a vida de x: na verdade é, quase sempre, meio aborrecida. e curta em tempo sem horas. por isso, x está em falta com meio mundo. com cafés atirados para um futuro que se queria próximo, mas que se vai alargando em distância. e com algumas vontades adiadas. o desligamento do mundo é, por isso, quase inevitável. x não gosta. mas não consegue fazer melhor. x anda cansada. dos dias e das gentes. mas anda feliz. e satisfeita com o que lhe caiu em sorte. mas a vida x também tem reveses. x, às vezes, desilude-se. mas depois diz para si "estás a ver x, nem sempre é paranóia tua. há pessoas mesmo más. ou só imbecis. mas vai dar mais ou menos ao mesmo, não vai?". mas a vida de x também tem pessoas boas. várias. e muitas surpresas. e, por entre altos e baixos, x vai andando. de cabeça erguida e sorriso nos lábios.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
22.6.12
18.6.12
15.6.12
bem, na verdade o que custa é a bofetada inicial. o perceber que as pessoas são ridículas. e que o ridículo nos revolve o estômago e, literalmente, nos leva ao vómito. aconteceu de novo. e sim, revolveram-se-me as entranhas e, literalmente, fui ao vómito. mas acordei a rir. e de certa forma em paz com o ridículo do mundo. embora com uma vontade imensa de fazer como jesus cristo com os vendilhões do templo. mas eu é que sou parva porque os sinos já tinham tocado a rebate. lembrem-se: quando as frases são as mesmas a história repete-se! é simples não é?
(já agora, isto não tem nada a ver com o post anterior. esse não me revolveu as entranhas, só me fez rir. bom, e também me fez pensar que se calhar ainda estou ai para as curvas.)
(já agora, isto não tem nada a ver com o post anterior. esse não me revolveu as entranhas, só me fez rir. bom, e também me fez pensar que se calhar ainda estou ai para as curvas.)
percebemos que somos assim a dar para o antigo (e que andamos bastante afastados da realidade da noite lisboeta) quando somos convidados para uma grande rebaldaria por um casal de namorados com metade da nossa idade (ainda por cima giros os dois) e a nossa única reacção é ficar de boca aberta e pensar como sair discretamente sem fazer em demasia figura de parolos enquanto não nos sai da cabeça que naquela idade os moços deviam era estar a ver resmas de arco-íris e malmequeres e borboletas e tal...
14.6.12
às vezes tenho pena de ser assim. de não confiar. de esperar sempre o pior. e, por isso, de não deixar que me tomem por dentro. de pôr muros. mas a vida tem-me ensinado que as pessoas são extraordinariamente prevísiveis. e rarissimos são os casos que me surpreendem. os outros só me arrancam um sorriso triste. e um pensamento imediato: mais do mesmo. de qualquer forma, a decepção continua a ter o mesmo sabor amargo. e a causar-me convulsões de nojo. mas continuo a tentar convencer-me repetindo uma frase em silêncio: a náusea vai passar. a náusea vai passar. a náusea vai passar.
enfim...
29.5.12
dormi com fantasmas. e voltei a casa. sim, a essa casa onde as paredes encolheram espremendo-nos as forças. a essa casa cujos acessos se desenham quando os corpos se tocam. ou quando as almas se procuram. a essa casa que, apesar de tudo, detesto saber que existe. a essa casa que odeio por saber que é a única de onde não posso fugir.
23.5.12
10.5.12
4.5.12
18.4.12
da primeira vez levava uma mochila com roupa, um bilhete sem volta, um contacto de alguém que conhecia apenas vagamente e uma proposta de trabalho mal pago que nem sequer sabia se era séria ou não. desta vez vou trabalhar para uma das empresas actualmente mais invejadas na costa do índico.
continuo sem perceber os desígnios do mundo, contudo.
(ah... vou, mas é só por um bocadinho de tempo assim...)
9.4.12
era segunda feira. não me lembro bem a que horas. mas sei que estava na minha secretária ao pé da janela numa espécie de open space. do meu lado direito estava o Haje. em frente a Nídia e mais de esguelha a Dinema. à esquerda ficava a copa. onde a Otília misturava o ricoffy que me trazia logo de manhã cedo. a meio da manhã ela ia buscar badjias - sempre achou estranho que eu gostasse de badjias da rua. eu gostava. e comia. e ria muito de cada vez que ela olhava para os meus puxinhos e dizia "essa doutora não é igual às outras." um dia cheguei mais cedo do almoço e um grupo de colegas estava ainda sentado na mesa de plástico que havia na traseira da vivenda que nos servia de escritório. tinha uma mangueira gigante nesse pátio. e uma espécie de lagartos coloridos a que chamavam gala-gala -apareciam-me muitas vezes enquanto bebia café no jardim. ou fumava um cigarro. ou olhava o céu como que a pedir respostas. nesse dia que cheguei mais cedo, quando descia os degraus para o pátio, a Nídia disse para os outros "esta é igual a nós. e é mais preta que muitos pretos que eu conheço." sorri. fiquei contente. já fazia parte.
mas estou-me a dispersar... dizia eu que era segunda feira. estava mais ou menos há duas semanas em Maputo e sentia que o chão me recusava os pés. foi nesse dia que este blog nasceu. faz hoje cinco anos.
29.3.12
27.3.12
hoje lembrei-me. e ao lembrar-me percebi que quase havia esquecido. estranho como o tempo age. como reagimos a sua impiedade. e como, apesar de tudo, as formas se vão esvaindo. ficam as ideias sem corpo. os conceitos. a imateria de que se disfarça a falta mas que sustenta o que pedimos a seguir. não consigo ficar longe, contudo. talvez nem seja suposto. esquecem-se os traços. mas fica o que se não vê. e assim se distingue o que realmente importa. e se desnuda a razão porque as rugas não se lhe não sobrepõem. ja vos falei naquele fio brilhante que liga aquem e alem? se o não fiz, um dia faço. tenho apenas de deixar que ele brilhe de novo. anda mortiço. restando-lhe apenas pequenos reflexos de luz. por enquanto.
20.3.12
16.3.12
a sério. começa a ser um padrão. assim como uma coisa circular que se repete nas voltas. quase todos aqueles que em algum momento gostam muito de mim, chegam a um ponto que me passam a detestar. para todos os efeitos, assumo logo à partida que sou bastante coerente na minha incoerência. talvez seja esse o problema. eu sou só eu. e talvez seja exactamente isso que a muitos custa crer. é, há sempre aquela ideia inicial "ai e tal que tens de te adaptar e coiso...". pois que fique aqui assente: um adapto-me a muita coisa, menos a viver numa pele que não é minha. e se isso cai mal a alguém... olhem, azar!
13.3.12
são 1.49 h.
acordei às 8 h.
cheguei ao trabalho às 10 h.
cheguei a casa às 21.15 h.
(hoje nem foi muito a desoras)
comi. continuei a trabalhar.
(desta vez em casa)
mas não consegui acabar o que estou a fazer.
terei de acordar lá para as 7 h.
5 horas de sono.
(...)
são 1.55 h.
e é por isto que este blog anda desgraçado!
12.3.12
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