Kartjan Sveinsson - Der Klang der Offenbarung des Gottlichen
rasguei-te a pele com os dentes, mordi-te coração e cuspi-o, limpei a boca e segui.
30.10.16
27.10.16
e depois acontecem assim coisas estranhas. e, por nada - ou, pelo menos, por nada que consigamos objectivamente perceber ou explicar - um dia acordamos com uma espécie de empowerment pessoal a jorrar por todos os poros. e nesse dia pomos o nosso sorriso triunfante na cara e enfrentamos este mundo e o outro com a certeza que, porra, somos muito melhor do que alguma vez nos ocorreu. e que se fodam os velhos do restelo, e todos aqueles que nos prendem a ontem acenando medos.
26.10.16
e um dia conheces alguém até ao âmago. e conheces tão bem, mas tão bem, que antecipas as frases, as dores de barriga, as dúvidas, os gestos, tudo. conheces todas as rugas e pequenos defeitos da pele. conheces os diferentes tons de voz consoante o humor. e todos os trejeitos do olhar. e do toque. conheces tudo o que havia para conhecer naquele lugar preciso do tempo e do espaço. e conheces suficientemente bem para saber que um dia, por qualquer razão, séria ou fútil, essa pessoa que conheces até ao âmago vai certamente esfarelar a tua confiança e fazer ruir tudo o que era tido como certo. e um dia isso acontece. e essa pessoa que conheces (ou conhecias) até ao âmago, passa a ser estranha. estranha mas familiar ao mesmo tempo. e passas a odiar essa pessoa que conheceste até ao âmago mas que já não conheces, apesar de essa pessoa ter feito exactamente aquilo que esperavas que fizesse, porque um dia a conheceste demasiado bem e sabias, mesmo não querendo saber, todas as nuances das suas reacções face à adversidade. parece um paradoxo. mas não é. e depois do ódio - visceral, duro, mortal - chegam em turbilhão uma série de outros sentires - raiva, nojo, desprezo... e outros que nem sequer se sabe bem o nome. no fim, indiferença. absoluta. mas chega o dia em que te voltas a cruzar com essa pessoa que conheceste até ao âmago. e nesse dia tens vontade de rir sem parar. porque a pessoa que conheceste até ao âmago morreu pelo caminho. e tu, contra todas as probabilidades, sobreviveste ao mais duro golpe de perceber que, na verdade, não conheces nunca ninguém. nem a ti. e ris sem parar porque percebes que essa pessoa que conheceste, mas na verdade não conheces já, não deixa de ter um ar incompleto e oco. ainda que para os demais pareça estar bem, muito bem até. mas houve um dia em que tu conheceste essa pessoa até ao âmago. e, apesar de ela ter arrepiado caminho e invertido a direcção, o âmago que um dia conheceste, esse, continua lá. escondido. tapado pelas vestes adoptadas na dimensão paralela por onde caminha. e tu ris. mas, apesar de tudo, esta história tem sempre um fim triste.
8.10.16
6.10.16
4.10.16
First breath after coma - Drifter
vamos por partes. x ouve estes sons há muitos anos. depois o post-rock ficou na "moda". e chegou uma altura e parecia que todo o puto com ar entre o emo e o negligé com pretensões e algum jeito para pegar numa guitarra queria ser o próximo munaf rayani. apareceu muita malta por ai que se resumia a copiar umas cenas e punham um ar das artes, como se isso fosse indicativo de qualquer talento especial para a coisa. foi neste cenário que há uns anos (3 ou 4 x x já não sabe bem) x se cruzou por ai com os first breath after coma. x não os levou muito a sério - eram mais uns "putos" quaisquer a querer ser "artistas". não ajudou terem decalcado o nome de um dos temas preferidos de x, de uma das bandas preferidas de x. foram imediatamente rotulados por x de copycats e x ignorou-os ostensivamente. mas x também se engana. redondamente, por sinal. podem ter começado como copycats mas de repente tornaram-se mais que isso, maiores do que isso, e algo muito para além disso. na verdade, não encaixam bem em nada pois, apesar de ter muitas influências de muita coisa, são muito diferentes de tudo. são os first breath after coma (porra que podiam ter outro nome!), são de leiria e são absolutamente extraordinários. x já lhes devia este post há muito tempo. mas andava a fazer birra.
3.10.16
20.9.16
no intendente, em lisboa, há um restaurante pequenino - que antes era uma tasca semi-falida mas foi recentemente tomada pela comunidade nepalesa lá do bairro - que se chama Olá Katmandu. a comida é francamente boa - tem umas chamuças de morrer (em nada semelhantes às que estamos habituados a ver por ai) e um chicken mo mo (aka dumplings nepaleses) de chorar. de nada.
16.9.16
28.8.16

É estranho como um sítio cheio de horrores pode ser, também, um local que irradia paz. Mas x não conseguiu tocar nas paredes que guardam em si a memória de vidas desfeitas em nome de nada. E tremeu quando percebeu que estava a entrar na câmara de gás. É uma sala estranhamente pequena para a dimensão do que nos contam como foi. Ao lado, os fornos crematórios que foram incapazes de apagar todas as provas. Provas em forma de carne humana amontoada com desdém a espera da sua vez. Falharam os fornos. Fizeram as câmaras fotográficas o favor de deixar restos para o futuro do passado que se não quer repetido. Corpos magros, pálidos, explorados e destruídos pela barbarie, pela fome, pela doença e pelas balas de um regime infame. A opressão do arame farpado disfarçado no verde imenso das redondezas. O impensável no meio da pacata cidade de ar inofensivo. "Nunca mais" está escrito algures no campo. Que tenhamos a sensatez de nunca, mas mesmo nunca, esquecer. Dachau, 2016.
X voltou de férias. X está em casa, aninhada, a contemplar a placidez do seu mundo. X correu entre pontos durante estes últimos dias. Lisboa, Munique, Dachau, Lisboa, Braga, Porto, Braga, Lisboa, além Tejo, Lisboa de novo. X está de volta à casa. Cansada, moída, dormente... Mas feliz. Amanhã x conta mais. Hoje vai apenas continuar a beber o copo de vinho branco que tem à frente. E a agradecer aos céus tudo o que lhe tem sido dado. E a fazer planos. Planos diluídos, e algo híbridos, como sempre. Mas planos cheios de futuro. De vontades, e de fé. X percebeu, de novo, o quão certeiro tem sido o seu caminho. X não se arrepende, apesar de guardar algumas mágoas. Mas x não se arrepende. De nada. O seu caminho até aqui foi bonito. X conseguiu tudo o que se propôs. Agora, x quer o resto. O imaterial. As pequenas explosões nas pontas dos dedos. As revoadas. 3, 2, 1... Agora... Vai x!
12.8.16
31.7.16
29.7.16
Lilly Allen - Fuck you
pois que x está prestes prestes a dar um murro na mesa e a mandar tudo para o caralhinho! pois que já há quem trema com a possibilidade de x se passar da corneta de vez e, por isso, não param de vir com falinhas mansas e a pôr panos quentes e "ai e tal tem calma" mas... que se foda! x recusa-se a aceitar decisões imbecis e irracionais tomadas em forma de cedência a motivos oportunistas. estranhamente, ou não, x está impávida e serena. e até acha que é isso que está a pôr muita gente em pânico. quando x está impávida e serena é porque já não tem motivos para se chatear. e toda a gente que priva com x sabe disso. x é tão transparente, que a sua cortina de absoluta tranquilidade não impede os demais de observar o absoluto desprezo, e quase nojo, que x sente por dentro. a modos que é isto.
24.7.16
fim de tarde com uma cerveja artesanal no largo do intendente; jantar com amigos antigos e recentes na costa do castelo; apanhar um táxi para o largo do rato e ir uma festa privada cheia de gente desconhecida mas simpática; acabar a noite num café de bairro já a madrugada ia muito alta mas com um calor surreal a rir com os filmes do syfy. foi assim ontem.
22.7.16
21.7.16
Os planos de x para os próximos tempos: trabalhar, viajar para a Alemanha, passar um fim de semana nas festas do povo de Dachau, voltar Portugal, férias no Alentejo, viajar para o Porto, fim de semana de música no hard club, continuar as férias entre Braga, Lisboa e algures ainda não se sabe bem onde, voltar ao trabalho, possivelmente ser operada ao nariz, voltar a trabalhar, férias em novembro provavelmente a adiar, trabalhar mais, possível viagem a Moçambique em trabalho, trabalhar mais, acabar o ano na Islândia debaixo de uma aurora boreal. x tem uma vida de merda mas, vendo bem, podia ter uma vida bem pior!
20.7.16
X sai do trabalho a horas decentes e vai jantar com uma amiga a um restaurante que ela adora. X janta muito bem e no fim a amiga obriga x a experimentar a sobremesa maravilha lá do sítio. Em regra, x não come açúcar mas decide experimentar a sobremesa para fazer a vontade a amiga. Ao fim de uns minutos x tem um ataque de sede que parece que está a desidratar. Depois começa com um frio inexplicável. Tem um surto de febre. Frio, mais frio. Depois calor. Muito calor. É mais arrepios de frio. Agora já está a passar mas x acha que teve uma cena qualquer marada por causa do açúcar. X não tem diabetes... Pelo menos há dois meses não tinha. Por isso não faz ideia o que raio foi isto. Mas está quase a marcar mais uma visita ao médico. Irra.
19.7.16
18.7.16
Subscrever:
Mensagens (Atom)

