está-me a voltar a vontade de escrever. mas só me saem frases sem nexo. é mais ou menos como estou por dentro.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
31.8.12
29.8.12
28.8.12
27.8.12
lisboa acordou cinzenta. abrir o email pessoal. inbox - 93. ler e apagar. abrir o email profissional. inbox - dezenas. ler, encaminhar e apagar. aguardar instruções de joanesburgo e de londres. por creme no corpo a ver se a cor se mantém. vestir. tomar café. comer meio queijo fresco com framboesas e linhaça. abrir o facebook onde alguém escreve "ai e tal que saudades de castanhas assadas!". foda-se! o email profissional não pára de apitar, plim, plim, plim... não parece, mas ainda estou de férias sim. e lisboa acordou cinzenta. como eu.
26.8.12
14.8.12
11.8.12
8.8.12
acordei e já estava atrasada. cheguei ao trabalho. despachei coisas. acabei um relatório. consegui por outro a meio. corrigi trabalhos. almocei à pressa. não lanchei. não jantei. recebi uma mensagem que me deu nos nervos. fumei um cigarro, fumei dois, três, seis. acabei com o maço. comecei a responder. enviei. cheguei a casa já era dia seguinte. já estou a imaginar o chefe amanhã na praia com o ipad a ler aquilo e a pensar a minha xizinha passou-se dos cornos. entretanto alguém já me respondeu com um que mensagem mais espectacular. mas temo ter criado um incidente diplomático. foda-se! não tenho tabaco.
6.8.12
há dias, tive notícias de alguém que, em tempos, me foi demasiado próximo. por razões gerais da vida, e por outras mais pessoais, a distância já dura há muitos anos. ao princípio fez-me confusão. depois habituei-me. e agora, na verdade, é raro lembrar. no entanto, tive notícias. e as suspeitas que eu tive há anos, confirmam-se hoje - as pessoas, por vezes, escolhem de forma consciente ser infelizes. e nessa escolha, quase sempre, acarretam um ror de gente. é triste. e desde então eu própria me sinto estranha. como se a tristeza se me tivesse pegado.
2.8.12
para fazer um trabalho preciso de analisar um pacote de documentos. como não me querem disponibilizar cópias em papel, convidaram-me a ir consultar os documentos a joanesburgo com tudo pago. eu respondi que me dava mais jeito londres ou paris, sei lá ... a minha vida anda a roçar o surreal. e é isto!
22.7.12
estar longe:
- recebi a notícia da morte de duas pessoas conhecidas;
- fui contactada por meia dúzia de pessoas com quem já não falava há anos;
- testemunhei à distância a covardia de quem se acha esperto e não passa de mais um idiota como os demais;
- testemunhei de perto que os laços que se criam em certos momentos da vida não se desfazem pela distância;
- percebi que, de facto, há pessoas que simplesmente não percebem o mal que fazem ao próximo e, portanto, também nunca vão entender porque razão esse próximo quer mais é vê-los pelas costas;
- percebi, também, que há coisas que já não doem.
21.7.12
20.7.12
eu não sei se é efeito desta terra mas desde que estou em maputo parece que o mundo ficou, mais uma vez, de pernas para o ar. senão vejamos:
- recebi a notícia da morte (inesperada) de duas pessoas conhecidas;
- fui contactada por meia dúzia de pessoas com quem não falava há anos;
- um dos meus irmãos vai para cardiff;
(ah... e parece que vou ser tia, mas shiuu que ainda é segredo e estamos todos na expectativa a ver como corre...)
- recebi a notícia da morte (inesperada) de duas pessoas conhecidas;
- fui contactada por meia dúzia de pessoas com quem não falava há anos;
- um dos meus irmãos vai para cardiff;
(ah... e parece que vou ser tia, mas shiuu que ainda é segredo e estamos todos na expectativa a ver como corre...)
19.7.12
18.7.12
17.7.12
hoje sonhei. já há muito não acontecia, mas hoje sonhei. e foi tudo tão límpido e tão intenso que parecia verdade. vi rostos, e olhares e pormenores de expressão com detalhes assustadoramente reais. os meus sonhos raramente têm palavras. há uma espécie de entendimento surdo entre as personages. e há, também, sorrisos cúmplices. terminou, como quase sempre, numa explosão de luz e arrepios na pele. acordei gelada algures na madrugada de maputo. suspeito pois que foi muito mais do que um sonho.
de maputo: em tempos eu tive uma empregada doméstica. chamava-se célia. não era grande empregada doméstica mas, pelo menos, guardava a casa, cozinhava qualquer coisa e arrumava-me a roupa. eu, que não tenho de todo perfil de neo-colono, gostava imenso dela, fartava-me de rir com ela, pedia-lhe para me ensinar changana, insistia que ela provasse a nossa comida, pedia-lhe para me ensinar receitas de cá e coisas assim. éramos amigas. e ela sabia que se precisasse podia contar comigo. e precisou várias vezes. quando voltei a portugal a célia chorou, e quase me fez chorar. aparentemente, ainda hoje diz que eu sou a "menina dela". ora a célia quando veio trabalhar para minha casa, apesar de ganhar bem acima do ordenado mínimo, ganhava - como quase todos os moçambicanos sem grande formação - incrivelmente mal dentro dos nossos padrões (julgo que algo como cerca de 50 ou 60 euros na altura). esse dinheiro era quase só para pagar a escola dos filhos. para o resto das despesas, tinha uma banca em frente a casa onde vendia um pouco de tudo. quando o pai faleceu, pediu-nos ajuda para poder ir ao funeral lá no norte. e para pagar a festa de luto que é obrigatória não vão os espíritos ficar zangados. e nós, obviamente, demos. e assim foi levando a vida como pode, com um ex-marido violento pelo meio e uma casa de filhos para sustentar. hoje, 5 anos depois, a célia trabalha na copa de um escritório, continua com os seus negócios, mandou o ex-marido às urtigas com uns sopapos na tromba de brinde, está a tirar a carta de condução e o filho está a acabar a academia militar. quando há dias lhe ofereceram trabalho como doméstica disse que "pedia muita desculpa mas já não se vê a fazer isso e que sentia como se fosse andar para trás". a célia é uma das minhas heroínas.
16.7.12
de maputo: um lugar num infantário, com condições infinitamente inferiores ao standard dos infantários em portugal custa, por mês, cerca de 600 dólares. um lugar numa escola primária, com condições infinitamente piores ao standard das escolas primárias em portugal custa, por mês, à volta de 800 euros. nas escolas públicas, com condições quase sempre bastante más, também se paga, muitas vezes valores superiores aos ordenados médios. não, não estou a brincar.
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