31.5.15

x em conversa com o irmão do meio a caminho do norte:

x - não percebo essa cena do futebol...
irmão de x - eu gosto do benfica, é uma coisa que não consigo explicar mas quando o benfica joga sinto assim uma adrenalina e uns nervos... 
x - tá bem, mas continuo a não perceber...
irmão de x - opá, tu também tens de gostar de alguma coisa assim (silêncio)... por exemplo, tu gostas destas músicas esquisitas com muitos plim plim plims e eu já não a posso ouvir (e desliga o cd e liga o rádio)
x e irmão de x - (gargalhadas até às lágrimas!)

29.5.15

x começa a sentir falta do que ainda não abandonou. x sabia que isso iria acontecer mas o nó na garganta não se evita, gere-se. 
x vai passar a viver num triângulo. américa-europa-áfrica. x vai passar a viver num triângulo em que o espaço vazio do meio será a terra de ninguém que x conhece bem e da qual, na verdade, não gosta particularmente. mas é nessa terra de niguém que x se descobre. e desta vez, x confessa que tem algum receio do que lá pode encontrar. ou perder. que não perca por lá as palavras. porque essas são as únicas que prendem x ao mundo dos demais. 
x tem vindo a perceber que quando uma mulher inteligente entra numa sala, o mundo pára. se estiver de saltos, caminhar firme e for ligeiramente mais alta que os demais, homens, o mundo pára duas vezes. e, podendo não parecer, isso é bastante estúpido.
o trabalho de x rouba-lhe vida. rouba-lhe tempo com os amigos. rouba-lhe a família. rouba-lhe os planos no imediato. mas o trabalho de x dá-lhe um prazer enorme. x nunca pensou que o trabalho que hoje tem - que é fruto de quase 10 anos de muito mas mesmo muito esforço e absoluta dedicação - lhe pudesse algum dia dar qualquer tipo de satisfação. x enganou-se redondamente. é indescritível a sensação de chegar ao fim de um projecto e ver o nosso trabalho tornar-se em resultados. x nunca pensou chegar onde chegou. x ainda se vê como uma miúda pequena que se recusa a crescer. mas a vida de x é algo irónica. e insiste em dizer-lhe "vá lá x, leva-te a sério". ainda assim, x não pode não estar pasmada por, dentro de poucas semanas, passar a estar à frente de um departamento crucial de um dos maiores projectos de energia do mundo. projecto esse que está a transformar um país inteiro. e isso é tão avassaladoramente grande que x nem sabe bem o que pensar acerca do assunto.
nos últimos dias, x tem-se cruzado com pessoas de uma beleza extraordinária. também se tem cruzado com gente incrivelmente feia. nestes tempos de lucidez transversal, as coisas e as pessoas ficam mais claras. mais transparentes. a beleza de algumas pessoas exponencia-se. e a inacreditável feiura de outras revela-se impiedosamente. quando se ligam as luzes, dificilmente os traços se disfarçam. ainda assim, nos últimos dias x tem-se cruzado com pessoas de uma beleza extraordinária. e não imaginam como isso deixa x de sorriso e corpo aberto. quando assim é, x recebe o mundo inteiro no regaço. e isso, isso, é extraordinário.
a casa quieta. a música quase em silêncio. as portadas abertas. a brisa da noite a entrar. o trabalho escondido por um bocadinho. um cigarro. dois cigarros. respirar fundo. agradecer. sabe-se lá a quem ou ao quê. mas agradecer. agradecer a tranquilidade que nos cobre a alma. a vida assim é bonita.

28.5.15


Mogwai - Take me somewhere nice

x gosta tanto, mas tanto, de mogwai!
x começou o dia com uma pessoa que conhece há anos, e de quem x nem sequer gosta grande coisa, a olhar para x de baixo para cima, com ar embasbacado como se a tivesse visto pela primeira vez, e a dizer "olá giraça!". assim de repente, é a terceira pessoa que olha para x com ar embasbacado e diz uma coisa semelhante. x até sabe que anda com uma espécie de estrela em cima da cabeça mas fica assim meio parva com estas merdas. o mundo anda estranho. pelo menos o mundo de x anda.
x tem esta coisa de não dizer que não ao que lhe aparece à frente. x não pensa muito em nada. intuitivamente a resposta vem. mas depois chega um momento em que x pára e cai-lhe tudo em cima. e por fim x percebe que o mundo deu um pulo sem que ela se tivesse preparado para isso. isto para dizer que x suspeita que os próximos meses vão ser acompanhados por uma enorme ressaca de tudo.

27.5.15


M83 - This bright flash

oh x, por dentro estás assim!
coisas que x odeia: tuk-tuks! 
saíste-me do corpo à força. foste, querendo ir, sem nunca deixar de ficar. expulsei-te os restos, enfim. saíste-me do corpo à força. e hoje ele é ocupado por tanto mais que ontem.

26.5.15

oh x, tu sabias que o mundo ia começar a girar de forma estonteante. tu sabias! por isso x, come-o com os olhos e com a boca e com as mãos. 
e o chefe-mor olhou para x com um ar entre o enternecido e a rebentar de orgulho. como quem diz "a minha xizinha cresceu e ganhou asas".
x percebeu hoje que causa um impacto qualquer nas pessoas sem que saiba muito bem porquê. x acha que é alguém absolutamente normal. alguém que não se destaca na multidão. mas, se calhar, não é. e isto é uma surpresa.

M83 - Lower your eyelids to die with the sun

x repete-se muito na música. mas x é assim em todos os cantos da vida. repete-se. repete-se até à exaustão. repete-se até o corpo dizer que basta. até as forças desistirem. até, por fim, adormecer. feliz. 
e x hoje enfiou um vestido preto e uns sapatos cor de rosa e esticou o cabelo e até pôs maquilhagem e tudo. e x hoje conheceu a pessoa a quem vai substituir lá no sítio para onde vai. e enquanto x caminhava, com passos firmes e de cabeça erguida,  em direcção ao grupo de pessoas com quem ia almoçar, a mulher que x vai substituir olhou x de cima abaixo boquiaberta e, por momentos, parecia que estava a ver um alien. o comentário imediato foi "eu vi a tua foto no site mas tu és completamente diferente". se a mulher fosse um homem, x desconfiava das suas intenções. mas x acha que foi só porque a mulher é tão baixa, mas tão incrivelmente baixa, que x, com ajuda dos saltos da adolfo dominguez, devia ter pelo menos mais 60cm do que ela.
oh x, no dia que alguém te fizer não querer ir vais levar cá um estalo na cara!
oh x, "to infinity and beyond" é já ali.
oh x, eu sei que ninguém te compreende... mas olha, isso não importa nada. sê. e vive. e vai. e faz tudo o que te der na gana. enquanto quiseres, pelo menos. e quando deixares de querer, pára. e depois x, depois logo se vê.
oh x, há dois dias que andas a acordar de madrugada com a mesma música a berrar-te aos ouvidos. e esta noite x, esta noite contorceste-te em convulsões. essa tua mania de assimilares a dor alheia, x. podias ser menos empática x. eras mais pobre, mas não sentias tanto no corpo.
oh x, a rotina nunca é sinónimo de estar em casa. é só um sintoma de que as coisas estão gastas. oh x, desengana-te, a rotina mata-te.
oh x, vamos lá ser pragmáticas, perder um amor é um drama. mas sobreviver à perda  é extraordinário. as feridas servem durante muito tempo como mapa. mas chega o momento x, em que não são precisos guias. e o mapa x, vai-se com o demo. depois vais às escuras. e isso é bom.
oh x, e o que é pior - viver no erro ou passar a vida à procura?
oh x, tenho pena de ti. ninguém livre é realmente pleno. faz sempre falta algo mais.

25.5.15


Muse - Time is running out

e agora x só ouve isto dentro da cabeça. por fora tem uma enorme vontade de rir por causa da estupidez alheia. ai x, porque é que ninguém te ouve em tempo!
x começa a convencer-se que tem mesmo o dom de adivinhar o que vem a caminho com uns meses de antecedência. é que mesmo as mais extravagantes ideias que lhe ocorrem vindas sabe lá de onde, acabam por se concretizar passado uns tempos. isto para dizer que x acabou de saber que algo que  ela andava a dizer baixinho a várias pessoas que estava prestes a acontecer, está mesmo a acontecer agora. era assim uma espécie de premonição. x acha, contudo, que ninguém lhe dava grande crédito enquanto sorriam como quem diz "isso? nem pensar, és mesmo doida de todo!". e plim... hoje confirmou-se. e está a ser um grande kabum! o que x acha que ninguém percebe, é que x não tem dotes de magia. o que x tem é uma capacidade incrível de estar atenta aos sinais. e eles são tantos por ai!
pela segunda vez na vida, x está prestes a ficar sem rede e com o mundo nas mãos. pela segunda vez na vida, x vai ficar absolutamente só consigo e com as coisas que tem por dentro. da primeira vez que isso aconteceu, x ia ensandecendo com o turbilhão de coisas que a passaram a atropelar sem aviso. cores, cheiros e sons passaram a atingi-la com uma violência insana. x ficou exposta a tudo. e tudo por onde passava a agredia de forma vil. cruzar-se com alguém com ar triste era motivo bastante para x se desfazer em lágrimas. ver uma flor a crescer era motivo bastante para se sentir a pessoa mais feliz do mundo. a música passou a contar-lhe histórias de forma tão incrivelmente clara que x chegou a pensar que há uma língua secreta qualquer nos sons que x percebe à distância. e as cores, as cores passaram a ter significados transparentes. x passou a ver de forma periférica tudo o que se passa à sua volta. a intuição e o engenho aguçaram-se a pontos de x conseguir agir de forma absolutamente funcional apesar de viver num mundo alucinado cheio de sentidos apurados.  

da primeira vez que isso aconteceu, x passou a sentir tudo. e tudo de forma gigante. x descobriu, também, que tem várias cabeças e que, às vezes, todas elas falam ao mesmo tempo. x conseguiu impor-lhes disciplina e fazê-las expressar-se à vez. deve ser por isso que x consegue ter um trabalho intelectual e tecnicamente muito sério e muito exigente, apesar de pelo meio se perder muitas vezes num mundo além de cá. 

quando ficamos apenas com as coisas que temos por dentro, ficamos sós de gente. e x precisa desse mundo de solidão. é ali que se reencontra. no mundo real, x tem sempre muito ruído à volta. e muitas realidades dispares e inconciliáveis. e muita gente. sobretudo muita gente. por isso, é difícil a x ter tempo e disponibilidade para se recolher consigo. talvez seja por isso que a vida lhe dá assim uns empurrões para o abismo, de quando em vez. obrigando x a olhar-se para dentro, sem distracções externas. e, sobretudo, sem gente para cuidar. porque x tem a tendência para estar sempre a cuidar de alguém. ou de alguma coisa. da primeira vez que x ficou sem rede e com o mundo nas mãos, x assustou-se com tudo. sobretudo consigo própria. mas descobriu que é enorme. 

agora, pela segunda vez na vida, x vai ficar sem rede e com o mundo nas mãos. x sabe, portanto, que  ficará, de novo, perto da insanidade com o turbilhão de coisas que a vão atropelar sem aviso. e é tão assim que x ainda nem sequer saiu daqui e o mundo já está virado do avesso. 

ainda assim, quando está nesse estado de contacto permanente com o todo, x vai passando pelo mundo como que a levitar. deve ser por isso que nos últimos dias x sai à rua e as pessoas olham-na  com jeitos de surpresa. como se vissem luz nos olhos de x. e x sabe como ninguém que eles estão extraordinariamente brilhantes. 

da primeira vez que x ficou sem rede e com o mundo nas mãos, os olhos de x mudaram de cor. de um castanho absolutamente castanho, passaram a um avelã amarelado translúcido. desta vez, caso as forças telúricas do universo queiram repetir a graça, bem que podiam escolher o verde. x gostava de ter olhos verdes.

não, x não é doida. é até bastante sã.
"liberdade" foi durante muito tempo a password que x usava em tudo quanto precisasse de password. e isto diz muito acerca de x. 
isto não é bem um blog. é antes uma espécie de diário gráfico só que com palavras. há quem carregue moleskines no bolso e desenhe nos entretantos. x já o tentou fazer. mas as palavras saem com mais verdade. e são mais rápidas. x escreve em sopros como forma de deixar espaço para o ar poder entrar. na verdade, escrever e respirar é para x mais ou menos o mesmo. é por isso que x escreve como um náufrago acabado de resgatar da água. 
- oh x, o que é que te entusiasma mais na ideia de passar umas semanas em houston?
- passar o maior tempo possível na Rothko Chapel apesar de saber que é bem provável que não consiga conter as lágrimas durante o tempo todo que lá estiver sentada. sei que aquelas telas escuras me vão transportar a alma para o sítio onde ela se mistura com o todo. rothko tem este efeito em mim. há poucas coisas no mundo que têm este efeito em mim. eu nem sequer percebo muito de pintura ou história da arte. mas percebo da necessidade de expulsar sentimentos que não nos cabem dentro. por isso, as telas do rothko abrem-se em forma de convite e eu mergulho lá dentro de uma forma quase doente. talvez isto seja estranho. mas eu nunca disse que era uma pessoa muito normal.
a vida de x nos próximo 30 dias:

- acabar todos os trabalhos pendentes e entregar os assuntos em curso a novas mãos
- comunicar aos clientes com quem trabalha que nos próximos meses vai estar ausente
- ir de corrida ao norte visitar o pai que está internado no hospital depois de uma queda aparatosa
- voltar a lisboa
- pedir uma segunda via da carta de condução
- obter um visto em tempo record
- comprar roupa e sandálias e sapatos e malas e perfume e maquilhagem e hidratantes e outras merdas de gaja
- adaptar-se ao portátil novo
- comprar um disco externo e um ipod
- pedir um dístico de residente à emel
- estar com os amigos
- fazer a mala
- viajar
- ir a uma festa mais ou menos de gala e rir e brindar ao futuro com algumas pessoas de quem gosta muito
- conhecer o seu futuro
- voltar a lisboa
- respirar nos entretantos


"as we waited for help from mankind, angels stepped over soundlessly, in a single stride, over our prostrate hearts"

Reiner Maria Rilke

porque x tem uma paixão assolapada pelas palavras de rilke.


24.5.15

há muito tempo que x não pára. x estava a ficar bastante cansada do movimento. e, sobretudo, de não ter tempo para apreciar a quietude das coisas. x pensava que tinha chegado o tempo de parar de ir. mas a vida de x é irónica. e x nunca diz que não ao desconhecido que lhe acena com promessas de vida. x tem esta coisa de correr até ficar sem forças. até quando, x não sabe. um dia x há-de ter razões para dizer "o mundo acaba aqui". ou não.
- oh x, porque é que te deu para rir até às lágrimas?
- porque me apercebi que a minha vida nos próximos tempos vai ser mais ou menos assim:

oh x, hoje só te ocorrem coisas estúpidas!
episódios bonitos da vida de x: x tinha 17 anos e ele tinha 19. eram amigos desde sempre e um dia apaixonaram-se (ou mais ou menos). mas x queria mais mundo e um dia decidiu ir embora. e ele disse "vai e faz tudo o queres". e x foi, algo com pena, mas foi. no dia que deixou x ir, ele desistiu de querer mais. x, por seu turno, ainda não se saciou do mundo. ainda assim, x tem pena que os caminhos se tenham descruzado algures. 
existem poucas fotografias de x enquanto criança. na única em que x aparece sem ser de costas ou a esconder a cara, x está mais ou menos delicadamente a pegar no vestido que trazia e a fugir da fotografia com ar desaustinado. x nunca gostou de se expor às câmaras. x morre de medo da ribalta. x tem pânico do palco. x sempre adoptou uma postura invisível. mas tem vindo a perceber que os focos de luz a procuram. é estranho isto.

23.5.15

x revisitou anos antigos do queres antes aprender a voar ?. não é uma coisa que faça amiúde - voltar atrás. mas hoje fez. e recordou cada razão de cada palavra que aqui escreveu. concluiu que tem sido bonito o caminho.

22.5.15

ao longo dos tempos, houve gente a dizer coisas bonitas a x. "o que sinto por ti? pega em duas tripas, dá-lhes um nó, e experimenta correr descalça a seguir..." foi uma delas. hoje, por acaso, x cruzou-se de novo com estas palavras. e não conteve um sorriso. por fim, esta parte da vida de x está em paz.
há músicas que nos roubam a cabeça. hoje, x acordou às 4.32h da manhã com uma a cantar-lhe por dentro ao mesmo tempo que recebia uma flor amarela. ou o mundo está mais estranho do que o costume, ou x está a ficar senil.

José Gonzales - Stay alive

x tem sonhado acordada, com isto a passar-lhe pelos olhos.
x está num momento particular da sua história. está absolutamente tranquila neste momento de ruptura, embora de todos os ângulos que a vista alcança só veja paredes a ruir. x sente-se a passar por uma espécie de cenário de filme apocalíptico. uma vez disseram a x "o que passa por ti nunca mais fica igual". x sabe que não, embora não saiba o porquê disso. mas x sabe bem que as pessoas, que se cruzam com ela ou ganham asas ou enterram os pés em cimento. e que, independentemente da escolha que façam, ficam sempre com linhas novas marcadas nas mãos. e, se calhar, com alguma névoa na cabeça. sim, o mundo de x é algo surreal.

21.5.15

x vê o queres antes aprender a voar ? como o seu espaço secreto. e surpreende-se sempre quando percebe que desse lá há gente. gente que lê e que viaja nas palavras de x. e isso é bonito!

M83 - Reunion

x passa, à vontade, umas 14 horas por dia frente a um ecrã. por isso, x está quase sempre com música nos ouvidos. o som que escolhe, depende do humor. m83 é uma escolha quase diária. isto para dizer que estava x a pensar no que tem de meter na mala. até podia ter-se lembrado que tem de comprar roupa de gente grande, e sandálias e sapatos altos e assim. mas não, x pensou de imediato que tem de comprar um ipod e que não pode esquecer-se dos headphones que tem no escritório. de seguida, x riu com a ideia de andar no meio do texas com m83 a berrar nos ouvidos. 

x é plural. por isso, x vive num fio suspenso entre dois mundos. de um lado, uma profissão demasiado séria associada a uma indústria sofisticada, que move números e responsabilidades demasiado grandes para explicar. do outro, a terra do nunca, onde fadas e monstros e brilhos e sons compõem o espaço e engolem o tempo. à vez, um tenta sobrepor-se ao outro. e x vive num esforço permanente para não cair em definitivo para nenhum dos lados. e isso custa p'ra caraças!

When the angels breathe - Save the deer

e x ficou numa bolha transparente, imóvel. lá fora, a vida passou em imagens lentas e apocalípticas - o que foi, o que podia ter sido, o que queremos que venha a ser. e x ficou numa bolha transparente, incapaz. lá fora os amarelos, os laranjas e os vermelhos - os impiedosos vermelhos-fogo. e x ficou numa bolha transparente, tranquila mas a sentir o caos tocar-lhe o corpo. e x ficou numa bolha transparente, com uma tristeza gigante colada a uma esperança ainda maior. e quando abriu os olhos as lágrimas corriam-lhe imparáveis. e depois ouviu por dentro "oh x, tens saudades do futuro". 
às vezes, x gostava de ser pálida. e previsível. e aborrecida. mas não é. e isso é um desatino.
oh, a nostalgia, o sonho, a fatalidade, a esperança, o medo, a raiva, a coragem, a fome, a fuga, o desespero, o caos, a melancolia, o riso e as lágrimas, acompanham x desde pequenina. por fora, ninguém nota. por dentro é um cenário de guerra.
esta incontrolável vontade de mais
esta insatisfação permanente sabemos lá com o quê
esta impotência em dizer não ao destino
esta força insana que nos empurra
esta ironia de deus
matam!

não são dúvidas. são certezas absolutas. certezas que se sentem no corpo que teima em não querer parar. certezas que se sentem na alma que teima em voar rumo sei lá onde. sim, são certezas. mas isso não nos deixa mais descansados. deixa-nos só mais desaustinados. e sozinhos. quanto mais longa é a viagem menos pessoas nos acompanham. 
x tem a cabeça algures mas não é cá. x tem medo quando a cabeça está algures que não cá. quando isso acontece x volta ao roxo-paixão-de-cristo. e isto traz sempre consequências devastadoras. é como abrir o corpo com facas serradas e deixá-lo ser invadido por todos os sentimentos do mundo. e isso dói.
x é, às vezes, descontraída e sociável. mas é, também, profundamente céptica e inacessível. x é ambivalente. e paradoxal. e contraditória. e multipolar nos humores. x acompanha a lua, portanto.

20.5.15

curiosamente, x reencontrou hoje, à distância, duas pessoas - que entre si não se conhecem - que já não sabiam nada de x há muito tempo. a primeira pergunta que ambas, em momentos e situações diferentes, fizeram a x foi: "estás cá ou andas por sítios longínquos?". depois de x contar a sua próxima aventura, as reacções foram muito semelhantes: "não fosse assim e não serias a x". pois não.

José Gonzales - Step out

é uma espécie de brilho que nos toma conta.
- oh x, porque te chamas x?
- porque um dia tive de deixar de usar o meu nome a sério nestas lides e a letra x foi a primeira que me ocorreu. mas podia ser s. ou r. ou m. ou w. ou outra letra qualquer. afinal x é tantas que, se calhar, nem todas as letras do abecedário chegariam para a definir.
morreste-me. a liberdade de ti é extraordinária. 

19.5.15

"x you will spend two weeks in houston to meet the team and discuss ongoing and future projects. everyone in (...) will report only to you and you, and only you, will report directly to the head office. you will be the liaison member between the american core team and the local people. we are very excited with having you in our team and will do our best for you to feel at home. i will forward you all my contact details and please feel free to call me at any time, day or night, should you have any doubt, problem or concern of whatsoever nature." e x pensou "não era bem isto que eu tinha em mente, isto é muito mas mesmo muito maior!".
x está a preparar a partida. ao mesmo tempo está a transformar a sua casa numa nuvem. a cada doze semanas x voltará ao seu antro de sanidade. as cores transpiram paz. as hortências estão à janela. os livros estão espalhados ao monte. a música cola-se por entre paredes. sim, x está a preparar a partida e ao mesmo tempo está a transformar a sua casa numa nuvem. porque x tem mesmo de ter aqui o seu antro de sanidade. é aqui que x vive de pés no ar sem deixar de ver o chão.
oh x andaste tanto tempo adormecida que já não te lembravas como era o som das teclas frenéticas a correr para apanhar as palavras que teimam fugir sem  respeitar prioridades e regras e gramáticas e pontuações; por dentro, estás cheia de palavras vadias x. 
x está prestes a dar o passo final em direcção à saída da vida que foi. doravante, tudo será diferente. tudo, sem excepção. x sabe isso. estranhamente, está tranquila. x vai abraçar o maior desafio profissional que alguma vez teve nas mãos. mas o desafio a sério não será esse. será antes o virar do avesso por dentro. de novo. áfrica já lhe mudou a vida uma vez. agora, não será diferente, mesmo que em portugal fique o que mais lhe importa. x sabe isso. e sabe sobretudo que esta será uma prova de resistência fisica e emocional. x sabe, também, que consigo arrastará uma série de gente que verá também o seu mundo tremer - alguma dessa gente, x nem conhece. mas o movimento gera naturalmente ondas de choque. e desta vez, x suspeita que em alguns casos os efeitos destas serão avassaladores. x sabe também que há quem não esteja ainda preparado para o que vem. liguem-se as luzes, portanto. 
x gostava de ter disciplina bastante para escrever histórias. mas x só tem uma história para contar - a sua. e esta não é feita de páginas densas e descrições que se alongam em floreados inúteis. é imediata, impulsiva, incontrolável - como o vómito. é assim que x escreve, por impulso e com ganas de deitar tudo para fora. em frases curtas e violentas. ou doces, às vezes. mas sempre curtas. e, quase sempre, violentas. embora, às vezes, também sejam doces.
e quando encontramos viajantes do mesmo sítio etéreo de onde viemos; e o reconhecimento é imediato e sem razões; e a matéria fica diluída num turbilhão de espasmos como que a dizer "lembra-te, lembra-te, lembra-te"; e o medo não impede o caminho - a magia acontece. não, x não está a falar de sexo.
em regra, x não vê a matéria das pessoas. vê-lhes a alma.
x tem com os sons uma relação peculiar. os sons falam com x de uma forma inexplicável. tanto a devolvem ao infinito como a agridem com violência bastante para a levar ao vómito. e é por isso que x odeia james blake. aquela voz causa-lhe convulsões e náuseas. coitado do james blake que não tem culpa nenhuma da voz com que nasceu e que, aparentemente, é apreciada por tantos. mas a x aquilo agonia com uma brutalidade tal que x não consegue ouvir mais do que poucos segundos seguidos. sim, x tem com os sons uma relação peculiar.
um dia, x desconheceu-se. foi um longo caminho até reconstruir a identidade. descobriu depois que no seu corpo de terra e ar, é tantas pessoas ao mesmo tempo. e vive bem com isso.
a vida de x é feita de tons lilazes. e cinzas suaves. e brancos, muitos brancos. a vida de x é, também, pintalgada de vermelho. sangue. instinto. carne. a vida de x é algo esquizofrénica. mas é bonita. e desde que x disse as palavras que precisavam ser há muito ditas, x ganhou um brilho polar em todas as cores que compõem a sua vida. desde há dias que x sai à rua translúcida. 

17.5.15

o coração rebenta de emoções
x teme que ele lhe saia pela boca
ou pelos dedos

ontem, x vestiu a casa de sigur rós. há muito tempo que x não vestia a casa de sigur rós. foi bonito.

15.5.15

"x you have a very impressive cv and we are very happy to have you on board! welcome to (e esta parte é segredo)!"

e é agora que x enlouquece de vez...
Houston, here I come!

(ou "ai foda-se que agora é que realizei!!")

Sigur Rós - Popplagid

é, mais ou menos, isto.
x hoje tem de estar lúcida, pois x vai hoje falar para houston, com aquele que será o próximo chefe de x. x está capaz de vomitar, por isso a lucidez pode-lhe fugir num estalar de dedos.
é difícil não ter onde pousar os pés. mas x tem esta coisa: em encontrando pontos de fuga, eles descolam-se do chão amiúde. e depois é num sopro que a mente lhe começa a fugir para longe. o corpo segue-a, ainda que desdobrado em vários. x viveu muito tempo numa dualidade desconcertante entre lá e cá. o além e o aquém. depois prendeu os pés no chão em esforço. desconseguiu. o corpo perdeu de novo o peso. os arrepios de luz tomaram-lhe conta. x conhece tão bem esse sítio sem lugar onde o espaço e o tempo se confundem. a viagem anuncia-se sempre. primeiro suavemente, em tons inocentes e delicados. depois, sem aviso, explode tudo. e x é levada a velocidade de cruzeiro para algures. no fim cai exausta no chão. ainda assim, o movimento repete-se em círculos. e a viagem transforma-se em vício. porque lá, lá, o mundo é brilhante. e queremos mais, mais, mais... mesmo quando já estamos de joelhos caídos no chão. fica-se ofegante depois. e espera-se que o coração volte a ficar tranquilo. sobrevivemos sempre, mesmo quando parece pouco provável. eventualmente acordamos. e o mundo aqui continua igual. por dentro, fica tudo desconcertado.  

14.5.15

queria poder escolher as palavras certas. mas não consigo. são tantas. e são todas enormes. tento agarra-las no colo mas elas amontoam-se a um ritmo impossível e perco-as pelo caminho. os pés saíram do chão e, por isso, estou suspensa numa sopa de letras. 
um dia destes, alguém dizia a x "não deixes as palavras fugirem para longe dessas mãos". x parou por momentos e, com este pequeno clic, apercebeu-se que a sua cabeça começou a perder-se naquele espaço de ninguém que x tão bem conhece. a vontade de escrever voltou, portanto. a vontade, ou a necessidade. x sabe-as bem. e sabe sobretudo que qualquer uma delas a leva para um sítio perigoso. um sítio onde x se perde em deambulações entre a lucidez e o sonho. um sítio onde a matéria se diluí em palavras. palavras que brotam de todos os poros. os dedos ficam cansados. mas a mente, essa, fica ensandecida com o movimento frenético de frases que se constroem por sua própria vontade. escrever, é como arrancar as tripas a frio. 

13.5.15


Mark Rothko - Blue and Grey

quem por aqui anda há mais tempo, sabe que x é algo obcecada pelo trabalho do Rothko. hoje, x tem a cabeça enfiada num universo assim: azul petróleo e cinza. ainda há luz, mas é ténue. ainda não está dentro das telas negras, mas saiu de rompante das vermelho sangue ou amarelo luz ou rosa vida ou branco céu. x hoje está num universo baço e escuro.
x está tão piursa que está com ganas de espetar os saltos que hoje tem nos pés nos olhos de alguém. mas espetar assim devagarinho. e acompanhado com um gargalhar demoníaco.

12.5.15


Explosions in the sky - Your hand in mine

x já não lhes voltava há muito tempo. mas nestes momentos de rotura, x tem de agarrar-se àquilo que será para sempre.

11.5.15

a data já está definida - 15 de julho. depois, x volta a casa de três em três meses. e, desta vez, x acha que três meses serão sempre demasiado longos.

((ASA)) - Skies

é assim como aquele abraço de despedida que se não quer. é assim como aquele derradeiro momento antes do descolar dos corpos e do virar de costas; aquele momento em que se aperta muito as mãos e se berra em silêncio segura-me os pés ao chão. é assim como aquele pesado suspiro antes do adeus. é assim como aquele último beijo a saber a sal. é assim como quem quer ir e ficar ao mesmo tempo. é assim como quem diz: o mundo continua além, seguras-me com elásticos transparentes?
x está com o coração prestes a saltar da boca e morcegos a voar sobre a cabeça.
- oh x, e porque é que apagaste uma série de posts?
- porque a possibilidade de alguém reconhecer x aumentou exponencialmente nos últimos dias.

9.5.15

2007 chegou ao fim. e acreditem que é com muito, mas mesmo muito, gosto que x diz isto. 2007 acabou. morreu. e x saiu dele viva. as emoções de 2007 fizeram x transformar-se em gente. de lá até cá foi um longo percurso de trevas e luz. mas acabou. plim. foi-se. hurra! venha o amanhã.
acabaram-se os reposts. x tem quase 3000 arquivados e não tem tempo para andar a vasculhar o passado. nem tempo, nem vontade. por isso, acabaram-se os reposts. 

repost #24

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Ben Frost - You, me and the end of everything

e lá fora nada é

Repost #23






A monotonia e a paz acabaram para sempre.
(...)
Estamos apenas a transbordar de sentimentos.
Não conseguimos manter o equilíbrio.

Anais Nin

8.5.15


((ASA)) - Hidden in the forest

a sério que queria escrever sobre isto. mas ainda não consigo. sempre que oiço sinto asas a crescer, e o corpo a rodar sobre si em espirais cor de rosa, e passeio por entre nuvens, e quase quase chego às estrelas, e dou pulos de braços abertos, e depois crescem flores por entre os pés, e voam dragões bébés por cima da cabeça, e lá em baixo, lá em baixo, o mundo deixa de ser. e perco-me em risos e lágrimas ao mesmo tempo. e olhando para trás penso "medo, de quê?". mas há murros no estômago também. e monstros que crescem por dentro. e mãos que revolvem as entranhas. e uma violência subtil. e urgência. mas medo não, afinal "medo, de quê?".

weightless, boundless conscience
gracious courage of letting go


a sério que queria escrever sobre isto. mas ainda não consigo.

6.5.15


((ASA)) - Aurora

acabado de conhecer. promete!
há momentos que não é possível descrever. hoje foi assim. x sentada aos pés de uma das bandas mais extraordinárias de sempre. rendida ao génio. à imponência do som. foi assim, indescritível. algures no meio, x pensou no quão afortunada é. no como a sua vida é como a música que sai de duas guitarras, um baixo e uma bateria, manietados por quatro japoneses que não se esforçam por comunicar com palavras. imensa. enorme. cheia de altos muito altos e fundos muito fundos. mas no fim, no fim, acaba sempre numa gigante explosão de luz e êxtase. e com um enorme sorriso na cara. quando o som é perfeito, as palavras são inúteis.

5.5.15

coisas que x descobre por acaso: x está a redecorar a casa num estilo shabby chic!

coisas que dão nos nervos a x: recorrer a uma expressão tão pretenciosa como shabby chic para explicar que decidimos optar por comprar móveis velhos restaurados e preferimos tons claros a dar para o pastel para vestir a casa.
coisas que x detesta: as putas das cadeiras da moda nos escritórios, basedas num modelo do charles eames, que fazem doer tudo o que é músculo do umbigo para baixo. cenas de gaja. gente preguiçosa. ou imbecil. a pretenciosite de chamar "orgânico" ao raio da casca de limão que x mete no gin - (e se a palavra pretenciosite não existe, passa a existir agora!). 
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono
hoje vou ver mono

já disse que hoje vou ver mono?

4.5.15


amanhã, durante mais ou menos duas horas, x vai ser feliz só com sons.
o excesso de cansaço e a falta de tempo levaram x a comer uma mega bolacha de pepitas de chocolate ao fim da sua salada do almoço. e agora, para além de problemas na consciência por ter comido uma quantidade de açucar disparatada, x está também mal disposta p'ra caraças! 

back to basics.
x tem esta convicção já há muitos anos - novembro muda-lhe a vida. em novembro passado, x foi nomeada e ganhou o prémio máximo da organização onde trabalha. talvez 2015 se tenha começado a desenhar nesse momento. dezembro passou, plácido. janeiro e fevereiro passaram, plácidos mas a ameaçar mudanças. março trouxe a primeira novidade - o irmão mais novo de x foi contratado para trabalhar num estúdio em munique. foi o sonho concretizado. festejou-se. depois veio abril, e com ele mais novidades. x foi convidada para ocupar um cargo desejado por muitos mas que x não pediu e que x nem sequer havia considerado antes. festejou-se de novo, ainda que x tenha sentimentos ambivalentes acerca da partida. mas abril não ficaria por ai. x resolveu em abril a última das coisas que  a tolhiam por dentro. desta vez, x ganhou uma batalha de uma guerra que dura, talvez, há vidas. depois, x teve uma série de revelações e fez o que o universo lhe mandou. o mundo começou a mover-se em espirais loucas. e no meio do turbilhão de coisas x vê-se, pela primeira vez, na iminência de viver sozinha. mudanças em curso. casa de pantanas. caos. quando tudo estiver limpo e vazio x vai sentir que o seu pequeno mundo é gigante. as pessoas de quem x gosta estão a partir rumo ao seu futuro. e x continuará a sua viagem. uma viagem que começou já há muito. talvez um dia x encontre o seu lugar. talvez um dia x chegue a casa. por enquanto, x vai indo. em frente. e, desta vez, sem mágoas. e sem ter medo de errar. x confia no instinto. e, sobretudo, na intuição. e ambos lhe dizem que o caminho é por aqui. x vai em paz. missões cumpridas. mas antes de ir, x vai transformar a sua casa cá numa espécie de conto de fadas. porque x move-se assim, a pós de perlimpimpim.