como dizer a alguém de quem gostamos muito, mas não assim, que de facto até gostamos muito, mas não assim, e que até temos muita pena de não gostar assim, mas que não há nada a fazer pois ou se gosta assim ou se gosta assado?
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
29.3.12
27.3.12
hoje lembrei-me. e ao lembrar-me percebi que quase havia esquecido. estranho como o tempo age. como reagimos a sua impiedade. e como, apesar de tudo, as formas se vão esvaindo. ficam as ideias sem corpo. os conceitos. a imateria de que se disfarça a falta mas que sustenta o que pedimos a seguir. não consigo ficar longe, contudo. talvez nem seja suposto. esquecem-se os traços. mas fica o que se não vê. e assim se distingue o que realmente importa. e se desnuda a razão porque as rugas não se lhe não sobrepõem. ja vos falei naquele fio brilhante que liga aquem e alem? se o não fiz, um dia faço. tenho apenas de deixar que ele brilhe de novo. anda mortiço. restando-lhe apenas pequenos reflexos de luz. por enquanto.
20.3.12
16.3.12
a sério. começa a ser um padrão. assim como uma coisa circular que se repete nas voltas. quase todos aqueles que em algum momento gostam muito de mim, chegam a um ponto que me passam a detestar. para todos os efeitos, assumo logo à partida que sou bastante coerente na minha incoerência. talvez seja esse o problema. eu sou só eu. e talvez seja exactamente isso que a muitos custa crer. é, há sempre aquela ideia inicial "ai e tal que tens de te adaptar e coiso...". pois que fique aqui assente: um adapto-me a muita coisa, menos a viver numa pele que não é minha. e se isso cai mal a alguém... olhem, azar!
13.3.12
são 1.49 h.
acordei às 8 h.
cheguei ao trabalho às 10 h.
cheguei a casa às 21.15 h.
(hoje nem foi muito a desoras)
comi. continuei a trabalhar.
(desta vez em casa)
mas não consegui acabar o que estou a fazer.
terei de acordar lá para as 7 h.
5 horas de sono.
(...)
são 1.55 h.
e é por isto que este blog anda desgraçado!
12.3.12
1.3.12
27.2.12
uma das coisas mais importantes que aprendi nos últimos anos, foi a importância do silêncio e da limpidez do horizonte. é o excesso de ruído em todos os sentidos que me tira a vontade de fazer parte do mundo. o ruído faz-nos perder tempo com o acessório, desconcentrando-nos do essencial. o ruído do excesso de civilização despreenche-me. deve ser por isso que estou a considerar passar férias sozinha. e longe.
15.2.12
13.2.12
invadiste o meu regaço. violentaste-o sem pena do sangue cru. levaste os restos na viagem sem regresso. lambuzaste-te num festim mórbido de origens em tempos negros. mas o corpo reacordou. o coração reaprendeu a bater. e o regaço que antes foi, jaz agora putrefacto. algures num sítio onde se não volta.
7.2.12
podia escrever sobre nada.
pois podia. mas não o sei fazer.
podia escrever sobre o desgaste que o tempo traz. sobre os silêncios desconfortáveis. sobre os amigos que já não são. sobre a vida que muda. sobre as conversas que passaram a ocas.
podia escrever sobre o fim.
pois podia. mas não o sei fazer.
podia escrever sobre o desgaste que o tempo traz. sobre os silêncios desconfortáveis. sobre os amigos que já não são. sobre a vida que muda. sobre as conversas que passaram a ocas.
podia escrever sobre o fim.
pois podia. mas não me apetece.
26.1.12
24.1.12
17.1.12
12.1.12
em anos que cabem numa mão, a minha vida transformou-se. eu transformei-me. o caminho foi difícil. e solitário. quando poucos acreditavam apostei até ao último suspiro. e não desisti. e chorei. e doeu-me. e doeu-me tanto. perdi quase tudo. do que fui restou quase nada. hoje sou mais bonita, melhor pessoa. hoje partilho grande parte dos meus dias com gente que me faz rir e que se ri comigo. e, sobretudo, que me respeita e que acredita em mim. hoje não tenho raivas. nem iras. nem lágrimas. hoje sou mais tranquila. mais eu. hoje disseram-me "tens de me ensinar a ter melhor feitio". apeteceu-me dizer de volta "obrigada por me veres mesmo sem saberes quem sou". não disse, mas um dia digo.
o destino é irónico. para além disso, o meu caminho tem algo de esquizofrénico. mas é meu. assumo-o, portanto. e divirto-me com a viagem. recuso-me a viver em esforço. afasto-me de conflitos e de atritos. não guardo rancores. não levo a vida, o mundo e a mim própria demasiado a sério. mas também não faço fretes. nem sinto ou faço de mentira. por isso hoje sou mais feliz. talvez este seja o segredo - estar em paz com o nosso desassossego.
10.1.12
1
Darest thou now, O Soul, Walk out with me toward the Unknown Region,
Where neither ground is for the feet, nor any path to follow?
2
No map, there, nor guide,
Nor voice sounding, nor touch of human hand,
Nor face with blooming flesh, nor lips, nor eyes, are in that land.
3
I know it not, O Soul;
Nor dost thou--all is a blank before us;
All waits, undream'd of, in that region--that inaccessible land.
4
Till, when the ties loosen,
All but the ties eternal, Time and Space,
Nor darkness, gravitation, sense, nor any bounds, bound us.
5
Then we burst forth--we float,
In Time and Space, O Soul--prepared for them;
Equal, equipt at last--(O joy! O fruit of all!) them to fulfil, O
Soul.
Walt Whitman
6.1.12
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