7.6.15

x já gostou de cozinhar. de misturar sabores e fazer coisas extravagantes. agora x detesta pegar em panelas e tachos e cenas afins. detesta. dá-lhe nos nervos de uma forma inexplicável.  quando tem mesmo de ser, x até cozinha. mas agora estando sozinha x sabe que o não vai fazer amiúde. x suspeita que as refeições que vai fazer em casa se vão resumir a coisas que não levem mais de 15 minutos a preparar. para além disso, x vai fazer o que há muito pretendia - ter uma alimentação maioritariamente vegetariana.
coisas que x odeia de morte: a musiquinha "os tais" do ex-pacman. garotos do INOV-Contact armados ao pingarelho. neo-colonos. gente malcriada em geral. e chá de tília, x detesta chá de tília.
"trust your heart if the seas catch fire, 
live by love though the stars walk backwards"

ee cummings

(porque x percebe tão bem o que isto quer dizer.)

x só trouxe o whitman. mas vai trazer também o cummings. e o rilke. x descobriu que dificilmente viverá bem sem eles ao pé. mesmo que lhes não toque com a frequência que gostaria.
#dia 3 - começou cedo. às 9h x já estava a caminho do porto. festa a bordo de uma espécie de nau. depois, transbordo para a praia num barco minúsculo. x odeia andar de barco. x odeia muita água junta. mas x adora o mar, desde que esteja a distância segura. no entanto, x meteu-se no barco e lá foi. ondulação, muita ondulação. e o primeiro banho de índico. x estava vestida, mas isso não interessa nada. festa na praia. viagem de volta à espécie de nau. almoço. festa de novo. chegar a terra. casa. tirar a roupa molhada. banho quente. enrolar-se na cama. adormecer sem querer. sonhar coisas estranhas. acordar. vestir-se. sair para jantar com amigos. festa até às 4h da manhã. voltar a casa. e algures ali pelo meio x teve um momento de silêncio com a sua cabeça. e disse para si "oh x, apesar de tanta gente à volta a solitude interior nunca te desacompanhará".

6.6.15



x.
- oh x, foste tu que pediste. agora x, aceita e segue com o sorriso cheio e os braços abertos.

5.6.15

x sempre quis ser independente. e livre. x é completamente independente. e livre. mas x começa a perceber que isso deixa mazelas, também. e que nos afasta de algumas pessoas. mesmo de algumas de quem gostamos muito. sobretudo daquelas que não lidam bem com a independência e a liberdade. nem suas, nem dos outros. mas essas pessoas, na verdade, não nos fazem falta. nada nos ensinam. nada nos acrescentam. pessoas dessas x não quer na sua vida. e há muito tempo que x fez as pazes com isso. x é independente e livre. e quem está com x está mesmo a sério. mesmo que esteja a alguns milhares de quilómetros de distância. e quando pessoas que estão, mesmo que estejam a milhares de quilómetros de distância, se encontram corpo a corpo, explodem estrelas no céu. e é isso que importa.
a vida de x nos próximos tempos:

- trabalhar num projecto magalómano a tempo inteiro
- trabalhar nos entretantos para a casa-mãe
- monitorizar 4 caixas de email
- carregar 3 telefones
- reportar a lisboa
- reportar a houston
- manter o contacto com os amigos via facebook
- manter o blog vivo
- escrever
- ouvir muita música
- rir, rir muito, enquanto pensa "oh x, tens uma vida desgraçada mas é tua!"

x tem com a palavra "saudade" uma relação estranha. x só sente saudade, ou falta, do que não teve ou do que não pensa conseguir vir a ter. o que tem, mesmo longe, existe. é certo. e x não esquece. nem quer perder. x sabe que está lá, guardado. até voltar. incondicionalmente. já o que x não teve, ou não pensa conseguir vir a ter, disso sim, x tem saudade, ou falta. 
#dia 2 - x levantou-se às 7h. a casa em absoluto silêncio. x está sozinha e vai estar sozinha o tempo quase todo. a casa é enorme. e silênciosa. parece que a rua não está lá. x precisa de arranjar um sistema de som. x precisa de música pela casa. x suspeita que não vai usar a televisão. vai ficar-se pela música. e pela escrita. só aqui, no blog, ou por outros sítios também. x ainda não sabe. mas x suspeita que serão tempos dedicados ao vazio de ruídos estranhos. a televisão sempre foi para x um desses. por isso, provavelmente, ficará calada, quase sempre. mas x dizia que acordou às 7h e a casa estava em absoluto silêncio. depois tomou banho. vestiu-se. pôs a maquilhagem. o perfume. as pulseiras. os anéis. bebeu um sumo. pegou no computador, no ipad, nos telefones, na carteira, nas chaves e no tabaco. saiu de casa. pela primeira vez nesta casa, x abriu a porta para sair para mais um dia. foi assim hoje. será assim por um ror de dias que ainda não têm bem um limite claro. será por um ano. ou um ano e meio. x disse que não queria que fosse nem mais um dia. sob pena de depois não querer voltar. e x está absolutamente convicta que quer voltar. de preferência rapidamente. para retomar a vida que deixou pendente. mas x não tem planos. a vida vai-se montando. como um puzzle. e x vai indo atrás dela. como se fosse ela que mandasse em x e não o contrário. mas x está-se a perder... dizia que saiu de casa pela primeira vez. depois apanhou a sua boleia e foi para o escritório. fez algum trabalho, mas pouco. almoçou com os colegas. riu-se com outros. partilhou histórias. parou para ouvir música. a música é a forma de x se sintonizar consigo. o dia aqui acaba cedo. e pouco depois das 17h já é noite. x saiu do escritório e veio acabar um trabalho para casa. o trabalho de x pode fazer-se em qualquer lugar. haja condições para isso. e x agora têm-nas. a casa é grande. talvez demasiado grande. e silênciosa, x já disse que a casa é silenciosa? e agora x vai jantar com os chefes. um deles que ainda hoje disse a x entre gargalhadas "e pensar que eu tive dúvidas em contratar-te por andares sempre de tótós empinados, meias estranhas e botas docmartens!"... a vida de x tem sido assim... e tem sido boa!
e x constata que, depois do iphone, usar um blackberry é um pesadelo!

((ASA)) - Open wings
19 de junho, Auditório do Seixal
20 de junho, Casa da Música, Porto
26 de junho, Teatro do Bairro, Lisboa

tem sido das coisas que x mais tem ouvido nos últimos dias. foi a maior surpresa que x teve nos últimos meses. é das coisas mais interessantes (e bonitas) que x descobriu recentemente. são portugueses e são extraordinários. felizmente, x estará em portugal nesta altura. por isso, x vai. claro que vai!
x acordou às 6.30h. saiu de casa às 7.45h. são 8.58h, e x está a trabalhar há quase uma hora acompanhada por música aos berros nos ouvidos. a música é o que mantém x ligada ao mundo. e x suspeita que estes próximos tempos serão em grande medida sustentados em sons que levam x para o sítio onde se sente bem. com música, x está bem onde quer que o mundo a leve. 

4.6.15

e a viagem correu bem. e x chegou e foi directamente para o escritório. e x passou o dia entretida a sincronizar telefones e computadores e etc. e depois uma amiga veio ter com ela e foram ao supermercado às compras. e x, de repente, percebeu "foda-se, tenho de comprar comida a sério que agora vou viver aqui!". e depois x chegou a casa. aquela que vai ser a casa onde x vai viver. é boa. é óptima. mas não é a sua casa. e assim, x caiu em si!
ipod, ipad, laptop 1, laptop 2, iphone, blackberry 1, blackberry 2... sou uma espécie de geek!
chegar às 6.30h da manhã e receber logo um sms a dizer "welcome back!" faz x sentir-se profundamente grata. x chegou. está tudo bem.

3.6.15



mala feita. desta vez serão só dezassete dias. dezassete dias para conhecer a casa, a equipa, o trabalho. x já sabe que vai ter enormes desafios pela frente. que vai ter resistências. e x sabe, também, que existem expectativas. muitas. e muito altas. x sabe que não será fácil. que não será nada fácil. x vai liderar um departamento com sete pessoas que têm nas mãos a obrigação de assegurar que um projecto megalómano funciona sem entraves e sem surpresas. caberá a x prevenir problemas, alertar para a possibilidade de eles existirem e, existindo, resolvê-los. desta vez são só dezassete dias. depois volta a lisboa e passadas três semanas volta ao sítio que será o seu poiso durante uns tempos. não será a sua casa. porque x não quer que seja a sua casa. por isso, na mala x leva roupa, e sapatos, e um cd e um livro. mais nada. x sabe que vai andar a vaguear em lado nenhum. x sabe, também, que vai sentir falta de coisas que quando as tem não lhes liga assim tanto. x sabe que vai ter surpresas. que vai chorar por nada. que vai rir por nada. que vai ser imensamente feliz. e que vai ter momentos irremedialmente tristes. x sabe que se vai sentir isolada. mais isolada do que o costume. mas que também se vai sentir livre. gigantemente livre. x sabe que o passo que está a dar lhe vai mudar a vida. x espera que seja para melhor. mas x sabe que vai andar sem norte e que a cabeça lhe vai fugir demasiadas vezes. e o coração, também. x sabe isso tudo. x sabe isso tudo demasiado bem. x vai sozinha. mais uma vez. e isso custa. até já!

2.6.15


Mono - Are you there?

é uma espécie de pânico da véspera. e há lágrimas que querem fugir. a tristeza e a felicidade cruzam-se muitas vezes no caminho de x. respira x, respira!
e o mundo caiu em cima da cabeça de x. e x passou a noite com pesadelos. e acordou ofegante e a tremer por todo o lado. e depois voltou a adormecer. e acordou já tarde. demasiado tarde. e bebeu um café na varanda da cozinha a olhar para os telhados de lisboa. e fumou um cigarro enquanto pensava que o caos tomou conta de si. e depois percebeu que não tem nada pronto. nem organizado. nem pensado, nem nada de nada. x viaja amanhã, e hoje está tudo de pantanas.
e um dia levamos um murro no estômago. como se fosse a vida a dizer "oh, deixa-te de merdas!". e nesse dia ficamos com a cabeça perdida em deambulações que nos são quase estranhas por termos andado demasiado tempo adormecidos. e nesse dia sabemos que conseguimos voltar a sentir coisas que pensávamos ter perdido pelo caminho. e nesse dia pensamos para nós "sim, é mesmo magia!".
x dizia há dias que à sua volta só via paredes a ruir. nos últimos dias ruiu mais uma que x jamais imaginaria que pudesse desfazer-se em pó. e caiu assim, puff... o mundo e a vida de x andam bizarros!

1.6.15

e quando um arrepio quente te toma o corpo e a cabeça foge para longe de tudo e um burburinho interior te rouba a fome... ui!
x não gosta de chocolate de leite. mas adora chocolate preto. x gosta tanto de chocolate preto que chega a ter delírios com chocolate preto. e se for acompanhado com espumante bruto, x rende-se.
o pai de x está internado no hospital. x foi de corrida ao norte visita-lo. depois encontrou uma tia que já nao via há muito. a tia de x pergunta como está x. x responde e acaba com um "ahhh e tal de depois vou para o texas!". a tia de x diz-lhe" porra x, estás igual ao que eras há 20 anos. tu não mudas!". pois, é verdade...
x está sozinha em casa. pela primeira vez na vida x está sozinha em casa. em silêncio. sem interrupções.  sem nada. e o mundo parece enorme. e sem tecto e sem chão e sem nada. o mundo de x passou a ser uma enorme bolha de ar. e flutua algures.