23.9.21


Florence + The Machine - The dog days are over

happiness hit her like a train on a track
coming towards her, stuck still no turning back 
(...)

16.9.21


Sigur Rós, Steindór andersen, hilmar Orn Hilmarsson, María Huld Markan Sigfúsdóttir

de quando as palavras deixam de fazer falta. de quando tudo está em todo o lado. 

8.9.21


chegou ontem, no meio de outros. foi o primeiro em que x pegou. x sempre teve uma relação dificil com rudolf steiner. x viu sempre ali uma quase arrogância na escrita que a irritava um bocadinho. mas agora apetece-lhe. e este, em particular, está-lhe a saber bem. x pegou nele ontem ao fim de um longo dia de trabalho e outras várias coisas. e leu metade até adormecer. soube bem.

6.9.21


x estava a precisar de livros novos. e de um sítio dedicado a eles. e por isso x dedicou um dos espaços da casa aos livros. só aos livros. x acha que vai ser o seu sítio preferido. a casa de x é grande. e nela cabem muitas coisas diferentes. x é polivalente. e a sua casa, hoje, também é.

2.9.21

x está a fazer arrumações em casa. passou tanta gente pela casa de x nos últimos anos, que x foi encontrando bocadinhos perdidos de cada uma delas. x guardou poucos deles. o resto foi para o lixo. 

mas nesse processo x encontrou coisas há muito escondidas da vista. coisas que x pensava que já não existiam, mas que a providência fez com que elas se mantivessem escondidas cá por casa. à espera que x tivesse forças para se reencontrar com elas. e x decidiu que essas coisas há muito escondidas tinham de passar a fazer parte da vida de x hoje. por isso, x acolheu-as e deu-lhe até lugar de destaque. há coisas que escondidas fazem mais mal do que quando estão ao ar.


26.8.21


Anathema - Internal Landscapes

é mais ou menos isto que x tem sentido desde há uns tempos. é mais ou menos mas ainda é maior.


21.8.21

 x entra hoje de férias. vai isolar-se algures no Alentejo com sol, água e livros. vários. x não lhes pegava há muito mas voltou-lhes. os dias e as noites de x são compridos. as horas de sono são curtas. e x mantém-se em pé alimentada a sonho. como foi em tempos quando a tinha a cabeça e o corpo frenéticos de coisas que queriam sair ao mesmo tempo. hoje as palavras e o resto saem mais calmos e mais sorridentes. x chegou a maturidade emocional há muito. mas só agora as últimas peças se encaixam. 

e o mundo de x voltou a mexer para diante e através. como sempre, quando o mundo de x começa a rodar, há danos colaterais. desta vez x terá de ter cautelas e pés de la.

x sabe que há muito que não sentia estas revoadas por dentro. os arrepios no corpo, o embrulho de brilhos e as viagens na cabeça são agora quase em permanência. mas x aprendeu a geri-los e sobretudo a chamá-los. 

como sempre em momentos de viragem, x tem tudo o que é seu em rebuliço. desta vez, em bom. x chegou ao cimo de uma montanha. e olhando para trás vê como o caminho foi tortuoso mas incrivelmente bonito. o novo pico a subir já se anuncia. e x tem de tomar fôlego. 

x entra hoje de férias. mas quando voltar vai mudar quase tudo. porque x nunca sentiu tantas ânsias como hoje sente - na carne e no espírito. 

20.8.21


Anathema - Hindsight

(...)
And if you could love enough,
You would be the happiest and most powerful person in the world.

19.8.21


"Farto de ver. A visão que se reecontra em toda parte. Farto de ter. O ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre. Farto de saber. As paradas da vida. - Ó Ruídos e Visões! Partir para afetos e rumores novos."

Arthur Rimbaud


The Stormy Search for the Self - Christina Grof / Stanislav Grof

foi (é ainda) isto tudo. e x foi descobrindo intuitivamente o caminho. hoje x está atónita pela lucidez que sempre teve mesmo sem saber que a tinha.

 

18.8.21


Ruelle ft. Fleurie - Carry You

porque tem muito em comum com o que x tem estado a viver nos últimos tempos. não na parte do "is anybody out there?"; antes na parte do "you are not alone, I've been here the whole time singing you a song".

e porque x está a sentir uma incontrolável vontade de voltar à islândia. desta vez sem ruídos. 

3.8.21


Sigur Rós - ( )

já passaram quase 20 anos desde que x o ouviu pela primeira vez e se começou a fazer luz. 

mas x volta sempre aqui. 

porque este é o album que mais impacto causou na vida de x. em todos os recantos da vida de x. 

porque durante anos foi a sua cura. e a sua companhia maior. 

porque, por alguns momentos, x teve de se afastar dele para poder crescer para outros lados.

porque sem que o procurasse, o universo sabia que x precisava dele. no preciso momento que x precisava mesmo dele.

porque x voltou a ter coração para o ouvir a sério. 

porque hoje, como ontem, x se sente recebida num abraço de estrelas ao primeiro som. 

porque é uma espécie de oração, onde a contemplação, a redenção, a fé e a esperança se misturam. 

porque é bonito. porque é mesmo muito bonito.



Sigur Rós - Liminal

porque as últimas semanas de x têm  sido a vaguear por mundos assim - tanto a dormir como acordada - enquanto tenta equilibrar-se na vida real sem transtornos de maior. 

29.7.21


x está numa corrida contra o tempo com vários trabalhos gigantes em curso. nos últimos dias, entre outras coisas várias menores, x teve de correr uma base de dados com cerca de 13 mil documentos; ver uma grande maioria deles um a um; distribuir a análise material de cada um deles por 8 membros da equipa; analisar de forma detalhada os que são da sua especialidade; tirar dúvidas e apaziguar inquitações de vários membros da equipa - a última delas quase às 2 da madrugada; e a tentar montar um relatório gigante sobre isso.

nas ultimas 24 horas, x esteve nisso desde as 8 da manhã de um dia até às 4 da madrugada do outro. depois, ainda elétrica, a ver se chegava o sono, pegou num dos livros novos - escrito, entre outros, por este senhor -  e esteve a lê-lo até às quase 6 da manhã. e adormeceu com ele ao colo.

mas x concluiu ao fim de poucas páginas do livro que se se tivesse cruzado com ele há uns 15 anos, o seu processo de crescimento, provavelmente, teria sido mais fácil. ou, pelo menos, x teria tido mais certezas que a sua sanidade nunca esteve verdadeiramente em questão. ou mesmo que, na verdade, x nunca esteve tão lúcida como naqueles momentos de aparente desestruturação. 

mas x até o sabia. x, intuitivamente, percebeu muito cedo os porquês e os para quês. ainda que não tivesse forma de os explicar aos demais ou, mesmo, de os repetir em voz alta para si própria. e x fica feliz por, nesta que parece ser a recta final de um processo longo, começar a ver ao longo do percurso de consagração a validação de quase tudo o que sempre soube sem, na verdade, saber que o sabia.

28.7.21


Novo Amor - Repeat Until Death (Chapter II)

porque somos mais quando estamos em comunhão. porque nada substitui um céu azul. nem o toque mágico que nos faz ver o todo. chegar à paz interior é um processo longo. aprender a viver lá é mais dificil do que parece. mas quando se aprende, vale a pena. vale todas as penas.



Novo Amor - Sleepless (Chapter I)

na mongólia, x assistiu, de fora, a um ritual xamanico. assistiu de fora, mas sentiu-se lá dentro. no dia seguinte acordou cedo, e subiu sozinha ao cimo de um morro. de lá viu o horizonte. o dia começava em tons laranja. e com o som do vento como única companhia. naquele momento, x estava despida de quase tudo. e com a cabeça pesada e leve ao mesmo tempo. isto remeteu x para esse sítio, que foi mais um passo no caminho para o conhecimento. de x, e sobre x. 


23.7.21


Florence + The Machine - Shake it out

e x foi avisada, em forma de revelação: 

and I'm damned if I do and I'm damned if I don't
so here's to drinks in the dark at the end of my road
and I'm ready to suffer and I'm ready to hope
it's a shot in the dark and right at my throat
'cause looking for heaven, found the the devil in me
looking for heaven, found the devil in me
well what the hell I'm gonna let it happen to me

e depois x levou outros consigo na viagem ao escuro. hoje x dança descalça e com o corpo em fogo. das mãos de x saem raios de luz que se espalham de forma avulsa. x está em casa. que desta vez está cheia. 

20.7.21

  e x comprou livros novos:



19.7.21

 e x comprou livros novos:



15.7.21


Antony & The Johnsons - Fistful of Love

x sabe que já aqui partilhou este som demasiadas vezes. mas hoje, pela primeira vez (desde sempre), isto não fez doer. e x hoje dançou pela casa, entre arrepios pelo corpo, olhos em luz e cabeça nas nuvens. e fê-lo ao som disto. x está tão cheia por dentro que quase teme explodir num fogo de artifício colorido. 


9.7.21


Dead Can Dance - Sanvean

há muito tempo que x não se sentia assim - sintonizada. desta vez, a paz prelavece. e os arrepios de pele são acompanhados de olhos em brilho e sorrisos que que sabem a mar. 

anunciam-se coisas novas. e sopros de vida em forma de luz queimam a pele. pessoas de ontem que se revelam em nós. e toques subtis que transformam tudo em magia. 

x tem a casa de pantanas. 

porque na vida de x, o futuro anuncia-se sempre por mudanças repentinas. quase drásticas. disruptivas. 

mudem-se as cores. mudem-se os sítios. mude-se tudo. 

o amanhã vem ai. 

entretanto, x viaja numa nuvem. e paira sobre este som em forma de prece. 

30.6.21


Tindersticks - Let's Pretend

do retorno às profundezas. e de como encontramos a razão de ser lá no fundo.

em lisboa, algures em 2022. x vai.

29.6.21



Take me Home - Tom Waits & Crystal Gayle

a profunda vulnerabilidade da comunhão. as estrelas que crescem nos dedos e o resto que deixa de ser. 

27.6.21


DeVotchKa - How it Ends

porque o percurso é feito de ciclos permanentes de morte e renascimento. de dormência profunda e despertares repentinos. porque tudo faz sentido, mesmo quando é dificil encontrar explicações. porque a fatalidade e a esperança se misturam. porque somos assim. porque sabemos. 

26.6.21


Tindersticks - Tiny Tears

quando deixamos de correr - ou de estar em fuga - e, por fim, olhamos para o que resta em volta, percebemos que - apesar de termos avançado no caminho -, o que nos acompanha é o mesmo de ontem. 

e que o que ontem era verdade - apesar de por vezes não o compreendermos ou não o aceitarmos -, continua hoje a ser. 

há uma certa resignação ao perceber que por muito esforço que façamos, há coisas em nós que não estão na nossa disponibilidade mudar. porque o que é, é.

suponho que o segredo da felicidade está na aceitação. na compreensão derradeira do amor incondicional. e no reconhecimento de como este pode coexistir com outros sentires que não sendo menos importantes são  certamente mais condicionados e se esgotam quando cumprem o seu propósito.

e um dia arrumamos a armas. e passamos a emanar a luz que nos volta a mostrar o caminho de casa.  eventualmente lá chegaremos. até lá, vamos indo.