stress pós traumático ou síndrome de pavlov. x suspeita sofrer de um destes pois de cada vez que alguém tem um comportamento que x entenda ser incorrecto, injusto ou apenas estúpido, x começa a hiperventilar, tem acessos nervosos e a cabeça parece que fica meio à toa. x acha que está a precisar de férias. ou então de comprimidos para a cabeça.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
26.4.16
15.4.16
X tem-se confrontado com a consciência da finitude. Da morte. Da insignificância de cá. X tem tido dilemas sérios com a vontade de ser mais aqui e a noção que ser mais aqui vale de pouco. X tem lutado internamente com a crueldade do tempo. Com a rudeza das coisas. Com o nada que somos. X tem vindo a concluir que nada pode fazer contra o curso do mundo. E isso não traz tranquilidade nenhuma. Os clichês de algum modo ajudam. Mas esses são só isso, clichês. A vida e bonita. Mas é sempre curta. X quer tanto. X tem tanto que ainda não fez. E o tempo passa. E mata de dia para dia mais um bocadinho de vontade. Ainda assim, x não tem tido razões para queixumes. Nem para arrependimentos. X tem tido uma vida boa. Agora só precisa de risos infantis a encher-lhe o peito. E a casa.
14.4.16
12.4.16
9.4.16
1.4.16
30.3.16
29.3.16
Desta vez, x não escreveu sobre sentires. A razão e simples - x não sentiu nada. Por dentro estava tudo plácido. Não houve vozes, revelações, surpresa. Desta vez, África não trouxe a x nada de novo em emoções. Apenas algumas certezas se cristalizaram - o que x não quer ser, o que x não quer fazer, para onde x não quer, de todo, ir. Foi uma enorme experiência - talvez uma das maiores, na verdade. Profissionalmente, vai ficar bem no currículo. Mas x sabe que não lhe acrescentou quase nada. O que X confirmou foi que, desta vez, a volta foi a razão de ter ido.
28.3.16
X perdeu-se de amores por uma manta linda, cor de rosa clarinho, fofinha e essas cenas todas. Comprou-a. E depressa descobriu que é profundamente alérgica aos pelinhos fofinhos da tal manta. X está com os pulmões mirrados e com os olhos a sair das órbitas de tanto tossir. Puta da manta. Está visto que coisas fofinhas não são para x.
27.3.16
23.3.16
20.3.16
E x foi as compras. E vestiu a casa de azuis e rosas pastel... Quem diria! E depois olhou Lisboa, e confirmou em voz alta que esta e a cidade mais bonita do mundo. E é sua. E depois marcou consulta para, finalmente, avançar com a cirurgia ao nariz que anda a adiar há anos. Tem de ser, e terá de ser agora. Por isso, seja. E jantou com amigos. E foi feliz na simplicidade das coisas. X está de volta. E está de volta convicta que, por ora, o seu lugar e aqui. E é um lugar bom. Que assim seja. Enquanto tiver de ser. Bem-vinda x!
18.3.16
15.3.16
sair de sorriso na cara e de cabeça erguida, com uma empresa inteira rendida aos pés, é giro. o demónio de metro e vinte e picos ficou absolutamente isolado, não aguentou o ódio e correu edifício fora, em silêncio e com labaredas nos olhos. x saiu a rir, e a distribuir abraços vários. recebeu elogios, agradecimentos, solidariedade, amizade e promessas de encontros futuros. e segredos, x recebeu segredos que ainda lhe esgalharam mais o riso na cara. x deixa uma equipa mais forte e com ganas de enfrentar a personagem desaustinada. assim seja. depois de meses de tormento, x sai em grande. "estás com um ar tão feliz" ouviu x várias vezes enquanto corriam despedidas, algumas tristes, quase com lágrimas. sim, x está feliz. saiu em paz e com um enorme orgulho no que fez embora com muita pena que não a tenham deixado fazer mais. fuck you very much pessoa pequenina.
14.3.16
e as coisas mudaram assim num repente e x recebeu o telefonema que esperava há que tempos. e do outro lado ouviu o chefe a dizer "a boa notícia é que vais voltar para casa, para nós!". acabou o que x veio cá fazer. e x consegue voltar sem perder a compostura com ninguém. apesar de ter tido muitas vezes essa vontade. na verdade, foram tantas as vezes que teve essas ganas que x nem sabe como se segurou. em verdade vos diz x que o mal do mundo é a quantidade de pessoas imbecis em lugares que deviam ser ocupados por gente com pelo menos dez neurónios funcionais. e assim acaba este episódio. um episódio para esquecer de tão aborrecido que foi. na verdade, x teme ter ficado meio burra de tão pouco exercício intelectual que fez durante estes meses.
11.3.16
10.3.16
24.2.16
18.2.16
- x recebe um contacto de Londres a ver se está interessada em duas propostas para uma major na Holanda
- x responde a dizer "talvez e tal mas só se pagarem muito bem e sujeito a esclarecimentos a respeito da reputação internacional da empresa em questão"
- x recebe mensagem com o pacote que oferecem - o salario base é mais ou menos o dobro do que x ganha mais 25% de bonus anual
- x responde a dizer "não é mau mas também não é nada do outro mundo"
- x recebe mensagem a perguntar que valor pretende para considerar a hipotese de continuar com o processo de recrutamento
- x pede o triplo do que hoje ganha, mais 35% de bónus e mais umas migalhas quaisquer mas que estas condições ficam dependentes de x avaliar e ficar confortável com a business strategy e os compliance standards da empresa; x está convencida que a vão mandar pastar longe e fica o assunto resolvido
- x recebe resposta a dizer que as suas exigencias já foram comunicadas à empresa e a perguntar qual é a experiencia de x com o sistema inglês
- x, em tom de piada, responde que já leu o UK Bribery Act...
talvez o assunto fique por aqui! mas teve graça perceber que x se transformou numa bitch!
17.2.16
a vida insiste em dar pontapés no rabo de x, parece um demónio insistente a dizer-lhe "corre x, corre x...". e depois x fica assim meio atarantada. como que pasmada com os acontecimentos e cheia de dilemas existenciais. isto para dizer que x recebeu hoje uma proposta para ir trabalhar para a holanda para ocupar um lugar que não lembra ao diabo. é que nem nos seus mais excêntricos delírios x alguma vez pensou que o seu rumo a haveria de levar por onde tem levado. x é só uma garota simples, que passou a infância e a adolescência a trabalhar com os pais nas feiras e nos tempos da faculdade a lavar loiça num restaurante manhoso para pagar contas. jamais lhe passou pela ideia que um dia os magos dos petrodólares lhes iam bater à porta e dizer "anda x, anda... vendes a alma ao demo mas anda x, anda...". é que a única coisa que x realmente quer é ter tempo para se sentar na sua varanda virada para os telhados de lisboa e beber um copo de tinto enquanto o sol se põe. assim uma coisa simples. porra!
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