1.11.17

a doença da amiga de x entrou num rumo sem volta. é triste, muito triste.

30.10.17

Major Depressive Disorder, MDD, ou simplesmente depressao. Diz a neurologista que x tem isso. Apesar de não se sentir triste. x só se sente irritada em permanência. E troca palavras, está meio dislexica, tem a memória em farrapos, dificuldades de concentração, impaciência, apatia, falta de força, discurso baralhado, cabeça bamba e enevoada...mas, sobretudo, irritação, muita irritação. x tem uma vida boa, e não tem razões de maior para estar deprimida. O que faz mal a  x são as pessoas mas com que x se cruza na vida. E x tem-se cruzado com várias. Demasiadas, na verdade. A prescrição: meio comprimido de um antidepressivo multimodal durante 6 meses e exercício físico. A ver se isto vai ao sítio que x já nem paciência tem para estar doente.
x passou os últimos 15 dias em mocambique. x chegou cansada. mas feliz. Africa faz bem a x.

25.9.17

hoje voltaste a chamar-me no escuro. recolhi-te em silêncio e devolvi-te ao sítio onde quiseste ser. insististe que entrasse e visse onde és hoje. virei as costas. segui. disse adeus. e então acordei. com metade do corpo em espasmos de náusea e o resto disperso além. 

18.9.17

x disse sempre que não faz planos. e, de facto, não faz. mas x tem vindo a perceber que precisa de ter objectivos. metas. e quanto mais difíceis melhor. x tem vindo a constatar que sem objectivos fica amorfa, cansada, aborrecida de morte. depois de metade do ano extenuante e quase dois meses em modo semi-férias mentais, x precisa de se desafiar de novo. x acha que só consegue viver numa espécie de rodopio. e, na verdade, não sabe se isso é bom.

12.9.17

quando alguém que partilhou o dia-a-dia mais ou menos próximo de ti - alguém brilhante e com um futuro enorme pela frente - se suicida, ficas assim meio embasbacada e sem saber o que dizer. e inevitavelmente questionas se os teus problemas não são afinal meros amuos sem sentido.

18.7.17

x não sabe bem porquê, mas nos últimos dias tem sido assaltada por memórias e dúvidas existenciais. na última semana, por várias vezes, x foi posta perante uma história mais ou menos recente, que podia ter terminado na trilogia clássica: casa, cão, filhos. não acabou assim. acabou de outro modo menos idílico, embora sem dramas. pelo menos, sem dramas para x. mas também acabou embrulhada em silêncios desconfortáveis. e algumas dúvidas. e algumas pequenas raivas disfarçadas. x perguntou-se algumas vezes o porquê de aquilo não ter avançado. x e a pessoa em questão davam-se irritantemente bem, riam muito um com o outro, o sexo era extraordinário, tinham muito da vida em comum. x podia ter aprendido a gostar da pessoa. porque x não gosta à primeira vista. x aprende a gostar. mas não aconteceu. e x até ontem perguntou-se porquê. a resposta que x encontrou foi esta - a pessoa em questão andava sempre dois passos adiante. x odeia que andem dois passos adiante. x gosta de passos sincronizados, ainda que paralelos em vez de decalcados.

12.7.17

e x fez anos. 42. foda-se!

Sigur Rós - ( ) Untitled 6 

porque é um dos álbuns da vida de x. porque este tema em particular arrepia x até à alma. porque x hoje está assim.

29.6.17

quando, convictamente, nos dão menos dez anos do que os que efectivamente temos ficamos assim um bocadinho estupefactos... 
crónicas do nariz de x: ainda inchado, mas a ir ao sítio.


28.6.17

era o primeiro dia de viagem pela Islândia. logo pela manhã, cruzamo-nos com um grupo de holandeses. perguntaram-nos de onde vínhamos. quando dissemos "Portugal" os risos desapareceram. por segundos, estranhamos. depois disseram "que grande tragedia os incêndios que estão a acontecer!". nós não sabíamos de nada. fomos a correr ver o facebook. e lá estavam as notícias dramáticas. nao podíamos fazer nada para além de garantir que os nossos estavam bem. continuamos a viagem, e acompanhamos à distância. os números da morte a crescer, os relatos doridos a entrar-nos olhos dentro, a impotência... acompanhamos a distância, e isso custa. que saibamos todos reconstruir-nos depois do negro cobrir o país. 

27.6.17

e x subiu montanhas, desceu montanhas, caminhou sobre pedras, e campos de lava, e chão fervente, e glaciares, e areia negra. e x caminhou quilómetros, subiu e desceu escadas, e trilhos de pedra. e x  nem por um momento se sentiu cansada ou a asfixiar. a operação ao nariz funcionou, e x nunca se sentiu tão bem como agora.
foi tudo arrebatador. mas foi ao chegar a costa norte, debruada com algumas poucas praias negras e mar cinzento revolto, que x sentiu o estômago encolher. x sentiu que chegava a uma casa distante de onde há muito havia partido. x encolheu-se. e ficou em silêncio na expectativa de encontrar respostas. a única que lhe chegou foi que o mundo, por vezes, não é para compreender. 

26.6.17

Islândia 2017




Islândia 2017









estamos a meio do 2017. em meia dúzia de meses, x conseguiu fazer coisas que adiava há dez anos. agora x propõe-se a mais um desafio. este:


#quirguistão2018

até lá, x tem de ficar em forma para dias a fio de trekking. respirar, x já consegue.





islândia, junho de 2017

x voltou. com os olhos cheios. e mais um sonho cumprido.

quando conseguir, x relatará a experiência. para já, x vai ser egoísta - x não quer, ainda, partilhar o que viu, o que sentiu, o que viveu. x quer apenas continuar a saborear sozinha tudo isso. como se fosse só seu.

17.6.17

onde vais x?

depois dias a fio sem fazer quase mais nada que não fosse trabalhar. x quase quase a ficar chéché. ainda assim conseguiu acabar tudo o que tinha para fazer. eram 2 da manhã quando x enviou  o último email. são 4.17h da manhã. x está a fazer tempo para ir para o aeroporto. x teme piscar um olho e ficar a dormir durante três dias seguidos. falta pouco mais de uma hora para x estar no aeroporto. x jura que nunca mais marca voos de madrugada. foda-se! 

15.6.17

x suspeita estar no auge da sua misantropia. mas no auge mesmo no auge...

13.6.17

daqui a quatro dias e uns pozinhos x voa para  reykjavik.

o que é que x tem preparado?

tirando os bilhetes de avião e o seguro de viagem, NADA.

10.6.17

quatro dias intensos de formação em Londres. teste mbti - x é do tipo intp. teste disc - x é totalmente dominance. resumindo, x foi a Londres basicamente para confirmar que tem um feitio do demo.

4.6.17

quando estás a fazer a mala e começas a ver noticias de atentados frescos no teu local de destino a única coisa que pensas é "foda-se!".

3.6.17

a dar rodagem as botas novas a ver se os pés de x não se queixam na Islândia!