14.12.16

E enquanto isto, aqui não muito longe o mundo e diferente. 

8.12.16

2016

x começou o ano em lisboa. depois, apanhou um avião para algures em áfrica. passou férias entre pemba e a ilha de moçambique. voltou para o sítio algures em áfrica onde estava a trabalhar. penou as passas do algarve. voltou a lisboa. ficou doente. consultou médicos vários e fez exames a dar com um pau. descobriu que a doença que tinha era stress, manifestado em sintomas que x jamais associaria a stress. foi tratada. ficou bem. concluiu que tem de aceitar que a vida, às vezes, é uma puta. e que temos de aproveitar todos os momentos que cá estamos. partilhou casa com amigos, que se tornaram ainda mais amigos. partilhou casa com estranhos, que deixaram de ser estranhos. viajou em férias para a alemanha. esteve dentro de uma câmara de gás num campo e concentração. foi a uma volksfest. bebeu canecas gigantes de cerveja e cantou em cima de bancos. quase comprou umas lederhosen. viajou em trabalho para moçambique, viu parte dos jogos do euro em maputo. a outra parte viu em lisboa. festejou a a vitória numa esplanada cheia de franceses. foi ao marquês, mas voltou quase logo para casa. passou grande parte do dia de aniversário dentro de um avião. ouviu os parabéns à meia noite em maputo e às oito da noite em lisboa. foi ao primavera sound. e ao alive. odiou o alive. foi ao amplifest. viu explosions in the sky, sigur ros, mono e m83. passou férias a norte e a sul. cá dentro. viu uma amiga brilhante ficar doente. muito doente. chorou. riu. mas não riu tanto como o costume. enervou-se. enervou-se muito. passou-se com a emel. ajudou várias pessoas. cuidou de outras. ficou cansada. demasiado cansada. precisou de mimos. isolou-se. esforçou-se por não se isolar em demasia. nem sempre conseguiu. ganhou um dos três prémios que o sítio onde trabalha atribui anualmente. já é o segundo. sorriu.exigiu respeito. impôs respeito. foi ouvida. inscreveu-se no ginásio. nem sempre tem vontade de ir para o ginásio. chegou a dezembro com menos fé do que nos anos anteriores. e mais cansada. x não gostou de 2016. apesar de 2016 não ter sido particularmente mau para x. mas também não foi bom. e, sobretudo, não foi bom para pessoas de quem x gosta muito. e com quem x sofreu e sofre ainda em silêncio. x quer que 2017 seja diferente. e por isso vai marcar uma grande viagem que fará sozinha.

24.11.16

Quando as notícias nos atropelam. E a impotência nos toma conta. Nada podemos fazer. E queríamos poder fazer tanto. A vida consegue ser um puta.

Entravas em mim como um intruso subtil. Deste-me a morte para o resto. 
X fica muito mais bonita quando ouve sigur ros. Há assim um brilho que cresce... 

17.11.16

x precisa de se reencontrar com o todo. ou com deus, se lhe quiserem chamar assim.

14.11.16


de vez em quando, x volta lá, tímida. desiste logo de seguida. os sons do cohen devolvem-na a um período da vida de x onde x não quer voltar. porque cohen descreve em palavras cruas o negro das histórias bonitas. e porque foi com palavras do cohen que x viu mãos frias a esventrarem-lhe o corpo e a alma. ainda assim, hoje x voltou ao cohen. e a tristeza de ontem voltou a cercar x. mas x esboçou um sorriso, daqueles sorrisos tristes que seguram todas as emoções por dentro, em segredo. e a vida depois voltou ao normal. com as palavras do cohen por perto. mas longe de ontem.
o trump ganhou, o cohen morreu, a amiga de x continua doente e x sente-se desconectada de tudo. não admira que não tenha vontade para mais do que ficar enrolada no sofá.

30.10.16

[x não sabe como se fazem corações fofinhos no blogger, senão fazia agora vários.]


Kartjan Sveinsson - Der Klang der Offenbarung des Gottlichen

27.10.16

e depois acontecem assim coisas estranhas. e, por nada - ou, pelo menos, por nada que consigamos objectivamente perceber ou explicar - um dia acordamos com uma espécie de empowerment pessoal a jorrar por todos os poros. e nesse dia pomos o nosso sorriso triunfante na cara  e enfrentamos este mundo e o outro com a certeza que, porra, somos muito melhor do que alguma vez nos ocorreu. e que se fodam os velhos do restelo, e todos aqueles que nos prendem a ontem acenando medos.

26.10.16

e um dia conheces alguém até ao âmago. e conheces tão bem, mas tão bem, que antecipas as frases, as dores de barriga, as dúvidas, os gestos, tudo. conheces todas as rugas e pequenos defeitos da pele. conheces os diferentes tons de voz consoante o humor. e todos os trejeitos do olhar. e do toque. conheces tudo o que havia para conhecer naquele lugar preciso do tempo e do espaço. e conheces suficientemente bem para saber que um dia, por qualquer razão, séria ou fútil, essa pessoa que conheces até ao âmago vai certamente esfarelar a tua confiança e fazer ruir tudo o que era tido como certo. e um dia isso acontece. e essa pessoa que conheces (ou conhecias) até ao âmago, passa a ser estranha. estranha mas familiar ao mesmo tempo. e passas a odiar essa pessoa que conheceste até ao âmago mas que já não conheces, apesar de essa pessoa ter feito exactamente aquilo que esperavas que fizesse, porque um dia a conheceste demasiado bem e sabias, mesmo não querendo saber, todas as nuances das suas reacções face à adversidade. parece um paradoxo. mas não é. e depois do ódio - visceral, duro, mortal - chegam em turbilhão uma série de outros sentires -  raiva, nojo, desprezo... e outros que nem sequer se sabe bem o nome. no fim, indiferença. absoluta. mas chega o dia em que te voltas a cruzar com essa pessoa que conheceste até ao âmago. e nesse dia tens vontade de rir sem parar. porque a pessoa que conheceste até ao âmago morreu pelo caminho. e tu, contra todas as probabilidades, sobreviveste ao mais duro golpe de perceber que, na verdade, não conheces nunca ninguém. nem a ti. e ris sem parar porque percebes que essa pessoa que conheceste, mas na verdade não conheces já, não deixa de ter um ar incompleto e oco. ainda que para os demais pareça estar bem, muito bem até. mas houve um dia em que tu conheceste essa pessoa até ao âmago. e, apesar de ela ter arrepiado caminho e invertido a direcção, o âmago que um dia conheceste, esse, continua lá. escondido. tapado pelas vestes adoptadas na dimensão paralela por onde caminha. e tu ris. mas, apesar de tudo, esta história tem sempre um fim triste.
A vida de x.

8.10.16

e ao fim de 6 meses, a pessoa pequenina que andou a fazer a vida de x num inferno durante quase um ano, telefonou a x a dizer "x, precisamos de ti!". x teve vontade de mandar a pessoa pequenina para um sitio mas depois pensou "ai sim? então vais pagar cara a minha ajuda, bitch!". 

6.10.16

De cada vez que x lê comentários de portugueses no facebook ou nos jornais on-line que Portugal é um país terceiro mundista e blablabla, x deseja com muita força que as pessoas que o fazem vão viver uma temporada a um país "em desenvolvimento" para ver o que é bom para a tosse. 

4.10.16




First breath after coma - Drifter

vamos por partes. x ouve estes sons há muitos anos. depois o post-rock ficou na "moda". e chegou uma altura e parecia que todo o puto com ar entre o emo e o negligé com pretensões e algum jeito para pegar numa guitarra queria ser o próximo munaf rayani. apareceu muita malta por ai que se resumia a copiar umas cenas e punham um ar das artes, como se isso fosse indicativo de qualquer talento especial para a coisa. foi neste cenário que há uns anos (3 ou 4 x x já não sabe bem) x se cruzou por ai com os first breath after coma. x não os levou muito a sério - eram mais uns "putos" quaisquer a querer ser "artistas". não ajudou terem decalcado o nome de um dos temas preferidos de x, de uma das bandas preferidas de x. foram imediatamente rotulados por x de copycats e x ignorou-os ostensivamente. mas x também se engana. redondamente, por sinal. podem ter começado como copycats mas de repente tornaram-se mais que isso, maiores do que isso, e algo muito para além disso. na verdade, não encaixam bem em nada pois, apesar de ter muitas influências de muita coisa, são muito diferentes de tudo. são os first breath after coma (porra que podiam ter outro nome!), são de leiria e são absolutamente extraordinários. x já lhes devia este post há muito tempo. mas andava a fazer birra. 
Neurologia, otorrino, oftalmologia, clínica geral, Tacs, ecografias, análises, exames vários. Aparentemente x não tem nada. X acha que precisa é de se mexer. E ao fim de anos e anos x está seriamente a considerar inscrever-se num ginásio daqueles com miúdas histéricas e spa e tudo. 

3.10.16


Indignu - Mar do Norte

chamam-se indignu, são de barcelos, e fazem coisas assim...

20.9.16

no intendente, em lisboa, há um restaurante pequenino - que antes era uma tasca semi-falida mas foi recentemente tomada pela comunidade nepalesa lá do bairro - que se chama Olá Katmandu. a comida é francamente boa - tem umas chamuças de morrer (em nada semelhantes às que estamos habituados a ver por ai) e um chicken mo mo (aka dumplings nepaleses) de chorar. de nada.

16.9.16


Adele - Hello

x nem sequer gosta muito disto. mas a verdade é que x teve um sonho meio estranho com alguém que encaixa perfeitamente neste tema e x ficou sem saber muito bem o que fazer com isso. a puta da vida é estranha!

28.8.16




É estranho como um sítio cheio de horrores pode ser, também, um local que irradia paz. Mas x não conseguiu tocar nas paredes que guardam em si a memória de vidas desfeitas em nome de nada. E tremeu quando percebeu que estava a entrar na câmara de gás. É uma sala estranhamente pequena para a dimensão do que nos contam como foi. Ao lado, os fornos crematórios que foram incapazes de apagar todas as provas. Provas em forma de carne humana amontoada com desdém a espera da sua vez. Falharam os fornos. Fizeram as câmaras fotográficas o favor de deixar restos para o futuro do passado que se não quer repetido. Corpos magros, pálidos, explorados e destruídos pela barbarie, pela fome, pela doença e pelas balas de um regime infame. A opressão do arame farpado disfarçado no verde imenso das redondezas. O impensável no meio da pacata cidade de ar inofensivo. "Nunca mais" está escrito algures no campo. Que tenhamos a sensatez de nunca, mas mesmo nunca, esquecer. Dachau, 2016.
X voltou de férias. X está em casa, aninhada, a contemplar a placidez do seu mundo. X correu entre pontos durante estes últimos dias. Lisboa, Munique, Dachau, Lisboa, Braga, Porto, Braga, Lisboa, além Tejo, Lisboa de novo. X está de volta à casa. Cansada, moída, dormente... Mas feliz. Amanhã x conta mais. Hoje vai apenas continuar a beber o copo de vinho branco que tem à frente. E a agradecer aos céus tudo o que lhe tem sido dado. E a fazer planos. Planos diluídos, e algo híbridos, como sempre. Mas planos cheios de futuro. De vontades, e de fé. X percebeu, de novo, o quão certeiro tem sido o seu caminho. X não se arrepende, apesar de guardar algumas mágoas. Mas x não se arrepende. De nada. O seu caminho até aqui foi bonito. X conseguiu tudo o que se propôs. Agora, x quer o resto. O imaterial. As pequenas explosões nas pontas dos dedos. As revoadas. 3, 2, 1... Agora... Vai x!

12.8.16

a ti, que apareces sem te mostrares; que te rendes ao "deixa lá ver o que é que ela anda a fazer agora"; que estás sempre a espreitar às escondidas mas és incapaz de te mostrar presente porque isso faz renascer monstros no armário; a ti, que sabes quem és - vai-te foder. e longe.

31.7.16

X acaba de ver o primeiro episódio da primeira temporada da série inglesa Black Mirror. É ficção, mas é mais real do que parece. X mal pode esperar por ver os restantes episódios. 

29.7.16


Lilly Allen - Fuck you

pois que x está prestes prestes a dar um murro na mesa e a mandar tudo para o caralhinho! pois que já há quem trema com a possibilidade de x se passar da corneta de vez e, por isso, não param de vir com falinhas mansas e a pôr panos quentes e "ai e tal tem calma" mas... que se foda! x recusa-se a aceitar decisões imbecis e irracionais tomadas em forma de cedência a motivos oportunistas. estranhamente, ou não, x está impávida e serena. e até acha que é isso que está a pôr muita gente em pânico. quando x está impávida e serena é porque já não tem motivos para se chatear. e toda a gente que priva com x sabe disso. x é tão transparente, que a sua cortina de absoluta tranquilidade não impede os demais de observar o absoluto desprezo, e quase nojo, que x sente por dentro. a modos que é isto. 

24.7.16

fim de tarde com uma cerveja artesanal no largo do intendente; jantar com amigos antigos e recentes na costa do castelo; apanhar um táxi para o largo do rato e ir uma festa privada cheia de gente desconhecida mas simpática; acabar a noite num café de bairro já a madrugada ia muito alta mas com um calor surreal a rir com os filmes do syfy. foi assim ontem.