x nunca havia lido herberto hélder. x não diz isto com nenhum tipo de orgulho. mas é verdade, x nunca havia lido uma única linha de herberto hélder. até ontem.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
25.3.15
23.3.15
Of Monsters and Men - Little talks
23 de março de 2015. há 8 anos x estava a empacotar restos da vida que havia sido. no meio de roupas e papéis e coisas várias de que x não ia precisar mais, ficaram, também, lágrimas. x estava atordoada. algures num limbo cheio de emoções enormes e antagónicas. x nunca reconsiderou. x sabia que aquele era o caminho. mas x nunca pensou que fosse tão difícil. tão doloroso. tão avassalador. a 23 de março de 2007, faltavam mais ou menos 15 dias para o queres antes aprender a voar ? nascer. x já o levava consigo, no meio de toda a confusão que se lhe instalou por dentro. a 23 de março de 2007, x não imaginava como seria a sua vida a 23 de março de 2015. só sabia que ia ser diferente, muito diferente. e que muito pouco ia restar do que havia sido até então. e que não ia recuperar o que havia ruido. e que dificilmente aquela sensação de aperto ia desaparecer por completo. e que nunca, mas mesmo nunca, iria esquecer os dias alucinados que antecederam a partida. entretanto, passaram 8 anos. parece quase nada. mas aconteceu quase tudo. a vida de x mudou. x mudou. o queres antes aprender a voar ? nasceu e sobreviveu. mas x não esqueceu os dias alucinados que antecederam a partida. nem os dias de agonia que se seguiram depois. nem os meses de angústia. nem os anos de purga. passaram 8 anos. o ciclo fechou. x já pode abrir a caixa de pandora que quarda o que restou da vida que foi. até porque x sabe que "'cause though the truth may vary this ship will carry our bodies safe to shore."
aos quase 40 vemos a vida de forma mais objectiva. pesamos os erros. lamentamos alguns. mas pensamos cada vez menos nos "e se". sabemos que o tempo não cura. mas também sabemos que o que foi não volta. e aceitamos que não é suposto que volte. sabemos que temos de continuar, sob pena de perder a vida em lamentos. o infinito de possibilidades dos 20, estreita-se. ou apura-se. as certezas dos 30 atenuam-se. a vontade que a vida seja agora eleva-se. ao quase 40 não temos tempo para perder com o que nada nos acrescenta.
19.3.15
e x dançou. e recebeu abraços e sorrisos e beijos. e ouviu palavras de elogio e agradecimento e gratidão. e viu como há gente que nada sabe da vida de x para além do essencial do dia-a-dia mas que acredita em x como nunca ninguém o fez. e percebeu que é mesmo verdade essa coisa de ter anjos da guarda. x tem, pelo menos, um. e este disse repetidamente "esta é a x, o meu braço direito, e o meu braço esquerdo, e as minhas pernas, e o meu tudo. esta é a x e não há ninguém como a x". x sorriu, e agradeceu ao céu a coragem que um dia teve para ouvir as vozes mudas que lhe disseram "vai x, vai x..."
13.3.15
10.3.15
22.2.15
20.2.15
19.2.15
18.2.15
14.2.15
11.2.15
10.2.15
6.2.15
tenho falta de ti em mim. e, porque talvez também tu tenhas falta de mim em ti, hoje encontramo-nos às escuras. os caminhos errantes estão condenados a cruzar-se. queiramos nós. ainda assim, não sei se a palavra amor é gorda o bastante para cabermos lá dentro. hoje tenho cócegas na barriga. voltaste-me.
5.2.15
x acordou às cinco e meia da manhã. leu emails. respondeu a emails. bebeu café. tomou banho. vestiu-se. pegou no carro. chegou ao escritório. reviu uma tradução. enviou. pegou noutra para rever. são 9.12h e x já dormia outra vez. x tem uma reunião daqui a 17 minutos. a modos que vai beber café. muito.
3.2.15
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