27.11.18


Birdy + Rhodes - Let it all go


26.11.18

x já não vai a cape town. nem a maputo. nem imaginam como x está feliz por não ter de ir a cape town ou a maputo este mês.

Sleeping at last - Light

das coisas bonitas que fazem x sentir-se bem. consigo e com o mundo.

22.10.18


Sleeping at Last - Saturn

quando x ouve isto - em loop - e sente o sorriso crescer e os olhos a aguar e os pés a querer despegar do chão, é porque está em casa. x iniciou uma viagem de regresso. a si.

M83 - Lower your eyelids to die with the sun


hoje, enquanto conduzia até ao escritório, x deu consigo a pensar que a sua vida tem tanto de plácida como de dramática. como isto.

16.10.18

e hoje foi o dia em que x foi abordada a ver se estava interessada em trabalhar num cargo público de destaque! que caralho...

3.10.18

acerca do (quase) burnout de x:

x abrandou. consciencializou-se que o corpo e a mente tem limites. e procurou ajuda especializada para prevenir ou evitar um chilique definitivo - a sério que houve um momento em que x sentiu claramente que estava a milimetros de um shutdown mental. x está melhor, muito melhor. x está convencida que assumir que não se está bem é meio caminho andado para a cura. continuemos.

19.9.18

BURNOUT

x está completamente exausta, física e mentalmente.
x sabe que precisa de fazer uma mudança radical. 
caso contrário vai pirar de vez.

28.8.18

x andou pelo Alentejo. descobriu Serpa e apaixonou-se por Serpa. x acha que é alentejana, apesar de ter nascido no coração do Minho.

9.7.18

x hoje faz anos. x está mais velha, mais cínica, mais opaca, mais oca, mais fria. x deixou há muito de confiar cegamente nas boas intenções de quem quer que seja. x percebeu tarde que o mundo é filho da puta, e que a grande maioria das pessoas que aqui andam não se movem a bondade. há muito tempo que roubaram parte da alma de x. x não a recuperou. e de dia para dia vai constatando que é uma palerma alegre movida a principios rígidos que  não viola por nada. às vezes isso traz beneficios. mas quase sempre só traz dissabores. x não se arrepende de ser assim. mas é muito mais difícil mantermo-nos em pé sendo como x é. x hoje faz anos. a idade não traz sabedoria nenhuma. traz apenas mais crivos. 

4.7.18

há muito tempo que x não fazia isto - parar o dia de trabalho para escrever.

x não tem escrito. porque não lhe apetece. porque tem pouco de novo a dizer. porque a sua vida corre numa tranquilidade quase aborrecida. porque não.

x percebeu há muito que só escreve em desespero. em aperto. em dor.

escrever é como chorar. mas sem lágrimas. embora, por vezes, as lágrimas acompanhem também a escrita.

mas hoje x cruzou-se com ontem.

e a náusea das palavras retidas avassalou x.

há gatilhos que deixam x em pranto por dentro. podem ser cheiros, palavras, imagens ou sons.

em regra são sons. ou palavras. quase sempre palavras ditas ou escritas há muito. quase sempre com raiva.

palavras que ainda hoje dizem coisas que doem.

há muito tempo que x não fazia isto - parar o dia de trabalho para escrever.

mas hoje, x cruzou-se com ontem. e acordou palavras por dentro que precisam de apanhar ar.


11.6.18

e ele chamou x. e x estendeu a mão. x não quer nada dele. mas x sabe que ele precisa de algo que x tem de sobra. esperança. resiliência. fé. e x dispôs-se a dar-lhe isso numa bandeja. sem pedir nada em troca.

6.6.18

nos últimos dias, x tem acordado com um fantasma em cima da cabeça. 

x já não lhe vê a cara, nem as formas. 

mas reconhece em tudo a sua presença. 

e, sobretudo, conhece muito bem o espaço oco e escuro que se gera entre o conforto de estar perante um semelhante e a asfixia que esse semelhante lhe causa. 

sim, x tem acordado com um fantasma em cima da cabeça.

e o asco e, sobretudo, o ódio que atravessa o tempo, são os mesmos de ontem.

x teme que o amanhã não seja diferente. 

porque há almas que se recusam a fazer tréguas. 

como se o conflito permanente fosse a sua razão de ser. e, sobretudo, de estar. 

porque a derradeira paz dá medo. 

e porque, se calhar, até as almas são covardes.

16.5.18


Jóhann Jóhannsson - Flight from the city

coisas bonitas.

19.4.18

2.16h da manhã. x chega a casa depois de um dia intenso que terminou num jantar de trabalho cheio de risos. x recuperou as ganas e a certeza que está no sítio certo.

17.4.18

hoje foi o dia em que x falou, a sala calou-se, o chefe mor suspirou de alívio e o chefe mor mor curvou-se perante x. hoje foi um dia bom. e foi o dia em que x percebeu que o seu amanhã está delineado há muito. comecou no dia em que x se dispôs a arriscar a vida. no mesmo dia em que x enterrou tudo o que tinha como certo e descobriu um enorme abismo de possibilidades. hoje foi o dia em que x percebeu que o seu futuro não é nada do que tinha antecipado. mas que passa por algo infinitamente maior. x pasma-se. mas, apesar de tudo, tenta seguir com os pés assentes no chão. x não se deslumbra mas, vendo bem, tem muitas razões para estar profundamente orgulhosa de si.

16.4.18


Epic Soul Factory - Everdream

e porque a música é o sítio onde reencontra a paz, x está desde cedo dentro deste som. 

o coração acalma. e o corpo transforma-se em milhares de arrepios prolongados.

depois, quando sente o sorriso nascer e os olhos explodir de brilho, x sabe que tudo está a ficar bem.
nas últimas horas, x foi embrulhada numa névoa que há muito já não sentia.

não é sensação nova mas causa sempre ambivalência e confusão.

é como quando temos a cabeça debaixo de água.

a sensação é de profunda liberdade, comunhão e conforto.

mas intuitivamente sabemos que temos de sair dali rapidamente sob pena de nos afogarmos.

a névoa que envolve x é como um gigantesco mar.

15.4.18


Sleeping At Last - Light

x está num momento da vida bonito. 

como se todo o percurso anterior tivesse por fim fazer com que x chegasse a este exacto sítio.

e isso é bom.

14.4.18


Ólafur Arnalds - Only the winds

x em criança era assim. vivia absorta, num mundo que não partilhava com quase ninguém. x em adulta ainda é assim. vive absorta num mundo que continua a partilhar com muito poucos.

Sigur Rós - Starálfur

o sinal estava vermelho. o trânsito estava compacto. por minutos perdi-me no silêncio e nas gentes que desciam a rua a passo lento. no meio de corpos avulsos, vi-te. davas a mão a uma criança mais ou menos da idade daquela que um dia planeamos em silêncio mas que nunca tornamos real. ias estranhamente devagar. como se a vida te pesasse. não te vi os olhos, nem os traços que cantam a alma. seguia-te nas costas como que pronta a  amparar-te a queda. ias de asas fechadas e de cabeça vergada ao chão.  depois desapareceste no escuro. então o sinal abriu. o trânsito desfez-se. e eu segui, como que obrigada pela pressa dos demais. segui. contrariada. e à procura do resto da tua imagem sem, contudo, saber se havias estado realmente ali. 

os nossos reencontros serão sempre assim - entre o real e o imaginário. 

28.3.18

aquele momento em que, passados mais de 20 anos, percebes que o teu mega crush platónico do final da adolescência é, na verdade, um sujeito completamente desinteressante.

19.3.18

x não sabe se é da idade. ou se simplesmente a vida ocorre por fases que se antagonizam a si próprias. mas, depois de um período difícil de desapego, x chegou a um momento na vida em que realiza que a razão do seu tormento durante a última década morreu. assim, plim. o que quase tirou a sanidade a x, não a não afecta mais. de maneira absolutamente nenhuma.

15.3.18

x começou a trabalhar com uma república islâmica que tem uma língua que x não domina. x tem andado numa roda viva por causa disso e daí a ausência mais prolongada do que o costume.

16.2.18

por estes dias o queres antes apreender a voar? faz 11 anos. quem diria que aguentaríamos isto tanto tempo?