Johann Johannson - Sun's go dim
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
27.8.11
26.8.11
Mogwai - Acid food
havia algumas estrelas e algumas nuvens e alguma relva ainda e eu tinha os pés descalços colados à terra mas quase sempre vi de cima como vêem os anjos e hoje acompanharam-me na volta e algures a sul ficou um pouco mais do que ainda resta e isso foi bom porque às vezes temos de deixar para trás quem tem de ficar para trás mesmo que isso nos deixe um bocadinho mais vazios
Não é meu hábito recomendar livros. Até porque os livros que me interessam, normalmente, não interessam muito a muita gente. De qualquer modo, este livro - do qual, apesar de tudo, ainda não sei se gostei ou não - foi uma surpresa. Não tanto pelo conteúdo, mas antes pelo autor. Não consigo encontrar uma palavra para o definir. Mas não conseguia parar de o ler. Cheguei à conclusão que, apesar de fazer parte de um governo no qual não me revejo nem um bocadinho, o nosso ministro da economia é o tipo de louco ao qual eu acho piada.
15.8.11
e ontem X acordou muito cedo, foi à rua, comprou fruta e tabaco, tomou café, voltou a casa, deu comida à gata, ligou a música - escolheu punk-rock de adolescente - e limpou a casa - pela primeira vez desde há muito com vontade de limpar a casa - e saltou e pulou enquanto lavava a loiça e outras coisas assim. pelo meio X ia arrumando a mochila, pegando no material de campismo, o micro-mini-fogão, a lanterna, o saco cama, X não pode esquecer-se do saco cama, champô, protector solar, cremes, aquele perfume, X não vive sem aquele perfume, e roupa? que roupa levar? não ténis não. só havaianas. os anéis, os anéis não podem ficar esquecidos. e o colar que se abana e chama anjos. esse também não. mas será possível que X só tem dois biquinis de jeito? e o secador de cabelo, X não pode sair sem o secador de cabelo. e a geleira e os copos para o gin... sim, agora X acha que está tudo! X mete-se no carro, liga a música, faz uma viagem de mais ou menos 400 km só com Mogwai, alguns temas ouve até ao limite do repeat, chega ao destino, abre a mala do carro e: X sabe que anda com a cabeça meio no ar mas logo o raio da tenda é que tinha de ter ficado em Lisboa?
13.8.11
Acordei com vontade de ouvir isto. Tenho para mim que é por causa daquele berro inicial que é igualzinho ao que me apetecia dar agora. Para além disso a Wendy James sempre me deixou dúvidas.
11.8.11
tem-me dado para pensar acerca do papel das pessoas que vão cruzando connosco. tem-me dado para pensar na forma como as vidas se fazem em teias. também me tem dado para pensar nos maus resultados que às vezes isso dá. mas, ainda assim, o que realmente me tem incomodado nesta questão é perceber que, no limite, temos sempre como mais importante o efeito das coisas em nós do que nos outros. e isso é profundamente egoísta. por outro lado, somos quase sempre tão previsíveis. até na inconstância. e, quando tudo nos parece tão incrivelmente novo, o resto, amiúde, passa a ter menor significado. e isso é também bastante estúpido. é que, às vezes, as coisas explodem. e quando há explosões, há quase sempre danos colaterais. ou seja, a vida é uma espécie de equação, e os desvios de cálculo - ainda que mais ou menos voluntários - levam-nos a enveredar por caminhos - às vezes, até profundamente errados - que, no lado mau da hipótese, terão influência decisiva em resultados alheios. e, às vezes, isso parece ser de importância menor. e é exactamente aqui que não consigo decidir se isso é bom ou não. é que, quando alguém diz eureka, outro alguém fica profundamente ferido. mas isso, quase sempre, é problema do outro alguém. e é este pormenor que é uma grande filha da putisse. pecado esse de que eu, apesar de tudo, também não estou isenta.
10.8.11
9.8.11
quero dizer qualquer coisa, mas não sei bem o quê, está tudo confuso, sabes aquela porta por onde entravam os pesadelos em tons laranja e labareda?, ameaça reabrir-se, mas a fragilidade do corpo nú traz angústia, e sons sibilantes que arrepiam, continuo a querer dizer qualquer coisa, mas não sei bem o quê
8.8.11
tentei lembrar-me. mas as formas, texturas e sons perderam-se irremediavelmente. suponho que isso é bom. já não sei como era. só como gostaria que tivesse sido. não, não quero regressar. e isso não é uma decisão. é antes uma consequência. mas adeus não é suficiente. seria antes necessário um big bang ao contrário.
5.8.11
3.8.11
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