28.12.15

x vai passar os próximos dias em recolhimento. e a aguardar ansiosamente noticias de alguém que vai acabar este ano tão difícil a lutar pela vida num bloco cirúrgico distante. o coração de x está apertado. e o maior desejo de x é que 2016 traga sorrisos de volta. e que x volte a abraçar esta pessoa tão especial com quem x partilhou tanto nos últimos anos. x hoje disse-lhe "até já". recebeu de volta um "gosto muito de ti". e as lágrimas quase caíram. mas x agarra-se à sua quase-oração: vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem...

27.12.15

e x reencontrou-se com o passado. e x ficou com a impressão que o passado queria ser futuro. porra!
2015 foi um ano estranho.em algumas coisas foi péssimo. mas noutras foi extraordinário. para x foi, sobretudo, um ano de decisões. de tomada de posição. de afirmação. no final de contas, para x 2015 foi bom. ou muito bom mesmo, apesar dos sustos. mas x viu o mundo ruir à sua volta. e isso é mau, mesmo que a nossa pequena nuvem continue a flutuar por entre os escombros do resto dos outros.
x ainda não parou de comer rabanadas e coisas afins. x espera que o vosso natal tenha sido bom. o de x foi.

17.12.15

hoje, x sonhou com alguém com quem já não sonhava há muito. x não sabe porque sonhou hoje com esse alguém. x não sabe e, na verdade, x não quer saber. 

11.12.15

e x recebeu pessoas de lisboa. é bom quando a nossa casa vem ter até nós.

9.12.15


José Gonzales - Every age

porque hoje x está com esta disposição.

8.12.15

2015 está a ser o ano dos sustos. até ao momento, x teve vários. o ano começou insonso. numa noite fria em lisboa. depois, o cansaço, as más noticias, a irritação, o confronto. por fim, a ruptura. x perdeu amigos, colegas de trabalho, pessoas. pelo meio, x recebeu este presente envenenado que é o trabalho que agora está a fazer. o trabalho não tem dificuldade nenhuma. é até bastante mais simples  do que pode parecer. o que é mau é ter de aturar numa base diária uma pessoa imbecil. x odeia pessoas imbecis, sobretudo se forem pessoas imbecis que estão convencidas que são extraordinárias. mas x aguenta. e espera calmamente o dia em que poderá voltar à base. x aguenta, mas o corpo de x queixa-se. as mazelas acumulam-se. a força, por vezes, cansa-se. mas x aguenta. e vai. mas 2015 trouxe mais sustos. uma pessoa que partilhou os últimos 7 anos de vida de x descobriu que tem uma doença grave. muito grave. x ficou em choque. vulnerável. x chorou. de indignação. de raiva. de dor. de medo. mas x tem fé que tudo vai correr bem. tudo tem de correr bem. mas 2015 trouxe mais - o pai de x sofreu uma queda grave. uma parvoíce que podia ter corrido mal. muito mal. no final, correu bem, apesar de o pai de x ter ficado numa cama de hospital por várias semanas. x acompanhou à distância - é tão difícil estar à distância nestes momentos! há dias, o pai de x sentia-se estranho. um tac inconclusivo foi suficiente para o coração de x bater mais depressa durante umas horas. afinal, não foi nada de muito grave. a mãe de x teve um problema no útero. resolveu-se sem dramas de maior. nas últimas semanas, x sentia-se doente - de quase tudo. x ainda não está bem. mas está melhor. tudo passará, x espera. 2015 trouxe, no entanto, coisas boas também - x ajudou algumas pessoas a cumprir sonhos; x cuidou de quem gosta mesmo muito; x descobriu pessoas novas; x foi leal, e mobilizou a lealdade; x percebeu o seu valor, e o seu impacto em alguns alguéns; x percebeu que é gente, e que há gente que a vê com olhos que veem por dentro. 2015 não foi bom, mas podia ter sido muito pior. em 2016 x quer saúde, e esperança, e fé, e amor, e risos, e calor, e amigos, e família, e futuro, e vontade, e força, e mais risos, e muitos mais risos. x quer ser feliz e quer que os que a acompanham sejam felizes também. x não quer mais sucesso, nem mais dinheiro, nem mais posses. x quer manter o que tem, em especial a sua sanidade. e quer pessoas, e risos, e momentos que contam histórias. em 2016, x quer uma vida cheia. de amor, paz, tranquilidade. e risos. muitos risos. e até podem ser acompanhados de copos de porca de murça tinto. o vinho é realmente bom e custa menos de 3 euros. resumindo: saúde e partilha. são os desejos de x para o ano que se aproxima. assim seja!
x chama-lhe "todo". mas vamos chamar-lhe deus. para ser mais fácil. x sente falta de deus. que é como quem diz, x sente falta de sentir o todo na pele. de estar em contacto. x afastou-se há demasiado tempo. agora sente-lhe a falta. e chama por ele. o todo, ao qual há quem chame de deus. o todo, ou aquilo que nos faz sentir em sintonia connosco e com o mundo. aquilo que nos faz sentir pessoas. vivas. capazes. imensas. x sente falta do todo. e quer senti-lo de novo. e cair-lhe aos pés e dizer "voltei".

x é parte do bairro. sejam também. aqui.
para além do ataque de sinusite e das dores nos olhos, x andava há semanas com dores de cabeça aborrecidas, a coluna atrofiada, uma mão dormente e uma série de outros sintomas chatos. depois de analgésicos e anti-inflamatórios vários, x passou-se e comprou um tapete de yoga. x fez 3 sessões caseiras de mais ou menos 30 minutos. as duas primeiras foram calminhas pois x estava toda empenada. a terceira foi mais a sério. ontem, x fez cerca de 30 minutos de exercicios especificamente para a zona cervical. minutos depois de parar, toda a zona dorsal ficou muito quente e pulsante. a cabeça estava completamente azamboada. a pressão a ser libertada era gigante. hoje, a mão já não está dormente. a cabeça já não está tão pesada, o pescoço move-se melhor, a tensão nas costas está aligeirada. e assim, ao fim de quase 9 anos, x voltou ao yoga e percebeu que ainda não lhe perdeu o jeito. continuemos então!


5.12.15

e depois de receber uma mensagem do texas que diz "x, excellent work on all of your comments...blablablabla", apetecia-me mesmo reenvia-la a uma pessoa que eu cá sei e dizer "embrulha e aprende, bitch!".

4.12.15

este psd tem tanto de social-democrata como x tem de nacional-socialista. 

3.12.15

acutil, bioactivo q10, rinialer, nasomet, brufen e ventilan - que é como quem diz: levanta-te e anda, x!
- oh x, o que tens para contar?
- ando cá com umas ganas de partir a tromba a uma esganiçada imbecil que nem vos digo nada... 
hoje apetecia-me falar só sobre sexo. sexo cru. com roupas arrancadas à pressa, corpos sofregos a embater em paredes, ou sobre mesas desobstruidas em ansias, ou com lençois enrrolados nas pernas, ou lançados ao chão em desatino. com corpos transpirados embrulhados em nós cegos. com vontades animais e insaciáveis. indiferentes ao cansaço ofegante ou aos dentes espetados na carne. hoje apetecia-me falar só sobre sexo. assim, canibal. mas só me ocorrem imagens daqueles raros momentos em que mergulhamos no ser de alguém e o corpo inteiro passa a ser residual comparando com a sensação inenarrável que é transcender para lá do material. imagens da explosão de emoções que é o simples toque de alguém que nos entra pelos poros. imagens de rendiçao perante o sentir irracional, incondicional, involuntário. imagens de amor. amor e sexo não são, de todo, a mesma coisa. mas juntos, é algo de extraordinário.
há alguns anos, x ruiu num estalar de dedos. um dia, olhou-se no espelho e desconheceu-se. tudo à sua volta era estranho e hostil. depois, reaprendeu-se. foi um longo processo até se apaziguar. consigo. com os outros. com o mundo. nesse caminho, encontrou coisas que antes desconhecia. encontrou uma força interior que não sabia ter. aprendeu a ver com o sentir. reconheceu onde é sem esforço. descobriu que lê os sons. e que são estes que lhe devolvem a calma. o equilibrio. e a fé. ontem, foi a música que segurou a sanidade mental de x. ontem, como hoje.


M83 ft Haim - Holes in the sky
e, lentamente, x começa a recuperar forças.
e, às vezes, x pára e relê o que em tempos escreveu para alguém que lhe pôs a alma a nú antes de fazer um festim sórdido com ela. e o aperto por dentro reaparece. e as palavras ganham forma de bárbaro sujo. depois, x respira fundo e pensa já passou, já passou, já passou...

29.11.15

- amiga de x gravemente doente;
- pai de x internado com um micro avc mas livre de perigo;
- x quase deprimida, profundamente triste, com a vista esgotada, ataque de sinusite, tosse alérgica, ouvidos a picar, suspeitas de asma e tendinite nos extensores dos dedos da mão esquerda.

foram umas semanas desgraçadas. pelo meio, x encontrou ao acaso uma médica de quem realmente gostou. sem dramas, sem histerismos, sem discursos hiperbólicos acerca dos cuidados com a saúde. x volta amanhã a áfrica. depois vai tirar férias. de tudo. e vai mimar e ser mimada. saúde e família, é o que realmente importa. o resto orienta-se.

15.11.15

13 de novembro de 2015. Foi pela Aljazeera que x recebeu a notícia, quase em simultâneo com o início dos ataques em Paris. X ficou acordada até as 4 da manhã. Sozinha. Incrédula. O terror em massa bateu-nos por fim a porta. Provamos o mal. Atacaram-nos na nossa essência civilizacional. Agora reajamos com frieza. Recusemos o sectarismo, a intolerância, o racismo. Recusemos sobretudo culpar aqueles que fogem destes mesmos seres ignóbeis. Que se unam as nações do mundo, as religiões do mundo, as pessoas do mundo. Que se denuncie quem participa nisto, que financia isto, quem é conivente com isto. Sem medo. E que se faça em pó o Daesh. Morram, morram todos.

13.11.15

uma pessoa de quem x gosta muito e de quem x é muito próxima está doente. aparentemente, muito doente. chocar com a nossa fragilidade é como levar várias bofetas na cara vindas de todo o lado. x está agoniada. e com vontade de voltar a casa e fazer parar o tempo. nestes momentos, resta a x agarrar-se ao mantra que a vai acompanhando: vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem...

9.11.15


quase não conter as lágrimas ao som de palavras cantadas em português, deve querer dizer que está na altura de voltar. nem que seja só por um bocadinho.  faltam duas semanas para x voltar a entrar na casa que é a sua. e de lhe beijar o chão. desta vez, x acha que vai cair desarmada. sem forças.  depois, x volta, e funcionará em modo autómato durante mais uns meses, até poder regressar à vida que deixou em suspenso.

8.11.15


E a senhora da copa lá na empresa disse:"a Dra. X parece uma daquelas pessoas que fazem filmes que dão lá no cinema!"... E x ia-se engasgando com o café...

3.11.15

x tem andado demasiado ocupada para pensar em si e/ou no caminho que escolheu. mas, de vez em quando, parece que a vida a leva contra um muro de betão de modo a a obrigar a pensar nisso. e é nesses momentos que x volta com mais ganas ao sítio onde x é de verdade - à música. é na música que x se encontra, que x se recolhe, que x fica em silêncio por fora mas cheia de frases por dentro. é na música que x se revê. e é lá também que x encontra razões para continuar. mas, apesar de x até ser bastante eclética na música, só algumas coisas lhe chegam mesmo às entranhas. são essas que x consome avidamente como que à procura do conforto de casa. e é por isso que, apesar de o ano ainda não ter chegado ao fim, x pode já dizer que este é o seu álbum de 2015. saiu há dias e chama-se The Hunter. vão e explorem. aqui.




WTAB - Save the deer

27.10.15

e perguntaram a x se já tinha saudades. x pôs-se a pensar e percebeu que ainda nem tinha pensado nisso. X não se pode dar ao luxo de ter saudades, seja lá isso o que for. mas x sente falta de uma coisa - da sua casa.
X quase não tem ouvido música. Deve ser por isso que anda meio irritadiça.

19.10.15

Por onde tens andado x?


18.10.15

Por onde andas x?

6.10.15

- oh x, como é viver em áfrica?
- é ter cortes de energia; e ter água racionada; e ter cuidado para não ter acidentes ou não adoecer porque os hospitais ou são não são bons ou são caros como o raio e ambulâncias também não há; é avariar o carro no meio do nada e não haver reboques para desenrascar; é arranjar solução; é ser naturalmente optimista porque se assim não for mais vale apanhar o avião e voltar para casa; é satisfazer-mo-nos com pouco e aproveitar o pouco que há; é fazer gincanas entre buracos nas estradas; é ver que crescemos quase todos mimados e hiper-protegidos; é perder a pachorra para com quem se queixa de nada ou de quase nada; e tomar consciência que nós, europeus, somos uns privilegiados e não temos noção disso.
hemisfério sul.
calor a começar.
árvores a florir.
pulmões de x a mirrar.
amigos do peito sempre à mão.

2.10.15

jamais votaria na PáF. jamais. votar neste PS era motivo para ter um colapso gastrico a seguir. provavelmente, entre o BE e a CDU, tirava à sorte. e depois ia beber para esquecer. e isto quer dizer o quão mau é o cenário. o facto de não poder votar nestas eleições ajuda-me a não ficar com peso na consciência. mas, ao mesmo tempo, angustia-me por não poder contribuir para pôr o governo actual no olho da rua. estas eleições são uma espécie de roleta russa.

30.9.15

e ainda não passaram três meses e já há quem não queira que x vá embora ao fim dos dezoito meses previstos! oh foda-se!

24.9.15

x está a ler um parecer de um reconhecido profissional da praça lisboeta - que até é professor universitário num universidade de renome ai do sítio  - e que cobrou, com certeza, uma enormidade de dinheiro para o escrever. o inglês é péssimo. o conteúdo técnico é uma merda. o director geral do projecto pediu a opinião de x sobre o mesmo. agora, como dizer de forma simpática algo como: "senhor director, pois que eu sei que tenho ar de pirralha mas este parecer, apesar de ter sido feito por quem foi, é tão merdoso que se fosse eu a mandar não lhe pagava um tusto!"?.

23.9.15

uma pessoa está nos morros de áfrica a preparar-se para dormir e de repente recebe uma mensagem de alguém com quem já não tem contacto há quase vinte anos com discursos saudosistas do antigamente e pensa: "porra!".

21.9.15

x levanta-se às 7h. pouco depois das 8h já está no escritório. entre emails, reuniões e trabalho, quando dá por ela é hora de almoço e ainda não meteu nada na boca que não café. x come quase sempre na copa do escritório. demora cerca de 10 minutos a comer. depois continua no trabalho. quando dá por ela são 18 horas e nem lanchou. sai por volta das 20h, chega a casa e come o que houver. deve ser por isso que tem o estômago a queixar-se.
entre o drama dos refugiados, as palermices do donald trump e o malware que atacou a apple na china, x quase pensa que o mudo caminha para o fim.
x está a ver a primeira temporada do game of thrones. sim, x é meio atrasada nestas coisas e não se incomoda muito com isso.
a semana passada, com apenas uma mensagem para a administração, x garantiu que uma pessoa cujo contrato estava a terminar, mantivesse o posto de trabalho por tempo indeterminado. hoje uma pessoa que, há uns 4 ou 5 meses, x indicou como potencial candidata a um trabalho foi contratada. são estas pequenas coisas que fazem x sentir-se realmente bem.
e passaram dois meses. x devia ir a Portugal em outubro, mas já não vai. vai em novembro. até lá tem de passar por Johannesburg e depois tem de ir quase até à fronteira com a Tanzania. talvez ainda vá a Cape Town um fim de semana. e depois... Lisboa!

15.9.15

conhecendo como conheço o povo de braga, o nosso primeiro ministro teve sorte em sair de lá com os dentes todos.

14.9.15

comparando com a exigência e organização do grupo de trabalho de que x faz parte em lisboa, o departamento em que x está a trabalhar de momento é uma espécie de anedota. e isto é quase inacreditável  considerando que estamos a falar de um ultra-mega-projecto internacional que devia ter pessoas hiper competentes à frente. não é o caso. e é assim que vemos que em portugal há matéria prima humana ultra qualificada que não tem noção do valor que efectivamente tem. x, por acaso, até sabe que é uma privilegiada por trabalhar num sítio de que gosta, onde se faz um trabalho excepcional e que até reconhece o valor das pessoas pagando-lhes condignamente. mas faz-nos muito bem sair da concha e ver como as coisas se passam no terreno. quanto mais não seja ficamos a perceber preto no branco que somos mesmo mesmo bons. pena é confirmar que o mundo é gerido por pessoas muito mal preparadas e ainda por cima com a puta da mania que são a última coca-cola do deserto. sim, x está a ficar com ganas de partir a boca a alguém.
x nunca esteve desempregada. teve muitos trabalhos de merda e mal pagos, mas desempregada x nunca esteve. nem desempregada, nem desocupada. x começou muito cedo a trabalhar. primeiro com os pais, que eram comerciantes. x sempre trabalhou com os pais e, por isso, enquanto criança e adolescente x nunca teve "férias grandes"- pelo contrário, nos meses sem aulas x acordava às 4 ou 5 da manhã para ir trabalhar. aos 18 anos x foi para a faculdade. mas, nas férias, x voltava a trabalhar com os pais. na faculdade, x tinha uma bolsa de estudo, mas não chegava para tudo. por isso, x sempre trabalhou em alguma coisa para ajudar a pagar as contas. durante os tempos de faculdade, x foi assistente num infantário, empregada de balcão num centro comercial, passou pelo telemarketing, fez milhares de inquéritos para estudos de mercado, fez centenas de entrevistas para um estudo nos bairros sociais de lisboa, leu  dezenas de livros para fazer a triagem inicial num concurso de literatura, lavou loiça num restaurante, trabalhou na loja duty free do aeroporto de lisboa e deu explicações. pelo meio, ganhou uma bolsa do governo dinamarquês, viajou pela escandinávia, foi membro de uma associação de estudantes e de um órgão representativo das residências universitárias da universidade de lisboa, organizou uma exposição de artes plásticas, foi a festivais de música, fez uma road trip por portugal e outra pelo sul de espanha, e fez amigos que ainda duram. no fim do curso, x voltou à cidade natal onde fez um estágio que durou dois anos e meio. x não recebia um chavo e odiava aquele estágio. mas levou-o até ao fim. ainda assim, ao mesmo tempo, para pagar as contas, x foi entrevistadora do ine (e recebeu uma pipa de massa por esse trabalho), trabalhou num café e fez um segundo estágio (este mais pelo gozo) numa rádio. depois de acabar o estágio profisisonal, x não queria trabalhar na profissão para a qual a universidade a havia preparado e, de um dia para o outro, depois de uma conversa de circunstância com um amigo, deu por si a caminho de coimbra com vinte euros no bolso para ir ter com uma pessoa que estava a precisar de alguém para a ajudar a fazer pesquisas para escrever um livro. x não conhecia essa pessoa de lado nenhum mas ao fim de poucas horas x e essa pessoa perceberam que se dariam muito bem. passados três dias x estava de volta a lisboa, para começar a trabalhar com essa pessoa. foi o trabalho mais giro que x teve na vida - escrever! passados oito meses, essa pessoa adoeceu e acabou por falecer. x arranjou trabalho na sua área de formação assim de repente e sem saber bem como. a verdade é que, a contragosto, mandou um cv. no dia seguinte recebeu um telefonema e passados dois dias estava a começar um novo trabalho num escritório mais ou menos importante do mercado. x esteve lá quatro anos, até se fartar. um dia, depois de se lhe esgotar a pachorra, x começou a procurar outro trabalho. a busca levou-a a moçambique e x abandonou o trabalho que tinha, pegou numa mala de roupa e viajou para maputo. ao fim de oito meses x decidiu que tinha de mudar de trabalho sob pena de esmurrar a tromba ao dono do escritório onde à altura x estava a trabalhar. durante a busca por outra ocupação, x apresentou projectos à usaid e a outras coisas do género mas não deram em nada. um dia, meio à sorte, x mandou um cv (meio a gozar) para um grande escritório em lisboa. passados uns dias recebeu um telefonema, depois fez entrevistas presenciais e ao telefone. x foi contratada e voltou a lisboa. x trabalha nesse sítio ainda, apesar desta nova aventura que lhe caiu no colo x não se desvinculou do sítio-mãe e espera voltar para lá logo que possível. é verdade, x nunca esteve desempregada, nem desocupada. teve muitos trabalhos de merda, e por mais do que uma vez viu a vida querer fugir-lhe das mãos, mas resistiu, manteve-se fiel a si própria, não se resignou, não aturou merdas de ninguém e, sobretudo, não se meteu em nada que não lhe desse espaço para sair a correr caso lhe desse nas ganas. e foi assim que x chegou aqui. com muito mas mesmo muito trabalho. e com uma boa dose de loucura, também. sorte? a sorte faz-se... com resiliência e força de vontade e, sobretudo, com atitude e fé em nós. ainda assim, x perdeu muita coisa pelo caminho, mas a "sorte" também implica isto - fazer escolhas, e às vezes escolhas muito difíceis e com consequências muito sérias. nenhuma vida é perfeita, mas devemos construir a nossa à medida que nos couber. e não desistir, não desistir nunca. mesmo quando toda a gente diz que estamos a ir no sentido errado. porque quem melhor do que nós sabe o caminho que é o nosso, mesmo que dele não tenhamos plena consciência?

9.9.15

do debate: foi uma merda. mas se houve um vencedor foi o costa. também não era difícil considerando que do outro lado estava uma alforreca alucinada.

8.9.15

queria poder agarrar-te pelos braços
e dizer-te para não ires mais além
que aqui chega
que aqui é
queria poder dizer-te que a casa, quando é nossa, tem tecto e chão e limites
e que o destino tem um fim
e que a vida é quadrada
e que tem cercas que definem o espaço onde se movem as vontades
queria poder fazer isso tudo
e queria acreditar que tudo isso é verdade
queria
mas se o fizesse estaria a mentir
por isso, sejamos
assim como somos
desencontrados


2.9.15

uma das melhores amigas da adolescência de x, com quem x já não tem qualquer tipo de contacto há mais de vinte anos, pediu amizade a x no facebook. x aceitou e apanhou um susto. depois, x pôs-se a pensar que a boa relação com a vida deve ser uma espécie de elixir da juventude.

30.8.15

essa merda do amor e cenas...

29.8.15

- oh x, dá lá um exemplo de uma coisa cara no sítio onde estás.
- a internet. um pacote básico custa quase 100 euros.
- oh x, e como é viver em países em desenvolvimento com indústrias promissoras?
- caro pra caraças!
- oh x, e afinal como é que é trabalhar no sítio onde trabalhas?
- LOL.
- oh x, e como é a tua vida ai?
- acordar às 7, estar no trabalho às 8, almoçar no escritório, sair às 19, chegar a casa às 19.10, comer qualquer coisa, fazer tempo, dormir, acordar às 7...
- oh x, e onde arranjas móveis recuperados a preços menos maus considerando outros exemplos que conheces no mercado?
- aqui.

28.8.15

- oh x, e o que fazes ai para passar o tempo?
- planeio obras na casa de lisboa e a decoração do escritório que, finalmente, vou ter. já encontrei duas poltronas e um aparador (ambos velhos e descartados pelos antigos donos) que depois de recuperados vão ficar o máximo. ficam a faltar as estantes, uma secretária em vidro e uma cadeira.
apanhar um voo internacional para uma cidade a uns 500 km de onde x está. apanhar quase de seguida outro voo internacional de regresso ao país de origem, mas para uma cidade a, sei lá, 3000 km a norte. tirar uma foto. apanhar um voo doméstico para o primeiro ponto de partida. e isto tudo para conseguir um visto. faz algum sentido?

22.8.15

vontades que x quer realizar em breve: harare e livingstone.

WTAB - The wolf

esta música deixa x estupidamente feliz.

21.8.15


Nirvana - In bloom

aqui, os melhores amigos de x são miúdos que têm pouco mais de idade do que x tinha quando ouvia nirvana. e é isto.

20.8.15

e ele entrou na reunião e disse "hi, i'm adam". e x ficou petrificada, quase engoliu em seco e até acha que corou um bocadinho.

18.8.15

x odeia trabalhar com gente burra. e gente burra há em todo o lado. até nas indústrias mais sofisticadas do mundo. como esta onde x veio parar e que está a deixar x de cabelos em pé com o nível de estupidez instalado. e é isto.

14.8.15

amanhã, x vai estar na áfrica do sul.

10.8.15

x está aqui onde está há cerca de três semanas. não parecem três semanas. na verdade, parece que o tempo parou. ou então que passou a andar mais depressa do que o costume. x não sabe bem. sabe contudo que está num tempo que não é o seu. é um tempo algo diluído. sem princípio, sem fim, e sem meio. é assim como estar em suspenso. à espera que um dia chegue a hora de acordar. x está há cerca de três semanas neste tempo sem tempo. e está quase sempre em silêncio. contudo, a sua cabeça ainda não começou a falar sozinha. por um lado, isso é bom. mas x sente falta das vozes que lhe ditam o caminho ao ouvido. mas agora, x está sozinha. absolutamente sozinha. como se o universo a tivesse posto perante a sua derradeira prova. sem rede. sem nuvens a esconder saídas. e sem vozes vindas sabe-se lá de onde. este é um período em que a razão se sobrepõe à emoção. x está sozinha, em silêncio e vazia de sentires. no meio disto tudo, x só tem um medo: aborrecer-se. 
- oh x, o que é que é mesmo mau nesse teu novo trabalho?
- ter de levar com duas gajas ressabiadas na equipa e não as poder mandar para um sítio que eu cá sei.

9.8.15

Jónsi - Grow till tall

x vive assim, crescendo todos os dias, mas sem planos. talvez um dia cresça até ser grande. ou não.

6.8.15

x tem passado os dias em reuniões com os líderes de um dos maiores projectos energéticos / industriais do mundo. x tem vindo a perceber que essa malta é gente perfeitamente normal e que x não se sente nem um bocadinho deslocada. e isto é giro e estranho ao mesmo tempo. sobretudo quando x os interrompe e diz "na minha opinião devíamos fazer isto assim assim...". x esteve um dia destes numa reunião com um ministro. no fim só faltou irmos beber um copo juntos e falar da vida. portanto, está a correr bem, muito bem!

3.8.15

x é bem paga. muito bem paga. mas não está a ser tão bem paga como algumas pessoas pensam que x está a ser paga. de todo o modo, x é muito bem paga e x nunca na puta da vida pensou que lhe pagassem tanto como estão hoje a pagar para fazer x o que faz. ainda assim, a tipa que x veio substituir durante uns tempos deve receber o triplo do que x recebe por mês, acrescido de uma série de benesses assim mais ou menos incalculáveis. uma pequena fortuna mensal, portanto. não obstante, ao fim de duas semanas, x já percebeu que a tipa que x veio substituir é uma espécie de abécula. resumindo, deus nosso senhor, às vezes, parece tolo!

30.7.15

e ao fim de mais ou menos suas semanas, x tem uma lista de assuntos em mãos gigante.

27.7.15

aqui, os dias de x começam cedo. x acorda às 7h. às 8h está a caminho do escritório, onde chega por volta das 8.15h. depois pega numa caneca gigante de café. pega em várias durante o dia. entre reuniões e organização dos trabalhos em curso, as horas passam. os assuntos são vários. e x ainda não os domina suficientemente para se sentir confortável com os mesmos. por isso, x tem de concentrar-se mais do que os restantes. x almoça por volta da 13h. ou 14h. x almoça no escritório, porque, para já, ainda não tem como se deslocar à hora de almoço. x está à espera que se resolvam burocracias em lisboa para poder conduzir cá, no sítio onde está. depois, x continua a trabalhar. até às 18h. ou 19h. x não pode sair mais tarde do que isso. caso contrário perde a boleia com o motorista da empresa. depois, chega a casa. faz qualquer coisa para jantar. come. e fica sozinha o resto da noite. quase sempre. por aqui, os dias são assim, trabalho e solidão. quase sempre. x está assim, em modo autómato. mas, na verdade, a vida de x tem sido muito assim. em modo autómato.

26.7.15



longe de tudo, restamo-nos nós. e o silêncio que nos ocupa os dias leva-nos a sítios nem sempre bonitos. ocorre-me que serei sempre assim, uma espécie de jangada à deriva.

25.7.15

e ao fim da primeira semana a sério o que x tem a dizer é isto:

- o trabalho faz-se;
- a equipa conquista-se;
- ver as coisas por dentro desmistifica-as;
- vai ser menos difícil do que x esperava;
- vai ser mais aborrecido do que quem está de fora imagina;
- vai ficar extraordinariamente bem no curriculo mas, comparando com o tipo de trabalho que x faz em lisboa, x fica com a impressão que tudo isto é um bocadinho bluff;
- só saindo do que conhecemos percebemos o quão bons realmente somos.

24.7.15

setecentos e qualquer coisa euros. é quanto a câmara municipal de braga me está a cobrar para licenciar a ligação ao saneamento. se foram lá ver a obra durante cinco minutos foi muito. e é isto.
o mundo que x conheceu nos últimos oito e qualquer coisa anos, morreu hoje. é estranho ver as coisas ruir à distância. amanhã, renasceremos. queira o destino que maiores, mais fortes, mais tudo. mas o mundo que x conheceu nos últimos oito e qualquer coisa anos, morreu hoje. e isso é, apesar de tudo, triste. 

20.7.15

coisas que x nunca esquece quando viaja:

- paracetamol em modo dafalgan.

coisas que x esquece frequentemente quando viaja:

- escova de dentes.
x esqueceu-se de meter o secador de cabelo na mala. x foi tentar comprar um. desistiu. o mais barato custava 125€.
#dia1 - correu muito bem!
- oh x, agora tens de perder os 5 ou 6 quilos que ganhaste por causa dos nervos!

19.7.15

e x foi jantar com uns amigos. e vestiu umas calças skinny azuis claras e uma blusa de seda branca e um blazer azul escuro, calçou as sandálias de salto e pegou na sua mala nova. ao sair de casa olhou-se no reflexo da porta do prédio e teve um ataque de riso. há dois dias x estava em lisboa a beber café numa esplanada qualquer de chinelas, cabelo desgrenhado e ramelas nos olhos. hoje x está algures em áfrica com um ar hiper urban chic. x é assim, meio imprevisível e algo contra-corrente.
e x foi aos saldos. as lojas do costume só tinham lixo. e lixo sem ser a preço de saldos. e x ficou chateada. e depois x decidiu oferecer a si mesma uma mala da furla e uma blusa e um vestido adolfo dominguez. porque x merece caraças! 
e x disse "até já" ao escritório de lisboa. e depois recebeu mensagens de todos os membros da administração a desejar sorte e a agradecer o facto de x ter aceite esta missão que lhe foi proposta. x sabe que tem os olhos postos em si. e isto é um pouco assustador. mas x está calma. estranhamente calma.
e pronto. x chegou ao destino. curiosamente, está extraordinariamente tranquila. e leve. que comece a  festa, então.

9.7.15



então levanta-te x. e parabéns. 

8.7.15

enquanto pensa o que vestir, x realiza que tem roupa distribuída por dois continentes e três cidades diferentes. a vida de x é assim, fragmentada. 
é um misto de sentimentos estranhos. entre o ir e o ficar andamos muito tempo em lado nenhum. x anda algo perdida nestes dilemas. e nesse processo, tudo com o que se cruza parece querer dizer-lhe algo. ontem a meio de uma porcaria qualquer que dava na televisão, uma personagem diz algo como "sítios onde não queremos ir mas onde temos de estar, coisas que não queremos saber mas que temos de aprender, pessoas sem as quais não conseguimos viver mas que temos de deixar...". é mais ou menos isto.

5.7.15



"ajusto-me a mim, não ao mundo"

anais nin
não consigo escrever. só escrevo quando estou a rebentar de emoções. e agora estou vazia. é só espaço oco por dentro. o nada. o absoluto nada. nem bom, nem mau.
- oh x, perdes o tempo com a cabeça nas nuvens e esqueces-te que a vida acontece cá em baixo. 

4.7.15



e línguas de fogo queimaram-me a pele. 

26.6.15


When the angels breathe - Cry

há uma inesgotável esperança, mas também há muita melancolia. e fatalidade. há a adrenalina de ir; e o querer ter vontade de ficar. há o querer explicar aos demais e não o conseguir. e há o caminhar permanente mesmo que o destino não nos seja muito claro. há o não desistir; o ir, ir sempre, até cair de rastos. e há a claustrofobia; e o esforço para ser aqui; e, depois, há a vontade de liberdade. silêncio. e, de repente, há o descolar do chão; e o mundo correr olhos dentro; tudo sem aviso. há um querer mais, sem saber exactamente o que é esse mais. há angústia por ir; e angústia por ficar. há a viagem permanente, mesmo quando se não sai do sítio. e há, também, uma pena desmedida por serem tão poucos os que nos acompanham. há uma felicidade quase tonta, embora colada a uma tristeza omnipresente. há vida fora do corpo; e um estado semi-letárgico de sonho permanente. no fim, caímos de joelhos no chão; mas com um sorriso enorme na cara. depois, começa tudo de novo. em loop. e é por isso que esta música é igual a x.

25.6.15

x está de volta a casa. por umas semanas só. depois volta para onde vai ficar por mais uns tempos. mas neste momento, neste preciso momento, x preferiria ficar aqui. em casa. na sua casa. x está a ficar cansada de vaguear algures. mas os próximos meses serão uma corrida insana. depois x há-de parar. e x precisa tanto de parar.

15.6.15

- oh x, estás a gostar?
- assim de repente, nem por isso!

14.6.15

x está como que anestesiada de tudo. apesar quase todo o seu mundo parecer estar a sofrer com dores de parto. tudo está a mudar. a nascer de novo. e isso é bom.

11.6.15

x hoje deu um mega trambolhão à porta da empresa. sim, x também se farta de fazer figuras tristes.

10.6.15

x é olhada de cima abaixo com alguma reverência. x acha que deve ser dos saltos das sandálias que usa que a fazem maior que os demais. mas, mesmo assim, não deixa de ser estranho. e é assim a vida de x por estes dias. dias algo alucinados, convenhamos. hoje x jantou com gente que dizem que é  -importante. x não se sentiu nem mais nem menos do que aquilo que é todos os dias, ela. ainda assim, x não deixa de pensar "como raio cheguei aqui pá!".
"this is x. you are taking her away from me and I am going to miss her a lot." x cruzou-se no elevador com o chefe de lisboa e com a equipa que está a liderar o projecto onde x vai estar durante os próximos tempos. x e o chefe adoram-se. x engoliu em seco. e pela primeira vez pensou "vou sentir tanto a distância". x acha que o chefe ficou com vontade de dizer "fuck it e volta comigo para lisboa!".

9.6.15

hoje, antes de sair de casa, x deixou dinheiro colado a um recado para a empregada para comprar insecticida. quando chegou a casa, x tinha o frigorífico cheio de legumes, uma mega sopa feita e um ananás quase gigante no cesto da fruta. a empregada de x parece a mãe de x.
x andava há muito tempo esquecida. esquecida de quem é. esquecida da sua capacidade de se adaptar. de sobreviver. e é isso que x tem voltado a sentir aqui onde está. x não queria estar aqui. mas está a fazer-lhe bem estar aqui. está a redescobrir-se num mundo que, apesar de tudo, lhe é novo. e estranho. um mundo que é um gigantesco salto no escuro. x estava confortável em lisboa. talvez até demasiado confortável. mas já nada era novidade. já nada metia medo. já nada a surpreendia. x estava a começar a ficar aborrecida com a vida. e consigo. aqui x está sozinha. tem gente à volta, mas está sozinha. e, na verdade, por enquanto, ainda não lhe apetece chamar as pessoas que tem à volta para perto de si. por enquanto, x sai cedo do trabalho. mais cedo do que alguma vez saiu. e fica muitas horas sozinha em casa. porque lhe apetece. não porque tem de ser. x nem sequer liga a televisão. ouve música. sempre. e está a saber-lhe bem. x sabe que esta fase vai passar. talvez até passe em breve. mas, por enquanto, é assim. hoje x andou a pé pela rua. sozinha. as pessoas sorriem. e dizem bom dia.  x devolve sorrisos. e cumprimentos. x sente-se leve. de novo. apesar de estar tão longe de tudo. mas x sente falta das pequenas rotinas. das caras de todos os dias. dos cafés e cigarros partilhados a deitar conversa fora com as pessoas que fizeram parte do seu dia a dia durante anos. mas x sente, sobretudo, falta de si. e talvez aqui se reencontre. e volte a sentir a enormidade das coisas. e, quem sabe, talvez volte a acreditar em magia.


o tédio de ter ainda pouco para fazer.

8.6.15


José González - Every age

e um dia o mundo x, um dia o mundo vai explicar-te o porquê do caminho. até lá, caminha. e abraça tudo o que se cruzar contigo. porque a tua vida é isso x, ir e cruzar-te com o futuro. mesmo quando disso não dás conta.

 oh x, és livre!
e x chega ao seu novo sítio de trabalho e a primeira coisa que acontece é ser apresentada ao "Project Leader" e ser convocada para a reunião semanal da "Leadership Team". ora o "Leadership Team" são 12 homens com ar de andar nesta indústria há muito muito tempo... e x! é caso pra dizer "ai foda-se"!"

7.6.15

x nunca teve tiques de burguesa. mas agora vê-se metida num mundo surreal, com uma empregada doméstica a tempo inteiro no sítio onde está, uma espécie de governanta em lisboa, e um motorista que a vem buscar e levar do trabalho. deus nosso senhor, às vezes, parece meio doido!


oh x, lembra-te que no teu coração cabe um gigante.
x já gostou de cozinhar. de misturar sabores e fazer coisas extravagantes. agora x detesta pegar em panelas e tachos e cenas afins. detesta. dá-lhe nos nervos de uma forma inexplicável.  quando tem mesmo de ser, x até cozinha. mas agora estando sozinha x sabe que o não vai fazer amiúde. x suspeita que as refeições que vai fazer em casa se vão resumir a coisas que não levem mais de 15 minutos a preparar. para além disso, x vai fazer o que há muito pretendia - ter uma alimentação maioritariamente vegetariana.
coisas que x odeia de morte: a musiquinha "os tais" do ex-pacman. garotos do INOV-Contact armados ao pingarelho. neo-colonos. gente malcriada em geral. e chá de tília, x detesta chá de tília.
"trust your heart if the seas catch fire, 
live by love though the stars walk backwards"

ee cummings

(porque x percebe tão bem o que isto quer dizer.)

x só trouxe o whitman. mas vai trazer também o cummings. e o rilke. x descobriu que dificilmente viverá bem sem eles ao pé. mesmo que lhes não toque com a frequência que gostaria.
#dia 3 - começou cedo. às 9h x já estava a caminho do porto. festa a bordo de uma espécie de nau. depois, transbordo para a praia num barco minúsculo. x odeia andar de barco. x odeia muita água junta. mas x adora o mar, desde que esteja a distância segura. no entanto, x meteu-se no barco e lá foi. ondulação, muita ondulação. e o primeiro banho de índico. x estava vestida, mas isso não interessa nada. festa na praia. viagem de volta à espécie de nau. almoço. festa de novo. chegar a terra. casa. tirar a roupa molhada. banho quente. enrolar-se na cama. adormecer sem querer. sonhar coisas estranhas. acordar. vestir-se. sair para jantar com amigos. festa até às 4h da manhã. voltar a casa. e algures ali pelo meio x teve um momento de silêncio com a sua cabeça. e disse para si "oh x, apesar de tanta gente à volta a solitude interior nunca te desacompanhará".

6.6.15



x.
- oh x, foste tu que pediste. agora x, aceita e segue com o sorriso cheio e os braços abertos.

5.6.15

x sempre quis ser independente. e livre. x é completamente independente. e livre. mas x começa a perceber que isso deixa mazelas, também. e que nos afasta de algumas pessoas. mesmo de algumas de quem gostamos muito. sobretudo daquelas que não lidam bem com a independência e a liberdade. nem suas, nem dos outros. mas essas pessoas, na verdade, não nos fazem falta. nada nos ensinam. nada nos acrescentam. pessoas dessas x não quer na sua vida. e há muito tempo que x fez as pazes com isso. x é independente e livre. e quem está com x está mesmo a sério. mesmo que esteja a alguns milhares de quilómetros de distância. e quando pessoas que estão, mesmo que estejam a milhares de quilómetros de distância, se encontram corpo a corpo, explodem estrelas no céu. e é isso que importa.
a vida de x nos próximos tempos:

- trabalhar num projecto magalómano a tempo inteiro
- trabalhar nos entretantos para a casa-mãe
- monitorizar 4 caixas de email
- carregar 3 telefones
- reportar a lisboa
- reportar a houston
- manter o contacto com os amigos via facebook
- manter o blog vivo
- escrever
- ouvir muita música
- rir, rir muito, enquanto pensa "oh x, tens uma vida desgraçada mas é tua!"

x tem com a palavra "saudade" uma relação estranha. x só sente saudade, ou falta, do que não teve ou do que não pensa conseguir vir a ter. o que tem, mesmo longe, existe. é certo. e x não esquece. nem quer perder. x sabe que está lá, guardado. até voltar. incondicionalmente. já o que x não teve, ou não pensa conseguir vir a ter, disso sim, x tem saudade, ou falta. 
#dia 2 - x levantou-se às 7h. a casa em absoluto silêncio. x está sozinha e vai estar sozinha o tempo quase todo. a casa é enorme. e silênciosa. parece que a rua não está lá. x precisa de arranjar um sistema de som. x precisa de música pela casa. x suspeita que não vai usar a televisão. vai ficar-se pela música. e pela escrita. só aqui, no blog, ou por outros sítios também. x ainda não sabe. mas x suspeita que serão tempos dedicados ao vazio de ruídos estranhos. a televisão sempre foi para x um desses. por isso, provavelmente, ficará calada, quase sempre. mas x dizia que acordou às 7h e a casa estava em absoluto silêncio. depois tomou banho. vestiu-se. pôs a maquilhagem. o perfume. as pulseiras. os anéis. bebeu um sumo. pegou no computador, no ipad, nos telefones, na carteira, nas chaves e no tabaco. saiu de casa. pela primeira vez nesta casa, x abriu a porta para sair para mais um dia. foi assim hoje. será assim por um ror de dias que ainda não têm bem um limite claro. será por um ano. ou um ano e meio. x disse que não queria que fosse nem mais um dia. sob pena de depois não querer voltar. e x está absolutamente convicta que quer voltar. de preferência rapidamente. para retomar a vida que deixou pendente. mas x não tem planos. a vida vai-se montando. como um puzzle. e x vai indo atrás dela. como se fosse ela que mandasse em x e não o contrário. mas x está-se a perder... dizia que saiu de casa pela primeira vez. depois apanhou a sua boleia e foi para o escritório. fez algum trabalho, mas pouco. almoçou com os colegas. riu-se com outros. partilhou histórias. parou para ouvir música. a música é a forma de x se sintonizar consigo. o dia aqui acaba cedo. e pouco depois das 17h já é noite. x saiu do escritório e veio acabar um trabalho para casa. o trabalho de x pode fazer-se em qualquer lugar. haja condições para isso. e x agora têm-nas. a casa é grande. talvez demasiado grande. e silênciosa, x já disse que a casa é silenciosa? e agora x vai jantar com os chefes. um deles que ainda hoje disse a x entre gargalhadas "e pensar que eu tive dúvidas em contratar-te por andares sempre de tótós empinados, meias estranhas e botas docmartens!"... a vida de x tem sido assim... e tem sido boa!
e x constata que, depois do iphone, usar um blackberry é um pesadelo!

((ASA)) - Open wings
19 de junho, Auditório do Seixal
20 de junho, Casa da Música, Porto
26 de junho, Teatro do Bairro, Lisboa

tem sido das coisas que x mais tem ouvido nos últimos dias. foi a maior surpresa que x teve nos últimos meses. é das coisas mais interessantes (e bonitas) que x descobriu recentemente. são portugueses e são extraordinários. felizmente, x estará em portugal nesta altura. por isso, x vai. claro que vai!
x acordou às 6.30h. saiu de casa às 7.45h. são 8.58h, e x está a trabalhar há quase uma hora acompanhada por música aos berros nos ouvidos. a música é o que mantém x ligada ao mundo. e x suspeita que estes próximos tempos serão em grande medida sustentados em sons que levam x para o sítio onde se sente bem. com música, x está bem onde quer que o mundo a leve. 

4.6.15

e a viagem correu bem. e x chegou e foi directamente para o escritório. e x passou o dia entretida a sincronizar telefones e computadores e etc. e depois uma amiga veio ter com ela e foram ao supermercado às compras. e x, de repente, percebeu "foda-se, tenho de comprar comida a sério que agora vou viver aqui!". e depois x chegou a casa. aquela que vai ser a casa onde x vai viver. é boa. é óptima. mas não é a sua casa. e assim, x caiu em si!
ipod, ipad, laptop 1, laptop 2, iphone, blackberry 1, blackberry 2... sou uma espécie de geek!
chegar às 6.30h da manhã e receber logo um sms a dizer "welcome back!" faz x sentir-se profundamente grata. x chegou. está tudo bem.

3.6.15



mala feita. desta vez serão só dezassete dias. dezassete dias para conhecer a casa, a equipa, o trabalho. x já sabe que vai ter enormes desafios pela frente. que vai ter resistências. e x sabe, também, que existem expectativas. muitas. e muito altas. x sabe que não será fácil. que não será nada fácil. x vai liderar um departamento com sete pessoas que têm nas mãos a obrigação de assegurar que um projecto megalómano funciona sem entraves e sem surpresas. caberá a x prevenir problemas, alertar para a possibilidade de eles existirem e, existindo, resolvê-los. desta vez são só dezassete dias. depois volta a lisboa e passadas três semanas volta ao sítio que será o seu poiso durante uns tempos. não será a sua casa. porque x não quer que seja a sua casa. por isso, na mala x leva roupa, e sapatos, e um cd e um livro. mais nada. x sabe que vai andar a vaguear em lado nenhum. x sabe, também, que vai sentir falta de coisas que quando as tem não lhes liga assim tanto. x sabe que vai ter surpresas. que vai chorar por nada. que vai rir por nada. que vai ser imensamente feliz. e que vai ter momentos irremedialmente tristes. x sabe que se vai sentir isolada. mais isolada do que o costume. mas que também se vai sentir livre. gigantemente livre. x sabe que o passo que está a dar lhe vai mudar a vida. x espera que seja para melhor. mas x sabe que vai andar sem norte e que a cabeça lhe vai fugir demasiadas vezes. e o coração, também. x sabe isso tudo. x sabe isso tudo demasiado bem. x vai sozinha. mais uma vez. e isso custa. até já!

2.6.15


Mono - Are you there?

é uma espécie de pânico da véspera. e há lágrimas que querem fugir. a tristeza e a felicidade cruzam-se muitas vezes no caminho de x. respira x, respira!
e o mundo caiu em cima da cabeça de x. e x passou a noite com pesadelos. e acordou ofegante e a tremer por todo o lado. e depois voltou a adormecer. e acordou já tarde. demasiado tarde. e bebeu um café na varanda da cozinha a olhar para os telhados de lisboa. e fumou um cigarro enquanto pensava que o caos tomou conta de si. e depois percebeu que não tem nada pronto. nem organizado. nem pensado, nem nada de nada. x viaja amanhã, e hoje está tudo de pantanas.
e um dia levamos um murro no estômago. como se fosse a vida a dizer "oh, deixa-te de merdas!". e nesse dia ficamos com a cabeça perdida em deambulações que nos são quase estranhas por termos andado demasiado tempo adormecidos. e nesse dia sabemos que conseguimos voltar a sentir coisas que pensávamos ter perdido pelo caminho. e nesse dia pensamos para nós "sim, é mesmo magia!".
x dizia há dias que à sua volta só via paredes a ruir. nos últimos dias ruiu mais uma que x jamais imaginaria que pudesse desfazer-se em pó. e caiu assim, puff... o mundo e a vida de x andam bizarros!

1.6.15

e quando um arrepio quente te toma o corpo e a cabeça foge para longe de tudo e um burburinho interior te rouba a fome... ui!
x não gosta de chocolate de leite. mas adora chocolate preto. x gosta tanto de chocolate preto que chega a ter delírios com chocolate preto. e se for acompanhado com espumante bruto, x rende-se.
o pai de x está internado no hospital. x foi de corrida ao norte visita-lo. depois encontrou uma tia que já nao via há muito. a tia de x pergunta como está x. x responde e acaba com um "ahhh e tal de depois vou para o texas!". a tia de x diz-lhe" porra x, estás igual ao que eras há 20 anos. tu não mudas!". pois, é verdade...
x está sozinha em casa. pela primeira vez na vida x está sozinha em casa. em silêncio. sem interrupções.  sem nada. e o mundo parece enorme. e sem tecto e sem chão e sem nada. o mundo de x passou a ser uma enorme bolha de ar. e flutua algures.

31.5.15

x em conversa com o irmão do meio a caminho do norte:

x - não percebo essa cena do futebol...
irmão de x - eu gosto do benfica, é uma coisa que não consigo explicar mas quando o benfica joga sinto assim uma adrenalina e uns nervos... 
x - tá bem, mas continuo a não perceber...
irmão de x - opá, tu também tens de gostar de alguma coisa assim (silêncio)... por exemplo, tu gostas destas músicas esquisitas com muitos plim plim plims e eu já não a posso ouvir (e desliga o cd e liga o rádio)
x e irmão de x - (gargalhadas até às lágrimas!)

29.5.15

x começa a sentir falta do que ainda não abandonou. x sabia que isso iria acontecer mas o nó na garganta não se evita, gere-se. 
x vai passar a viver num triângulo. américa-europa-áfrica. x vai passar a viver num triângulo em que o espaço vazio do meio será a terra de ninguém que x conhece bem e da qual, na verdade, não gosta particularmente. mas é nessa terra de niguém que x se descobre. e desta vez, x confessa que tem algum receio do que lá pode encontrar. ou perder. que não perca por lá as palavras. porque essas são as únicas que prendem x ao mundo dos demais. 
x tem vindo a perceber que quando uma mulher inteligente entra numa sala, o mundo pára. se estiver de saltos, caminhar firme e for ligeiramente mais alta que os demais, homens, o mundo pára duas vezes. e, podendo não parecer, isso é bastante estúpido.
o trabalho de x rouba-lhe vida. rouba-lhe tempo com os amigos. rouba-lhe a família. rouba-lhe os planos no imediato. mas o trabalho de x dá-lhe um prazer enorme. x nunca pensou que o trabalho que hoje tem - que é fruto de quase 10 anos de muito mas mesmo muito esforço e absoluta dedicação - lhe pudesse algum dia dar qualquer tipo de satisfação. x enganou-se redondamente. é indescritível a sensação de chegar ao fim de um projecto e ver o nosso trabalho tornar-se em resultados. x nunca pensou chegar onde chegou. x ainda se vê como uma miúda pequena que se recusa a crescer. mas a vida de x é algo irónica. e insiste em dizer-lhe "vá lá x, leva-te a sério". ainda assim, x não pode não estar pasmada por, dentro de poucas semanas, passar a estar à frente de um departamento crucial de um dos maiores projectos de energia do mundo. projecto esse que está a transformar um país inteiro. e isso é tão avassaladoramente grande que x nem sabe bem o que pensar acerca do assunto.
nos últimos dias, x tem-se cruzado com pessoas de uma beleza extraordinária. também se tem cruzado com gente incrivelmente feia. nestes tempos de lucidez transversal, as coisas e as pessoas ficam mais claras. mais transparentes. a beleza de algumas pessoas exponencia-se. e a inacreditável feiura de outras revela-se impiedosamente. quando se ligam as luzes, dificilmente os traços se disfarçam. ainda assim, nos últimos dias x tem-se cruzado com pessoas de uma beleza extraordinária. e não imaginam como isso deixa x de sorriso e corpo aberto. quando assim é, x recebe o mundo inteiro no regaço. e isso, isso, é extraordinário.
a casa quieta. a música quase em silêncio. as portadas abertas. a brisa da noite a entrar. o trabalho escondido por um bocadinho. um cigarro. dois cigarros. respirar fundo. agradecer. sabe-se lá a quem ou ao quê. mas agradecer. agradecer a tranquilidade que nos cobre a alma. a vida assim é bonita.

28.5.15


Mogwai - Take me somewhere nice

x gosta tanto, mas tanto, de mogwai!
x começou o dia com uma pessoa que conhece há anos, e de quem x nem sequer gosta grande coisa, a olhar para x de baixo para cima, com ar embasbacado como se a tivesse visto pela primeira vez, e a dizer "olá giraça!". assim de repente, é a terceira pessoa que olha para x com ar embasbacado e diz uma coisa semelhante. x até sabe que anda com uma espécie de estrela em cima da cabeça mas fica assim meio parva com estas merdas. o mundo anda estranho. pelo menos o mundo de x anda.
x tem esta coisa de não dizer que não ao que lhe aparece à frente. x não pensa muito em nada. intuitivamente a resposta vem. mas depois chega um momento em que x pára e cai-lhe tudo em cima. e por fim x percebe que o mundo deu um pulo sem que ela se tivesse preparado para isso. isto para dizer que x suspeita que os próximos meses vão ser acompanhados por uma enorme ressaca de tudo.

27.5.15


M83 - This bright flash

oh x, por dentro estás assim!
coisas que x odeia: tuk-tuks! 
saíste-me do corpo à força. foste, querendo ir, sem nunca deixar de ficar. expulsei-te os restos, enfim. saíste-me do corpo à força. e hoje ele é ocupado por tanto mais que ontem.

26.5.15

oh x, tu sabias que o mundo ia começar a girar de forma estonteante. tu sabias! por isso x, come-o com os olhos e com a boca e com as mãos. 
e o chefe-mor olhou para x com um ar entre o enternecido e a rebentar de orgulho. como quem diz "a minha xizinha cresceu e ganhou asas".
x percebeu hoje que causa um impacto qualquer nas pessoas sem que saiba muito bem porquê. x acha que é alguém absolutamente normal. alguém que não se destaca na multidão. mas, se calhar, não é. e isto é uma surpresa.

M83 - Lower your eyelids to die with the sun

x repete-se muito na música. mas x é assim em todos os cantos da vida. repete-se. repete-se até à exaustão. repete-se até o corpo dizer que basta. até as forças desistirem. até, por fim, adormecer. feliz. 
e x hoje enfiou um vestido preto e uns sapatos cor de rosa e esticou o cabelo e até pôs maquilhagem e tudo. e x hoje conheceu a pessoa a quem vai substituir lá no sítio para onde vai. e enquanto x caminhava, com passos firmes e de cabeça erguida,  em direcção ao grupo de pessoas com quem ia almoçar, a mulher que x vai substituir olhou x de cima abaixo boquiaberta e, por momentos, parecia que estava a ver um alien. o comentário imediato foi "eu vi a tua foto no site mas tu és completamente diferente". se a mulher fosse um homem, x desconfiava das suas intenções. mas x acha que foi só porque a mulher é tão baixa, mas tão incrivelmente baixa, que x, com ajuda dos saltos da adolfo dominguez, devia ter pelo menos mais 60cm do que ela.
oh x, no dia que alguém te fizer não querer ir vais levar cá um estalo na cara!
oh x, "to infinity and beyond" é já ali.
oh x, eu sei que ninguém te compreende... mas olha, isso não importa nada. sê. e vive. e vai. e faz tudo o que te der na gana. enquanto quiseres, pelo menos. e quando deixares de querer, pára. e depois x, depois logo se vê.
oh x, há dois dias que andas a acordar de madrugada com a mesma música a berrar-te aos ouvidos. e esta noite x, esta noite contorceste-te em convulsões. essa tua mania de assimilares a dor alheia, x. podias ser menos empática x. eras mais pobre, mas não sentias tanto no corpo.
oh x, a rotina nunca é sinónimo de estar em casa. é só um sintoma de que as coisas estão gastas. oh x, desengana-te, a rotina mata-te.
oh x, vamos lá ser pragmáticas, perder um amor é um drama. mas sobreviver à perda  é extraordinário. as feridas servem durante muito tempo como mapa. mas chega o momento x, em que não são precisos guias. e o mapa x, vai-se com o demo. depois vais às escuras. e isso é bom.
oh x, e o que é pior - viver no erro ou passar a vida à procura?
oh x, tenho pena de ti. ninguém livre é realmente pleno. faz sempre falta algo mais.

25.5.15


Muse - Time is running out

e agora x só ouve isto dentro da cabeça. por fora tem uma enorme vontade de rir por causa da estupidez alheia. ai x, porque é que ninguém te ouve em tempo!
x começa a convencer-se que tem mesmo o dom de adivinhar o que vem a caminho com uns meses de antecedência. é que mesmo as mais extravagantes ideias que lhe ocorrem vindas sabe lá de onde, acabam por se concretizar passado uns tempos. isto para dizer que x acabou de saber que algo que  ela andava a dizer baixinho a várias pessoas que estava prestes a acontecer, está mesmo a acontecer agora. era assim uma espécie de premonição. x acha, contudo, que ninguém lhe dava grande crédito enquanto sorriam como quem diz "isso? nem pensar, és mesmo doida de todo!". e plim... hoje confirmou-se. e está a ser um grande kabum! o que x acha que ninguém percebe, é que x não tem dotes de magia. o que x tem é uma capacidade incrível de estar atenta aos sinais. e eles são tantos por ai!
pela segunda vez na vida, x está prestes a ficar sem rede e com o mundo nas mãos. pela segunda vez na vida, x vai ficar absolutamente só consigo e com as coisas que tem por dentro. da primeira vez que isso aconteceu, x ia ensandecendo com o turbilhão de coisas que a passaram a atropelar sem aviso. cores, cheiros e sons passaram a atingi-la com uma violência insana. x ficou exposta a tudo. e tudo por onde passava a agredia de forma vil. cruzar-se com alguém com ar triste era motivo bastante para x se desfazer em lágrimas. ver uma flor a crescer era motivo bastante para se sentir a pessoa mais feliz do mundo. a música passou a contar-lhe histórias de forma tão incrivelmente clara que x chegou a pensar que há uma língua secreta qualquer nos sons que x percebe à distância. e as cores, as cores passaram a ter significados transparentes. x passou a ver de forma periférica tudo o que se passa à sua volta. a intuição e o engenho aguçaram-se a pontos de x conseguir agir de forma absolutamente funcional apesar de viver num mundo alucinado cheio de sentidos apurados.  

da primeira vez que isso aconteceu, x passou a sentir tudo. e tudo de forma gigante. x descobriu, também, que tem várias cabeças e que, às vezes, todas elas falam ao mesmo tempo. x conseguiu impor-lhes disciplina e fazê-las expressar-se à vez. deve ser por isso que x consegue ter um trabalho intelectual e tecnicamente muito sério e muito exigente, apesar de pelo meio se perder muitas vezes num mundo além de cá. 

quando ficamos apenas com as coisas que temos por dentro, ficamos sós de gente. e x precisa desse mundo de solidão. é ali que se reencontra. no mundo real, x tem sempre muito ruído à volta. e muitas realidades dispares e inconciliáveis. e muita gente. sobretudo muita gente. por isso, é difícil a x ter tempo e disponibilidade para se recolher consigo. talvez seja por isso que a vida lhe dá assim uns empurrões para o abismo, de quando em vez. obrigando x a olhar-se para dentro, sem distracções externas. e, sobretudo, sem gente para cuidar. porque x tem a tendência para estar sempre a cuidar de alguém. ou de alguma coisa. da primeira vez que x ficou sem rede e com o mundo nas mãos, x assustou-se com tudo. sobretudo consigo própria. mas descobriu que é enorme. 

agora, pela segunda vez na vida, x vai ficar sem rede e com o mundo nas mãos. x sabe, portanto, que  ficará, de novo, perto da insanidade com o turbilhão de coisas que a vão atropelar sem aviso. e é tão assim que x ainda nem sequer saiu daqui e o mundo já está virado do avesso. 

ainda assim, quando está nesse estado de contacto permanente com o todo, x vai passando pelo mundo como que a levitar. deve ser por isso que nos últimos dias x sai à rua e as pessoas olham-na  com jeitos de surpresa. como se vissem luz nos olhos de x. e x sabe como ninguém que eles estão extraordinariamente brilhantes. 

da primeira vez que x ficou sem rede e com o mundo nas mãos, os olhos de x mudaram de cor. de um castanho absolutamente castanho, passaram a um avelã amarelado translúcido. desta vez, caso as forças telúricas do universo queiram repetir a graça, bem que podiam escolher o verde. x gostava de ter olhos verdes.

não, x não é doida. é até bastante sã.
"liberdade" foi durante muito tempo a password que x usava em tudo quanto precisasse de password. e isto diz muito acerca de x. 
isto não é bem um blog. é antes uma espécie de diário gráfico só que com palavras. há quem carregue moleskines no bolso e desenhe nos entretantos. x já o tentou fazer. mas as palavras saem com mais verdade. e são mais rápidas. x escreve em sopros como forma de deixar espaço para o ar poder entrar. na verdade, escrever e respirar é para x mais ou menos o mesmo. é por isso que x escreve como um náufrago acabado de resgatar da água. 
- oh x, o que é que te entusiasma mais na ideia de passar umas semanas em houston?
- passar o maior tempo possível na Rothko Chapel apesar de saber que é bem provável que não consiga conter as lágrimas durante o tempo todo que lá estiver sentada. sei que aquelas telas escuras me vão transportar a alma para o sítio onde ela se mistura com o todo. rothko tem este efeito em mim. há poucas coisas no mundo que têm este efeito em mim. eu nem sequer percebo muito de pintura ou história da arte. mas percebo da necessidade de expulsar sentimentos que não nos cabem dentro. por isso, as telas do rothko abrem-se em forma de convite e eu mergulho lá dentro de uma forma quase doente. talvez isto seja estranho. mas eu nunca disse que era uma pessoa muito normal.
a vida de x nos próximo 30 dias:

- acabar todos os trabalhos pendentes e entregar os assuntos em curso a novas mãos
- comunicar aos clientes com quem trabalha que nos próximos meses vai estar ausente
- ir de corrida ao norte visitar o pai que está internado no hospital depois de uma queda aparatosa
- voltar a lisboa
- pedir uma segunda via da carta de condução
- obter um visto em tempo record
- comprar roupa e sandálias e sapatos e malas e perfume e maquilhagem e hidratantes e outras merdas de gaja
- adaptar-se ao portátil novo
- comprar um disco externo e um ipod
- pedir um dístico de residente à emel
- estar com os amigos
- fazer a mala
- viajar
- ir a uma festa mais ou menos de gala e rir e brindar ao futuro com algumas pessoas de quem gosta muito
- conhecer o seu futuro
- voltar a lisboa
- respirar nos entretantos


"as we waited for help from mankind, angels stepped over soundlessly, in a single stride, over our prostrate hearts"

Reiner Maria Rilke

porque x tem uma paixão assolapada pelas palavras de rilke.


24.5.15

há muito tempo que x não pára. x estava a ficar bastante cansada do movimento. e, sobretudo, de não ter tempo para apreciar a quietude das coisas. x pensava que tinha chegado o tempo de parar de ir. mas a vida de x é irónica. e x nunca diz que não ao desconhecido que lhe acena com promessas de vida. x tem esta coisa de correr até ficar sem forças. até quando, x não sabe. um dia x há-de ter razões para dizer "o mundo acaba aqui". ou não.
- oh x, porque é que te deu para rir até às lágrimas?
- porque me apercebi que a minha vida nos próximos tempos vai ser mais ou menos assim:

oh x, hoje só te ocorrem coisas estúpidas!
episódios bonitos da vida de x: x tinha 17 anos e ele tinha 19. eram amigos desde sempre e um dia apaixonaram-se (ou mais ou menos). mas x queria mais mundo e um dia decidiu ir embora. e ele disse "vai e faz tudo o queres". e x foi, algo com pena, mas foi. no dia que deixou x ir, ele desistiu de querer mais. x, por seu turno, ainda não se saciou do mundo. ainda assim, x tem pena que os caminhos se tenham descruzado algures. 
existem poucas fotografias de x enquanto criança. na única em que x aparece sem ser de costas ou a esconder a cara, x está mais ou menos delicadamente a pegar no vestido que trazia e a fugir da fotografia com ar desaustinado. x nunca gostou de se expor às câmaras. x morre de medo da ribalta. x tem pânico do palco. x sempre adoptou uma postura invisível. mas tem vindo a perceber que os focos de luz a procuram. é estranho isto.

23.5.15

x revisitou anos antigos do queres antes aprender a voar ?. não é uma coisa que faça amiúde - voltar atrás. mas hoje fez. e recordou cada razão de cada palavra que aqui escreveu. concluiu que tem sido bonito o caminho.

22.5.15

ao longo dos tempos, houve gente a dizer coisas bonitas a x. "o que sinto por ti? pega em duas tripas, dá-lhes um nó, e experimenta correr descalça a seguir..." foi uma delas. hoje, por acaso, x cruzou-se de novo com estas palavras. e não conteve um sorriso. por fim, esta parte da vida de x está em paz.
há músicas que nos roubam a cabeça. hoje, x acordou às 4.32h da manhã com uma a cantar-lhe por dentro ao mesmo tempo que recebia uma flor amarela. ou o mundo está mais estranho do que o costume, ou x está a ficar senil.

José Gonzales - Stay alive

x tem sonhado acordada, com isto a passar-lhe pelos olhos.
x está num momento particular da sua história. está absolutamente tranquila neste momento de ruptura, embora de todos os ângulos que a vista alcança só veja paredes a ruir. x sente-se a passar por uma espécie de cenário de filme apocalíptico. uma vez disseram a x "o que passa por ti nunca mais fica igual". x sabe que não, embora não saiba o porquê disso. mas x sabe bem que as pessoas, que se cruzam com ela ou ganham asas ou enterram os pés em cimento. e que, independentemente da escolha que façam, ficam sempre com linhas novas marcadas nas mãos. e, se calhar, com alguma névoa na cabeça. sim, o mundo de x é algo surreal.

21.5.15

x vê o queres antes aprender a voar ? como o seu espaço secreto. e surpreende-se sempre quando percebe que desse lá há gente. gente que lê e que viaja nas palavras de x. e isso é bonito!

M83 - Reunion

x passa, à vontade, umas 14 horas por dia frente a um ecrã. por isso, x está quase sempre com música nos ouvidos. o som que escolhe, depende do humor. m83 é uma escolha quase diária. isto para dizer que estava x a pensar no que tem de meter na mala. até podia ter-se lembrado que tem de comprar roupa de gente grande, e sandálias e sapatos altos e assim. mas não, x pensou de imediato que tem de comprar um ipod e que não pode esquecer-se dos headphones que tem no escritório. de seguida, x riu com a ideia de andar no meio do texas com m83 a berrar nos ouvidos. 

x é plural. por isso, x vive num fio suspenso entre dois mundos. de um lado, uma profissão demasiado séria associada a uma indústria sofisticada, que move números e responsabilidades demasiado grandes para explicar. do outro, a terra do nunca, onde fadas e monstros e brilhos e sons compõem o espaço e engolem o tempo. à vez, um tenta sobrepor-se ao outro. e x vive num esforço permanente para não cair em definitivo para nenhum dos lados. e isso custa p'ra caraças!

When the angels breathe - Save the deer

e x ficou numa bolha transparente, imóvel. lá fora, a vida passou em imagens lentas e apocalípticas - o que foi, o que podia ter sido, o que queremos que venha a ser. e x ficou numa bolha transparente, incapaz. lá fora os amarelos, os laranjas e os vermelhos - os impiedosos vermelhos-fogo. e x ficou numa bolha transparente, tranquila mas a sentir o caos tocar-lhe o corpo. e x ficou numa bolha transparente, com uma tristeza gigante colada a uma esperança ainda maior. e quando abriu os olhos as lágrimas corriam-lhe imparáveis. e depois ouviu por dentro "oh x, tens saudades do futuro". 
às vezes, x gostava de ser pálida. e previsível. e aborrecida. mas não é. e isso é um desatino.
oh, a nostalgia, o sonho, a fatalidade, a esperança, o medo, a raiva, a coragem, a fome, a fuga, o desespero, o caos, a melancolia, o riso e as lágrimas, acompanham x desde pequenina. por fora, ninguém nota. por dentro é um cenário de guerra.
esta incontrolável vontade de mais
esta insatisfação permanente sabemos lá com o quê
esta impotência em dizer não ao destino
esta força insana que nos empurra
esta ironia de deus
matam!

não são dúvidas. são certezas absolutas. certezas que se sentem no corpo que teima em não querer parar. certezas que se sentem na alma que teima em voar rumo sei lá onde. sim, são certezas. mas isso não nos deixa mais descansados. deixa-nos só mais desaustinados. e sozinhos. quanto mais longa é a viagem menos pessoas nos acompanham. 
x tem a cabeça algures mas não é cá. x tem medo quando a cabeça está algures que não cá. quando isso acontece x volta ao roxo-paixão-de-cristo. e isto traz sempre consequências devastadoras. é como abrir o corpo com facas serradas e deixá-lo ser invadido por todos os sentimentos do mundo. e isso dói.
x é, às vezes, descontraída e sociável. mas é, também, profundamente céptica e inacessível. x é ambivalente. e paradoxal. e contraditória. e multipolar nos humores. x acompanha a lua, portanto.

20.5.15

curiosamente, x reencontrou hoje, à distância, duas pessoas - que entre si não se conhecem - que já não sabiam nada de x há muito tempo. a primeira pergunta que ambas, em momentos e situações diferentes, fizeram a x foi: "estás cá ou andas por sítios longínquos?". depois de x contar a sua próxima aventura, as reacções foram muito semelhantes: "não fosse assim e não serias a x". pois não.

José Gonzales - Step out

é uma espécie de brilho que nos toma conta.
- oh x, porque te chamas x?
- porque um dia tive de deixar de usar o meu nome a sério nestas lides e a letra x foi a primeira que me ocorreu. mas podia ser s. ou r. ou m. ou w. ou outra letra qualquer. afinal x é tantas que, se calhar, nem todas as letras do abecedário chegariam para a definir.
morreste-me. a liberdade de ti é extraordinária. 

19.5.15

"x you will spend two weeks in houston to meet the team and discuss ongoing and future projects. everyone in (...) will report only to you and you, and only you, will report directly to the head office. you will be the liaison member between the american core team and the local people. we are very excited with having you in our team and will do our best for you to feel at home. i will forward you all my contact details and please feel free to call me at any time, day or night, should you have any doubt, problem or concern of whatsoever nature." e x pensou "não era bem isto que eu tinha em mente, isto é muito mas mesmo muito maior!".
x está a preparar a partida. ao mesmo tempo está a transformar a sua casa numa nuvem. a cada doze semanas x voltará ao seu antro de sanidade. as cores transpiram paz. as hortências estão à janela. os livros estão espalhados ao monte. a música cola-se por entre paredes. sim, x está a preparar a partida e ao mesmo tempo está a transformar a sua casa numa nuvem. porque x tem mesmo de ter aqui o seu antro de sanidade. é aqui que x vive de pés no ar sem deixar de ver o chão.
oh x andaste tanto tempo adormecida que já não te lembravas como era o som das teclas frenéticas a correr para apanhar as palavras que teimam fugir sem  respeitar prioridades e regras e gramáticas e pontuações; por dentro, estás cheia de palavras vadias x. 
x está prestes a dar o passo final em direcção à saída da vida que foi. doravante, tudo será diferente. tudo, sem excepção. x sabe isso. estranhamente, está tranquila. x vai abraçar o maior desafio profissional que alguma vez teve nas mãos. mas o desafio a sério não será esse. será antes o virar do avesso por dentro. de novo. áfrica já lhe mudou a vida uma vez. agora, não será diferente, mesmo que em portugal fique o que mais lhe importa. x sabe isso. e sabe sobretudo que esta será uma prova de resistência fisica e emocional. x sabe, também, que consigo arrastará uma série de gente que verá também o seu mundo tremer - alguma dessa gente, x nem conhece. mas o movimento gera naturalmente ondas de choque. e desta vez, x suspeita que em alguns casos os efeitos destas serão avassaladores. x sabe também que há quem não esteja ainda preparado para o que vem. liguem-se as luzes, portanto. 
x gostava de ter disciplina bastante para escrever histórias. mas x só tem uma história para contar - a sua. e esta não é feita de páginas densas e descrições que se alongam em floreados inúteis. é imediata, impulsiva, incontrolável - como o vómito. é assim que x escreve, por impulso e com ganas de deitar tudo para fora. em frases curtas e violentas. ou doces, às vezes. mas sempre curtas. e, quase sempre, violentas. embora, às vezes, também sejam doces.
e quando encontramos viajantes do mesmo sítio etéreo de onde viemos; e o reconhecimento é imediato e sem razões; e a matéria fica diluída num turbilhão de espasmos como que a dizer "lembra-te, lembra-te, lembra-te"; e o medo não impede o caminho - a magia acontece. não, x não está a falar de sexo.
em regra, x não vê a matéria das pessoas. vê-lhes a alma.
x tem com os sons uma relação peculiar. os sons falam com x de uma forma inexplicável. tanto a devolvem ao infinito como a agridem com violência bastante para a levar ao vómito. e é por isso que x odeia james blake. aquela voz causa-lhe convulsões e náuseas. coitado do james blake que não tem culpa nenhuma da voz com que nasceu e que, aparentemente, é apreciada por tantos. mas a x aquilo agonia com uma brutalidade tal que x não consegue ouvir mais do que poucos segundos seguidos. sim, x tem com os sons uma relação peculiar.
um dia, x desconheceu-se. foi um longo caminho até reconstruir a identidade. descobriu depois que no seu corpo de terra e ar, é tantas pessoas ao mesmo tempo. e vive bem com isso.
a vida de x é feita de tons lilazes. e cinzas suaves. e brancos, muitos brancos. a vida de x é, também, pintalgada de vermelho. sangue. instinto. carne. a vida de x é algo esquizofrénica. mas é bonita. e desde que x disse as palavras que precisavam ser há muito ditas, x ganhou um brilho polar em todas as cores que compõem a sua vida. desde há dias que x sai à rua translúcida. 

17.5.15

o coração rebenta de emoções
x teme que ele lhe saia pela boca
ou pelos dedos

ontem, x vestiu a casa de sigur rós. há muito tempo que x não vestia a casa de sigur rós. foi bonito.

15.5.15

"x you have a very impressive cv and we are very happy to have you on board! welcome to (e esta parte é segredo)!"

e é agora que x enlouquece de vez...
Houston, here I come!

(ou "ai foda-se que agora é que realizei!!")

Sigur Rós - Popplagid

é, mais ou menos, isto.
x hoje tem de estar lúcida, pois x vai hoje falar para houston, com aquele que será o próximo chefe de x. x está capaz de vomitar, por isso a lucidez pode-lhe fugir num estalar de dedos.
é difícil não ter onde pousar os pés. mas x tem esta coisa: em encontrando pontos de fuga, eles descolam-se do chão amiúde. e depois é num sopro que a mente lhe começa a fugir para longe. o corpo segue-a, ainda que desdobrado em vários. x viveu muito tempo numa dualidade desconcertante entre lá e cá. o além e o aquém. depois prendeu os pés no chão em esforço. desconseguiu. o corpo perdeu de novo o peso. os arrepios de luz tomaram-lhe conta. x conhece tão bem esse sítio sem lugar onde o espaço e o tempo se confundem. a viagem anuncia-se sempre. primeiro suavemente, em tons inocentes e delicados. depois, sem aviso, explode tudo. e x é levada a velocidade de cruzeiro para algures. no fim cai exausta no chão. ainda assim, o movimento repete-se em círculos. e a viagem transforma-se em vício. porque lá, lá, o mundo é brilhante. e queremos mais, mais, mais... mesmo quando já estamos de joelhos caídos no chão. fica-se ofegante depois. e espera-se que o coração volte a ficar tranquilo. sobrevivemos sempre, mesmo quando parece pouco provável. eventualmente acordamos. e o mundo aqui continua igual. por dentro, fica tudo desconcertado.  

14.5.15

queria poder escolher as palavras certas. mas não consigo. são tantas. e são todas enormes. tento agarra-las no colo mas elas amontoam-se a um ritmo impossível e perco-as pelo caminho. os pés saíram do chão e, por isso, estou suspensa numa sopa de letras. 
um dia destes, alguém dizia a x "não deixes as palavras fugirem para longe dessas mãos". x parou por momentos e, com este pequeno clic, apercebeu-se que a sua cabeça começou a perder-se naquele espaço de ninguém que x tão bem conhece. a vontade de escrever voltou, portanto. a vontade, ou a necessidade. x sabe-as bem. e sabe sobretudo que qualquer uma delas a leva para um sítio perigoso. um sítio onde x se perde em deambulações entre a lucidez e o sonho. um sítio onde a matéria se diluí em palavras. palavras que brotam de todos os poros. os dedos ficam cansados. mas a mente, essa, fica ensandecida com o movimento frenético de frases que se constroem por sua própria vontade. escrever, é como arrancar as tripas a frio. 

13.5.15


Mark Rothko - Blue and Grey

quem por aqui anda há mais tempo, sabe que x é algo obcecada pelo trabalho do Rothko. hoje, x tem a cabeça enfiada num universo assim: azul petróleo e cinza. ainda há luz, mas é ténue. ainda não está dentro das telas negras, mas saiu de rompante das vermelho sangue ou amarelo luz ou rosa vida ou branco céu. x hoje está num universo baço e escuro.
x está tão piursa que está com ganas de espetar os saltos que hoje tem nos pés nos olhos de alguém. mas espetar assim devagarinho. e acompanhado com um gargalhar demoníaco.

12.5.15


Explosions in the sky - Your hand in mine

x já não lhes voltava há muito tempo. mas nestes momentos de rotura, x tem de agarrar-se àquilo que será para sempre.

11.5.15

a data já está definida - 15 de julho. depois, x volta a casa de três em três meses. e, desta vez, x acha que três meses serão sempre demasiado longos.

((ASA)) - Skies

é assim como aquele abraço de despedida que se não quer. é assim como aquele derradeiro momento antes do descolar dos corpos e do virar de costas; aquele momento em que se aperta muito as mãos e se berra em silêncio segura-me os pés ao chão. é assim como aquele pesado suspiro antes do adeus. é assim como aquele último beijo a saber a sal. é assim como quem quer ir e ficar ao mesmo tempo. é assim como quem diz: o mundo continua além, seguras-me com elásticos transparentes?
x está com o coração prestes a saltar da boca e morcegos a voar sobre a cabeça.
- oh x, e porque é que apagaste uma série de posts?
- porque a possibilidade de alguém reconhecer x aumentou exponencialmente nos últimos dias.

9.5.15

2007 chegou ao fim. e acreditem que é com muito, mas mesmo muito, gosto que x diz isto. 2007 acabou. morreu. e x saiu dele viva. as emoções de 2007 fizeram x transformar-se em gente. de lá até cá foi um longo percurso de trevas e luz. mas acabou. plim. foi-se. hurra! venha o amanhã.
acabaram-se os reposts. x tem quase 3000 arquivados e não tem tempo para andar a vasculhar o passado. nem tempo, nem vontade. por isso, acabaram-se os reposts.