lá em baixo estava a paisagem mais extraordinária que jamais vi do alto de um avião - a estepe mongol. atravessei grande parte da Mongólia pelo ar, antes de lhe por os pés no chão. entramos na China, sobrevoamos as montanhas gigantes e quase assustadoras, vimos a grande muralha - que afinal não é só grande, é inacreditável. aterramos. ainda pasmada, esperei pacientemente pelo próximo voo para Ulaanbatar. cheguei ao destino por volta das seis da tarde locais do dia 22 de agosto. estava sete horas no futuro relativamente à minha hora orgânica. não tive jetlag. quando cheguei ao hotel, verifiquei que ficava mesmo ao lado da meta do mongol rally. ri. como eu gostaria de chegar ali um dia montada num carro impossível depois de atravessar meio mundo! aumentou-se-me a vontade de o fazer, confesso. os primeiros dias foram de descoberta do grupo, da consciencialização da distância e do confronto com a dureza da viagem. a primeira surpresa foi descobrir que a nossa porta de entrada no Gobi tinha um imenso aroma a cebolinho. eram quilómetros infindáveis de terra coberta por flores de em tom lilás à entrada de um dos sítios que mais vontade tinha de conhecer no mundo. foram dois dias iniciais cheios de surpresas e imprevistos. e gargalhadas, muitas gargalhadas. já não me ria assim - a acabar em lágrimas - há meses. demasiados meses! vi a luz mais bonita da viagem em Baga Gazrim Chuluu, fui engolida por uma nuvem de areia em Tsagaan Suvarga, lavei-me em casas de banho públicas em Dalanzadgad e, ao quarto dia, chegamos a Bain-Dzak. sentei-me sozinha em frente ao colosso que são as Flaming Cliffs. quase chorei perante a obra de deus, ou do universo, ou sei lá de quem. contive-me. apreciei o silêncio. afoguei-me nele. fiquei ali. absorta. comovida. aquele momento seria eternamente só meu. a custo, levantei-me. e voltei à vida. caminhamos por entre a terra vermelha e reencontramos o caminho da viagem mais à frente. chegamos ao acampamento.  tomei banho num chuveiro improvisado, no meio do nada, enquanto um vento forte e quente tomava conta de tudo. os minutos que estive debaixo de água foram de uma paz imensa. assisti, de fora, a um ritual Xamã e fui invadida por um cansaço incontrolável que me fez quase perder os sentidos antes de chegar à pequena cama que me estava destinada. acordei por volta das cinco da manhã para as trinta horas mais mais extraordinárias de toda a viagem. depois do pequeno almoço, rumamos a Konghoryn Els, as dunas de areia que cantam. a viagem é belíssima, o Gobi é inexplicável, as palavras não chegam. chegamos ao nosso acampamento ao início do final da tarde. em frente ao nosso ger levantavam-se as enormes dunas de areia. o cenário era indescritível. andei em cima de um camelo durante quase três horas. o silêncio era só interropido por pequenas risadas aqui e ali. a paz era gigante. à chegada, sentei-me num pequeno tronco perdido a ver o sol cair. as cores no céu eram intraduzíveis. mais silêncio. (os sons interrompem-nos tanto, quase sempre!) o céu era omnipresente - aquele céu que parece tocar nas nossas cabeças, fazendo-nos insignificantes no meio do todo. no fim de jantar, a escuridão era apenas disfarçada pela luz ténue das lanternas. juntou-se-nos o chefe da família que nos acolheu e ouvimos a sua voz cantar histórias do deserto. quase chorei na penumbra enquanto bebíamos pequenos shots de vodka pura. adormeci embalada por uma enorme paz para acordar às quatro da manhã. estava frio mas tinhamos poucas horas até ao pôr do sol que queríamos ver lá em cima, sentados na crista da duna. fizemo-nos ao caminho quase perdidos por entre pequenos braços de rio intercalados por  zonas de lama e arbustos secos. por fim, chegamos à zona de areia. depois subimos, e subimos, e subimos. todos pensamos desistir a meio. mas todos chegamos ao fim. lá em cima, com as pernas doridas e os pulmões a gritar, sentamo-nos no topo do mundo com o sol a acordar à nossa frente. eram cerca de seis da manhã do dia 27 de agosto e estava a viver um dos momentos mais simples e bonitos da minha vida - o  sol tomava conta do manto imenso de dunas de areia do Deserto de Gobi. depois de quase uma hora imóvel de pasmo, desci-as. estava feliz!


o Deserto de Gobi é avassalador. a enormidade da paisagem inóspita - apesar de profundamente diversa - tira-nos a respiração. o silêncio é dono de quase tudo e só é incomodado pela ocasional passagem de um carro, uma moto, um rebanho... ou pelo vento. mas quando chegamos aqui, às Flamming Cliffs, ou Bain-Dzak, o vento calou-se. e o silêncio apoderou-se de tudo por alguns minutos. eu estava ali, sentada, sozinha e arrebatada por tudo o que se mostrava em meu redor. ao fim de uns segundos,  minha cabeça explodia de nada por dentro. o silêncio absoluto é estonteante.

17.9.13

ouvir ou ler frases como "numa relação com..." é coisa para me pôr os pêlos em pé. foda-se, a palavra "relação" é tão incrivelmente fria que não percebo como é que alguém a usa para expressar a  felicidade meio parva de estar com alguém que por alguma razão parece em determinado momento ser o centro do universo!

16.9.13


Portishead - Roads

já não os ouvia há tanto, mas tanto, tempo. mas cruzei-me com eles hoje. por acaso. ou talvez não. talvez não porque é exactamente esta pergunta que se me põe hoje how can it feel this wrong (?)

13.9.13

em tempos, este blog tenha uma espécie de efeito mágico. era algo estranho, mas tudo o que aqui expressava como vontade acabava por acontecer. obviamente, parte da magia dependia da minha enorme vontade que a coisa em concreto acontecesse de facto. depois a vida mudou, eu tornei-me mais ocupada, mais tranquila em vontades e, também, mais acomodada se calhar. consequentemente, esqueci-me do efeito mágico deste blog e de outras coisas também. mas agora estou disposta a recorrer a tudo para desencalhar um pingarelho que me atormenta há meses - vendam-me a puta da casa caraças! sim, ouviste deus dos blogs e arredores, quero comprar uma casa para os meus pais e preciso que as coisas desencalhem em três dias.

10.9.13

por opção, desta vez viajei sozinha. ou melhor, encontrei-me em ulaanbaatar com um pequeno grupo de pessoas que, pelas mais variadas razões, viajavam, também, sozinhas. cada vez me convenço mais que não sou por natureza um ser social. ou, pelo menos, ou sou-o cada vez menos na acepção comum da palavra. e, no entanto, consigo facilmente misturar-me nos outros, ainda que reserve sempre o meu espaço de quietude solitária com reverência. mas estou, ainda que pareça não estar. foi assim que um dos meus companheiros de viagem me definiu ao fim de uns dias de viagem: x, aquela que parece que não está, mas está! e constato demasiadas vezes que quase sempre estou mais presente em silêncio do que aqueles que mostram estar com ruído. mas o que eu queria mesmo dizer é que é curioso como as pessoas fora do seu palco e longe do conforto do conhecido conseguem facilmente resumir-se ao essencial e encontrar harmonia na diferença em virtude da sobrevivência ao inóspito. despidos de coisas, somos todos iguais. é o aparato material que nos afasta da origem das coisas. é isso é uma pena.
tenho testemunhado várias relações perfeitas, recheadas de declarações de amor constantes e de insistência na revelação pública do amor eterno que está na sua base, a cair de quatro de um dia para o outro. é o mundo que está louco ou são as pessoas que se iludem por quase nada vivendo mentiras numa base diária?
grande parte dos blogs que leio com alguma regularidade estão grávidos ou foram pais há pouco tempo. grande parte das pessoas com quem me cruzo diariamente estão grávidas ou forma pais/mães há pouco tempo. dá-me ideia que o mundo inteiro cresceu menos eu.