20.2.17

Foram precisos muitos meses para x recuperar a sanidade e livrar-se de todos os sintomas de stress que a acompanharam no último ano. Mas ja passou. Hoje x sente-se bem - sintonizada e tranquila. A irritação constante passou. As dores de cabeça permanentes, as tonturas e todos os sintomas que antes lhe eram estranhos, desapareceram. Falta agora recuperar a forma física. O sorriso nos olhos e a vontade, esses, já voltaram.

16.2.17

um dia na vida de x: trabalhar num relatório até às 2h da manhã. adormecer no sofá. acordar ás 7.30h. ligar para maputo para dar instruções para um trabalho. tomar banho. vestir a roupa. meter o computador na mala e sair de casa a correr. tomar café na rua. pegar no carro. atravessar a cidade. estacionar o carro. chegar ao gabinete. ligar o computador. tomar outro café. acabar o relatório em que esteve a trabalhar até ás 2h da manhã. nos entretantos, responder a vários emails e distribuir trabalhos vários. almoçar a correr. mais emails. trabalhar em dois documentos diferentes à vez. mais um café. meter de novo o computador na mala. sair do escritório a correr. pegar no carro. atravessar a cidade. entrar de novo na faculdade onde passou 6 anos de vida. 3 horas de aulas de pós gradução. arrumar a documentação na mala. pegar no carro. atravessar a cidade. estacionar o carro. entrar em casa. fazer o jantar. comer. pegar de novo no computador.  mais um trabalho para acabar. ou melhor, dois. perder a vontade. x vai mas é deitar-se no sofá e fazer festas ao gato. são 23.14h.

13.2.17

X comprou casa há seis anos. Na altura, a zona onde x comprou casa era desprezada. Hoje, e uma das zonas hype de lisboa. Na altura, a casa de x custou 122,500 euros e x gastou mais 30,000 em obras. Hoje, na zona onde x mora andam a pedir 3,500 euros por m2. Contas feitas por alto e a casa de x poderia "valer" perto de meio milhão de euros. A casa de x nem em sonhos vale meio milhão de euros. A isto se chama especulação. E quem compra nestas condições ou e estupido, ou e estupido. 

9.2.17

consequências de sair da europa no pico do inverno e aterrar em áfrica no pico do verão - ficar com o corpo todo colado, o cabelo sem jeito, a roupa a incomodar por todo o lado, as pernas inchadas... basicamente, ficar com um ar de merda!

6.2.17

6 de fevereiro de 2017. há exactamente dez anos, x dava os primeiros passos em áfrica. x chegou a maputo fugida do inverno de lisboa, e do frio que lhe tolhia a alma. em maputo, sozinha e disposta a comer o mundo, descobriu em poucos dias tanto que não conseguiu ver durante anos. ao primeiro sopro de calor africano de fevereiro que lhe arrebatou o corpo, x soube - tinha escolhido um caminho difícil mas só dependia de si torná-lo o futuro que x sabia merecer. x não tinha margem para errar. tinha apostado todas as fichas deste jogo malandro que é a vida neste caminho que desconhecia  mas que estava disposta a morder com os dentes todos. hoje, passados dez anos, x está de volta a maputo. e hoje, enquanto x fumava um cigarro debaixo das acácias no alpendre do sítio que há anos a acolheu, x sorriu e pensou como a vida, por vezes, não se engana. hoje, x desceu do avião, como há dez anos. hoje, o calor que cobriu o corpo de x, foi o mesmo de há dez anos. mas hoje, x sabia exactamente para onde ir. x chegou ao destino e foi recebida como uma pessoa da casa. com abraços e sorrisos. bem-vinda x, tu que daqui nunca verdadeiramente saíste.

4.2.17

X passa dias ao telefone com um cliente. A determinado momento x diz "aí e tal se o vosso contrato tiver um valo superior a 25 milhões de dólares...". O cliente interrompe x e diz " bom, o nosso contrato deve ter um valor entre... sei lá... um e dois bis!". X para e pensa "foda-se!".

1.2.17

Há uns meses, x ganhou um sinal estranho no corpo. Hoje, finalmente, teve uma consulta de dermatologia. Minutos depois de entrar no consultório soube que o sinal estranho era um tumor benigno sem gravidade. Ainda assim, X decidiu tirá-lo de imediato. Levou 2 minutos. Depois aproveitou para ver o couro cabeludo irritado e pedir um creme para as rugas. A médica disse que x não precisava disso e recomendou apenas um hidratante com jeitos. X e a médica riram-se a valer e depois despediram-se com dois beijinhos. Passados 30 minutos de dar entrada no hospital, x estava de volta ao trabalho. Que médica extraordinária, simpática, divertida, sem merdas e, sobretudo, eficiente. E x não a conhecia de lado nenhum. Chama-se Ana Ferreira, e da consultas no Hospital da Luz. De nada.

28.1.17

"WE WILL NOT COMPLY!"

FUCK YOU, DONALD TRUMP!

19.1.17

E x foi promovida para um cargo de gente grande. E x ficou pasmada, porque apesar de já ser grande, acha ainda que é tão pequena. A vida é estranha!

18.1.17

Num espaço de poucas horas, x falou com duas pessoas que não se conhecem. Uma dizia "vou-me divorciar" e outra dizia "vou-me casar". X reagiu a ambas com um "ah, ok". 

17.1.17

X andava há muito tempo zangada. Com o mundo, com os outros, consigo, com tudo. Mas hoje foi diferente. Hoje x sentiu o sol na pele e o sorriso rasgado em todas as direcções. Hoje x sentiu-se voltar a si. E até a voz de x ganhou um tom mais doce. 
E hoje x podia ter descolado os pés do chão. Mas não. Eles continuaram lá firmes. Do outro lado, as almas perdidas. Aquelas que x tem tendência de recolher no regaço. Mas desta vez não. X não levantou os pés. Pena que tantos estejam agora no limbo. E triste ver pessoas tristes. Mas a tristeza tem de ser curada por quem a carrega por dentro. X não chega lá. Nem tem de chegar. X chegou a idade adulta. Ainda que continue a ter muito de Peter Pan.
E daqui a 15 dias, x está de volta à África! 
Há coisas na blogosfera que x descompreende!
E x passou-se. Mandou meia dúzia de berros e tirou uma semana de férias só porque sim. Foi uma semana longa e cheia de novidades. X reencontrou-se com pessoas e tomou decisões. E fez planos, talvez pela primeira vez na vida fez planos. E, por isso, x tem como metas este ano: voltar à escola e fazer uma pôs-graduação na área que mais lhe interessa, tirar uns dias para fazer a operação que há anos anda a evitar, viajar sozinha pela Islândia, recuperar pessoas, rir horrores e viver a puta da vida como deve ser vivida - sem merdas!

16.1.17

Viagem a Islândia marcada! Ufa que tardava!
das borboletas que crescem por dentro. dos olhos que brilham. do querer mais. do querer tudo. do ir. e do comer o mundo com vontade. do correr descalça de olhos fechados em direcção ao desconhecido. da paz irrequieta no corpo de carne e de luz. hoje. e amanhã.

11.1.17

E dez anos depois a vida de x anuncia novas revoadas. Oxalá!
Tarde de sol ao pé do mar acompanhada de pina coladas. Das coisas simples que nos devolvem a alma.

10.1.17

Aquela coisa da crise dos 40 e mesmo verdade - repensamos os caminhos, ficamos hipocondríacos, com medo da morte e, por ventura, com vontade de recomeçar algures. Mas também tem coisas boas - reencontras pessoas que já não vias há 20 anos porque elas também andam meias perdidas por aí em crises existenciais semelhantes, depois de terem levado esse tempo em vidas talvez  demasiado sérias, talvez demasiado cedo.
X começa 2017 despida de tudo mas com a sensação que o futuro deixou de estar em ponto morto. 
Desafio #2017 - Escrever no blog pelo menos uma vez por dia. Nem que seja para dizer "foda-se".
E, às vezes, o que apetece é isto - despir-nos do mundo de fora e fazer do sofá o nosso império.

A luz de lisboa a tomar conta da casa. Ha dias bonitos.

8.1.17

Reorganizar a casa toda, recuperar e organizar os cds, libertar os livros, mudar as cores, destralhar, responder a mensagens há muito pendentes, recuperar o fôlego, tentar por a vida em ordem, desneurar, reencontrar amigos há muito tempo distantes. Este é o estado de x.

14.12.16

E enquanto isto, aqui não muito longe o mundo e diferente. 

8.12.16

2016

x começou o ano em lisboa. depois, apanhou um avião para algures em áfrica. passou férias entre pemba e a ilha de moçambique. voltou para o sítio algures em áfrica onde estava a trabalhar. penou as passas do algarve. voltou a lisboa. ficou doente. consultou médicos vários e fez exames a dar com um pau. descobriu que a doença que tinha era stress, manifestado em sintomas que x jamais associaria a stress. foi tratada. ficou bem. concluiu que tem de aceitar que a vida, às vezes, é uma puta. e que temos de aproveitar todos os momentos que cá estamos. partilhou casa com amigos, que se tornaram ainda mais amigos. partilhou casa com estranhos, que deixaram de ser estranhos. viajou em férias para a alemanha. esteve dentro de uma câmara de gás num campo e concentração. foi a uma volksfest. bebeu canecas gigantes de cerveja e cantou em cima de bancos. quase comprou umas lederhosen. viajou em trabalho para moçambique, viu parte dos jogos do euro em maputo. a outra parte viu em lisboa. festejou a a vitória numa esplanada cheia de franceses. foi ao marquês, mas voltou quase logo para casa. passou grande parte do dia de aniversário dentro de um avião. ouviu os parabéns à meia noite em maputo e às oito da noite em lisboa. foi ao primavera sound. e ao alive. odiou o alive. foi ao amplifest. viu explosions in the sky, sigur ros, mono e m83. passou férias a norte e a sul. cá dentro. viu uma amiga brilhante ficar doente. muito doente. chorou. riu. mas não riu tanto como o costume. enervou-se. enervou-se muito. passou-se com a emel. ajudou várias pessoas. cuidou de outras. ficou cansada. demasiado cansada. precisou de mimos. isolou-se. esforçou-se por não se isolar em demasia. nem sempre conseguiu. ganhou um dos três prémios que o sítio onde trabalha atribui anualmente. já é o segundo. sorriu.exigiu respeito. impôs respeito. foi ouvida. inscreveu-se no ginásio. nem sempre tem vontade de ir para o ginásio. chegou a dezembro com menos fé do que nos anos anteriores. e mais cansada. x não gostou de 2016. apesar de 2016 não ter sido particularmente mau para x. mas também não foi bom. e, sobretudo, não foi bom para pessoas de quem x gosta muito. e com quem x sofreu e sofre ainda em silêncio. x quer que 2017 seja diferente. e por isso vai marcar uma grande viagem que fará sozinha.

24.11.16

Quando as notícias nos atropelam. E a impotência nos toma conta. Nada podemos fazer. E queríamos poder fazer tanto. A vida consegue ser um puta.
Entravas em mim como um intruso subtil. Deste-me a morte para o resto. 
X fica muito mais bonita quando ouve sigur ros. Há assim um brilho que cresce... 

17.11.16

x precisa de se reencontrar com o todo. ou com deus, se lhe quiserem chamar assim.

14.11.16


de vez em quando, x volta lá, tímida. desiste logo de seguida. os sons do cohen devolvem-na a um período da vida de x onde x não quer voltar. porque cohen descreve em palavras cruas o negro das histórias bonitas. e porque foi com palavras do cohen que x viu mãos frias a esventrarem-lhe o corpo e a alma. ainda assim, hoje x voltou ao cohen. e a tristeza de ontem voltou a cercar x. mas x esboçou um sorriso, daqueles sorrisos tristes que seguram todas as emoções por dentro, em segredo. e a vida depois voltou ao normal. com as palavras do cohen por perto. mas longe de ontem.
o trump ganhou, o cohen morreu, a amiga de x continua doente e x sente-se desconectada de tudo. não admira que não tenha vontade para mais do que ficar enrolada no sofá.

30.10.16

[x não sabe como se fazem corações fofinhos no blogger, senão fazia agora vários.]


Kartjan Sveinsson - Der Klang der Offenbarung des Gottlichen

27.10.16

e depois acontecem assim coisas estranhas. e, por nada - ou, pelo menos, por nada que consigamos objectivamente perceber ou explicar - um dia acordamos com uma espécie de empowerment pessoal a jorrar por todos os poros. e nesse dia pomos o nosso sorriso triunfante na cara  e enfrentamos este mundo e o outro com a certeza que, porra, somos muito melhor do que alguma vez nos ocorreu. e que se fodam os velhos do restelo, e todos aqueles que nos prendem a ontem acenando medos.

26.10.16

e um dia conheces alguém até ao âmago. e conheces tão bem, mas tão bem, que antecipas as frases, as dores de barriga, as dúvidas, os gestos, tudo. conheces todas as rugas e pequenos defeitos da pele. conheces os diferentes tons de voz consoante o humor. e todos os trejeitos do olhar. e do toque. conheces tudo o que havia para conhecer naquele lugar preciso do tempo e do espaço. e conheces suficientemente bem para saber que um dia, por qualquer razão, séria ou fútil, essa pessoa que conheces até ao âmago vai certamente esfarelar a tua confiança e fazer ruir tudo o que era tido como certo. e um dia isso acontece. e essa pessoa que conheces (ou conhecias) até ao âmago, passa a ser estranha. estranha mas familiar ao mesmo tempo. e passas a odiar essa pessoa que conheceste até ao âmago mas que já não conheces, apesar de essa pessoa ter feito exactamente aquilo que esperavas que fizesse, porque um dia a conheceste demasiado bem e sabias, mesmo não querendo saber, todas as nuances das suas reacções face à adversidade. parece um paradoxo. mas não é. e depois do ódio - visceral, duro, mortal - chegam em turbilhão uma série de outros sentires -  raiva, nojo, desprezo... e outros que nem sequer se sabe bem o nome. no fim, indiferença. absoluta. mas chega o dia em que te voltas a cruzar com essa pessoa que conheceste até ao âmago. e nesse dia tens vontade de rir sem parar. porque a pessoa que conheceste até ao âmago morreu pelo caminho. e tu, contra todas as probabilidades, sobreviveste ao mais duro golpe de perceber que, na verdade, não conheces nunca ninguém. nem a ti. e ris sem parar porque percebes que essa pessoa que conheceste, mas na verdade não conheces já, não deixa de ter um ar incompleto e oco. ainda que para os demais pareça estar bem, muito bem até. mas houve um dia em que tu conheceste essa pessoa até ao âmago. e, apesar de ela ter arrepiado caminho e invertido a direcção, o âmago que um dia conheceste, esse, continua lá. escondido. tapado pelas vestes adoptadas na dimensão paralela por onde caminha. e tu ris. mas, apesar de tudo, esta história tem sempre um fim triste.
A vida de x.

19.10.16

e, pela primeira vez na vida, x acordou às 6 da manhã para ir para o ginásio. ainda não eram 7 e x já estava à porta. às 8 e qualquer coisa terminava a sua primeira aula. pernas bambas e roupa encharcada em suor. amanhã, certamente, x vai parecer uma velha desengonçada a andar. mas que se lixe. 

8.10.16

e ao fim de 6 meses, a pessoa pequenina que andou a fazer a vida de x num inferno durante quase um ano, telefonou a x a dizer "x, precisamos de ti!". x teve vontade de mandar a pessoa pequenina para um sitio mas depois pensou "ai sim? então vais pagar cara a minha ajuda, bitch!". 

6.10.16

De cada vez que x lê comentários de portugueses no facebook ou nos jornais on-line que Portugal é um país terceiro mundista e blablabla, x deseja com muita força que as pessoas que o fazem vão viver uma temporada a um país "em desenvolvimento" para ver o que é bom para a tosse. 

4.10.16




First breath after coma - Drifter

vamos por partes. x ouve estes sons há muitos anos. depois o post-rock ficou na "moda". e chegou uma altura e parecia que todo o puto com ar entre o emo e o negligé com pretensões e algum jeito para pegar numa guitarra queria ser o próximo munaf rayani. apareceu muita malta por ai que se resumia a copiar umas cenas e punham um ar das artes, como se isso fosse indicativo de qualquer talento especial para a coisa. foi neste cenário que há uns anos (3 ou 4 x x já não sabe bem) x se cruzou por ai com os first breath after coma. x não os levou muito a sério - eram mais uns "putos" quaisquer a querer ser "artistas". não ajudou terem decalcado o nome de um dos temas preferidos de x, de uma das bandas preferidas de x. foram imediatamente rotulados por x de copycats e x ignorou-os ostensivamente. mas x também se engana. redondamente, por sinal. podem ter começado como copycats mas de repente tornaram-se mais que isso, maiores do que isso, e algo muito para além disso. na verdade, não encaixam bem em nada pois, apesar de ter muitas influências de muita coisa, são muito diferentes de tudo. são os first breath after coma (porra que podiam ter outro nome!), são de leiria e são absolutamente extraordinários. x já lhes devia este post há muito tempo. mas andava a fazer birra. 
Ficar com as mamas espremidas entre placas e com a sensação que as querem arrancar a força não é bom. Mas ouvir a médica logo dizer que está tudo óptimo e não há qualquer tipo de anomalia é um alívio enorme. X não tem casos de cancro da mama na família. Na verdade, x tem muito poucos casos de doenças sérias na família. Pouquíssimos. Quase nenhuns na verdade. E x sabe a sorte gigante que isso é. X sente-se afortunada. Ficam as alergias e a asma pontual. Isso não é grave. É só incomodo.
Neurologia, otorrino, oftalmologia, clínica geral, Tacs, ecografias, análises, exames vários. Aparentemente x não tem nada. X acha que precisa é de se mexer. E ao fim de anos e anos x está seriamente a considerar inscrever-se num ginásio daqueles com miúdas histéricas e spa e tudo. 

3.10.16


Indignu - Mar do Norte

chamam-se indignu, são de barcelos, e fazem coisas assim...

20.9.16

no intendente, em lisboa, há um restaurante pequenino - que antes era uma tasca semi-falida mas foi recentemente tomada pela comunidade nepalesa lá do bairro - que se chama Olá Katmandu. a comida é francamente boa - tem umas chamuças de morrer (em nada semelhantes às que estamos habituados a ver por ai) e um chicken mo mo (aka dumplings nepaleses) de chorar. de nada.
caso pratico: x ganha bem, tão bem que o governo anterior na revisão dos escalões do irs para efeitos de tributação do rendimento atirou x para a classe dos "ricos". por outro lado, x é proprietária de duas casas que, juntas, tem um valor tributável que não chega a 150 mil euros, sendo que o valor de mercado, na loucura, pode rondar os 200 mil. para os porta vozes do governo anterior - que já deixou de ser governo mas não acredita - x e pouco mais que uma coitada que nem sequer deve ter pretensões de pertencer a classe média quanto mais a classe dos "ricos". descubra o paradoxo ideológico e explique por palavras suas. 

16.9.16


Adele - Hello

x nem sequer gosta muito disto. mas a verdade é que x teve um sonho meio estranho com alguém que encaixa perfeitamente neste tema e x ficou sem saber muito bem o que fazer com isso. a puta da vida é estranha!

28.8.16




É estranho como um sítio cheio de horrores pode ser, também, um local que irradia paz. Mas x não conseguiu tocar nas paredes que guardam em si a memória de vidas desfeitas em nome de nada. E tremeu quando percebeu que estava a entrar na câmara de gás. É uma sala estranhamente pequena para a dimensão do que nos contam como foi. Ao lado, os fornos crematórios que foram incapazes de apagar todas as provas. Provas em forma de carne humana amontoada com desdém a espera da sua vez. Falharam os fornos. Fizeram as câmaras fotográficas o favor de deixar restos para o futuro do passado que se não quer repetido. Corpos magros, pálidos, explorados e destruídos pela barbarie, pela fome, pela doença e pelas balas de um regime infame. A opressão do arame farpado disfarçado no verde imenso das redondezas. O impensável no meio da pacata cidade de ar inofensivo. "Nunca mais" está escrito algures no campo. Que tenhamos a sensatez de nunca, mas mesmo nunca, esquecer. Dachau, 2016.
X voltou de férias. X está em casa, aninhada, a contemplar a placidez do seu mundo. X correu entre pontos durante estes últimos dias. Lisboa, Munique, Dachau, Lisboa, Braga, Porto, Braga, Lisboa, além Tejo, Lisboa de novo. X está de volta à casa. Cansada, moída, dormente... Mas feliz. Amanhã x conta mais. Hoje vai apenas continuar a beber o copo de vinho branco que tem à frente. E a agradecer aos céus tudo o que lhe tem sido dado. E a fazer planos. Planos diluídos, e algo híbridos, como sempre. Mas planos cheios de futuro. De vontades, e de fé. X percebeu, de novo, o quão certeiro tem sido o seu caminho. X não se arrepende, apesar de guardar algumas mágoas. Mas x não se arrepende. De nada. O seu caminho até aqui foi bonito. X conseguiu tudo o que se propôs. Agora, x quer o resto. O imaterial. As pequenas explosões nas pontas dos dedos. As revoadas. 3, 2, 1... Agora... Vai x!