Birdy + Rhodes - Let it all go
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
27.11.18
26.11.18
22.10.18
16.10.18
3.10.18
acerca do (quase) burnout de x:
x abrandou. consciencializou-se que o corpo e a mente tem limites. e procurou ajuda especializada para prevenir ou evitar um chilique definitivo - a sério que houve um momento em que x sentiu claramente que estava a milimetros de um shutdown mental. x está melhor, muito melhor. x está convencida que assumir que não se está bem é meio caminho andado para a cura. continuemos.
19.9.18
28.8.18
9.7.18
x hoje faz anos. x está mais velha, mais cínica, mais opaca, mais oca, mais fria. x deixou há muito de confiar cegamente nas boas intenções de quem quer que seja. x percebeu tarde que o mundo é filho da puta, e que a grande maioria das pessoas que aqui andam não se movem a bondade. há muito tempo que roubaram parte da alma de x. x não a recuperou. e de dia para dia vai constatando que é uma palerma alegre movida a principios rígidos que não viola por nada. às vezes isso traz beneficios. mas quase sempre só traz dissabores. x não se arrepende de ser assim. mas é muito mais difícil mantermo-nos em pé sendo como x é. x hoje faz anos. a idade não traz sabedoria nenhuma. traz apenas mais crivos.
4.7.18
há muito tempo que x não fazia isto - parar o dia de trabalho para escrever.
x não tem escrito. porque não lhe apetece. porque tem pouco de novo a dizer. porque a sua vida corre numa tranquilidade quase aborrecida. porque não.
x percebeu há muito que só escreve em desespero. em aperto. em dor.
escrever é como chorar. mas sem lágrimas. embora, por vezes, as lágrimas acompanhem também a escrita.
mas hoje x cruzou-se com ontem.
e a náusea das palavras retidas avassalou x.
há gatilhos que deixam x em pranto por dentro. podem ser cheiros, palavras, imagens ou sons.
em regra são sons. ou palavras. quase sempre palavras ditas ou escritas há muito. quase sempre com raiva.
palavras que ainda hoje dizem coisas que doem.
há muito tempo que x não fazia isto - parar o dia de trabalho para escrever.
mas hoje, x cruzou-se com ontem. e acordou palavras por dentro que precisam de apanhar ar.
x não tem escrito. porque não lhe apetece. porque tem pouco de novo a dizer. porque a sua vida corre numa tranquilidade quase aborrecida. porque não.
x percebeu há muito que só escreve em desespero. em aperto. em dor.
escrever é como chorar. mas sem lágrimas. embora, por vezes, as lágrimas acompanhem também a escrita.
mas hoje x cruzou-se com ontem.
e a náusea das palavras retidas avassalou x.
há gatilhos que deixam x em pranto por dentro. podem ser cheiros, palavras, imagens ou sons.
em regra são sons. ou palavras. quase sempre palavras ditas ou escritas há muito. quase sempre com raiva.
palavras que ainda hoje dizem coisas que doem.
há muito tempo que x não fazia isto - parar o dia de trabalho para escrever.
mas hoje, x cruzou-se com ontem. e acordou palavras por dentro que precisam de apanhar ar.
11.6.18
e ele chamou x. e x estendeu a mão. x não quer nada dele. mas x sabe que ele precisa de algo que x tem de sobra. esperança. resiliência. fé. e x dispôs-se a dar-lhe isso numa bandeja. sem pedir nada em troca.
6.6.18
nos últimos dias, x tem acordado com um fantasma em cima da cabeça.
x já não lhe vê a cara, nem as formas.
mas reconhece em tudo a sua presença.
e, sobretudo, conhece muito bem o espaço oco e escuro que se gera entre o conforto de estar perante um semelhante e a asfixia que esse semelhante lhe causa.
sim, x tem acordado com um fantasma em cima da cabeça.
e o asco e, sobretudo, o ódio que atravessa o tempo, são os mesmos de ontem.
x teme que o amanhã não seja diferente.
porque há almas que se recusam a fazer tréguas.
como se o conflito permanente fosse a sua razão de ser. e, sobretudo, de estar.
porque a derradeira paz dá medo.
e porque, se calhar, até as almas são covardes.
16.5.18
19.4.18
17.4.18
hoje foi o dia em que x falou, a sala calou-se, o chefe mor suspirou de alívio e o chefe mor mor curvou-se perante x. hoje foi um dia bom. e foi o dia em que x percebeu que o seu amanhã está delineado há muito. comecou no dia em que x se dispôs a arriscar a vida. no mesmo dia em que x enterrou tudo o que tinha como certo e descobriu um enorme abismo de possibilidades. hoje foi o dia em que x percebeu que o seu futuro não é nada do que tinha antecipado. mas que passa por algo infinitamente maior. x pasma-se. mas, apesar de tudo, tenta seguir com os pés assentes no chão. x não se deslumbra mas, vendo bem, tem muitas razões para estar profundamente orgulhosa de si.
16.4.18
nas últimas horas, x foi embrulhada numa névoa que há muito já não sentia.
não é sensação nova mas causa sempre ambivalência e confusão.
é como quando temos a cabeça debaixo de água.
a sensação é de profunda liberdade, comunhão e conforto.
mas intuitivamente sabemos que temos de sair dali rapidamente sob pena de nos afogarmos.
a névoa que envolve x é como um gigantesco mar.
não é sensação nova mas causa sempre ambivalência e confusão.
é como quando temos a cabeça debaixo de água.
a sensação é de profunda liberdade, comunhão e conforto.
mas intuitivamente sabemos que temos de sair dali rapidamente sob pena de nos afogarmos.
a névoa que envolve x é como um gigantesco mar.
15.4.18
14.4.18
Sigur Rós - Starálfur
o sinal estava vermelho. o trânsito estava compacto. por minutos perdi-me no silêncio e nas gentes que desciam a rua a passo lento. no meio de corpos avulsos, vi-te. davas a mão a uma criança mais ou menos da idade daquela que um dia planeamos em silêncio mas que nunca tornamos real. ias estranhamente devagar. como se a vida te pesasse. não te vi os olhos, nem os traços que cantam a alma. seguia-te nas costas como que pronta a amparar-te a queda. ias de asas fechadas e de cabeça vergada ao chão. depois desapareceste no escuro. então o sinal abriu. o trânsito desfez-se. e eu segui, como que obrigada pela pressa dos demais. segui. contrariada. e à procura do resto da tua imagem sem, contudo, saber se havias estado realmente ali.
os nossos reencontros serão sempre assim - entre o real e o imaginário.
28.3.18
19.3.18
x não sabe se é da idade. ou se simplesmente a vida ocorre por fases que se antagonizam a si próprias. mas, depois de um período difícil de desapego, x chegou a um momento na vida em que realiza que a razão do seu tormento durante a última década morreu. assim, plim. o que quase tirou a sanidade a x, não a não afecta mais. de maneira absolutamente nenhuma.
15.3.18
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