x vai passar os próximos dias em recolhimento. e a aguardar ansiosamente noticias de alguém que vai acabar este ano tão difícil a lutar pela vida num bloco cirúrgico distante. o coração de x está apertado. e o maior desejo de x é que 2016 traga sorrisos de volta. e que x volte a abraçar esta pessoa tão especial com quem x partilhou tanto nos últimos anos. x hoje disse-lhe "até já". recebeu de volta um "gosto muito de ti". e as lágrimas quase caíram. mas x agarra-se à sua quase-oração: vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem...
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
28.12.15
27.12.15
2015 foi um ano estranho.em algumas coisas foi péssimo. mas noutras foi extraordinário. para x foi, sobretudo, um ano de decisões. de tomada de posição. de afirmação. no final de contas, para x 2015 foi bom. ou muito bom mesmo, apesar dos sustos. mas x viu o mundo ruir à sua volta. e isso é mau, mesmo que a nossa pequena nuvem continue a flutuar por entre os escombros do resto dos outros.
17.12.15
11.12.15
9.12.15
8.12.15
2015 está a ser o ano dos sustos. até ao momento, x teve vários. o ano começou insonso. numa noite fria em lisboa. depois, o cansaço, as más noticias, a irritação, o confronto. por fim, a ruptura. x perdeu amigos, colegas de trabalho, pessoas. pelo meio, x recebeu este presente envenenado que é o trabalho que agora está a fazer. o trabalho não tem dificuldade nenhuma. é até bastante mais simples do que pode parecer. o que é mau é ter de aturar numa base diária uma pessoa imbecil. x odeia pessoas imbecis, sobretudo se forem pessoas imbecis que estão convencidas que são extraordinárias. mas x aguenta. e espera calmamente o dia em que poderá voltar à base. x aguenta, mas o corpo de x queixa-se. as mazelas acumulam-se. a força, por vezes, cansa-se. mas x aguenta. e vai. mas 2015 trouxe mais sustos. uma pessoa que partilhou os últimos 7 anos de vida de x descobriu que tem uma doença grave. muito grave. x ficou em choque. vulnerável. x chorou. de indignação. de raiva. de dor. de medo. mas x tem fé que tudo vai correr bem. tudo tem de correr bem. mas 2015 trouxe mais - o pai de x sofreu uma queda grave. uma parvoíce que podia ter corrido mal. muito mal. no final, correu bem, apesar de o pai de x ter ficado numa cama de hospital por várias semanas. x acompanhou à distância - é tão difícil estar à distância nestes momentos! há dias, o pai de x sentia-se estranho. um tac inconclusivo foi suficiente para o coração de x bater mais depressa durante umas horas. afinal, não foi nada de muito grave. a mãe de x teve um problema no útero. resolveu-se sem dramas de maior. nas últimas semanas, x sentia-se doente - de quase tudo. x ainda não está bem. mas está melhor. tudo passará, x espera. 2015 trouxe, no entanto, coisas boas também - x ajudou algumas pessoas a cumprir sonhos; x cuidou de quem gosta mesmo muito; x descobriu pessoas novas; x foi leal, e mobilizou a lealdade; x percebeu o seu valor, e o seu impacto em alguns alguéns; x percebeu que é gente, e que há gente que a vê com olhos que veem por dentro. 2015 não foi bom, mas podia ter sido muito pior. em 2016 x quer saúde, e esperança, e fé, e amor, e risos, e calor, e amigos, e família, e futuro, e vontade, e força, e mais risos, e muitos mais risos. x quer ser feliz e quer que os que a acompanham sejam felizes também. x não quer mais sucesso, nem mais dinheiro, nem mais posses. x quer manter o que tem, em especial a sua sanidade. e quer pessoas, e risos, e momentos que contam histórias. em 2016, x quer uma vida cheia. de amor, paz, tranquilidade. e risos. muitos risos. e até podem ser acompanhados de copos de porca de murça tinto. o vinho é realmente bom e custa menos de 3 euros. resumindo: saúde e partilha. são os desejos de x para o ano que se aproxima. assim seja!
x chama-lhe "todo". mas vamos chamar-lhe deus. para ser mais fácil. x sente falta de deus. que é como quem diz, x sente falta de sentir o todo na pele. de estar em contacto. x afastou-se há demasiado tempo. agora sente-lhe a falta. e chama por ele. o todo, ao qual há quem chame de deus. o todo, ou aquilo que nos faz sentir em sintonia connosco e com o mundo. aquilo que nos faz sentir pessoas. vivas. capazes. imensas. x sente falta do todo. e quer senti-lo de novo. e cair-lhe aos pés e dizer "voltei".
para além do ataque de sinusite e das dores nos olhos, x andava há semanas com dores de cabeça aborrecidas, a coluna atrofiada, uma mão dormente e uma série de outros sintomas chatos. depois de analgésicos e anti-inflamatórios vários, x passou-se e comprou um tapete de yoga. x fez 3 sessões caseiras de mais ou menos 30 minutos. as duas primeiras foram calminhas pois x estava toda empenada. a terceira foi mais a sério. ontem, x fez cerca de 30 minutos de exercicios especificamente para a zona cervical. minutos depois de parar, toda a zona dorsal ficou muito quente e pulsante. a cabeça estava completamente azamboada. a pressão a ser libertada era gigante. hoje, a mão já não está dormente. a cabeça já não está tão pesada, o pescoço move-se melhor, a tensão nas costas está aligeirada. e assim, ao fim de quase 9 anos, x voltou ao yoga e percebeu que ainda não lhe perdeu o jeito. continuemos então!
5.12.15
4.12.15
3.12.15
hoje apetecia-me falar só sobre sexo. sexo cru. com roupas arrancadas à pressa, corpos sofregos a embater em paredes, ou sobre mesas desobstruidas em ansias, ou com lençois enrrolados nas pernas, ou lançados ao chão em desatino. com corpos transpirados embrulhados em nós cegos. com vontades animais e insaciáveis. indiferentes ao cansaço ofegante ou aos dentes espetados na carne. hoje apetecia-me falar só sobre sexo. assim, canibal. mas só me ocorrem imagens daqueles raros momentos em que mergulhamos no ser de alguém e o corpo inteiro passa a ser residual comparando com a sensação inenarrável que é transcender para lá do material. imagens da explosão de emoções que é o simples toque de alguém que nos entra pelos poros. imagens de rendiçao perante o sentir irracional, incondicional, involuntário. imagens de amor. amor e sexo não são, de todo, a mesma coisa. mas juntos, é algo de extraordinário.
há alguns anos, x ruiu num estalar de dedos. um dia, olhou-se no espelho e desconheceu-se. tudo à sua volta era estranho e hostil. depois, reaprendeu-se. foi um longo processo até se apaziguar. consigo. com os outros. com o mundo. nesse caminho, encontrou coisas que antes desconhecia. encontrou uma força interior que não sabia ter. aprendeu a ver com o sentir. reconheceu onde é sem esforço. descobriu que lê os sons. e que são estes que lhe devolvem a calma. o equilibrio. e a fé. ontem, foi a música que segurou a sanidade mental de x. ontem, como hoje.
M83 ft Haim - Holes in the sky
29.11.15
- amiga de x gravemente doente;
- pai de x internado com um micro avc mas livre de perigo;
- x quase deprimida, profundamente triste, com a vista esgotada, ataque de sinusite, tosse alérgica, ouvidos a picar, suspeitas de asma e tendinite nos extensores dos dedos da mão esquerda.
foram umas semanas desgraçadas. pelo meio, x encontrou ao acaso uma médica de quem realmente gostou. sem dramas, sem histerismos, sem discursos hiperbólicos acerca dos cuidados com a saúde. x volta amanhã a áfrica. depois vai tirar férias. de tudo. e vai mimar e ser mimada. saúde e família, é o que realmente importa. o resto orienta-se.
15.11.15
13 de novembro de 2015. Foi pela Aljazeera que x recebeu a notícia, quase em simultâneo com o início dos ataques em Paris. X ficou acordada até as 4 da manhã. Sozinha. Incrédula. O terror em massa bateu-nos por fim a porta. Provamos o mal. Atacaram-nos na nossa essência civilizacional. Agora reajamos com frieza. Recusemos o sectarismo, a intolerância, o racismo. Recusemos sobretudo culpar aqueles que fogem destes mesmos seres ignóbeis. Que se unam as nações do mundo, as religiões do mundo, as pessoas do mundo. Que se denuncie quem participa nisto, que financia isto, quem é conivente com isto. Sem medo. E que se faça em pó o Daesh. Morram, morram todos.
13.11.15
uma pessoa de quem x gosta muito e de quem x é muito próxima está doente. aparentemente, muito doente. chocar com a nossa fragilidade é como levar várias bofetas na cara vindas de todo o lado. x está agoniada. e com vontade de voltar a casa e fazer parar o tempo. nestes momentos, resta a x agarrar-se ao mantra que a vai acompanhando: vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem...
9.11.15
quase não conter as lágrimas ao som de palavras cantadas em português, deve querer dizer que está na altura de voltar. nem que seja só por um bocadinho. faltam duas semanas para x voltar a entrar na casa que é a sua. e de lhe beijar o chão. desta vez, x acha que vai cair desarmada. sem forças. depois, x volta, e funcionará em modo autómato durante mais uns meses, até poder regressar à vida que deixou em suspenso.
8.11.15
3.11.15
x tem andado demasiado ocupada para pensar em si e/ou no caminho que escolheu. mas, de vez em quando, parece que a vida a leva contra um muro de betão de modo a a obrigar a pensar nisso. e é nesses momentos que x volta com mais ganas ao sítio onde x é de verdade - à música. é na música que x se encontra, que x se recolhe, que x fica em silêncio por fora mas cheia de frases por dentro. é na música que x se revê. e é lá também que x encontra razões para continuar. mas, apesar de x até ser bastante eclética na música, só algumas coisas lhe chegam mesmo às entranhas. são essas que x consome avidamente como que à procura do conforto de casa. e é por isso que, apesar de o ano ainda não ter chegado ao fim, x pode já dizer que este é o seu álbum de 2015. saiu há dias e chama-se The Hunter. vão e explorem. aqui.
WTAB - Save the deer
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