uso com tanta frequência a palavra detesto como a palavra gosto. definitivamente não sou pessoa de cinzentos. nem de tons beije. sou assumidamente exagerada nas opções. ou tudo ou nada. assim-assim é que não.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
5.9.11
4.9.11
foi no dia que senti essas mãos frias e transparentes querendo roubar-me o ar que me tornei um monstro. esse paternalismo covarde foi o acelerador. a sobrevivência fez o resto. e ainda assim todos ficamos a ganhar. apesar de tudo, o mundo equilibra-se. e não digas que estás contente. porque isso afinal não quer dizer nada. fica só em silêncio. e longe.
3.9.11
2.9.11
e, apesar de tudo, acordei tão cheia por dentro que corro o risco de explodir num fogo de artifício cheio de cores. nunca saberemos o amanhã, por isso mais vale aproveitar o já. e por isso decidi libertar alguns fantasmas. sejam felizes no vosso inferno. o meu está quase quase no fim. ontem também comprei girassóis.
1.9.11
e esta é uma prova de que há momentos na vida em que, vindo sabe-se lá de onde, nos aparece à frente, como que por magia, exactamente aquilo que procuramos durante tempo que parece infinito. e que, frequentemente, o que tanto procuramos acaba por nos aparecer nos sítios mais insuspeitos. amiúde em situações muito pouco prováveis. as mais das vezes, mesmo até no meio daqueles momentos mais difíceis que nos vão corroendo um bocadinho mais por dentro. neste caso foi na loja do Adolfo Dominguez no Saldanha. sítio esse que na cabeça de X em situação alguma faria sentido entrar. no momento em concreto, X estava ainda com o estômago revolto. e bastante mais angustiada do que o normal. mas há pequenos momentos que não nos é permitido perder. por nos virem, de algum modo, preencher as ânsias de sempre. mas para isso há que cuidar que os olhos não fiquem toldados com os cinzentos que nos acompanham, sob pena de não olharmos a montra e perdermos a oportunidade de, enquanto se faz um plim por dentro, dizermos: é exactamente isto que procuro há anos! (hoje, em especial, este post até pode parecer bastante estúpido. mas acreditem que talvez seja dos mais sérios que escrevi desde que comecei este blog.)
31.8.11
pronto... e agora tenho de vestir a pele da pessoa séria que também sou e dedicar as próximas horas a cogitar intensamente acerca de uma cena a que em estrangeiro se chama historical environmental liabilities embora hoje tenha acordado com o diabo por dentro que não pára de me dizer fuck it and go to Paris, drink red wine and write a book in blood red ink. (foda-se que às vezes juro que tenho medo do que me passa pela cabeça)
lembro-me da sensação de abandono. não sei se do mundo em relação a mim se de mim em relação ao mundo. mas lembro-me da sensação de abandono. e da ofegante necessidade de encontrar algo a que agarrar as mãos. mas uma espécie de nevoeiro denso ocupava tudo em volta. ainda assim, lembro-me também de conseguir ver através. mesmo sem conseguir ver nada no pequeno círculo em volta. e os sons. e as vozes. as vozes que se não calavam. e os gritos que às vezes saíam calados mas sempre em forma de estilhaços afiados. e a agonia. a agonia de ter de largar o que parecia ser tudo. e aquela sombra sempre presente dizendo "deixa-te morrer, deixa-te morrer, deixa-te morrer". às vezes a luz é tão escura como as trevas. sabiam?
um dia (há muitos muitos muitos anos) alguém me disse "espero que não te arrependas". eu não me arrependi, mas tive várias dúvidas ao longo do percurso. e já houve casos em que eu própria tive vontade de dizer "espero que não te arrependas" a uma ou outra pessoa. nunca disse. em alguns casos porque não havia grande utilidade. já noutros porque secretamente desejei (e em alguns, embora muito muito muito poucos, ainda desejo) que se arrependam à séria e batam com a cabeça num muro de pedra até esguichar sangue. sim, às vezes também sou um bocadinho má.
30.8.11
28.8.11
e depois de Nietzsche no Fábulas apareceu alguém que faz sempre X ter vontade de rir e a tarde acabou na Gardénia de onde X saiu com quase 10 cm a mais e pronta a enfrentar a insanidade que os próximos meses prometem. mas X também trouxe dois livros de poesia da Fnac. é que só assim X conseguirá manter o equilíbrio em cima daqueles saltos.
acordei com vontade de ler Schopenhauer. devo ter dormido com os pés de fora. vou pegar no Nietzsche e vou para uma esplanada qualquer. fica assim a meio. e pode ser que a vontade de Schopenhauer me passe. e que amanhã continue a achar que o mundo e as gentes são dignos de esperança. é que eu acredito. ainda que às vezes se me acometam dúvidas várias.
a verdade é que não suporto que me tirem fotos. detesto máquinas de outros apontadas a mim. se calhar porque detesto que me vejam. ou que me fixem numa imagem. detesto coisas cristalizadas. mas não é só por isso que fujo das câmaras. é mesmo pânico do palco. da mesma forma que detesto falar em público. ou atender o telefone a números desconhecidos. ou anónimos. e detesto ter público enquanto estou com a minha câmara. é como se fosse um jogo só meu. e não consigo tirar fotos com ruído. nem com gente ao lado. mas gosto de fotografar pessoas. sobretudo pessoas. gosto de apanhar emoções. mas é-me difícil fazê-lo. porque penso sempre que do outro lado pode estar alguém como eu. e porque tenho a certeza que a imagem não é real quando alguém nos aponta uma câmara. e eu gosto sobretudo de coisas com verdade. o cinismo agonia-me. a mentira também. mesmo que seja em forma de imagem.
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