31.5.15

x em conversa com o irmão do meio a caminho do norte:

x - não percebo essa cena do futebol...
irmão de x - eu gosto do benfica, é uma coisa que não consigo explicar mas quando o benfica joga sinto assim uma adrenalina e uns nervos... 
x - tá bem, mas continuo a não perceber...
irmão de x - opá, tu também tens de gostar de alguma coisa assim (silêncio)... por exemplo, tu gostas destas músicas esquisitas com muitos plim plim plims e eu já não a posso ouvir (e desliga o cd e liga o rádio)
x e irmão de x - (gargalhadas até às lágrimas!)

29.5.15

x começa a sentir falta do que ainda não abandonou. x sabia que isso iria acontecer mas o nó na garganta não se evita, gere-se. 
x vai passar a viver num triângulo. américa-europa-áfrica. x vai passar a viver num triângulo em que o espaço vazio do meio será a terra de ninguém que x conhece bem e da qual, na verdade, não gosta particularmente. mas é nessa terra de niguém que x se descobre. e desta vez, x confessa que tem algum receio do que lá pode encontrar. ou perder. que não perca por lá as palavras. porque essas são as únicas que prendem x ao mundo dos demais. 
x tem vindo a perceber que quando uma mulher inteligente entra numa sala, o mundo pára. se estiver de saltos, caminhar firme e for ligeiramente mais alta que os demais, homens, o mundo pára duas vezes. e, podendo não parecer, isso é bastante estúpido.
o trabalho de x rouba-lhe vida. rouba-lhe tempo com os amigos. rouba-lhe a família. rouba-lhe os planos no imediato. mas o trabalho de x dá-lhe um prazer enorme. x nunca pensou que o trabalho que hoje tem - que é fruto de quase 10 anos de muito mas mesmo muito esforço e absoluta dedicação - lhe pudesse algum dia dar qualquer tipo de satisfação. x enganou-se redondamente. é indescritível a sensação de chegar ao fim de um projecto e ver o nosso trabalho tornar-se em resultados. x nunca pensou chegar onde chegou. x ainda se vê como uma miúda pequena que se recusa a crescer. mas a vida de x é algo irónica. e insiste em dizer-lhe "vá lá x, leva-te a sério". ainda assim, x não pode não estar pasmada por, dentro de poucas semanas, passar a estar à frente de um departamento crucial de um dos maiores projectos de energia do mundo. projecto esse que está a transformar um país inteiro. e isso é tão avassaladoramente grande que x nem sabe bem o que pensar acerca do assunto.
nos últimos dias, x tem-se cruzado com pessoas de uma beleza extraordinária. também se tem cruzado com gente incrivelmente feia. nestes tempos de lucidez transversal, as coisas e as pessoas ficam mais claras. mais transparentes. a beleza de algumas pessoas exponencia-se. e a inacreditável feiura de outras revela-se impiedosamente. quando se ligam as luzes, dificilmente os traços se disfarçam. ainda assim, nos últimos dias x tem-se cruzado com pessoas de uma beleza extraordinária. e não imaginam como isso deixa x de sorriso e corpo aberto. quando assim é, x recebe o mundo inteiro no regaço. e isso, isso, é extraordinário.
a casa quieta. a música quase em silêncio. as portadas abertas. a brisa da noite a entrar. o trabalho escondido por um bocadinho. um cigarro. dois cigarros. respirar fundo. agradecer. sabe-se lá a quem ou ao quê. mas agradecer. agradecer a tranquilidade que nos cobre a alma. a vida assim é bonita.

28.5.15


Mogwai - Take me somewhere nice

x gosta tanto, mas tanto, de mogwai!
x começou o dia com uma pessoa que conhece há anos, e de quem x nem sequer gosta grande coisa, a olhar para x de baixo para cima, com ar embasbacado como se a tivesse visto pela primeira vez, e a dizer "olá giraça!". assim de repente, é a terceira pessoa que olha para x com ar embasbacado e diz uma coisa semelhante. x até sabe que anda com uma espécie de estrela em cima da cabeça mas fica assim meio parva com estas merdas. o mundo anda estranho. pelo menos o mundo de x anda.
x tem esta coisa de não dizer que não ao que lhe aparece à frente. x não pensa muito em nada. intuitivamente a resposta vem. mas depois chega um momento em que x pára e cai-lhe tudo em cima. e por fim x percebe que o mundo deu um pulo sem que ela se tivesse preparado para isso. isto para dizer que x suspeita que os próximos meses vão ser acompanhados por uma enorme ressaca de tudo.

27.5.15


M83 - This bright flash

oh x, por dentro estás assim!
coisas que x odeia: tuk-tuks! 
saíste-me do corpo à força. foste, querendo ir, sem nunca deixar de ficar. expulsei-te os restos, enfim. saíste-me do corpo à força. e hoje ele é ocupado por tanto mais que ontem.

26.5.15

oh x, tu sabias que o mundo ia começar a girar de forma estonteante. tu sabias! por isso x, come-o com os olhos e com a boca e com as mãos. 
e o chefe-mor olhou para x com um ar entre o enternecido e a rebentar de orgulho. como quem diz "a minha xizinha cresceu e ganhou asas".
x percebeu hoje que causa um impacto qualquer nas pessoas sem que saiba muito bem porquê. x acha que é alguém absolutamente normal. alguém que não se destaca na multidão. mas, se calhar, não é. e isto é uma surpresa.

M83 - Lower your eyelids to die with the sun

x repete-se muito na música. mas x é assim em todos os cantos da vida. repete-se. repete-se até à exaustão. repete-se até o corpo dizer que basta. até as forças desistirem. até, por fim, adormecer. feliz. 
e x hoje enfiou um vestido preto e uns sapatos cor de rosa e esticou o cabelo e até pôs maquilhagem e tudo. e x hoje conheceu a pessoa a quem vai substituir lá no sítio para onde vai. e enquanto x caminhava, com passos firmes e de cabeça erguida,  em direcção ao grupo de pessoas com quem ia almoçar, a mulher que x vai substituir olhou x de cima abaixo boquiaberta e, por momentos, parecia que estava a ver um alien. o comentário imediato foi "eu vi a tua foto no site mas tu és completamente diferente". se a mulher fosse um homem, x desconfiava das suas intenções. mas x acha que foi só porque a mulher é tão baixa, mas tão incrivelmente baixa, que x, com ajuda dos saltos da adolfo dominguez, devia ter pelo menos mais 60cm do que ela.
oh x, no dia que alguém te fizer não querer ir vais levar cá um estalo na cara!
oh x, "to infinity and beyond" é já ali.
oh x, eu sei que ninguém te compreende... mas olha, isso não importa nada. sê. e vive. e vai. e faz tudo o que te der na gana. enquanto quiseres, pelo menos. e quando deixares de querer, pára. e depois x, depois logo se vê.
oh x, há dois dias que andas a acordar de madrugada com a mesma música a berrar-te aos ouvidos. e esta noite x, esta noite contorceste-te em convulsões. essa tua mania de assimilares a dor alheia, x. podias ser menos empática x. eras mais pobre, mas não sentias tanto no corpo.
oh x, a rotina nunca é sinónimo de estar em casa. é só um sintoma de que as coisas estão gastas. oh x, desengana-te, a rotina mata-te.
oh x, vamos lá ser pragmáticas, perder um amor é um drama. mas sobreviver à perda  é extraordinário. as feridas servem durante muito tempo como mapa. mas chega o momento x, em que não são precisos guias. e o mapa x, vai-se com o demo. depois vais às escuras. e isso é bom.
oh x, e o que é pior - viver no erro ou passar a vida à procura?