16.5.18


Jóhann Jóhannsson - Flight from the city

coisas bonitas.

19.4.18

2.16h da manhã. x chega a casa depois de um dia intenso que terminou num jantar de trabalho cheio de risos. x recuperou as ganas e a certeza que está no sítio certo.

17.4.18

hoje foi o dia em que x falou, a sala calou-se, o chefe mor suspirou de alívio e o chefe mor mor curvou-se perante x. hoje foi um dia bom. e foi o dia em que x percebeu que o seu amanhã está delineado há muito. comecou no dia em que x se dispôs a arriscar a vida. no mesmo dia em que x enterrou tudo o que tinha como certo e descobriu um enorme abismo de possibilidades. hoje foi o dia em que x percebeu que o seu futuro não é nada do que tinha antecipado. mas que passa por algo infinitamente maior. x pasma-se. mas, apesar de tudo, tenta seguir com os pés assentes no chão. x não se deslumbra mas, vendo bem, tem muitas razões para estar profundamente orgulhosa de si.

16.4.18


Epic Soul Factory - Everdream

e porque a música é o sítio onde reencontra a paz, x está desde cedo dentro deste som. 

o coração acalma. e o corpo transforma-se em milhares de arrepios prolongados.

depois, quando sente o sorriso nascer e os olhos explodir de brilho, x sabe que tudo está a ficar bem.
nas últimas horas, x foi embrulhada numa névoa que há muito já não sentia.

não é sensação nova mas causa sempre ambivalência e confusão.

é como quando temos a cabeça debaixo de água.

a sensação é de profunda liberdade, comunhão e conforto.

mas intuitivamente sabemos que temos de sair dali rapidamente sob pena de nos afogarmos.

a névoa que envolve x é como um gigantesco mar.

15.4.18


Sleeping At Last - Light

x está num momento da vida bonito. 

como se todo o percurso anterior tivesse por fim fazer com que x chegasse a este exacto sítio.

e isso é bom.

14.4.18


Ólafur Arnalds - Only the winds

x em criança era assim. vivia absorta, num mundo que não partilhava com quase ninguém. x em adulta ainda é assim. vive absorta num mundo que continua a partilhar com muito poucos.

Sigur Rós - Starálfur

o sinal estava vermelho. o trânsito estava compacto. por minutos perdi-me no silêncio e nas gentes que desciam a rua a passo lento. no meio de corpos avulsos, vi-te. davas a mão a uma criança mais ou menos da idade daquela que um dia planeamos em silêncio mas que nunca tornamos real. ias estranhamente devagar. como se a vida te pesasse. não te vi os olhos, nem os traços que cantam a alma. seguia-te nas costas como que pronta a  amparar-te a queda. ias de asas fechadas e de cabeça vergada ao chão.  depois desapareceste no escuro. então o sinal abriu. o trânsito desfez-se. e eu segui, como que obrigada pela pressa dos demais. segui. contrariada. e à procura do resto da tua imagem sem, contudo, saber se havias estado realmente ali. 

os nossos reencontros serão sempre assim - entre o real e o imaginário. 

28.3.18

aquele momento em que, passados mais de 20 anos, percebes que o teu mega crush platónico do final da adolescência é, na verdade, um sujeito completamente desinteressante.

19.3.18

x não sabe se é da idade. ou se simplesmente a vida ocorre por fases que se antagonizam a si próprias. mas, depois de um período difícil de desapego, x chegou a um momento na vida em que realiza que a razão do seu tormento durante a última década morreu. assim, plim. o que quase tirou a sanidade a x, não a não afecta mais. de maneira absolutamente nenhuma.

15.3.18

x começou a trabalhar com uma república islâmica que tem uma língua que x não domina. x tem andado numa roda viva por causa disso e daí a ausência mais prolongada do que o costume.

16.2.18

por estes dias o queres antes apreender a voar? faz 11 anos. quem diria que aguentaríamos isto tanto tempo?

5.2.18


Gregory Alan Isakov - If I go, I'm going

x nem simpatiza muito com estas coisas do country folk, mas estas primeiras linhas conquistaram x:

This house
She's holding secrets
I got my change behind the bed

In a coffee can 
I throw my nickels in
Just in case I have to leave

And I will go if you ask me to
I will stay if you dare
And if I go I'm going shameless
I'll let my hunger take me there

Roo Panes - Lullaby Love

quando x se põe à procura de música nova, às vezes, encontra coisas das quais gosta muito.
e ao fim de cinco dias começa a dar-se o milagre das drogas e x começa a sentir-se estranhamente diferente (para melhor).
quando uma pessoa considera vender o seu apartamento - que está numa zona cobiçada do centro da cidade mas  que começa a ser profundamente irritante - e comprar uma moradia rodeada de árvores e, para o efeito, pede uma avaliação e faz pesquisas de mercado sobre comissões de sociedades de mediação e afins,  uma pessoa confirma que está, definitivamente, a ficar velha. 

4.2.18

após dois meses (mais coisa menos coisa) de evoque:

- x ainda não o sente como o seu carro, mas sempre que olha para ele pensa algo como "foda-se, é lindo de morrer!".

31.1.18

x está a ser acompanhada por uma equipa médica multidisciplinar por causa de alguns sintomas estranhos que vinha sentindo há uns tempos. depois de uma bateria de exames longa, hoje, finalmente, x teve consulta para discutir os resultados. a médica pegou no relatório e começou a descrever todos os sintomas que x sente há muito tempo. sem tirar nem pôr. estava tudo ali, naqueles números que a x não diziam praticamente nada. no fim, a médica disse "ah e você tem um feitio assim meio de gajo não tem?". x desatou a rir e disse "sim, desde que me lembro de ser gente, por isso essa parte não deve ter tratamento possível!". a médica prescreveu a medicação que x tem de tomar e daqui a dois meses - deus nosso senhor assim permita - estará tudo em vias de estar resolvido. menos a parte do feitio de gajo! 

22.1.18

coisas de que x gosta tanto que até dói:


Kjartan Sveinsson - Credo

20.1.18

e chega o dia em que decides arrumar de vez histórias há muito escondidas da vista. e ao fim de dez anos vais ao sítio onde guardaste o passado, pegas nas coisas atiradas ao molho e fazes a purga final. no fim vai, quase tudo, para o lixo. e tu respiras de alívio.

17.1.18

os livros de x:


x comprou-o há anos. começou a ler, mas na altura o corpo e a mente recusaram-se a continuar. há pouco mais de 48 horas x voltou a ele. e, de um sopro, leu-o de uma ponta à outra. para grande surpresa de x, apesar da linguagem quase hermética - e intencionalmente espiralizada (não é gralha, a palavra que x quer usar é mesmo "espiralizada", de espiral!) - x reconheceu-se claramente ali. por razões (talvez) mais físicas do que mentais, rudolf steiner sempre despertou impulsos pouco simpáticos a x. curiosamente, o próprio livro explica a razão de x lhe ter tido tanta aversão até agora. 
“Love is an adventure and a conquest. It survives and develops like the universe itself only by perpetual discovery. The only right love is that between couples whose passion leads them both, one through the other, to a higher possession of their being. Put your faith in the spirit which dwells between the two of you. You have each offered yourself to the other as a boundless field of understanding, of enrichment, of mutually increased sensibility. You will meet above all by entering into and constantly sharing one another’s thoughts, affections, and dreams. There alone, as you know, in spirit, which is arrived through flesh, you will find no disappointments, no limits. There alone the skies are ever open for your love; there alone lies the great road ahead.”

“Love is an Adventure”
by Pierre Tielhart de Chardin

16.1.18

entre correrias por continentes distintos, doenças, má fortuna, imprevistos vários, cansaço generalizado e falta crónica de tempo e vontade, x não pegava em livros há muito. os de um autor em particular x deixou invisíveis durante anos, escondidos por outros que permitem a x distanciar-se mais daquilo que durante muito tempo x quis evitar a todo o custo. mas ontem x chegou a casa com um enorme reboliço por dentro. e depois de jantar sem grande vontade, em vez de se enrolar no nada como tem sido hábito nos últimos tempos, x dirigiu-se à estante e afastou os livros que camuflavam o resto. no fundo da estante, x reencontrou-se com os livros do rudolf steiner, deliberadamente apartados da vista há muito tempo. x pegou naquele que estava a chamar por si. leu cerca de 100 páginas de um sopro e adormeceu agarrada a ele. há algo de novo na vida de x, embora x não saiba ainda o que é. x não sabe se o rudolf steiner lhe vai dizer o caminho. mas ontem soube-lhe bem a sua companhia.

15.1.18


Sigur Rós - Hrafntinna

porque não há nada como sigur rós. absolutamente nada.
há dias em que  uma força vinda de longe nos cobre o corpo e nos esmaga. e o ar falha-nos. x viveu assim em permanência durante demasiado tempo. depois adormeceu. mas agora está a ressurgir tudo de novo. e de forma avassaladora. x sabe que tem uma porta aberta para um mundo fora de cá. mas evita cruza-la. do outro lado é tudo demasiado. mas x sabe que quando os sentidos se misturam, quando o corpo parece pequeno para tudo o que nos vem, quando os olhos se perdem num horizonte que não é este, quando a mente fica frenética enquanto a boca se fecha, quando o peito parece explodir... é porque chegou a hora de enfrentar, de novo, esse sítio. talvez x consiga compreende-lo agora um pouco mais.