"x, onde raio estavas com a cabeça?".
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
2.1.14
1.1.14
o ano começou da forma mais esquizofrénica possível. depois de uma noite de riso e outras coisas mais ou menos alucinadas, o testemunho de uma agressão de um taxista a uma cliente, uma discussão com a psp, o puxar dos galões, um tratamento diferenciado imediato e, logo de seguida, a vontade enorme de dar uma cabeçada a um polícia no meio de outros três. 2014 promete.
22.12.13
2013
- nasceu a beatriz;
- fui à mongólia e atravessei o deserto de gobi;
- adiei cinco vezes idas a moçambique;
- transformei a minha casa numa fábrica de compotas. vendemos quase 2000!
- geri uma página do facebook com mais de 1200 subscritores;
- não fui uma única vez à praia;
- passei uma semana em braga para fazer a mudança de casa dos meus pais;
- perdi a minha avó;
- fechei um negócio depois de quase dois anos de trabalho;
- fui a paris como uma espécie de teste e correu lindamente;
- o meu irmão mais novo mudou-se para braunschweig;
- acabei de mobilar a minha sala;
- reuni amigos de sempre;
- acabei com uma ligação doente;
- envelheci;
- recebi uma oferta de trabalho milionária que recusei;
- deixei os chefes boquiabertos;
- recebi várias mensagens de clientes a falar bem do trabalho da minha equipa;
- trabalhei mais do que nunca;
- decidi adoptar;
- fiz amigos novos;
- vi sigur rós e mono;
- fui nomeada para um prémio de qualidade;
- vi os meus pais extraordinariamente felizes.
resumindo, nasceu a beatriz!
20.12.13
em paris deparei-me com uma mesa com 15 pessoas da indústria petrolífera internacional prontas para me albarroar com perguntas. como em tudo o que faço na vida, respirei fundo e pensei "x, ninguém aqui sabe mais disto em concreto do que tu, mesmo que tu não saibas assim tanto, a modos que orienta-te". correu tudo bem, correu tudo muito bem. no fim, vieram agradecer-me as respostas, desejar boas festas e pedir mais trabalho. de paris vi os champs élyseés de fugida, a cama do hotel, o interior de dois taxis e uma sala reuniões. dois dos meus interlocutores holandeses eram giros mesmo giros. toda a gente foi extraordinariamente simpática, acessível, prática, objectiva e sem merdas. voltei passadas vinte e quatro horas. o chefe perguntou "então, não te tremeram os joelhos?". não, não tremeram os joelhos nem nenhum outra parte do corpo. e é tudo.
16.12.13
gerir uma página de facebook com 1200 subscritores, anotar encomendas, preparar encomendas, entregar encomendas, enviar encomendas pelo correio... enquanto isso, trabalhar 10 a 12 horas por dia incluindo fins de semana, organizar um jantar para vinte pessoas, fechar uma operação, preparar uma viagem de trabalho, preparar uma reunião de trabalho onde vou ser cilindrada com perguntas e dúvidas e pedidos de esclarecimento e sei lá mais o quê, aturar os estagiários, substituir o chefe na ausência, e voltar a gerir uma página de facebook com 1200 subscritores, anotar encomendas, preparar encomendas, entregar encomendas, enviar encomendas pelo correio... quando estas duas semanas acabarem vou-me sentir feliz! nem que seja por ter quatro dias de férias!
10.12.13
6.12.13
é impossível explicar áfrica a quem nunca esteve em áfrica. é impossível explicar a saudade de áfrica a quem nunca viveu em áfrica. é impossível explicar como a terra se mistura com o sangue, como os risos de destacam das dificuldades, como o nada tem tanto dentro. é impossível não sentirmos vergonha. pela exploração. e pela imposição de barreiras justificada por cores de pele. mas é, sobretudo, impossível explicar a esperança, a força, a fé de quem quase nada tem. é impossível explicar o que este nkosi sikelel' iáfrika representa a alma de um continente a quem nunca o ouviu sair da voz de quem o canta com as lágrimas nos olhos. tenho o coração dividido a meio. e hoje também eu me sinto orfã.
18.11.13
13.11.13
12.11.13
devo estar numa fase particularmente confusa da vida. estou cansada de tudo, descrente em tudo, farta de tudo, aborrecida com tudo. questiono os caminhos, as escolhas, o destino, o futuro. não acho que tenha errado em tudo, mas hoje convenço-me que acertei em pouca coisa. talvez esteja a ser algo injusta comigo própria mas a pouca coisa em que acertei começa a parecer-me cada vez mais pequena em relação ao nosso lugar no mundo. sim, devo estar numa fase particularmente confusa da vida...
7.11.13
Wim Mertens - Struggle for pleasure
hoje, alguém que partilha a mesma dependência da música que eu, enviou-me logo pela manhã uma mensagem acompanhada de wim mertens. wim mertens esteve presente na minha vida durante muito tempo. a sua música teve um papel importante no meu crescimento como pessoa. já não lhe voltava há muito tempo. há demasiado tempo. mas hoje, alguém que partilha a mesma dependência da música que eu, devolveu-me ao génio. e a um concerto no S Luiz. e a um dos momentos que ficou cristalizado no tempo como um dos mais importantes da minha vida.
3.11.13
29.10.13
coisas que deixam x algo perplexa:
- ver comentários indignados acerca do caso bárbara-carrilho escritos por alguém que anda à porrada com o marido/esposa numa base diária e não faz grande coisa para mudar a situação;
- ver pessoas usar anel de compromisso meia dúzia de dias depois de sair da cama de outra pessoa e passados meia dúzia de meses estar de casamento marcado com uma terceira pessoa;
- ver pessoas visivelmente infelizes a apregoar aos sete ventos que são extraordinariamente felizes e realizadas;
- ver pessoas declaradamente incompetentes a queixar-se que são discriminadas porque os demais se sentem de algum modo ameaçados por si;
- confirmar regularmente que raros são aqueles que aprendem a ser pessoas melhores ao longo da vida.
28.10.13
New Order - Temptation
acordei às oito e meia. bebi um chá de limão. tomei banho. bebi café e comi pão de cereais com queijo fresco. sequei e penteei o cabelo. vesti-me. calcei-me. preparei o saco do almoço e do lanche. fumei um cigarro. sai de casa. sentei-me na minha secretária. estou a ouvir isto. hoje começa um novo ciclo. adeus ontem.
24.10.13
esta foi a primeira noite de sono tranquila que tive em muitos meses. logo pela manhã chorar a rir com a descrição de uma tentativa de assalto na casa de um colega durante a madrugada e de seguida receber duas excelentes notícias parecem-me muito bons sinais de que a calma está a voltar. e isso é bom!
23.10.13
22.10.13
21.10.13
20.10.13
19.10.13
16.10.13
há uns dois meses, roubaram-me a carteira na mercearia do bairro. fiquei sem cartão do cidadão, carta de condução, cartão do seguro de saúde, cartão ikea family e outros que nem sem bem quais. há cerca de quinze dias, perdi a nova carteira num bar do bairro. fiquei sem os cartões bancários. há uns dias assaltaram-me o carro. o ritmo alucinado no trabalho voltou e ando a chegar a casa de madrugada. entre trabalho, compotas, entregas, preparação de encomendas postais, organização logística dos packs de Natal, muito cansaço e péssima alimentação, hoje ia desmaiando de manhã. esta é a real vida de x - o caos!
14.10.13
12.10.13
8.10.13
o meu irmão mais novo parte amanhã para a alemanha. estive sempre do outro lado - a ser eu a partir em direcção ao futuro sem data de regresso definida. talvez por isso nunca me tivesse apercebido que custa sermos nós a ficar em terra enquanto aqueles que nos são por dentro partem. boa viagem meu amor.
este ano está a ser cheio de movimento e mudança. ganhei uma sobrinha. perdi a minha avó. os meus pais mudaram de casa e de vida. o meu irmão mais novo parte amanhã para a alemanha. e aproxima-se novembro, esse mês que tende a revolver-me a vida. ainda nao estou segura do que por aí vem, mas vem alguma coisa gigante. e este ano já está a ser cheio de movimento e mudança.
7.10.13
3.10.13
tentei começar este texto de várias formas diferentes mas desisti. faz três dias que perdi a minha avó. tinha 85 anos cheios e vazios de tanto. mas guardava o sorriso de sempre. e a tolerância, a compreensão, o carinho e a fé no próximo. morreu tranquila. e com a sensação de dever cumprido. aceitei a sua morte com a mesma tranquilidade. e com a mesma paz. não me permiti sentir dor, para poder atenuar a dor da minha mãe. mas não consegui olhar para ela dentro daquela caixa. não consegui estar ao pé das flores. não consegui entrar na igreja. não consegui ir ao cemitério. não consegui chorar. até agora, em casa, sozinha e em silêncio.
24.9.13
23.9.13
ouvir da boca de alguém que tem vidas que nós achamos bonitas e cheias de tudo - incluindo filhos, família, estabilidade, segurança e sei lá que mais -, dizer a nós (que conhecemos a nossa vida demasiado bem e assumimos que é vazia de tanta coisa - incluindo filhos, família, estabilidade, segurança e sei lá que mais -) coisas como "às vezes invejo-te tanto!" é muito estranho.
20.9.13
19.9.13
embarquei no dia 21 de agosto com destino a Frankfurt. de lá, parti para Pequim. quando me sentei no avião da Air China, senti que estava, finalmente, a caminho das férias. partia em direcção o oriente. jantei, espreitei os filmes e, quando me começava a chegar o sono, reparei na luz imensa que vinha da minúscula frincha da janela. para mim, eram duas da manhã e a luz áquela hora absurda foi o meu primeiro choque. passei as horas seguintes numa espécie de vigília dormente. passadas umas horas, estava perdida no tempo mas ofereciam-me o pequeno almoço. não faço ideia que horas eram, mas o meu corpo dizia-me que fazia pouco sentido estar com uma omelete à frente naquele momento. abri a janela. lá em baixo estava a paisagem mais extraordinária que jamais vi do alto de um avião - a estepe mongol. atravessei grande parte da Mongólia pelo ar, antes de lhe por os pés no chão. entramos na China, sobrevoamos as montanhas gigantes e quase assustadoras, vimos a grande muralha - que afinal não é só grande, é inacreditável. aterramos. ainda pasmada, esperei pacientemente pelo próximo voo para Ulaanbatar. cheguei ao destino por volta das seis da tarde locais do dia 22 de agosto. estava sete horas no futuro relativamente à minha hora orgânica. não tive jetlag. quando cheguei ao hotel, verifiquei que ficava mesmo ao lado da meta do mongol rally. ri. como eu gostaria de chegar ali um dia montada num carro impossível depois de atravessar meio mundo! aumentou-se-me a vontade de o fazer, confesso. os primeiros dias foram de descoberta do grupo, da consciencialização da distância e do confronto com a dureza da viagem. a primeira surpresa foi descobrir que a nossa porta de entrada no Gobi tinha um imenso aroma a cebolinho. eram quilómetros infindáveis de terra coberta por flores de em tom lilás à entrada de um dos sítios que mais vontade tinha de conhecer no mundo. foram dois dias iniciais cheios de surpresas e imprevistos. e gargalhadas, muitas gargalhadas. já não me ria assim - a acabar em lágrimas - há meses. demasiados meses! vi a luz mais bonita da viagem em Baga Gazrim Chuluu, fui engolida por uma nuvem de areia em Tsagaan Suvarga, lavei-me em casas de banho públicas em Dalanzadgad e, ao quarto dia, chegamos a Bain-Dzak. sentei-me sozinha em frente ao colosso que são as Flaming Cliffs. quase chorei perante a obra de deus, ou do universo, ou sei lá de quem. contive-me. apreciei o silêncio. afoguei-me nele. fiquei ali. absorta. comovida. aquele momento seria eternamente só meu. a custo, levantei-me. e voltei à vida. caminhamos por entre a terra vermelha e reencontramos o caminho da viagem mais à frente. chegamos ao acampamento. tomei banho num chuveiro improvisado, no meio do nada, enquanto um vento forte e quente tomava conta de tudo. os minutos que estive debaixo de água foram de uma paz imensa. assisti, de fora, a um ritual Xamã e fui invadida por um cansaço incontrolável que me fez quase perder os sentidos antes de chegar à pequena cama que me estava destinada. acordei por volta das cinco da manhã para as trinta horas mais mais extraordinárias de toda a viagem. depois do pequeno almoço, rumamos a Konghoryn Els, as dunas de areia que cantam. a viagem é belíssima, o Gobi é inexplicável, as palavras não chegam. chegamos ao nosso acampamento ao início do final da tarde. em frente ao nosso ger levantavam-se as enormes dunas de areia. o cenário era indescritível. andei em cima de um camelo durante quase três horas. o silêncio era só interropido por pequenas risadas aqui e ali. a paz era gigante. à chegada, sentei-me num pequeno tronco perdido a ver o sol cair. as cores no céu eram intraduzíveis. mais silêncio. (os sons interrompem-nos tanto, quase sempre!) o céu era omnipresente - aquele céu que parece tocar nas nossas cabeças, fazendo-nos insignificantes no meio do todo. no fim de jantar, a escuridão era apenas disfarçada pela luz ténue das lanternas. juntou-se-nos o chefe da família que nos acolheu e ouvimos a sua voz cantar histórias do deserto. quase chorei na penumbra enquanto bebíamos pequenos shots de vodka pura. adormeci embalada por uma enorme paz para acordar às quatro da manhã. estava frio mas tinhamos poucas horas até ao pôr do sol que queríamos ver lá em cima, sentados na crista da duna. fizemo-nos ao caminho quase perdidos por entre pequenos braços de rio intercalados por zonas de lama e arbustos secos. por fim, chegamos à zona de areia. depois subimos, e subimos, e subimos. todos pensamos desistir a meio. mas todos chegamos ao fim. lá em cima, com as pernas doridas e os pulmões a gritar, sentamo-nos no topo do mundo com o sol a acordar à nossa frente. eram cerca de seis da manhã do dia 27 de agosto e estava a viver um dos momentos mais simples e bonitos da minha vida - o sol tomava conta do manto imenso de dunas de areia do Deserto de Gobi. depois de quase uma hora imóvel de pasmo, desci-as. estava feliz!
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