hoje voltaste a chamar-me no escuro. recolhi-te em silêncio e devolvi-te ao sítio onde quiseste ser. insististe que entrasse e visse onde és hoje. virei as costas. segui. disse adeus. e então acordei. com metade do corpo em espasmos de náusea e o resto disperso além.
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
25.9.17
18.9.17
x disse sempre que não faz planos. e, de facto, não faz. mas x tem vindo a perceber que precisa de ter objectivos. metas. e quanto mais difíceis melhor. x tem vindo a constatar que sem objectivos fica amorfa, cansada, aborrecida de morte. depois de metade do ano extenuante e quase dois meses em modo semi-férias mentais, x precisa de se desafiar de novo. x acha que só consegue viver numa espécie de rodopio. e, na verdade, não sabe se isso é bom.
12.9.17
18.7.17
x não sabe bem porquê, mas nos últimos dias tem sido assaltada por memórias e dúvidas existenciais. na última semana, por várias vezes, x foi posta perante uma história mais ou menos recente, que podia ter terminado na trilogia clássica: casa, cão, filhos. não acabou assim. acabou de outro modo menos idílico, embora sem dramas. pelo menos, sem dramas para x. mas também acabou embrulhada em silêncios desconfortáveis. e algumas dúvidas. e algumas pequenas raivas disfarçadas. x perguntou-se algumas vezes o porquê de aquilo não ter avançado. x e a pessoa em questão davam-se irritantemente bem, riam muito um com o outro, o sexo era extraordinário, tinham muito da vida em comum. x podia ter aprendido a gostar da pessoa. porque x não gosta à primeira vista. x aprende a gostar. mas não aconteceu. e x até ontem perguntou-se porquê. a resposta que x encontrou foi esta - a pessoa em questão andava sempre dois passos adiante. x odeia que andem dois passos adiante. x gosta de passos sincronizados, ainda que paralelos em vez de decalcados.
12.7.17
29.6.17
28.6.17
era o primeiro dia de viagem pela Islândia. logo pela manhã, cruzamo-nos com um grupo de holandeses. perguntaram-nos de onde vínhamos. quando dissemos "Portugal" os risos desapareceram. por segundos, estranhamos. depois disseram "que grande tragedia os incêndios que estão a acontecer!". nós não sabíamos de nada. fomos a correr ver o facebook. e lá estavam as notícias dramáticas. nao podíamos fazer nada para além de garantir que os nossos estavam bem. continuamos a viagem, e acompanhamos à distância. os números da morte a crescer, os relatos doridos a entrar-nos olhos dentro, a impotência... acompanhamos a distância, e isso custa. que saibamos todos reconstruir-nos depois do negro cobrir o país.
27.6.17
e x subiu montanhas, desceu montanhas, caminhou sobre pedras, e campos de lava, e chão fervente, e glaciares, e areia negra. e x caminhou quilómetros, subiu e desceu escadas, e trilhos de pedra. e x nem por um momento se sentiu cansada ou a asfixiar. a operação ao nariz funcionou, e x nunca se sentiu tão bem como agora.
foi tudo arrebatador. mas foi ao chegar a costa norte, debruada com algumas poucas praias negras e mar cinzento revolto, que x sentiu o estômago encolher. x sentiu que chegava a uma casa distante de onde há muito havia partido. x encolheu-se. e ficou em silêncio na expectativa de encontrar respostas. a única que lhe chegou foi que o mundo, por vezes, não é para compreender.
26.6.17
17.6.17
depois dias a fio sem fazer quase mais nada que não fosse trabalhar. x quase quase a ficar chéché. ainda assim conseguiu acabar tudo o que tinha para fazer. eram 2 da manhã quando x enviou o último email. são 4.17h da manhã. x está a fazer tempo para ir para o aeroporto. x teme piscar um olho e ficar a dormir durante três dias seguidos. falta pouco mais de uma hora para x estar no aeroporto. x jura que nunca mais marca voos de madrugada. foda-se!
15.6.17
13.6.17
10.6.17
4.6.17
3.6.17
28.5.17
e ao décimo primeiro dia resta uma pequenina mancha amarelada do hematoma por baixo do olho esquerdo e a cara ainda inchada mas já aceitável para sair à rua sem assustar ninguém. a dermatite passou, a pele escamou toda, mas agora parece pele de bebé. o nariz só estará completamente pronto daqui a mais ou menos um ano. por fora está diferente, sem parecer estar diferente. por dentro é completamente novo e respira. depois de seis dias úteis em casa, x volta ao trabalho amanhã. passemos à próxima aventura. esta foi um gosto!
18.5.17
x teve umas semanas duras de trabalho e andava fisicamente esgotada. por isso, x sabia que havia uma forte hipótese de não conseguir acordar às 6 da manhã para estar na clínica às 7. e x não acordou às 6h. acordou às 6.59h, talvez por intervenção da divina providencia. x saltou da cama num pulo, enfiou uma roupa qualquer, correu porta fora e passados 6 minutos estava a apanhar um táxi que foi a abrir até às avenidas novas. x entrou a correr na clínica às 7.20h, a operação estava marcada para as 7.30h. papeis assinados, roupa tirada, bata vestida, x cheia de sono - e, talvez, de remelas -, cateter para aqui, soro para acolá, questionários vários, fotos e, por fim, bloco operatório. x vê o aparato médico e fica assim entre o calma e o catatónica. depois ouve "bons sonhos". e plim, x dormiu. acordou cerca de duas horas depois, com uma voz que dizia "x, x, já acabou x. acorde x, correu tudo bem e o nariz ficou perfeito. lembre-se que tem o nariz tapado x, tem de respirar pela boca...". neste momento, x abriu um olho, e ainda sob efeito dos restos do propofol, disse "há 10 anos que quase só respiro pela boca, a modos que isso é o meu estado normal!". a anestesista riu e respondeu "caraças que respirava mesmo mal!". e depois de ficar umas horas no recobro, x voltou a casa, sem dores e sem mal estar de maior. segunda feira, x tira os tampões. se conseguir respirar, x vai chorar de felicidade. ainda por cima os cirurgiões disseram "e o nariz ficou muito bonito!". pronto, foi isto!
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