rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
30.8.15
29.8.15
- oh x, e onde arranjas móveis recuperados a preços menos maus considerando outros exemplos que conheces no mercado?
- aqui.
28.8.15
- oh x, e o que fazes ai para passar o tempo?
- planeio obras na casa de lisboa e a decoração do escritório que, finalmente, vou ter. já encontrei duas poltronas e um aparador (ambos velhos e descartados pelos antigos donos) que depois de recuperados vão ficar o máximo. ficam a faltar as estantes, uma secretária em vidro e uma cadeira.
apanhar um voo internacional para uma cidade a uns 500 km de onde x está. apanhar quase de seguida outro voo internacional de regresso ao país de origem, mas para uma cidade a, sei lá, 3000 km a norte. tirar uma foto. apanhar um voo doméstico para o primeiro ponto de partida. e isto tudo para conseguir um visto. faz algum sentido?
22.8.15
21.8.15
20.8.15
18.8.15
16.8.15
14.8.15
10.8.15
x está aqui onde está há cerca de três semanas. não parecem três semanas. na verdade, parece que o tempo parou. ou então que passou a andar mais depressa do que o costume. x não sabe bem. sabe contudo que está num tempo que não é o seu. é um tempo algo diluído. sem princípio, sem fim, e sem meio. é assim como estar em suspenso. à espera que um dia chegue a hora de acordar. x está há cerca de três semanas neste tempo sem tempo. e está quase sempre em silêncio. contudo, a sua cabeça ainda não começou a falar sozinha. por um lado, isso é bom. mas x sente falta das vozes que lhe ditam o caminho ao ouvido. mas agora, x está sozinha. absolutamente sozinha. como se o universo a tivesse posto perante a sua derradeira prova. sem rede. sem nuvens a esconder saídas. e sem vozes vindas sabe-se lá de onde. este é um período em que a razão se sobrepõe à emoção. x está sozinha, em silêncio e vazia de sentires. no meio disto tudo, x só tem um medo: aborrecer-se.
9.8.15
6.8.15
x tem passado os dias em reuniões com os líderes de um dos maiores projectos energéticos / industriais do mundo. x tem vindo a perceber que essa malta é gente perfeitamente normal e que x não se sente nem um bocadinho deslocada. e isto é giro e estranho ao mesmo tempo. sobretudo quando x os interrompe e diz "na minha opinião devíamos fazer isto assim assim...". x esteve um dia destes numa reunião com um ministro. no fim só faltou irmos beber um copo juntos e falar da vida. portanto, está a correr bem, muito bem!
3.8.15
x é bem paga. muito bem paga. mas não está a ser tão bem paga como algumas pessoas pensam que x está a ser paga. de todo o modo, x é muito bem paga e x nunca na puta da vida pensou que lhe pagassem tanto como estão hoje a pagar para fazer x o que faz. ainda assim, a tipa que x veio substituir durante uns tempos deve receber o triplo do que x recebe por mês, acrescido de uma série de benesses assim mais ou menos incalculáveis. uma pequena fortuna mensal, portanto. não obstante, ao fim de duas semanas, x já percebeu que a tipa que x veio substituir é uma espécie de abécula. resumindo, deus nosso senhor, às vezes, parece tolo!
27.7.15
aqui, os dias de x começam cedo. x acorda às 7h. às 8h está a caminho do escritório, onde chega por volta das 8.15h. depois pega numa caneca gigante de café. pega em várias durante o dia. entre reuniões e organização dos trabalhos em curso, as horas passam. os assuntos são vários. e x ainda não os domina suficientemente para se sentir confortável com os mesmos. por isso, x tem de concentrar-se mais do que os restantes. x almoça por volta da 13h. ou 14h. x almoça no escritório, porque, para já, ainda não tem como se deslocar à hora de almoço. x está à espera que se resolvam burocracias em lisboa para poder conduzir cá, no sítio onde está. depois, x continua a trabalhar. até às 18h. ou 19h. x não pode sair mais tarde do que isso. caso contrário perde a boleia com o motorista da empresa. depois, chega a casa. faz qualquer coisa para jantar. come. e fica sozinha o resto da noite. quase sempre. por aqui, os dias são assim, trabalho e solidão. quase sempre. x está assim, em modo autómato. mas, na verdade, a vida de x tem sido muito assim. em modo autómato.
26.7.15
25.7.15
e ao fim da primeira semana a sério o que x tem a dizer é isto:
- o trabalho faz-se;
- a equipa conquista-se;
- ver as coisas por dentro desmistifica-as;
- vai ser menos difícil do que x esperava;
- vai ser mais aborrecido do que quem está de fora imagina;
- vai ficar extraordinariamente bem no curriculo mas, comparando com o tipo de trabalho que x faz em lisboa, x fica com a impressão que tudo isto é um bocadinho bluff;
- só saindo do que conhecemos percebemos o quão bons realmente somos.
- o trabalho faz-se;
- a equipa conquista-se;
- ver as coisas por dentro desmistifica-as;
- vai ser menos difícil do que x esperava;
- vai ser mais aborrecido do que quem está de fora imagina;
- vai ficar extraordinariamente bem no curriculo mas, comparando com o tipo de trabalho que x faz em lisboa, x fica com a impressão que tudo isto é um bocadinho bluff;
- só saindo do que conhecemos percebemos o quão bons realmente somos.
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