sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Há uns tempos tinha uma espécie de ritual de apontar tudo o que desejava neste blog. Esse hábito foi-se perdendo, porque durante muito tempo não quiz mais nada senão paz. Agora quero. Quero muito. Quero tudo. E quero com muito querer. Por isso vou deixar aqui os meus desejos para breve:

- comprar a minha casa linda, perfeita, a minha casa;
- recolher as minhas coisas que ainda andam espalhadas;
- voltar a abrir alguns dos meus livros;
- comprar uma tele-objectiva;
- dedicar-me à fotografia a sério;
- comprar um cavalete para desenhar;
- investir em arte;
- ler, ler muito, ler sempre;
- escrever, escrever, escrever.


Morremo-nos meu amor. Morremo-nos. E depois o mundo continuou a ser. Deixa-te dormir que o dia amanhã não vem.

"... o que duas pessoas poderiam dar e conceder uma à outra na sua confiança mútua permanece para todo o tempo um segredo da sua sempre indescritível intimidade."

Reiner Maria Rilke

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Como esperado desde Maio do ano passado, finalmente fui ver o Antichrist mal o filme estreou em Portugal. Cumpriram-se as minhas piores previsões - saí de lá com vontade de mandar o Lars von Trier à merda! Não porque ache o filme chocante, arrepiante, perturbador, repugnante, assustador... antes por me ter causado um tédio de morte! Tinha quase tudo para ser brilhante. Mas, fora duas ou três cenas interessantes, dois ou três planos quase perfeitos e o Lachia ch'io pianga do Handel... não passa de um filme muito aborrecido em que uma gaja corta o clitóris com uma tesoura.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Este blog tem quase três anos. Começou numa fase de mudança radical da minha vida, como forma de me manter em contacto com o mundo que conhecia quando estava a viver num outro demasiado distante. Acompanhou-me durante todo esse tempo de transição e, a seguir, tornou-se num espaço de descarga de emoções que me assaltaram de rompante. É muito difícil quando deixamos de saber onde estamos e passamos a viver num mundo de luz de olhos vendados. Na altura, os meus pés descolaram-se do chão, e a experiência de voar sem asas era-me estranha. Tive experiência complexas nesses tempos. Experiências que me mostraram quem era por dentro e que se manifestaram por fora. Tudo isso foi um choque para mim. E uma surpresa agradável também. Ás vezes, porém, foi extraordinariamente difícil conjugar os vários mundos onde me movia. E foi, especialmente, difícil mostrar às pessoas que me conheciam que já não era a mesma, sem, todavia, me ter tornado uma pessoa diferente. Sei que, muitas vezes, demasiadas vezes, fui incompreendida, julgada, acossada. Mas nunca desisti da minha verdade. E de ser quem me tornei – eu. Eu como sempre fui, sem saber que o era. Por fim, chegou o tempo de paz. Comigo. Com os outros. E com tudo o que me fez doer a alma durante muitas luas. Pelo caminho tive de me desfazer de muitas coisas. Materiais. Pessoais. Afectivas. Espirituais. Físicas. Tudo o que foi, passou. E hoje o mundo é diferente. Mais bonito. Mas, por enquanto, mais vazio também. Por isso mais leve, mais fluído, mais amplo.

De qualquer forma, o que me fez escrever isto hoje, foi o facto de um dos blogs que acompanho diariamente ter-se tornado fechado. Por ter sido invadido no seu âmago. É sempre difícil deixar de confiar. É sempre ingrato esperar dos outros aquilo que exigimos de nós próprios. Mas é, também, sempre uma grande aprendizagem dar de caras com o mundo. E ver que, às vezes, temos de ser um pouco mais egoístas, um pouco menos crédulos, um pouco mais humanos – no sentido de perceber que o mundo das pessoas está longe de ser perfeito. Pelo contrário, é até bastante desconcertado, ininteligível, por vezes até, inaceitável. E é, também, difícil ver que não podemos trair os nossos valores, sob pena de nos sentirmos trair a nós próprios. Porque é isso que nos define. E quando fazemos de conta que tudo o que nos é estranho é normal, deixamos de ser de verdade. E é disso que o mundo precisa – pessoas de verdade, que sejam de verdade, que sintam de verdade, que amem de verdade e que, sobretudo, sejam verdadeiras consigo e com os outros. Só assim, o respeito é possível. E só havendo respeito poderá haver tudo o resto que define a liberdade. E isso sim é para mim fundamental – a minha liberdade e a liberdade dos outros. Porque é nessa liberdade que o amor incondicional e intemporal pode existir. E isso é a essência da vida. Sem ele somos apenas bichos. Pena é haver, ainda, tantos.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010


Let me weep over my cruel fate
And that I long for freedom!
And that I long, and that I long for freedom!
Let me weep over my cruel fate
And that I long for freedom!

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010


Chamavam-se Parachutes. São Islandeses e já não existem como banda. Mas na página do myspace pode-se fazer o donwload gratuito de toda a música que fizeram. Vale a pena.
E, amontoados ao lado da cama, eles vão crescendo:

33. Niketche - Paulina Chiziane
34. O Sétimo juramento - Paulina Chiziane
35. História Geral dos Piratas - Capitão Jonhson
36. Gente independente - Halldór Laxness
37. Em busca de um Mundo melhor - Karl Popper
38. Viagem à Felicidade - Eduardo Punset
39. Os milagres do Anticristo - Selma Lagerlof
40. Henderson, O Rei da chuva - Saul Bellow

Isto para dizer que a Fnac do Colombo me dá cabo das finanças...

sábado, 9 de Janeiro de 2010



"Atravessamos tudo como a linha atravessa um tecido: formando imagens e não sabemos quais."

Reiner Maria Rilke

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010



Riceboys Sleeps

Gosto que me façam sonhar. Por isso me correm no sangue. Por isso oiço antes de adormecer. Por isso voo a seguir. Por isso e por tantas outras coisas a vida é.


Onde fica esse outro mundo que escondes?

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010



"And your very flesh shall be a great poem."

Walt Whitman

domingo, 3 de Janeiro de 2010

A minha passagem de ano foi enfiada num pijama polar, enrolada num cobertor, a comer os restos que havia por casa, a tomar xarope, a tossir que nem um turbeculoso e com a sensação que me saiam os pulmões às postas pela boca. Por isso, festejarei o ano novo chinês ou assim...

sábado, 2 de Janeiro de 2010

"Quando uma pessoa abandona a si mesma, ela não é mais nada; quando duas pessoas desistem de si mesmas para ir uma ao encontro da outra, todo o chão sob elas desaparece e o seu estar-juntas é uma queda incessante."

Rainer Maria Rilke
De 2010 espero muita coisa. Mas esta já é certa: de 23 Julho a 14 de Agosto andarei por aqui. Antes disso talvez passe por aqui. E, nos entretantos, talvez volte a Moçambique. A maior parte do tempo, contudo, andarei por Lisboa a fazer uma série de coisas: trabalhar, pintar, desenhar, ler, escrever, fotografar e amar com todas as forças vindas de dentro. Sejam felizes. Todos os dias, mesmo nos cinzentos.

Duas pessoas com o mesmo grau de paz não precisam de falar da melodia que define as suas horas. Essa melodia é o que elas têm de comum entre si e por si. Existe entre elas algo como um altar ardente, e elas aproximam-se da chama sagrada respeitosamente com a suas raras sílabas.

Reiner Maria Rilke

terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

A propósito de algumas conversas e de alguns comentários e mensagens que me vão deixando por aqui, apercebi-me que desta vez não fiz qualquer referência à minha última passagem por África. Não o fiz, porque não sabia como o fazer. Foi em Outubro que voltei a pisar aquele chão que, um dia, me devolveu a vontade de ser. Como quem me vai acompanhando por aqui tão bem sabe, vivi e trabalhei cerca de um ano em Moçambique. Foi uma experiência muito desejada e que apareceu assim não sei muito bem de onde, nem porquê. No momento em que me caiu essa oportunidade no colo, nada fazia prever o rombo que a minha vida pessoal e profissional havia de levar. Foi um ano pleno de experiências, trambolhões e transformações que me deram uma nova capacidade de respirar e olhar o mundo. Aprendi a amar África. Reconheci-a dentro de mim. E tudo à volta ficou diferente. É, de facto, uma experiência indescritível viver, sentir e tocar África. Não me vou alongar muito a descrevê-la, pois é o que venho a fazer desde há bastante tempo. A verdade é que quando em Outubro voltei a Moçambique, cerca de dois anos depois de ter apanhado o avião de volta, ia com um certo receio do que ia encontrar. Lembro-me da primeira vez que senti o ar quente de Fevereiro a bater-me na cara e, sem olhar para trás, desci as escadas do avião enquanto pensava que nada ia ser igual. E que todo o meu mundo se tinha virado de pernas para o ar. Nessa altura, ia com medo de perder o conhecido, mas confiante e desejosa de explorar o que me era tão estranho e distante. Desta vez, ia com medo ao contrário. Medo de me decepcionar. Medo de sentir que o tempo que ali vivi não foi mais do que uma ilusão. Medo de olhar para trás e arrepender-me do passado. Nada disso aconteceu. Ao invés, ao pisar de novo o chão do aeroporto de Maputo, senti que voltava a casa e tudo me era extraordinariamente familiar. Ao percorrer, a pé ou de carro, as ruas cortadas a direito, ao reencontrar as pessoas e os sítios onde perdi o resto que me pertenceu um dia, ao sentir os cheiros, ao ver as cores, o mar, as flores e os sorrisos, voltei a perceber como fui feliz ali. Como me mudou por dentro e por fora. E como foram reveladores esses tempos. Voltei a passar a fronteira de Ressano Garcia, voltei à África do Sul e, desta vez, visitei o Krueger Park, voltei à Inhaca e à Praia de Santa Maria, voltei a rir com as pessoas com quem me cruzava e, por alguma razão, falava. Falei muito. Com os taxistas, os vendedores, os empregados dos cafés, as pessoas que faziam a ligação de barco entre o continente e as ilhas, os pescadores, os miúdos. Falei muito e com muita vontade de falar e de me rir com eles, a propósito das eleições que corriam na altura, a propósito do tempo, do calor e da chuva, do mar, do céu, da vida e da morte, de tudo e de nada. Fui, pela primeira vez, a Vilankulos, Magaruque. Benguerra, e Bazaruto. Vi golfinhos a nadar ao pé de mim, andei em barcos minúsculos no Índico azul turquesa, por vezes revolto, e em alguns momentos quase ameaçador. Houve momentos em que rezei e pedi a deus nosso senhor para que o barco não virasse senão ficava mesmo ali! Sobrevoei parte do país em aviõezinhos pequeninos que faziam uma grande barulheira e tremiam por todo o lado. Vi elefantes, leopardos, leões, girafas, gnus, zebras, rinocerontes, hipopótamos e uma série de outros bichos selvagens de beleza impar a viver em paz e liberdade no seu habitat. Comi o melhor caril de lulas do mundo preparado pelos nossos barqueiros em fogueiras improvisadas no areal de praias desertas. Nadei nas águas quentes e calmas que banham aquela terra onde o sol nasce ao contrário. Vi, mais uma vez, que África é parte do meu coração. E que, Moçambique em especial, moldou a minha alma e ensinou-me que a vida é bonita e que vale a pena todos os esforços para a viver ao máximo. Sem concessões, sem limites, sem filtros. Com o coração cheio e com os braços abertos em jeito de abraço ao infinito.
Confesso que tenho saudades. Saudades de escrever por necessidade. Mas agora o tempo mudou. E tenho-me dedicado a outras coisas. Tenho pena que o meu dia não chegue para tudo o que gostaria de fazer: dedicar-me à fotografia a sério, desenhar, escrever, ler, pensar. Sobretudo pensar. Acho que a minha cabeça entrou numa espécie de pousio para se regenerar. Estava em ponto de explosão. Agora está mais calma, mas com mais ânsias também. Sobretudo ânsias de conhecimento. De saberes novos. De novas ilusões e ideias. De novos sentires e quereres. De novas paixões que fazem o corpo brotar de vida. Tenho vindo a descobrir várias. Ultimamente tem sido a ciência e a filosofia. No natal mimei-me e ofereci-me uma série de coisas com a mesma excitação de uma criança ao receber um brinquedo novo. Neste momento tenho ao pé da cama (quem me conhece sabe que os tenho sempre, mas sempre, amontoados ao pé da cama...) vários livros que chamaram por mim:

1. Toda a História do Mundo - Jean Claude Barreau/Guillaume Bigot
2. A Filosofia do Século XX - Fritz Heinemann
3. Da Solidão e da Doença, Sobre a Morte e Sobre a Vida - Reiner Maria Rilke
4. Da Natureza, da Arte e Da Linguagem - Reiner Maria Rilke
5. Do Amor, Da Fé, Da Bondade e Da Moral - Reiner Maria Rilke
6. 2666 - Roberto Bolaño (este suspeito que talvez seja o maior bluff literário do século, mas pronto, pode ser só o meu mau feitio...)
7. A Física da Imortalidade - Frank Tipler
8. Frente a Frente com a Vida, a Mente e o Universo - Eduardo Punset
9. Eco Inteligência - Daniel Coleman
10. Cosmos - Carl Sagan
11. O Tigre Branco - Aravid Adiga
12. Os Senhores do Tempo - Tim Flannery
13. Ambiente uma Questão de Ética - Maria José Varandas
14. Tristessa - Jack Kerouac (outra bela treta!)
15. Cronicando - Mia Couto
16. O Fio das Missangas - Mia Couto
17. O Planalto e a Estepe - Pepetela
18. A vida em surdina - David Lodge
19. O Fim do Petróleo - James Howard Kunstler
20. The Second Sex - Simone de Beauvoir
21. Canto de mim mesmo - Walt Whitman
22. Kafka à beira-mar - Haruki Murakami
23. Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? -António Lobo Antunes
24. A Montanha Mágica - Thomas Mann
25. On Revolution - Hannah Arendt
26. Raça e História - Claude Levi-Strauss
27. A Primeira Aldeia Global - Martin Page
28. O Tao da Física - Fritjof Capra
29. Theory of Colours - Goethe
30. Kama Sutra - Vatsyayana
31. A Origem da Tragédia - Nietszche
32. Quantum - Manjit Kumar

E isto é só os que estão ao pé da cama... por isso, é provável que esteja bastante ocupada nos próximos tempos. Pelo meio, tento organizar a minha viagem à Índia que será daqui a uns meses. Mais uma aventura, desta vez a quatro... o mundo continua a girar, a girar, a girar... e eu estou feliz. Feliz como há muito não me sentia. Com os olhos de brilho de quem nasceu de novo e vê o mundo pela primeira vez. Voltarei aqui. Todos os dias. Só não prometo continuar a escrever a olhar para os pés. Agora olho mais para o alto.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Talvez isto me saia em jeito de confissão. Ou como forma de extravasar uma espécie de angústia que, desde há muito, me anda colada, ainda que por vezes se disfarce de raios de sol. Por razões relacionadas com trabalho, andei parte da tarde a vasculhar os arquivos no meu email pessoal, à procura de uns relatórios que tinha feito há uns tempos. Para minha surpresa, vim a encontrar um ficheiro que continha exactamente 119 mensagens guardadas que eu há muito pensava ter apagado definitivamente. Abri algumas. Li-as. E recordei-me de momentos e sensações que me perseguiram durante tempos infinitos, mas, ao contrário de antes, já não me causaram a agonia que quase me levou à loucura. Mas uma pergunta é persistente, e para ela talvez nunca venha a ter a resposta: porque é que a proximidade entre almas provoca uma asfixia tal, que preferimos amputar parte de nós com uma violência indomável que não deixa sequer espaço para ver que do outro lado do espelho os traços são iguais aos nossos? Ou, de outra perspectiva, porque é que quando o vácuo desaparece as almas se fundem de novo e o resto parece ser demasiado insignificante perante o poder supremo do O?
Resta-me dizer que desta vez não vou voltar a apagar tais mensagens. Talvez um dia escreva um livro a partir delas.
Hoje sai para o trabalho às 9.30. Cheguei a casa à meia noite. Almocei uma sopa e um queijo fresco à pressa. Amanhã tenho de estar no escritório antes das 8. A minha vida tem sido assim. Daí a ausência. A parte boa é que a minha cabeça começa a estar em forma. E os pés começam a pousar. Lentamente.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Tentei procurar as palavras perfeitas. Por fim, percebi que não existem. Ou não chegam. Suponho que podemos ter dois corações. Ou partir o que temos a meio. O meu está separado por um continente inteiro e toca em dois mares distintos. Nunca poderei escolher entre o norte e o sul. Andarei sempre algures pelo meio. Dividida entre dois amores. Amá-los-ei à vez.

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009



E porque temos, ainda, vontade de sentir o caos? E porque não implodimos em silêncio? Sem espalhafato. Sem dor. E sem querer voltar a sentir o cheiro de casa. E o amor? Porque não nos bastou? Morramo-nos. Enfim.

domingo, 13 de Setembro de 2009

O meu cabeleireiro é o melhor do mundo.

sábado, 12 de Setembro de 2009

É curioso como nos vamos apercebendo que há partes que fazem mais parte do que outras que, não fazendo tão parte, fazem mais falta do que alguma vez poderíamos imaginar. Ainda assim, é curioso, também, perceber que os silêncios nos vão fazendo ver o esforço que fazemos todos para esquecer as partes que, fazendo menos parte, nos são tão por dentro que é mais fácil fazer de conta que não nos lembramos delas. Mas o silêncio não apaga, só atenua. O brilho das estrelas não faz barulho. Só brilha. O resto é assim também mas, às vezes, a vida ofusca-nos. E depois, passa a ser tarde de mais.

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Setembro sabe-me sempre a fim de festa. Este é o mês que casa perfeitamente com inspectores das finanças, ajudantes de missa, e cobradores da emel. Nem sequer consigo dizer com convicção que Setembro é aborrecido. É assim mais como um encosto. Mas este Setembro deve ter um plutão desvairado às voltas por cima da cabeça. Este Setembro vai ser do demo. Digo eu.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

O meu medo é que o mundo caia no momento em que abrir a boca para dizer sim.

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009



"you
get me
closer to god"

Nine Inch Nails - Closer

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Algures no meio do Alentejo, o tempo parou. Invadiram-me estes sons. Estas palavras. A estrada, em forma de túnel verde de vida, pareceu-me infinita. Imenso. Longo. Lento. Foi assim. Um momento que me pareceu interminável e fora do tempo. Não sei se vou conseguir viver sem. Mas começa aquele aperto da véspera. Sim, vivo várias vidas num dia. E morro sempre um bocadinho mais em cada sopro. Pelo meio, vou. Quase sempre, com medo e numa revoada por dentro. Falta-me cola nos pés. Ou um motivo para não ir. Mas a minha razão é além. E está na hora de acordar deste sono denso. Acaba-se mais uma volta. Com um certo amargo de boca, mas, por dentro, com um bocadinho mais de espaço. Aprendi a ouvir o silêncio. A tocar nas estrelas. E que, paradoxalmente, o sentir nos torna gigantes e nos revela a nossa insignificância dentro do todo.

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009



Férias.

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Aparentemente, morreu. E levou consigo todos os ontens. Tudo deixou de ser. E, morreu. Sem deixar restos. Rejubilemos, portanto. Amen.

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

"We shall not cease from exploration
and the end of all our exploring
will be to arrive where we started
and know the place for first time."

TS Elliot

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Suponho que acabei de ter uma espécie qualquer de epifania.
Vejamos:
(i) entrei para a faculdade há 16 anos;
(ii) acabei o curso há 10;
(iii) contanto com o período de estágio, tenho 9 anos de profissão;
(iv) dou pareceres a mega-empresas que vão definir, em parte, estratégias a seguir em projectos de investimento de biliões;
(v) pago 34% de IRS.
E o que é que isto quer dizer?
Que cresci sem dar por ela. Que estou a ficar velha. E que, se calhar, tenho de deixar de ser uma pateta alegre.

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Onde queria encontrar cinzas e leves lembranças de dias de muito longe, vejo antes ânsias de mais. Estranha esta sensação de viver no ontem em uma dimensão qualquer do agora. Estranho como os nossos corpos vivem a vários tempos. Não morremos. Vivemos antes num sítio só nosso. Eu sei como voltar a casa. Talvez por isso não queira dormir. Ás vezes, apetece-me fazer a viagem só de ida. Ir. E ficar. Mas o limbo onde fomos não pode voltar a ser. Talvez por isso os olhos só se fechem quando abertos já não se conseguem manter. No limite. Até à exaustão que mais não deixa do que espaço para não voltar atrás.

domingo, 5 de Julho de 2009



take me home
you silly girl
put your arms around me
take me home
you silly girl
all the world's not round without you

I'm so sorry that I broke your heart
please don't leave my side
take me home
you silly girl
cause I'm still in love you

Tom Waits - Take me home

terça-feira, 30 de Junho de 2009

"I have loved to the point of madness; that which is called madness, that which to me, is the only sensible way to love"

Françoise Sagan

domingo, 28 de Junho de 2009

"The question is: How far down the rabbit hole do you wanna go?"

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

E rebenta o caos como que a dizer "lembra-te, lembra-te, lembra-te". Torna-nos o corpo de sol e a rebolar de espasmos ao longo. Há um vértice do tempo onde as almas se juntam. E agora? Podemos ficar assim? Para sempre? Dorme, dorme, dorme. O mundo do outro lado é assim!
They said it couldn´t be done. They said it was ilegal. But we´re gonna do it anyway...

We are the lucky ones!!!

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Suponho que ainda estou a digerir o meu sábado passado. Suponho que estou a entrar numa espécie de ressaca. Já me é familiar ela. É a ressaca do início do resto. Sei que a muitos poderá parecer estranho, mas a causa foi estar 1 hora e qualquer coisa a ouvir esta senhora. Foi como fazer um flashback. Resumiu tudo o que nunca consegui explicar de uma forma tão clara, lúcida, calma e verdadeira que me pareceu estar a ouvir a minha cabeça. Não sei se o livro é bom ou não. Mas sei que em palavras ela resumiu os tempos para-esquizofrénicos que vivi. Sim, posso confirmar: a alteração da frequência energética expõe-nos aos elementos, torna-nos hiper-sensiveis, desmonta o escuro e obriga-nos a ver coisas más, transforma a nossa vida num caos alucinado, e depois, ficamos transparentes. Eu vou a meio do caminho.
Assim só em modo de desabafo, sinceramente, um dia gostava de perceber as espirais da nossa cabeça.

domingo, 31 de Maio de 2009

Cruzei-me com ela há uns anos. Num Pedro e Inês arrebatado que me deixou a explodir de coisas e de olhos banhados. Voltei a cruzar-me com ela numa Isolda de vermelhos aveludados e sons apertados e doídos. Encontrei-lhe as palavras. Descobri porque o trabalho dela me deixa tão assolampada. Temos o mesmo fascínio pelo vermelho-paixão-vida-e-morte. Temos os mesmos sentimentos rococós, a mesma arrogância da emoção de lá, e a mesma visão desmultiplicada do ser que todos somos. Suponho que não será uma pessoa fácil. Para pessoas assim tudo tem de ser muito. Ou então, completamente vazio. Para ela. Como para mim. Chama-se Olga Roriz e é brilhante.

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

quarta-feira, 27 de Maio de 2009



Porque temos tendência para espreitar o mundo de entre grades?

terça-feira, 26 de Maio de 2009

"Já nada me preocupa. Levanta-te
para me servires vinho! A tua boca
esta noite, é a rosa mais formosa do
mundo... Serve o vinho! Que seja
rubro como as tuas faces e torne
leves os meus remorsos como leves
são os teus risos!"

Rubaiyat - Omar Khayyam

segunda-feira, 25 de Maio de 2009



Mono - Follow the Map
Hoje, agora, o que queria mesmo era encontrar uma só palavra onde coubessem as minhas últimas 60 horas de vida.

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Não tenho a certeza se gosto do Lars Von Trier ou não. Acho que gosto. Por vezes, acho que muito. Quase tanto como, às vezes, odeio. Não vou falar de cinema. Vou antes falar de um género de manifestação sobre o estado das coisas. Li hoje no Expresso (que um dia foi um jornal de referência mas agora é uma espécie de pasquim de vão de escada) que ontem o "Antichrist" (último delírio esquizofrénico de Lars Von Trier) foi vaiado pela plateia e ridicularizado pela imprensa em Cannes. Acredito que sim. Vou ver o filme na mesma. Acho que é bem provável que saia de lá com vontade de mandar o senhor à merda. Ou talvez não. Na verdade, espero que não. Espero que no meio da estúpida insanidade, quase risivel talvez, eu encontre algumas semelhanças na forma como eu hoje vejo a realidade. Que é bem mais estranha que qualquer ficção. Lars Von Trier tem uma capacidade inexplicável de ir ao fundo da mente humana. Ao sítio onde o impossível está escondido. E de retirar de lá o que quase todos fingem não existir. Lars Von Trier talvez seja um caso de psiquiatria, mas eu pergunto: quem não é? E nestes tempos esquesitos pergunto mais: não será hora de cada um de nós olhar bem lá para dentro e enfrentar as suas caras feias escondidas? Quanto ao filme, talvez seja de facto uma monstruosidade, mas acreditem que todos nós temos demasiados monstros guardados. E só deixando-os sair, ainda que nos tomem conta por um bocadinho, podemos de verdade ascender a mais um bocadinho de céu. Mesmo que o resto dos outros não compreendam nada e nos apartem e apontem do alto dos seus tronos de papel vegetal. Começo a acreditar que quando o infinito nos esquarteja, algo de maior se prepara para nos preencher as partes arrancadas. E começo a ter a certeza que a nossa bestialidade sangrenta, de urros e violações da carne, por vezes, é a nossa maior prova de amor. Brutal, sim. Violenta, sim. Arrasadora, sim. Descabelada, desrregrada, instintiva, sem razão e sem horas, isso tudo também. Mas que faz sentir de verdade até lá ao fundo do todo. Que nos faz perder raízes, e razões, limites e normas. Que nos ensina a amar sem condições e sem tempo. No dia em que aceitarmos participar na loucura da orgia da vida, curiosamente, estaremos a dar os primeiros passos em direcção ao futuro. Mas, se calhar, eu também não bato lá muito bem! E tu?
Quando tenho dúvidas oiço isto. E choro e rio ao mesmo tempo. E fico com a certeza absoluta que é isto que quero mostrar aos meus filhos. Isto e sol e riso. Sem nada mas com tudo. E quero vê-los crescer descalços queimados do sol a dançar a cantar a subir às árvores e a brincar com bichos impossíveis e com flores de cores que não existem em mais lado nenhum. Num mundo onde não nos esquecemos de ser felizes, onde a vida tem formas simples e suaves com interlúdios de êxtase só por conseguirmos respirar e ver as nuvens e o horizonte que não termina. Num mundo onde a vida não acaba, mas antes onde renasce a cada raio de sol que nos cobre e cada riso que nos cruza. Num mundo onde a liberdade toma conta de nós. Onde o amor é. E oiço até ao fim e repito e repito e repito.